{"id":5020,"date":"2022-04-19T06:12:39","date_gmt":"2022-04-19T05:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5020"},"modified":"2022-04-19T06:12:52","modified_gmt":"2022-04-19T05:12:52","slug":"estrelas-gigantes-passam-por-programa-dramatico-de-perda-de-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/19\/estrelas-gigantes-passam-por-programa-dramatico-de-perda-de-peso\/","title":{"rendered":"Estrelas gigantes passam por programa dram\u00e1tico de perda de peso"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos da Universidade de Sydney encontraram pela primeira vez um tipo menos massivo de estrela gigante vermelha. Estas estrelas sofreram uma dram\u00e1tica perda de peso, possivelmente devido a uma companheira estelar gananciosa. Publicada na Nature Astronomy, a descoberta \u00e9 um passo importante para compreender a vida das estrelas na Via L\u00e1ctea &#8211; as nossas vizinhas mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"490\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/9vos1EdN_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5021\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/9vos1EdN_o.jpg 576w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/9vos1EdN_o-300x255.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption>No bin\u00e1rio chamado Mira, uma estrela gigante vermelha transfere massa para uma an\u00e3 branca.\nCr\u00e9dito: NASA\/CXC\/M. Weiss<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem milh\u00f5es de estrelas &#8220;gigantes vermelhas&#8221; na nossa Gal\u00e1xia. Estes objetos luminosos e menos quentes s\u00e3o o que o nosso Sol se tornar\u00e1 dentro de quatro mil milh\u00f5es de anos. H\u00e1 j\u00e1 algum tempo que os astr\u00f3nomos preveem a exist\u00eancia de gigantes vermelhas menos massivas. Depois de terem encontrado algumas, a equipa da Universidade de Sydney pode finalmente confirmar a sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 como encontrar o Wally,&#8221; disse o autor principal, candidato a doutoramento, Yaguang Li, da Universidade de Sydney. &#8220;Tivemos muita sorte em encontrar cerca de 40 gigantes vermelhas menos massivas, escondidas num mar de gigantes normais. Estas gigantes vermelhas s\u00e3o mais pequenas em tamanho ou menos massivas do que as gigantes vermelhas normais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como e porque \u00e9 que emagreceram? A maioria das estrelas no c\u00e9u pertencem a sistemas bin\u00e1rios &#8211; duas estrelas ligadas gravitacionalmente uma \u00e0 outra. Quando as estrelas em bin\u00e1rios \u00edntimos incham, \u00e0 medida que as estrelas envelhecem, algum material pode alcan\u00e7ar a esfera gravitacional da sua companheira e ser sugado. &#8220;No caso das gigantes vermelhas relativamente pequenas, pensamos que uma companheira pode estar presente,&#8221; disse Li.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma ca\u00e7a ao tesouro intragal\u00e1ctica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa analisou dados de arquivo do telesc\u00f3pio espacial Kepler da NASA. De 2009 a 2013, o telesc\u00f3pio registou continuamente varia\u00e7\u00f5es de luminosidade em dezenas de milhares de gigantes vermelhas. Utilizando este conjunto de dados incrivelmente preciso e grande, a equipa realizou um censo minucioso desta popula\u00e7\u00e3o estelar, fornecendo as bases para detetar quaisquer &#8220;outliers&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram revelados dois tipos invulgares de estrelas: gigantes vermelhas de massa muito baixa e gigantes vermelhas subluminosas (de brilho inferior).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas de massa muito baixa t\u00eam apenas 0,5 a 0,7 massas solares &#8211; cerca de metade da massa do nosso Sol. Se as estrelas de massa muito baixa n\u00e3o tivessem perdido massa de repente, as suas massas indicariam que eram mais velhas do que a idade do Universo &#8211; uma impossibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Assim, quando obtivemos pela primeira vez as massas destas estrelas, pens\u00e1mos que havia algo de errado com a medi\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Li. &#8220;Mas afinal n\u00e3o havia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas subluminosas, por outro lado, t\u00eam massas normais, que v\u00e3o de 0,8 a 2,0 massas solares. &#8220;Contudo, s\u00e3o muito menos &#8216;gigantes&#8217; do que esper\u00e1vamos,&#8221; disse o coautor do estudo, Dr. Simon Murphy da Universidade do Sul de Queensland. &#8220;Emagreceram um pouco e, como s\u00e3o mais pequenas, tamb\u00e9m s\u00e3o mais t\u00e9nues, da\u00ed serem &#8216;subluminosas&#8217; em compara\u00e7\u00e3o com as gigantes vermelhas normais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas foram encontradas sete estrelas subluminosas e os autores suspeitam que muitas mais est\u00e3o escondidas na amostra. &#8220;O problema \u00e9 que a maioria delas s\u00e3o muito boas a misturar-se. Encontr\u00e1-las foi uma verdadeira ca\u00e7a ao tesouro,&#8221; disse o Dr. Murphy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes pontos de dados invulgares n\u00e3o podiam ser explicados por simples expetativas da evolu\u00e7\u00e3o estelar. Isto levou os investigadores a concluir que outro mecanismo deve estar em a\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando estas estrelas a sofrer uma dram\u00e1tica perda de peso: o roubo de massa por estrelas pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Censo da popula\u00e7\u00e3o estelar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores apoiaram-se na asterosismologia &#8211; o estudo das vibra\u00e7\u00f5es estelares &#8211; para determinar as propriedades das gigantes vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os m\u00e9todos tradicionais para estudar uma estrela est\u00e3o limitados \u00e0s suas propriedades de superf\u00edcie, por exemplo, a temperatura e luminosidade da superf\u00edcie. Em contraste, a asterosismologia, que utiliza ondas sonoras, estuda o que est\u00e1 abaixo. &#8220;As ondas penetram o interior estelar, dando-nos informa\u00e7\u00f5es ricas sobre outra dimens\u00e3o,&#8221; disse Li.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores conseguiram determinar com precis\u00e3o as fases evolutivas, massas e tamanhos das estrelas com este m\u00e9todo. E quando olharam para as distribui\u00e7\u00f5es destas propriedades, algo fora do comum foi imediatamente visto: algumas estrelas t\u00eam massas pequenas ou tamanhos pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 altamente invulgar para um estudante de doutoramento fazer uma descoberta t\u00e3o importante,&#8221; disse o professor Tim Bedding, orientador de Li. &#8220;Ao examinar cuidadosamente os dados do telesc\u00f3pio espacial Kepler da NASA, Yaguang avistou algo que todos os outros haviam perdido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sydney.edu.au\/news-opinion\/news\/2022\/04\/15\/giant-stars-undergo-dramatic-weight-loss-program.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01648-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2204.06203\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gigante vermelha:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_giant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/overview\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos da Universidade de Sydney encontraram pela primeira vez um tipo menos massivo de estrela gigante vermelha. 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