{"id":5082,"date":"2022-05-13T03:29:35","date_gmt":"2022-05-13T02:29:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5082"},"modified":"2022-05-13T03:29:37","modified_gmt":"2022-05-13T02:29:37","slug":"astronomos-encontram-estrela-padrao-de-ouro-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/05\/13\/astronomos-encontram-estrela-padrao-de-ouro-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos encontram estrela &#8220;padr\u00e3o de ouro&#8221; na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No nosso bairro solar da Via L\u00e1ctea, est\u00e1 uma estrela relativamente brilhante, e nela, os astr\u00f3nomos t\u00eam sido capazes de identificar a mais vasta gama de elementos at\u00e9 agora encontrados numa estrela para l\u00e1 do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, liderado pelo astr\u00f3nomo Ian Roederer da Universidade de Michigan, identificou 65 elementos na estrela HD 222925. Quarenta e dois dos elementos identificados s\u00e3o elementos pesados que est\u00e3o listados ao longo da parte inferior da tabela peri\u00f3dica de elementos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1021\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5083\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o.jpg 1021w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/U0PH6TB6_o-768x770.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1021px) 100vw, 1021px\" \/><\/a><figcaption>HD 222925 \u00e9 uma estrela de magnitude 9 localizada na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio sul de Tucano.<br>Cr\u00e9dito: STScI Digitized Sky Survey<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identifica\u00e7\u00e3o destes elementos numa \u00fanica estrela vai ajudar os astr\u00f3nomos a compreender o que se chama de &#8220;processo r\u00e1pido de captura de neutr\u00f5es&#8221;, ou uma das principais formas pelas quais os elementos pesados do Universo foram criados. Os seus resultados foram publicados no site arXiv e foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal Supplement Series.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tanto quanto sei, \u00e9 um recorde para qualquer objeto para l\u00e1 do nosso Sistema Solar. E o que torna esta estrela t\u00e3o \u00fanica \u00e9 que tem uma propor\u00e7\u00e3o relativa muito elevada dos elementos listados ao longo dos dois-ter\u00e7os inferiores da tabela peri\u00f3dica. At\u00e9 detet\u00e1mos ouro,&#8221; disse Roederer. &#8220;Estes elementos foram feitos atrav\u00e9s do processo r\u00e1pido de captura de neutr\u00f5es. \u00c9 o que estamos realmente a tentar estudar: a f\u00edsica na compreens\u00e3o de como, onde e quando esses elementos foram feitos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo, tamb\u00e9m chamado &#8220;processo r&#8221;, come\u00e7a com a presen\u00e7a de elementos mais leves, como o ferro. Depois, rapidamente &#8211; na ordem de um segundo &#8211; neutr\u00f5es s\u00e3o adicionados aos n\u00facleos dos elementos mais leves. Isto cria elementos mais pesados tais como sel\u00e9nio, prata, tel\u00fario, platina, ouro e t\u00f3rio, do tipo encontrado em HD 222925, e todos eles raramente s\u00e3o detetados em estrelas, segundo os astr\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00e3o necess\u00e1rios muitos neutr\u00f5es que sejam livres e um conjunto de condi\u00e7\u00f5es muito energ\u00e9ticas para os libertar e adicion\u00e1-los aos n\u00facleos de \u00e1tomos,&#8221; disse Roederer. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 muitos ambientes em que isso possa acontecer &#8211; dois, talvez.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um destes ambientes foi confirmado: a fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es. As estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o os n\u00facleos colapsados de estrelas supergigantes e s\u00e3o os objetos celestes mais pequenos e mais densos conhecidos. A colis\u00e3o de pares de estrelas de neutr\u00f5es provoca ondas gravitacionais e, em 2017, os astr\u00f3nomos detetaram pela primeira vez ondas gravitacionais da fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es. Outra forma de o processo r poder ocorrer \u00e9 ap\u00f3s a morte explosiva de estrelas massivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um importante passo em frente: reconhecer onde o processo r pode ocorrer. Mas \u00e9 um passo muito maior dizer, &#8220;O que \u00e9 que esse evento realmente fez? O que foi produzido l\u00e1?&#8221; disse Roederer. &#8220;\u00c9 a\u00ed que entra o nosso estudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os elementos que Roederer e a sua equipa identificaram em HD 222925 foram produzidos ou numa supernova massiva ou numa fus\u00e3o entre estrelas de neutr\u00f5es muito cedo no Universo. O material foi ejetado e atirado de volta para o espa\u00e7o, onde mais tarde foi reformado para a estrela que Roederer est\u00e1 hoje a estudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta estrela pode ent\u00e3o ser usada como um substituto para o que um desses eventos teria produzido. Qualquer modelo desenvolvido no futuro que demonstre como o processo r ou a natureza produz elementos nos dois-ter\u00e7os inferiores da tabela peri\u00f3dica deve ter a mesma assinatura que HD 222925, explica Roederer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crucialmente, os astr\u00f3nomos utilizaram um instrumento no Telesc\u00f3pio Espacial Hubble que pode recolher espectros ultravioletas. Este instrumento foi fundamental para permitir aos astr\u00f3nomos recolher luz na sec\u00e7\u00e3o ultravioleta do espectro &#8211; luz que \u00e9 fraca, proveniente de uma estrela fria como HD 222925.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos tamb\u00e9m utilizaram um dos telesc\u00f3pios Magellan &#8211; um cons\u00f3rcio do qual a Universidade de Michigan \u00e9 parceira &#8211; no Observat\u00f3rio Las Campanas no Chile para recolher a luz de HD 222925 na parte \u00f3tica do espectro de luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes espectros codificam a &#8220;impress\u00e3o digital qu\u00edmica&#8221; de elementos dentro das estrelas e a leitura destes espectros permite aos astr\u00f3nomos n\u00e3o s\u00f3 identificar os elementos contidos na estrela, mas tamb\u00e9m a quantidade de um elemento que a estrela cont\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anna Frebel \u00e9 coautora do estudo e professora de f\u00edsica no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ela ajudou na interpreta\u00e7\u00e3o geral do padr\u00e3o de abund\u00e2ncia de elementos de HD 222925 e na forma como este informa a nossa compreens\u00e3o da origem dos elementos no cosmos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Conhecemos agora a produ\u00e7\u00e3o detalhada, elemento a elemento, de algum evento de processo r que aconteceu no in\u00edcio do Universo,&#8221; disse Frebel. &#8220;Qualquer modelo que tente compreender o que se passa com o processo r tem de ser capaz de reproduzir isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos dos coautores do estudo fazem parte de um grupo chamado &#8220;R-Process Alliance&#8221;, um grupo de astrof\u00edsicos dedicados a resolver as grandes quest\u00f5es do processo r. Este projeto marca um dos principais objetivos da equipa: a identifica\u00e7\u00e3o de quais os elementos, e em que quantidades, foram produzidos no processo e com um n\u00edvel de detalhe sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.umich.edu\/astronomers-find-gold-standard-star-in-milky-way\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.wisc.edu\/detailed-analysis-of-old-star-provides-template-for-heavy-element-formation\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Wisconsin-Madison (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.03426\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD 222925:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD222925\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Processo r:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/R-process\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais &#8211; Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Detetores: como funcionam &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As fontes de ondas gravitacionais &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pios Magellan:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lco.cl\/telescopes-information\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"http:\/\/obs.carnegiescience.edu\/Magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Carnegie<\/a><br><a href=\"https:\/\/visao.as.arizona.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Arizona<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No nosso bairro solar da Via L\u00e1ctea, est\u00e1 uma estrela relativamente brilhante, e nela, os astr\u00f3nomos t\u00eam sido capazes de identificar a mais vasta gama de elementos at\u00e9 agora encontrados numa estrela para l\u00e1 do Sistema Solar. 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