{"id":5143,"date":"2022-06-07T06:33:36","date_gmt":"2022-06-07T05:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5143"},"modified":"2022-06-07T06:33:37","modified_gmt":"2022-06-07T05:33:37","slug":"pondo-em-pratica-a-teoria-da-relatividade-especial-atraves-da-contagem-de-galaxias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/06\/07\/pondo-em-pratica-a-teoria-da-relatividade-especial-atraves-da-contagem-de-galaxias\/","title":{"rendered":"Pondo em pr\u00e1tica a teoria da relatividade especial, atrav\u00e9s da contagem de gal\u00e1xias"},"content":{"rendered":"\n<p>Os cientistas que estudam o cosmos t\u00eam uma filosofia favorita conhecida como o &#8220;princ\u00edpio da mediocridade&#8221;, o que, na sua ess\u00eancia, sugere que a Terra n\u00e3o \u00e9 realmente nada especial, nem o Sol, nem a nossa Via L\u00e1ctea, em compara\u00e7\u00e3o com o resto do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma nova investiga\u00e7\u00e3o realizada na Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, acrescentou mais uma evid\u00eancia ao caso da mediocridade: as gal\u00e1xias est\u00e3o, em m\u00e9dia, em repouso em rela\u00e7\u00e3o ao Universo primitivo. Jeremy Darling, professor de astrof\u00edsica na mesma universidade, publicou recentemente esta descoberta cosmol\u00f3gica na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic0406a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"700\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mtaMfdLC_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5144\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mtaMfdLC_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mtaMfdLC_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mtaMfdLC_o-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem feita a partir de uma composi\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es captadas entre setembro de 2003 e janeiro de 2004 pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA mostra quase 10.000 gal\u00e1xias na mais profunda imagem de luz vis\u00edvel do cosmos, atravessando milhares de milh\u00f5es de anos-luz.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), Equipa HUDF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;O que esta investiga\u00e7\u00e3o nos diz \u00e9 que temos um movimento engra\u00e7ado, mas esse movimento engra\u00e7ado \u00e9 consistente com tudo o que sabemos sobre o Universo &#8211; n\u00e3o h\u00e1 nada de especial a acontecer aqui,&#8221; disse Darling. &#8220;N\u00e3o somos especiais como uma gal\u00e1xia ou como observadores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 35 anos, os cientistas descobriram o fundo c\u00f3smico de micro-ondas, que \u00e9 a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica deixada pela forma\u00e7\u00e3o do Universo durante o Big Bang. O fundo c\u00f3smico de micro-ondas parece mais quente na dire\u00e7\u00e3o do nosso movimento e mais frio para longe da dire\u00e7\u00e3o do nosso movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste brilho do Universo primitivo, os cientistas podem inferir que o Sol &#8211; e a Terra em \u00f3rbita &#8211; est\u00e1 a mover-se numa determinada dire\u00e7\u00e3o, a uma certa velocidade. Os investigadores descobrem que a nossa velocidade inferida \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o de um por cento da velocidade da luz &#8211; pequena, mas n\u00e3o zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas podem testar independentemente esta infer\u00eancia contando as gal\u00e1xias que s\u00e3o vis\u00edveis da Terra ou somando o seu brilho. Podem faz\u00ea-lo em grande parte gra\u00e7as \u00e0 teoria da relatividade especial de Albert Einstein de 1905, que explica como a velocidade afeta o tempo e o espa\u00e7o. Nesta aplica\u00e7\u00e3o, uma pessoa na Terra olhando para o Universo numa dire\u00e7\u00e3o &#8211; a mesma dire\u00e7\u00e3o em que o Sol e a Terra se est\u00e3o a mover &#8211; deveria ver gal\u00e1xias mais brilhantes, mais azuis e mais concentradas. Da mesma forma, ao olhar na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, a pessoa deveria ver gal\u00e1xias mais escuras, avermelhadas e mais espa\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando os investigadores t\u00eam tentado contar gal\u00e1xias nos \u00faltimos anos &#8211; um processo que \u00e9 dif\u00edcil de fazer com precis\u00e3o &#8211; eles chegaram a n\u00fameros que sugerem que o Sol est\u00e1 a mover-se muito mais depressa do que se pensava anteriormente, o que est\u00e1 em desacordo com a cosmologia padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil contar gal\u00e1xias em todo o c\u00e9u &#8211; normalmente est\u00e1-se preso a um hemisf\u00e9rio ou menos,&#8221; disse Darling. &#8220;E, al\u00e9m disso, a nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia incomoda a contagem. Tem poeira que faz com que contemos menos gal\u00e1xias e f\u00e1-las parecer mais fracas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Darling ficou intrigado e perplexo com este puzzle cosmol\u00f3gico, por isso decidiu investigar por si pr\u00f3prio. Ele tamb\u00e9m sabia da exist\u00eancia de dois levantamentos recentemente divulgados que poderiam ajudar a melhorar a exatid\u00e3o de uma contagem de gal\u00e1xias &#8211; e a esclarecer o mist\u00e9rio da velocidade: o VLASS (Very Large Array Sky Survey) no estado norte-americano do Novo M\u00e9xico, e o RACS (Rapid Australian Square Kilometer Array Pathfinder Continuum Survey) na Austr\u00e1lia<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos, estes levantamentos permitiram a Darling estudar todo o c\u00e9u juntando vistas dos hemisf\u00e9rios norte e sul. Os novos levantamentos tamb\u00e9m utilizaram ondas de r\u00e1dio, o que tornou mais f\u00e1cil &#8220;ver&#8221; atrav\u00e9s da poeira da Via L\u00e1ctea, melhorando assim a vis\u00e3o do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Darling analisou os levantamentos, descobriu que o n\u00famero de gal\u00e1xias e o seu brilho estava em perfeito acordo com a velocidade que os investigadores tinham anteriormente inferido a partir do fundo c\u00f3smico de micro-ondas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Encontramos uma dire\u00e7\u00e3o brilhante e uma dire\u00e7\u00e3o t\u00e9nue &#8211; encontramos uma dire\u00e7\u00e3o onde h\u00e1 mais gal\u00e1xias e uma dire\u00e7\u00e3o onde h\u00e1 menos gal\u00e1xias,&#8221; disse. &#8220;A grande diferen\u00e7a \u00e9 que se alinha com o Universo primitivo do fundo c\u00f3smico de micro-ondas e tem a velocidade certa. A nossa cosmologia est\u00e1 saud\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que as descobertas de Darling diferem de resultados passados, o seu trabalho ir\u00e1 provavelmente suscitar alguns estudos de seguimento para confirmar ou contestar os seus resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para al\u00e9m de impulsionar o campo da cosmologia, os resultados s\u00e3o um bom exemplo, no mundo real, da teoria especial da relatividade de Einstein &#8211; e demonstram como os investigadores ainda est\u00e3o a p\u00f4r a teoria em pr\u00e1tica, mais de 100 anos ap\u00f3s o famoso f\u00edsico a ter proposto pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Adoro a ideia de que este princ\u00edpio b\u00e1sico de que Einstein nos falou h\u00e1 muito tempo \u00e9 algo que se pode ver,&#8221; disse Darling. &#8220;\u00c9 uma coisa realmente esot\u00e9rica que parece superestranha, mas se sairmos e contarmos gal\u00e1xias, podemos ver este efeito giro. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o esot\u00e9rico ou estranho como se possa pensar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/asmagazine\/2022\/05\/31\/putting-theory-special-relativity-practice-counting-galaxies\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado, Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac6f08\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.06880\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Reionization\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teoria Especial da Relatividade:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Special_relativity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Princ\u00edpio da mediocridade:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mediocrity_principle\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLASS (Very Large Array Sky Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/vlass\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/vlass\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina do NRAO para cientistas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RACS (Rapid Australian Square Kilometer Array Pathfinder Continuum Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/research.csiro.au\/racs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CSIRO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas que estudam o cosmos t\u00eam uma filosofia favorita conhecida como o &#8220;princ\u00edpio da mediocridade&#8221;, o que, na sua ess\u00eancia, sugere que a Terra n\u00e3o \u00e9 realmente nada especial, nem o Sol, nem a nossa Via L\u00e1ctea, em compara\u00e7\u00e3o com o resto do Universo. 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