{"id":5054,"date":"2022-05-03T07:12:15","date_gmt":"2022-05-03T06:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5054"},"modified":"2022-05-03T07:12:16","modified_gmt":"2022-05-03T06:12:16","slug":"a-atmosfera-da-terra-pode-ser-fonte-de-alguma-agua-lunar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/05\/03\/a-atmosfera-da-terra-pode-ser-fonte-de-alguma-agua-lunar\/","title":{"rendered":"A atmosfera da Terra pode ser fonte de alguma \u00e1gua lunar"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com novas investiga\u00e7\u00f5es por cientistas do Instituto Geof\u00edsico da Universidade do Alaska Fairbanks, os i\u00f5es de hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio que escapam da atmosfera superior da Terra e se combinam na Lua podem ser uma das fontes de \u00e1gua e gelo lunares conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho liderado por Gunther Kletetschka, professor associado, acrescenta a um corpo crescente de investiga\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1gua nos polos norte e sul da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontrar \u00e1gua \u00e9 fundamental para o projeto Artemis da NASA, a planeada presen\u00e7a humana a longo prazo na Lua. A NASA planeia enviar humanos de volta \u00e0 Lua nesta d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"505\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o-1024x505.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5055\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o-1024x505.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o-300x148.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o-768x379.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4V2IUnRo_o.jpg 1127w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A imagem mostra a distribui\u00e7\u00e3o de gelo superficial no polo sul (esquerda) e no polo norte (direita) da Lua, detetado pelo instrumento M3 (Moon Mineralogy Mapper) da NASA a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1 em 2009. O azul representa as localiza\u00e7\u00f5es de gelo, tra\u00e7adas sobre uma imagem da superf\u00edcie lunar, onde a escala cinzenta corresponde \u00e0 temperatura da superf\u00edcie (zonas mais escuras representando \u00e1reas mais frias e sombras mais claras indicando zonas mais quentes). O gelo est\u00e1 concentrado nos locais mais escuros e frios, nas sombras das crateras. Esta imagem foi a primeira vez que os cientistas observaram diretamente evid\u00eancias de \u00e1gua gelada na superf\u00edcie da Lua.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Dado que a equipa Artemis da NASA planeia construir uma base no polo sul da Lua, os i\u00f5es de \u00e1gua que tiveram origem h\u00e1 muitos \u00e9ones atr\u00e1s na Terra podem ser usados no sistema de suporte de vida dos astronautas,&#8221; disse Kletetschka.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova investiga\u00e7\u00e3o estima que as regi\u00f5es polares da Lua podem conter at\u00e9 3500 quil\u00f3metros c\u00fabicos ou mais de \u00e1gua gelada \u00e0 superf\u00edcie ou subsuperficial criada a partir de i\u00f5es que escaparam \u00e0 atmosfera da Terra. Trata-se de um volume compar\u00e1vel ao lago Huron da Am\u00e9rica do Norte, o oitavo maior lago do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores basearam esse total no c\u00e1lculo do modelo de volume mais baixo &#8211; 1% do escape atmosf\u00e9rico da Terra que alcan\u00e7a a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensa-se geralmente que a maioria da \u00e1gua lunar tenha sido depositada por asteroides e cometas que colidiram com a Lua. A maioria foi durante um per\u00edodo conhecido como Intenso Bombardeamento Tardio. Argumenta-se que nesse per\u00edodo, h\u00e1 cerca de 3,5 mil milh\u00f5es de anos, quando o Sistema Solar tinha cerca de mil milh\u00f5es de anos, os planetas interiores primitivos e a Lua da Terra sofreram impactos invulgarmente pesados por asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m teorizam que o vento solar possa ser uma fonte. O vento solar transporta i\u00f5es de oxig\u00e9nio e hidrog\u00e9nio, que podem ter sido combinados e depositados na Lua como mol\u00e9culas de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora h\u00e1 uma forma adicional de explicar como a \u00e1gua se acumula na Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada dia 16 de mar\u00e7o na revista Scientific Reports num artigo em coautoria com o estudante de doutoramento Nicholas Hasson do Instituto Geof\u00edsico e do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o da \u00c1gua e do Ambiente da Universidade do Alaska Fairbanks. V\u00e1rios colegas da Rep\u00fablica Checa est\u00e3o tamb\u00e9m entre os coautores.<\/p>\n\n\n\n<p>Kletetschka e colegas sugerem que os i\u00f5es de hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio s\u00e3o levados para a Lua quando esta passa pela cauda da magnetosfera da Terra, o que acontece em cinco dias da viagem mensal da Lua em torno do planeta. A magnetosfera \u00e9 a bolha em forma de l\u00e1grima criada pelo campo magn\u00e9tico da Terra que protege o planeta de grande parte do fluxo cont\u00ednuo de part\u00edculas solares carregadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Medi\u00e7\u00f5es recentes de v\u00e1rias ag\u00eancias espaciais &#8211; NASA, ESA, JAXA e ISRO &#8211; revelaram n\u00fameros significativos de i\u00f5es formadores de \u00e1gua presentes durante o tr\u00e2nsito da Lua atrav\u00e9s desta parte da magnetosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes i\u00f5es t\u00eam-se acumulado lentamente desde o Intenso Bombardeamento Tardio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/93\/2b\/ubZEyAPn_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/93\/2b\/ubZEyAPn_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Este diagrama do trabalho de investiga\u00e7\u00e3o de Gunther Kletetschka mostra a Lua a aproximar-se da magnetocauda da Terra.<br>Cr\u00e9dito: Gunther Kletetschka<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a da Lua na cauda da magnetosfera, chamada magnetocauda, afeta temporariamente algumas das linhas do campo magn\u00e9tico da Terra &#8211; aquelas que s\u00e3o quebradas e que se arrastam simplesmente para o espa\u00e7o durante muitos milhares de quil\u00f3metros. Nem todas as linhas do campo magn\u00e9tico da Terra est\u00e3o ligadas ao planeta em ambas as extremidades; algumas t\u00eam apenas um ponto de liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a da Lua na magnetocauda faz com que algumas destas linhas partidas de campo voltem a ligar-se com a sua contraparte oposta partida. Quando isso acontece, os i\u00f5es de hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio que escaparam \u00e0 Terra correm para essas linhas de campo reconectadas e s\u00e3o acelerados de volta para a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores do artigo sugerem que muitos desses i\u00f5es que regressam atingem a Lua que passa, a qual n\u00e3o tem uma magnetosfera pr\u00f3pria para os repelir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 como se a Lua estivesse no duche &#8211; um duche de i\u00f5es de \u00e1gua que voltam para a Terra, caindo sobre a superf\u00edcie da Lua,&#8221; disse Kletetschka.<\/p>\n\n\n\n<p>Os i\u00f5es combinam-se ent\u00e3o para formar o pergelissolo lunar. Parte, atrav\u00e9s de processos geol\u00f3gicos e outros, tais como impactos de asteroides, s\u00e3o conduzidos abaixo da superf\u00edcie, onde podem tornar-se \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de investiga\u00e7\u00e3o usou dados gravitacionais da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA para estudar regi\u00f5es polares juntamente com v\u00e1rias grandes crateras lunares. Anomalias em medi\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas de crateras de impacto indicam locais de rocha fraturada conducentes a conter \u00e1gua l\u00edquida ou gelo. As medi\u00e7\u00f5es de gravidade nesses locais subterr\u00e2neos sugerem a presen\u00e7a de gelo ou \u00e1gua l\u00edquida, l\u00ea-se no artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o mais recente baseia-se em trabalhos publicados em dezembro de 2020 por quatro dos autores do novo artigo, incluindo Kletetschka.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/uaf.edu\/news\/earths-atmosphere-may-be-source-of-some-lunar-water.php#gsc.tab=0\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Alaska Fairbanks (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.natur.cuni.cz\/eng\/aktuality\/where-does-water-on-the-moon-come-from-and-where-is-it-stored\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Carolina de Praga (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-022-08305-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Scientific Reports)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Lua:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lunar_water\" target=\"_blank\">\u00c1gua lunar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/LRO\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lunar_Reconnaissance_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa Artemis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/topics\/moon-to-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Artemis_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com novas investiga\u00e7\u00f5es por cientistas do Instituto Geof\u00edsico da Universidade do Alaska Fairbanks, os i\u00f5es de hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio que escapam da atmosfera superior da Terra e se combinam na Lua podem ser uma das fontes de \u00e1gua e gelo lunares conhecidas. 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