{"id":5007,"date":"2022-04-12T06:24:30","date_gmt":"2022-04-12T05:24:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5007"},"modified":"2022-04-12T06:24:31","modified_gmt":"2022-04-12T05:24:31","slug":"telescopio-do-eso-captura-variacoes-surpreendentes-nas-temperaturas-de-neptuno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/12\/telescopio-do-eso-captura-variacoes-surpreendentes-nas-temperaturas-de-neptuno\/","title":{"rendered":"Telesc\u00f3pio do ESO captura varia\u00e7\u00f5es surpreendentes nas temperaturas de Neptuno"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o aux\u00edlio de v\u00e1rios telesc\u00f3pios terrestres, incluindo o VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astr\u00f3nomos analisou as temperaturas atmosf\u00e9ricas de Neptuno durante um per\u00edodo de 17 anos e descobriu que existe uma diminui\u00e7\u00e3o surpreendente nas temperaturas globais do planeta seguida de um aquecimento dr\u00e1stico do seu polo sul.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2206b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5008\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Bo9xUV1A_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Este mosaico mostra imagens t\u00e9rmicas de Neptuno obtidas entre 2006 e 2020. As primeiras tr\u00eas imagens (2006, 2008 e 2018) foram capturadas com o instrumento VISIR montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO enquanto a imagem de 2020 foi obtida com o instrumento COMICS do Telesc\u00f3pio Subaru (o VISIR n\u00e3o se encontrava em opera\u00e7\u00e3o em meados de 2020 devido \u00e0 pandemia de COVID-19). Ap\u00f3s o arrefecimento gradual do planeta, o polo sul mostra-se drasticamente mais quente nos \u00faltimos anos, como podemos ver pela mancha brilhante que aparece na parte inferior de Neptuno nas imagens de 2018 e 2020.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Roman, NAOJ\/Subaru\/COMICS<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Estas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o inesperadas,&#8221; disse Michael Roman, um investigador em p\u00f3s-doutoramento na Universidade de Leicester, Reino Unido, e autor principal do estudo publicado ontem na revista da especialidade The Planetary Science Journal. &#8220;Estamos a observar Neptuno desde o in\u00edcio do seu ver\u00e3o austral e esper\u00e1vamos que as temperaturas fossem gradualmente subindo e n\u00e3o descendo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como na Terra, existem esta\u00e7\u00f5es em Neptuno \u00e0 medida que o planeta orbita em torno do Sol, com a diferen\u00e7a de que uma esta\u00e7\u00e3o em Neptuno dura cerca de 40 anos terrestres e um ano tem uma dura\u00e7\u00e3o de 165 anos terrestres. \u00c9 ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul do Neptuno desde 2005 e os astr\u00f3nomos estavam desejando de ver como \u00e9 que as temperaturas variavam a seguir ao solst\u00edcio do ver\u00e3o austral.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos analisaram quase uma centena de imagens infravermelhas t\u00e9rmicas de Neptuno, capturadas durante um per\u00edodo de 17 anos, para compreenderem as tend\u00eancias gerais na temperatura do planeta com mais detalhe do que o conseguido at\u00e9 \u00e0 data.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mostraram que, apesar do come\u00e7o do ver\u00e3o austral, a maioria do planeta tem vindo a arrefecer gradualmente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. A temperatura m\u00e9dia global de Neptuno desceu 8\u00ba C entre 2003 e 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos ficaram tamb\u00e9m surpreendidos ao descobrir um aquecimento dr\u00e1stico no polo sul de Neptuno nos \u00faltimos dois anos, altura em que as temperaturas subiram rapidamente, ou seja, 11\u00ba C entre 2018 e 2020. Apesar do v\u00f3rtice polar quente de Neptuno ser j\u00e1 conhecido desde h\u00e1 muitos anos, nunca tinha sido observado anteriormente um aquecimento polar t\u00e3o r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os nossos dados cobrem menos de metade de uma esta\u00e7\u00e3o de Neptuno e por isso n\u00e3o est\u00e1vamos nada \u00e0 espera de encontrar varia\u00e7\u00f5es t\u00e3o grandes e r\u00e1pidas,&#8221; disse o coautor Glenn Orton, investigador no JPL, Caltech, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos mediram a temperatura de Neptuno com o aux\u00edlio de c\u00e2maras t\u00e9rmicas, instrumentos que medem a radia\u00e7\u00e3o infravermelha emitida por objetos astron\u00f3micos. Para a sua an\u00e1lise, a equipa combinou todas as imagens de Neptuno que foram capturadas por telesc\u00f3pios terrestres ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Os astr\u00f3nomos analisaram a radia\u00e7\u00e3o infravermelha emitida por uma camada da atmosfera de Neptuno chamada estratosfera, o que lhes permitiu tra\u00e7ar um quadro da temperatura de Neptuno e suas varia\u00e7\u00f5es durante parte do seu ver\u00e3o austral.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que Neptuno se encontra a cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia e \u00e9 muito frio \u2014 sendo que a temperatura m\u00e9dia do planeta pode chegar a cerca de -220\u00ba C \u2014 medir a sua temperatura a partir da Terra \u00e9 extremamente complicado. &#8220;Este tipo de estudo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as a imagens infravermelhas sens\u00edveis obtidas por grandes telesc\u00f3pios tais como o VLT, que consegue observar Neptuno muito nitidamente, mas este tipo de telesc\u00f3pios s\u00f3 se tornaram dispon\u00edveis mais ou menos nos \u00faltimos 20 anos,&#8221; disse o coautor Leigh Fletcher, professor na Universidade de Leicester.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de um-ter\u00e7o de todas as imagens foram obtidas pelo instrumento VISIR (VLT Imager and Spectrometer for mid-InfraRed) montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. Devido ao tamanho do espelho do telesc\u00f3pio e \u00e0 altitude, as imagens t\u00eam uma resolu\u00e7\u00e3o muito elevada e uma grande qualidade, sendo as imagens mais n\u00edtidas de Neptuno alguma vez obtidas. A equipa utilizou tamb\u00e9m dados do Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA e imagens obtidas com o Telesc\u00f3pio Gemini South no Chile, assim como dos Telesc\u00f3pios Subaru, Keck e Telesc\u00f3pio Gemini North, todos instalados no Hawai.<\/p>\n\n\n\n<p>Como as varia\u00e7\u00f5es da temperatura de Neptuno s\u00e3o t\u00e3o inesperadas, os astr\u00f3nomos n\u00e3o sabem ainda qual a sua origem. Poder\u00e3o ser devidas a varia\u00e7\u00f5es na qu\u00edmica estratosf\u00e9rica de Neptuno, ou padr\u00f5es clim\u00e1ticos aleat\u00f3rios ou at\u00e9 ao ciclo solar. Ser\u00e3o necess\u00e1rias mais observa\u00e7\u00f5es durante os pr\u00f3ximos anos para explorar as raz\u00f5es destas flutua\u00e7\u00f5es. Telesc\u00f3pios terrestres futuros, tais como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, poder\u00e3o observar varia\u00e7\u00f5es de temperatura como estas com maior detalhe, enquanto o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA fornecer\u00e1 novos mapas das temperaturas e da qu\u00edmica da atmosfera de Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho Neptuno muito intrigante porque, na realidade, sabemos ainda muito pouco sobre ele,&#8221; diz Roman. &#8220;Estes resultados apontam para um quadro bastante complexo da atmosfera de Neptuno e das suas varia\u00e7\u00f5es com o tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Evolution of thermal images from Neptune\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gMzz1Fs83EU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2206\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ac5aa4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2112.00033\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Neptuno:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neptune_(planet)\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Subaru:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.naoj.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NAOJ<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subaru_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aux\u00edlio de v\u00e1rios telesc\u00f3pios terrestres, incluindo o VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astr\u00f3nomos analisou as temperaturas atmosf\u00e9ricas de Neptuno durante um per\u00edodo de 17 anos e descobriu que existe uma diminui\u00e7\u00e3o surpreendente nas temperaturas globais do planeta seguida de um aquecimento dr\u00e1stico do seu polo sul. Este mosaico &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16,1],"tags":[166,355,365,529,240,384,107],"class_list":["post-5007","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-eso","tag-neptuno","tag-observatorio-gemini","tag-observatorio-w-m-keck","tag-spitzer","tag-telescopio-subaru","tag-vlt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5007"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5007\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5009,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5007\/revisions\/5009"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}