{"id":5118,"date":"2022-05-27T06:15:54","date_gmt":"2022-05-27T05:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5118"},"modified":"2022-05-27T06:15:55","modified_gmt":"2022-05-27T05:15:55","slug":"a-caotica-fase-inicial-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/05\/27\/a-caotica-fase-inicial-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"A ca\u00f3tica fase inicial do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores liderada pela ETH Zurique e pelo NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) reconstruiu a hist\u00f3ria inicial de v\u00e1rios asteroides com mais precis\u00e3o do que nunca. Os seus resultados indicam que o Sistema Solar primitivo era mais ca\u00f3tico do que se pensava anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da forma\u00e7\u00e3o da Terra e de outros planetas, o jovem Sol ainda estava rodeado de g\u00e1s e poeira c\u00f3smica. Ao longo dos mil\u00e9nios, fragmentos de rocha de v\u00e1rios tamanhos formaram-se a partir da poeira. Muitos destes tornaram-se blocos de constru\u00e7\u00e3o para os planetas posteriores. Outros n\u00e3o se tornaram parte de um planeta e ainda hoje orbitam o Sol, por exemplo como asteroides na cintura de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores da ETH Zurique e do NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS), em colabora\u00e7\u00e3o com uma equipa internacional, analisaram amostras de ferro dos n\u00facleos de tais asteroides que aterraram na Terra como meteoritos. Ao faz\u00ea-lo, desvendaram parte da sua hist\u00f3ria inicial durante o tempo em que os planetas se formaram. Os seus resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5119\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/HPqLUGRz_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do Sistema Solar primitivo \u00e0 medida que a nebulosa solar come\u00e7a a desaparecer, fazendo com que os asteroides acelerem e colidam.<br>Cr\u00e9dito: Tobias Stierli\/flaeck<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Testemunhas dos prim\u00f3rdios do Sistema Solar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estudos cient\u00edficos anteriores mostraram que os asteroides no Sistema Solar permaneceram relativamente inalterados desde a sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s,&#8221; explica Alison Hunt, autora do estudo e investigadora principal da ETH Zurique e do NCCR PlanetS. \u201cS\u00e3o, portanto, um arquivo, no qual as condi\u00e7\u00f5es do Sistema Solar primitivo est\u00e3o preservadas&#8221;, diz Hunt.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas para desbloquear este arquivo, os investigadores tiveram de preparar e examinar minuciosamente o material extraterrestre. A equipa obteve amostras de 18 diferentes meteoritos de ferro, que outrora faziam parte dos n\u00facleos met\u00e1licos dos asteroides. Para realizar a sua an\u00e1lise, tiveram de dissolver as amostras para poderem isolar os elementos pal\u00e1dio, prata e platina para a sua an\u00e1lise detalhada. Com a ajuda de um espectr\u00f3metro de massa, mediram abund\u00e2ncias de diferentes is\u00f3topos. Os is\u00f3topos s\u00e3o \u00e1tomos distintos de determinados elementos que partilham todos o mesmo n\u00famero de prot\u00f5es nos seus n\u00facleos, mas variam no n\u00famero de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros milh\u00f5es de anos do nosso Sistema Solar, os n\u00facleos met\u00e1licos de asteroides foram aquecidos pelo decaimento radioativo dos is\u00f3topos. Quando come\u00e7aram a arrefecer, um is\u00f3topo espec\u00edfico de prata produzido pelo decaimento radioativo come\u00e7ou a acumular-se. Medindo os atuais r\u00e1cios de prata dentro dos meteoritos de ferro, os investigadores puderam determinar quando e qu\u00e3o rapidamente os n\u00facleos de asteroides tinham arrefecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados mostraram que o arrefecimento foi r\u00e1pido e provavelmente ocorreu devido a colis\u00f5es graves noutros corpos, que quebraram o manto rochoso isolante dos asteroides e expuseram os seus n\u00facleos met\u00e1licos ao frio do espa\u00e7o. Embora o arrefecimento r\u00e1pido tivesse sido indicado por estudos anteriores baseados em medi\u00e7\u00f5es de is\u00f3topos de prata, a cronologia tinha permanecido d\u00fabia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas medi\u00e7\u00f5es adicionais da abund\u00e2ncia de is\u00f3topos de platina permitiram-nos corrigir as medi\u00e7\u00f5es de is\u00f3topos de prata para distor\u00e7\u00f5es provocadas pela irradia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica das amostras no espa\u00e7o. Assim, conseguimos datar o momento das colis\u00f5es com maior precis\u00e3o do que nunca,&#8221; relata Hunt. &#8220;E, para nossa surpresa, todos os n\u00facleos de asteroides que examin\u00e1mos tinham sido expostos quase simultaneamente, num per\u00edodo de tempo de 7,8 a 11,7 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar&#8221;, diz a investigadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As colis\u00f5es quase simult\u00e2neas dos diferentes asteroides indicaram \u00e0 equipa que este per\u00edodo deve ter sido uma fase muito inst\u00e1vel do Sistema Solar. &#8220;Tudo parece ter sido esmagado nessa altura,&#8221; diz Hunt. &#8220;E n\u00f3s quer\u00edamos saber porqu\u00ea,&#8221; acrescenta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b4\/15\/POiHQN6h_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b4\/15\/POiHQN6h_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Uma das amostras de meteoritos de ferro que a equipa analisou.<br>Cr\u00e9dito: Aurelia Meister<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Do laborat\u00f3rio \u00e0 nebulosa solar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa considerou causas diferentes ao combinar os seus resultados com os das mais recentes e sofisticadas simula\u00e7\u00f5es computorizadas do desenvolvimento do Sistema Solar. Juntas, estas fontes poderiam reduzir as explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A teoria que melhor explicava esta fase inicial energ\u00e9tica do Sistema Solar indicava que ela era provocada principalmente pela dissipa\u00e7\u00e3o da chamada nebulosa solar,&#8221; explica Maria Sch\u00f6nb\u00e4chler, coautora do estudo, membro do NCCR PlanetS e professora de Cosmoqu\u00edmica na ETH Zurique. &#8220;Esta nebulosa solar \u00e9 o remanescente de g\u00e1s que sobrou da nuvem c\u00f3smica de onde o Sol nasceu. Durante alguns milh\u00f5es de anos, ainda orbitou o jovem Sol at\u00e9 ser soprada pelos ventos solares e pela radia\u00e7\u00e3o,&#8221; diz Sch\u00f6nb\u00e4chler.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto a nebulosa ainda existia, abrandou os objetos em \u00f3rbita do Sol no seu interior &#8211; semelhante \u00e0 forma como a resist\u00eancia do ar abranda um carro em movimento. Depois da nebulosa ter desaparecido, sugerem os investigadores, a falta de arrasto do g\u00e1s permitiu que os asteroides acelerassem e colidissem uns com os outros &#8211; como carrinhos de choque em modo turbo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho ilustra como as melhorias nas t\u00e9cnicas de medi\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio nos permitem inferir processos chave que tiveram lugar no Sistema Solar primitivo &#8211; como o tempo prov\u00e1vel em que a nebulosa desapareceu. Planetas como a Terra ainda estavam no processo de nascer nessa altura. Em \u00faltima an\u00e1lise, isto pode ajudar-nos a compreender melhor como nasceram os nossos pr\u00f3prios planetas, mas tamb\u00e9m nos d\u00e1 uma vis\u00e3o sobre outros para l\u00e1 do Sistema Solar&#8221;, conclui Sch\u00f6nb\u00e4chler.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2022\/05\/the-chaotic-early-phase-of-the-solar-system.html\" target=\"_blank\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nccr-planets.ch\/blog\/2022\/05\/24\/the-chaotic-early-phase-of-the-solar-system\/\" target=\"_blank\">\/\/ NCCR PlanetS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01675-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investigadores liderada pela ETH Zurique e pelo NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) reconstruiu a hist\u00f3ria inicial de v\u00e1rios asteroides com mais precis\u00e3o do que nunca. 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