{"id":5010,"date":"2022-04-15T06:21:35","date_gmt":"2022-04-15T05:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5010"},"modified":"2022-04-15T06:21:37","modified_gmt":"2022-04-15T05:21:37","slug":"o-instrumento-mais-frio-do-telescopio-webb-atinge-a-temperatura-de-funcionamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/15\/o-instrumento-mais-frio-do-telescopio-webb-atinge-a-temperatura-de-funcionamento\/","title":{"rendered":"O instrumento mais frio do Telesc\u00f3pio Webb atinge a temperatura de funcionamento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA vai ver as primeiras gal\u00e1xias formadas ap\u00f3s o Big Bang, mas para isso os seus instrumentos primeiro precisam de ficar frios &#8211; realmente frios. No dia 7 de abril, o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb &#8211; desenvolvido em conjunto pela NASA e pela ESA &#8211; atingiu a sua temperatura final de funcionamento abaixo dos 7 K (-266\u00ba C).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntamente com os outros tr\u00eas instrumentos do Webb, o MIRI arrefeceu inicialmente \u00e0 sombra do escudo de calor do Webb, do tamanho de um campo de t\u00e9nis, caindo para cerca de 90 K (-183\u00ba C). Mas a queda para menos de 7 K exigiu um dispositivo de arrefecimento el\u00e9trico. Na semana passada, a equipa passou um ponto particularmente desafiante, chamado &#8220;pinch point&#8221;, no qual o instrumento passa de 15 K (-258\u00ba C) para 6,4 K (-267\u00ba C).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/webb_illustration.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"668\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TMyWAkd7_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4767\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TMyWAkd7_o.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TMyWAkd7_o-300x203.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TMyWAkd7_o-768x521.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TMyWAkd7_o-110x75.png 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta impress\u00e3o de artista do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb no espa\u00e7o mostra todos os elementos completamente finalizados. O telesc\u00f3pio estava &#8220;dobrado&#8221; para caber dentro do seu ve\u00edculo de lan\u00e7amento, e depois foi &#8220;desdobrado&#8221; lentamente ao longo de duas semanas.<br>Cr\u00e9dito: NASA GSFC\/CIL\/Adriana Manrique Gutierrez<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A equipa de arrefecimento do MIRI investiu muito trabalho no desenvolvimento do procedimento para este &#8216;pinch point&#8217;,&#8221; disse Analyn Schneider, gestora de projeto do MIRI no JPL da NASA no sul da Calif\u00f3rnia. &#8220;A equipa estava ao mesmo tempo entusiasmada e nervosa, entrando na atividade cr\u00edtica. No final, foi uma execu\u00e7\u00e3o t\u00edpica deste procedimento e o desempenho do instrumento \u00e9 ainda melhor do que o esperado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A baixa temperatura \u00e9 necess\u00e1ria porque todos os quatro instrumentos do Webb detetam luz infravermelha &#8211; comprimentos de onda ligeiramente maiores do que aqueles que os olhos humanos podem ver. Gal\u00e1xias distantes, estrelas escondidas em casulos de poeira, planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, todos emitem luz infravermelha. Mas o mesmo acontece com outros objetos quentes, incluindo o pr\u00f3prio hardware eletr\u00f3nico e \u00f3tico do Webb. O arrefecimento dos detetores dos quatro instrumentos e do hardware circundante suprime estas emiss\u00f5es infravermelhas. O MIRI deteta comprimentos de onda infravermelhos mais longos do que os outros tr\u00eas instrumentos, o que significa que precisa de ficar ainda mais frio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra raz\u00e3o pela qual os detetores do Webb precisam de estar frios \u00e9 para suprimir algo chamado corrente escura, ou corrente el\u00e9trica criada pela vibra\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos nos pr\u00f3prios detetores. A corrente escura imita um sinal verdadeiro nos detetores, dando a falsa impress\u00e3o de terem sido atingidos pela luz de uma fonte externa. Esses sinais falsos podem &#8220;afogar&#8221; os sinais reais que os astr\u00f3nomos querem encontrar. Uma vez que a temperatura \u00e9 uma medida de qu\u00e3o r\u00e1pido os \u00e1tomos do detetor est\u00e3o a vibrar, a redu\u00e7\u00e3o da temperatura significa menos vibra\u00e7\u00e3o, o que, por sua vez, significa menos corrente escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade do MIRI de detetar comprimentos de onda infravermelhos mais longos tamb\u00e9m o torna mais sens\u00edvel \u00e0 corrente escura, pelo que necessita de ficar mais frio do que os outros instrumentos para remover completamente esse efeito. Por cada grau que a temperatura do instrumento sobe, a corrente escura sobe por um factor de cerca de 10.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim que o MIRI alcan\u00e7ou 6,4 K, os cientistas come\u00e7aram uma s\u00e9rie de verifica\u00e7\u00f5es para se certificarem que os detetores estavam a funcionar como esperado. Tal como um m\u00e9dico que procura qualquer sinal de doen\u00e7a, a equipa do MIRI analisa os dados que descrevem a sa\u00fade do instrumento, depois d\u00e1 ao instrumento uma s\u00e9rie de comandos para ver se ele pode executar corretamente as tarefas. Este marco \u00e9 o culminar do trabalho de cientistas e engenheiros de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do JPL, incluindo a Northtop Grumman, que construiu o dispositivo de arrefecimento e o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, que supervisionou a integra\u00e7\u00e3o do MIRI e do refrigerador no resto do observat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pass\u00e1mos anos a treinar para esse momento, correndo os comandos e as verifica\u00e7\u00f5es que fizemos no MIRI,&#8221; disse Mike Ressler, cientista do projeto MIRI no JPL. &#8220;Foi como um gui\u00e3o de um filme: tudo o que dev\u00edamos ter feito estava escrito e ensaiado. Quando os dados dos testes apareceram, fiquei entusiasmado por ver que eram exatamente como esperado e que t\u00ednhamos um instrumento saud\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda mais desafios que a equipa ter\u00e1 que enfrentar antes do MIRI poder dar in\u00edcio \u00e0 sua miss\u00e3o cient\u00edfica. Agora que o instrumento est\u00e1 \u00e0 temperatura de funcionamento, os membros da equipa v\u00e3o tirar imagens de teste de estrelas e outros objetos conhecidos que podem ser utilizados para a calibra\u00e7\u00e3o e para verificar o funcionamento e funcionalidade do instrumento. A equipa vai realizar estes preparativos juntamente com a calibra\u00e7\u00e3o dos outros tr\u00eas instrumentos, fornecendo as primeiras imagens cient\u00edficas do Webb este ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estou imensamente orgulhoso por fazer parte deste grupo de cientistas e engenheiros altamente motivados e entusiasmados, vindos de toda a Europa e dos EUA,&#8221; disse Alistair Glasse, cientista do instrumento MIRI do ATC (Astronomy Technology Centre), em Edimburgo, Esc\u00f3cia. &#8220;Este per\u00edodo \u00e9 a nossa &#8216;prova de fogo&#8217;, mas j\u00e1 \u00e9 claro para mim que os la\u00e7os pessoais e o respeito m\u00fatuo que constru\u00edmos ao longo dos \u00faltimos anos \u00e9 o que nos levar\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses a fornecer, \u00e0 comunidade astron\u00f3mica mundial, um instrumento fant\u00e1stico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/webb-telescope-s-coldest-instrument-reaches-operating-temperature\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\">NASA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\">STScI<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\">ESA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\">Twitter<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><strong><br><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/webbLaunch\/whereIsWebb.html\" target=\"_blank\">Onde est\u00e1 o Webb? (NASA)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-ers-programs\" target=\"_blank\">Programas DD-ERS do Webb (STScI)<\/a><strong><br><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\">MIRI (NASA)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/about\/innovations\/cryocooler.html\" target=\"_blank\">&#8220;Cryocooler&#8221; do JWST (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA vai ver as primeiras gal\u00e1xias formadas ap\u00f3s o Big Bang, mas para isso os seus instrumentos primeiro precisam de ficar frios &#8211; realmente frios. 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