{"id":5033,"date":"2022-04-26T06:14:55","date_gmt":"2022-04-26T05:14:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5033"},"modified":"2022-04-26T06:14:56","modified_gmt":"2022-04-26T05:14:56","slug":"porque-e-que-venus-gira-lentamente-apesar-do-poderoso-aperto-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/26\/porque-e-que-venus-gira-lentamente-apesar-do-poderoso-aperto-do-sol\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que V\u00e9nus gira lentamente, apesar do poderoso &#8220;aperto&#8221; do Sol"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se n\u00e3o fosse a atmosfera veloz de V\u00e9nus, o planeta irm\u00e3o da Terra provavelmente n\u00e3o rodaria. Ao inv\u00e9s, V\u00e9nus teria sempre o mesmo lado virado para o Sol, da mesma forma que vemos sempre a mesma face da Lua a partir da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gravidade de um objeto grande no espa\u00e7o pode impedir um objeto mais pequeno de girar, um fen\u00f3meno chamado bloqueio de mar\u00e9. Dado que impede este bloqueio, um cientista da Universidade da Calif\u00f3rnia, Riverside, argumenta que a atmosfera precisa de ser um factor mais proeminente nos estudos de V\u00e9nus, bem como de outros planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes argumentos, bem como as descri\u00e7\u00f5es de V\u00e9nus como um planeta com bloqueio parcial de mar\u00e9, foram publicados num artigo da revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"721\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o-1024x721.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5034\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o-300x211.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o-768x541.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lBKVjpJq_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>O brilhante planeta V\u00e9nus, visto perto da Lua Crescente.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Bill Dunford<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensamos na atmosfera como uma camada fina, quase separada, no topo de um planeta que tem uma intera\u00e7\u00e3o m\u00ednima com o planeta s\u00f3lido,&#8221; disse Stephen Kane, astrof\u00edsico da UCR e autor principal do artigo cient\u00edfico. &#8220;A poderosa atmosfera de V\u00e9nus ensina-nos que \u00e9 uma parte muito mais integrada do planeta que afeta absolutamente tudo, at\u00e9 a rapidez com que o planeta gira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e9nus leva 243 dias terrestres para completar uma rota\u00e7\u00e3o, mas a sua atmosfera circula o planeta de quatro em quatro dias. Ventos extremamente r\u00e1pidos provocam o arrastamento da atmosfera ao longo da superf\u00edcie do planeta \u00e0 medida que circula, abrandando a sua rota\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo que &#8220;afrouxa&#8221; o aperto da gravidade do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rota\u00e7\u00e3o lenta, por sua vez, tem consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para o sufocante clima venusiano, com temperaturas m\u00e9dias acima dos 460\u00ba C &#8211; quente o suficiente para derreter chumbo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 incrivelmente extraterrestre, uma experi\u00eancia muito diferente de estar na Terra,&#8221; disse Kane. &#8220;Estar \u00e0 superf\u00edcie de V\u00e9nus seria como estar no fundo de um oceano muito quente. N\u00e3o consegu\u00edamos respirar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.ucr.edu\/sites\/g\/files\/rcwecm1816\/files\/2022-04\/d_Transit_Lineup_full%20%281%29.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/20\/c9\/uTDMiqTz_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Sequ\u00eancia de imagens, pela sonda SDO (Solar Dynamics Observatory), de um tr\u00e2nsito de V\u00e9nus pelo Sol.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/SDO<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma raz\u00e3o para o calor \u00e9 que quase toda a energia do Sol absorvida pelo planeta \u00e9 absorvida pela atmosfera de V\u00e9nus, nunca alcan\u00e7ando a superf\u00edcie. Isto significa que um rover com pain\u00e9is solares, como os que a NASA tem enviado para Marte, n\u00e3o funcionaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atmosfera venusiana tamb\u00e9m bloqueia a energia do Sol de deixar o planeta, impedindo o arrefecimento ou \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie, um estado conhecido como efeito de estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 claro se o facto de ter um bloqueio parcial de mar\u00e9 contribui para este estado de efeito de estufa, uma condi\u00e7\u00e3o que acaba por tornar um planeta inabit\u00e1vel pela vida tal como a conhecemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 importante obter mais clareza sobre esta quest\u00e3o, a fim de compreender V\u00e9nus, como tamb\u00e9m \u00e9 importante para estudar os exoplanetas suscet\u00edveis de serem alvo de futuras miss\u00f5es da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos planetas suscet\u00edveis de serem observados com o recentemente lan\u00e7ado Telesc\u00f3pio Espacial James Webb est\u00e3o muito perto das suas estrelas, ainda mais perto do que V\u00e9nus est\u00e1 do Sol. Por conseguinte, tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que tenham bloqueio de mar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.ucr.edu\/sites\/g\/files\/rcwecm1816\/files\/2022-04\/fig_venusimage1%5B1%5D.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ee\/d5\/q83Jwcan_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagem de V\u00e9nus obtida pela miss\u00e3o Akatsuki, a primeira sonda japonesa a entrar em \u00f3rbita de um planeta que n\u00e3o a Terra.<br>Cr\u00e9dito: ISAS\/JAXA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que n\u00e3o se sabe se os humanos consigam alguma vez visitar, em pessoa, exoplanetas, \u00e9 fundamental ter a certeza de que os modelos de computador t\u00eam em conta os efeitos do bloqueio de mar\u00e9. &#8220;V\u00e9nus \u00e9 a nossa oportunidade de corrigir estes modelos, para que possamos compreender corretamente os ambientes de superf\u00edcie dos planetas em torno de outras estrelas&#8221;, disse Kane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o estamos a fazer um bom trabalho no que toca a considerar isto neste momento. Estamos sobretudo a utilizar modelos do tipo Terra para interpretar as propriedades dos exoplanetas. V\u00e9nus est\u00e1 a &#8216;abanar os bra\u00e7os&#8217; como que dizendo, &#8216;olhem para aqui!'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obter clareza sobre os factores que contribu\u00edram para um efeito de estufa em V\u00e9nus, o vizinho planet\u00e1rio mais pr\u00f3ximo da Terra, tamb\u00e9m pode ajudar a melhorar os modelos do que poderia um dia acontecer ao clima da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em \u00faltima an\u00e1lise, a minha motiva\u00e7\u00e3o ao estudar V\u00e9nus \u00e9 compreender melhor a Terra&#8221;, disse Kane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucr.edu\/articles\/2022\/04\/20\/why-venus-rotates-slowly-despite-suns-powerful-grip\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, Riverside (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01626-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2204.09696\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V\u00e9nus:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Venus_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bloqueio de mar\u00e9:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_locking\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Efeito de estufa:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Runaway_greenhouse_effect\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se n\u00e3o fosse a atmosfera veloz de V\u00e9nus, o planeta irm\u00e3o da Terra provavelmente n\u00e3o rodaria. 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