{"id":5099,"date":"2022-05-20T06:20:49","date_gmt":"2022-05-20T05:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5099"},"modified":"2022-05-20T06:20:50","modified_gmt":"2022-05-20T05:20:50","slug":"pedra-extraterrestre-trouxe-a-terra-as-primeiras-evidencias-tangiveis-de-uma-supernova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/05\/20\/pedra-extraterrestre-trouxe-a-terra-as-primeiras-evidencias-tangiveis-de-uma-supernova\/","title":{"rendered":"Pedra extraterrestre trouxe \u00e0 Terra as primeiras evid\u00eancias tang\u00edveis de uma supernova"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nova qu\u00edmica &#8220;forense&#8221; indica que a pedra chamada Hip\u00e1tia, do deserto eg\u00edpcio, pode ser a primeira evid\u00eancia tang\u00edvel encontrada na Terra da explos\u00e3o de uma supernova do Tipo Ia. Estas raras supernovas s\u00e3o alguns dos eventos mais energ\u00e9ticos do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a conclus\u00e3o de um novo estudo publicado na revista Icarus, por Jan Kramers, Georgy Belyanin e Hartmut Winkler da Universidade de Joanesburgo e outros. Desde 2013, Belyanin e Kramers descobriram uma s\u00e9rie de pistas qu\u00edmicas altamente invulgares num pequeno fragmento da pedra de Hip\u00e1tia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na nova investiga\u00e7\u00e3o, eles eliminam &#8220;suspeitos c\u00f3smicos&#8221; para a origem da pedra num processo meticuloso. Juntaram uma linha temporal que se estende at\u00e9 \u00e0s fases iniciais da forma\u00e7\u00e3o da Terra, do nosso Sol e dos outros planetas do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8kIQWNtq_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8kIQWNtq_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5100\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8kIQWNtq_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8kIQWNtq_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8kIQWNtq_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Amostras da pedra extraterrestre Hip\u00e1tia ao lado de uma pequena moeda.<br>Cr\u00e9dito: Jan Kramers<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma linha temporal c\u00f3smica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua hip\u00f3tese sobre a origem de Hip\u00e1tia come\u00e7a com uma estrela: uma estrela gigante vermelha colapsou numa estrela an\u00e3 branca. O colapso teria acontecido dentro de uma gigantesca nuvem de poeira, tamb\u00e9m chamada de nebulosa. Essa an\u00e3 branca encontrava-se num sistema bin\u00e1rio com uma segunda estrela. A an\u00e3 branca acabou por &#8220;comer&#8221; a outra estrela. A certa altura, a an\u00e3 branca &#8220;esfomeada&#8221; explodiu como uma supernova do Tipo Ia dentro da nuvem de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o arrefecimento, os \u00e1tomos de g\u00e1s que restavam da supernova do Tipo Ia come\u00e7aram a aderir \u00e0s part\u00edculas da nuvem de poeira. &#8220;De certa forma, poder\u00edamos dizer que &#8216;apanh\u00e1mos&#8217; uma explos\u00e3o de supernova do Tipo Ia &#8216;em flagrante&#8217;, porque os \u00e1tomos de g\u00e1s da explos\u00e3o foram apanhados na nuvem de poeira circundante, que eventualmente formou o corpo parente de Hip\u00e1tia,&#8221; diz Kramers. Uma enorme &#8220;bolha&#8221; desta mistura de poeira e \u00e1tomos de g\u00e1s da supernova nunca interagiu com outras nuvens de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Milh\u00f5es de anos depois e eventualmente a &#8220;bolha&#8221; tornar-se-ia lentamente s\u00f3lida, um aglomerado c\u00f3smico de poeira. O &#8220;corpo parente&#8221; de Hip\u00e1tia tornar-se-ia uma rocha s\u00f3lida, algures nas fases iniciais da forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar. Este processo aconteceu provavelmente numa parte exterior fria e calma do nosso Sistema Solar &#8211; na nuvem de Oort ou na cintura de Kuiper.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A um determinado ponto, a rocha m\u00e3e de Hip\u00e1tia come\u00e7ou a deslocar-se para a Terra. O calor da entrada na atmosfera, combinado com a press\u00e3o do impacto no Grande Mar de Areia, no sudoeste do Egipto, criou microdiamantes e estilha\u00e7ou a rocha m\u00e3e. A pedra de Hip\u00e1tia apanhada no deserto deve ser um dos muitos fragmentos do impactor original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se esta hip\u00f3tese estiver correta, a pedra de Hip\u00e1tia seria a primeira evid\u00eancia tang\u00edvel na Terra de uma explos\u00e3o de supernova do Tipo Ia. Talvez igualmente importante, mostra que uma &#8216;parcela&#8217; individual an\u00f3mala de poeira do espa\u00e7o exterior poderia na realidade ser incorporada na nebulosa solar da qual o nosso Sistema Solar foi formado, sem estar completamente misturada,&#8221; diz Kramers. &#8220;Isto vai contra a vis\u00e3o convencional de que a poeira a partir da qual o nosso Sistema Solar foi formado foi completamente misturada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tr\u00eas milh\u00f5es de volts para uma amostra min\u00fascula<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para reconstituir a linha temporal de como Hip\u00e1tia pode ter-se formado, os investigadores utilizaram v\u00e1rias t\u00e9cnicas para analisar a estranha pedra. Em 2013, um estudo dos is\u00f3topos de \u00e1rgon mostrou que a pedra n\u00e3o se formou na Terra. Tinha de ser extraterrestre. Um estudo de 2015 sobre gases nobres no fragmento indicou que pode n\u00e3o ser de nenhum tipo conhecido de meteorito ou cometa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, a equipa da Universidade de Joanesburgo publicou v\u00e1rias an\u00e1lises, incluindo a descoberta de um mineral, o fosfeto de n\u00edquel, n\u00e3o encontrado em qualquer objeto do nosso Sistema Solar. Nessa fase, Hip\u00e1tia estava a revelar-se dif\u00edcil de analisar mais a fundo. Os tra\u00e7os de metais que Kramers e Belyanin procuravam n\u00e3o podiam ser realmente &#8220;vistos em detalhe&#8221; com o equipamento que tinham. Precisavam de um instrumento mais poderoso que n\u00e3o destru\u00edsse a pequena amostra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kramers come\u00e7ou a analisar um conjunto de dados que Belyanin tinha criado alguns anos antes. Em 2015, Belyanin tinha feito uma s\u00e9rie de an\u00e1lises sobre um feixe de prot\u00f5es nos Laborat\u00f3rios iThemba em Somerset West. Na altura, o Dr. Wojciech Przybylowicz manteve a m\u00e1quina de tr\u00eas milh\u00f5es de volts a zumbir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em busca de um padr\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em vez de explorar todas as incr\u00edveis anomalias que Hip\u00e1tia apresenta, quisemos explorar se existe uma unidade subjacente. Quer\u00edamos ver se existe algum tipo de padr\u00e3o qu\u00edmico consistente na pedra,&#8221; diz Kramers. Belyanin selecionou cuidadosamente 17 alvos na min\u00fascula amostra para an\u00e1lise. Todos foram escolhidos por estarem bem longe dos minerais terrestres que se tinham formado nas fendas da rocha original ap\u00f3s o seu impacto no deserto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Identific\u00e1mos 15 elementos diferentes em Hip\u00e1tia com muito maior precis\u00e3o, com a microssonda de prot\u00f5es. Isto deu-nos os &#8216;ingredientes&#8217; qu\u00edmicos de que precis\u00e1vamos, para que Jan pudesse dar in\u00edcio ao pr\u00f3ximo processo de an\u00e1lise de todos os dados,&#8221; diz Belyanin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O feixe de prot\u00f5es tamb\u00e9m exclui o Sistema Solar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bb\/ee\/bzhHBlLx_o.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bb\/ee\/bzhHBlLx_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Um feixe de prot\u00f5es mostra tr\u00eas elementos vestigiais na pedra extraterrestre Hip\u00e1tia e as suas concentra\u00e7\u00f5es. Aqui, vemos enxofre, ferro e n\u00edquel para os alvos 1 e 2 dentro da regi\u00e3o 14 na amostra.<br>Cr\u00e9dito: Georgy Belyanin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira grande pista nova da an\u00e1lise do feixe de prot\u00f5es foi o n\u00edvel surpreendentemente baixo de sil\u00edcio nos alvos da pedra Hip\u00e1tia. O sil\u00edcio, juntamente com o cr\u00f3mio e o mangan\u00eas, eram menos de 1% esperados para algo formado dentro do nosso Sistema Solar interior. Al\u00e9m disso, quantidades elevadas de ferro, enxofre, f\u00f3sforo, cobre e van\u00e1dio eram not\u00f3rias e an\u00f3malas, acrescentou Kramers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontr\u00e1mos um padr\u00e3o consistente de abund\u00e2ncia de elementos vestigiais que \u00e9 completamente diferente de qualquer coisa no Sistema Solar, primitivo ou evolu\u00eddo. Os objetos na cintura de asteroides e os meteoros tamb\u00e9m n\u00e3o correspondem a este padr\u00e3o. Por isso, de seguida olh\u00e1mos para fora do Sistema Solar,&#8221; diz Kramers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o \u00e9 da nossa vizinhan\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, Kramers comparou o padr\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o de elementos de Hip\u00e1tia com o que se esperaria ver na poeira entre as estrelas do bra\u00e7o solar da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. &#8220;Procur\u00e1mos ver se o padr\u00e3o que obtemos da poeira interestelar m\u00e9dia no nosso bra\u00e7o da Gal\u00e1xia se enquadra no que vemos em Hip\u00e1tia. Mais uma vez, n\u00e3o havia qualquer semelhan\u00e7a,&#8221; salienta Kramers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta altura, os dados do feixe de prot\u00f5es tamb\u00e9m tinham exclu\u00eddo quatro &#8220;suspeitos&#8221; de onde Hip\u00e1tia poderia ter-se formado. Hip\u00e1tia n\u00e3o se formou na Terra, n\u00e3o fazia parte de nenhum tipo conhecido de cometa ou meteorito, n\u00e3o se formou a partir da poeira m\u00e9dia do Sistema Solar interior e tamb\u00e9m n\u00e3o a partir da poeira interestelar m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o era de uma gigante vermelha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima explica\u00e7\u00e3o mais simples poss\u00edvel para o padr\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o de elementos na amostra de Hip\u00e1tia seria uma estrela gigante vermelha. As estrelas gigantes vermelhas s\u00e3o comuns no Universo. Mas os dados do feixe de prot\u00f5es exclu\u00edram tamb\u00e9m o fluxo exterior de massa de uma estrela gigante vermelha: Hip\u00e1tia cont\u00e9m demasiado ferro, muito pouco sil\u00edcio e concentra\u00e7\u00f5es demasiado baixas de elementos pesados mais pesados do que o ferro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nem de uma supernova do Tipo II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O &#8220;suspeito&#8221; seguinte a considerar era uma supernova do Tipo II. As supernovas do Tipo II &#8220;cozinham&#8221; muito ferro. S\u00e3o tamb\u00e9m um tipo relativamente comum de supernova. Mais uma vez, os dados do feixe de prot\u00f5es para Hip\u00e1tia descartaram um suspeito promissor com &#8220;qu\u00edmica forense&#8221;. Uma supernova do Tipo II era altamente improv\u00e1vel como fonte de minerais estranhos como o fosfeto de n\u00edquel na amostra. Havia tamb\u00e9m demasiado ferro, em compara\u00e7\u00e3o com o sil\u00edcio e o c\u00e1lcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era tempo de examinar de perto a qu\u00edmica prevista de uma das explos\u00f5es mais dram\u00e1ticas do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>F\u00e1brica de metais pesados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma esp\u00e9cie mais rara de supernova tamb\u00e9m produz muito ferro. As supernovas do Tipo Ia s\u00f3 ocorrem uma ou duas vezes por gal\u00e1xia, por s\u00e9culo. Mas fabricam a maior parte do ferro no Universo. A maior parte do a\u00e7o na Terra foi outrora o elemento ferro criado pelas supernovas do Tipo Ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a ci\u00eancia estabelecida diz que algumas supernovas do Tipo Ia deixam para tr\u00e1s pistas muito distintas de &#8220;qu\u00edmica forense&#8221;. Isto \u00e9 devido \u00e0 forma como algumas supernovas do Tipo Ia s\u00e3o criadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro, uma estrela gigante vermelha no fim da sua vida colapsa numa estrela an\u00e3 branca muito densa. As estrelas an\u00e3s brancas s\u00e3o geralmente incrivelmente est\u00e1veis durante per\u00edodos muito longos e muito pouco suscet\u00edveis de explodir. No entanto, h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es a esta regra. Uma an\u00e3 branca pode come\u00e7ar a &#8220;puxar&#8221; mat\u00e9ria de outra estrela num sistema bin\u00e1rio. Pode dizer-se que a an\u00e3 branca &#8220;devora&#8221; a sua estrela companheira. Eventualmente a an\u00e3 branca fica t\u00e3o pesada, quente e inst\u00e1vel que explode como uma supernova do Tipo Ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fus\u00e3o nuclear durante a explos\u00e3o de supernova do Tipo Ia deve criar padr\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de elementos altamente invulgares, preveem os modelos te\u00f3ricos cient\u00edficos aceites. Al\u00e9m disso, a estrela an\u00e3 branca que explode numa supernova do Tipo Ia n\u00e3o explode apenas em fragmentos, mas literalmente explode em \u00e1tomos. A mat\u00e9ria da supernova do Tipo Ia \u00e9 entregue ao espa\u00e7o como \u00e1tomos de g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa extensa pesquisa bibliogr\u00e1fica de dados estelares e resultados de modelos, a equipa n\u00e3o conseguiu identificar nenhum outro alvo qu\u00edmico semelhante ou melhor adequado para a pedra de Hip\u00e1tia do que um conjunto espec\u00edfico de modelos de supernovas do Tipo Ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evid\u00eancia de elementos forenses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todos os dados e modelos te\u00f3ricos de supernovas do Tipo Ia mostram propor\u00e7\u00f5es muito mais elevadas de ferro em compara\u00e7\u00e3o com o sil\u00edcio e c\u00e1lcio do que os modelos das supernovas do Tipo II,&#8221; diz Kramers. &#8220;A este respeito, os dados laboratoriais do feixe de prot\u00f5es sobre Hip\u00e1tia encaixam nos dados e modelos de uma supernova do Tipo Ia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No total, oito dos 15 elementos analisados est\u00e3o em conformidade com as gamas de propor\u00e7\u00f5es previstas em rela\u00e7\u00e3o ao ferro. Esses s\u00e3o os elementos sil\u00edcio, enxofre, c\u00e1lcio, tit\u00e2nio, van\u00e1dio, cr\u00f3mio, mangan\u00eas e n\u00edquel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, nem todos os 15 elementos analisados em Hip\u00e1tia encaixam nas previs\u00f5es. Para seis dos 15 elementos, as propor\u00e7\u00f5es foram entre 10 e 100 vezes superiores aos intervalos previstos pelos modelos te\u00f3ricos para supernovas do Tipo Ia. Estes s\u00e3o os elementos alum\u00ednio, f\u00f3sforo, cloro, pot\u00e1ssio, cobre e zinco. &#8220;Uma vez que a an\u00e3 branca \u00e9 formada partir de uma gigante vermelha moribunda, Hip\u00e1tia pode ter herdado estas propor\u00e7\u00f5es de elementos para os seis elementos de uma estrela gigante vermelha. Este fen\u00f3meno tem sido observado em an\u00e3s brancas noutras investiga\u00e7\u00f5es,&#8221; acrescenta Kramers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se esta hip\u00f3tese estiver correta, a pedra de Hip\u00e1tia seria a primeira evid\u00eancia tang\u00edvel na Terra de uma explos\u00e3o de supernova do Tipo Ia, um dos eventos mais energ\u00e9ticos do Universo. A pedra de Hip\u00e1tia seria uma pista para uma hist\u00f3ria c\u00f3smica que come\u00e7ou durante a forma\u00e7\u00e3o inicial do nosso Sistema Solar e seria encontrada muitos anos mais tarde, entre outros seixos, num remoto deserto eg\u00edpcio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Extraterrestrial Stone Could Be First Evidence of Supernova Ia Explosion\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vOA6i6aeyoE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uj.ac.za\/news\/extraterrestrial-stone-brings-first-supernova-clues-to-earth\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Joanesburgo (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0019103522001555?via=ihub\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/05\/220516081719.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-05-extraterrestrial-stone-supernova-clues-earth.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/this-could-be-the-first-evidence-on-earth-of-a-standard-candle-supernova-explosion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedra Hip\u00e1tia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hypatia_(stone)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova qu\u00edmica &#8220;forense&#8221; indica que a pedra chamada Hip\u00e1tia, do deserto eg\u00edpcio, pode ser a primeira evid\u00eancia tang\u00edvel encontrada na Terra da explos\u00e3o de uma supernova do Tipo Ia. 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