{"id":5001,"date":"2022-04-12T06:18:06","date_gmt":"2022-04-12T05:18:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5001"},"modified":"2022-04-12T06:18:08","modified_gmt":"2022-04-12T05:18:08","slug":"diferencas-entre-o-lado-visivel-e-o-lado-oculto-da-lua-ligadas-a-antigo-impacto-colossal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/12\/diferencas-entre-o-lado-visivel-e-o-lado-oculto-da-lua-ligadas-a-antigo-impacto-colossal\/","title":{"rendered":"Diferen\u00e7as entre o lado vis\u00edvel e o lado oculto da Lua ligadas a antigo impacto colossal"},"content":{"rendered":"\n<p>A face que a Lua mostra \u00e0 Terra parece muito diferente daquela que esconde no seu lado oculto. O lado vis\u00edvel \u00e9 dominado pelos mares lunares &#8211; os vastos remanescentes escuros de fluxos de lava antiga. Por outro lado, a face oculta, altamente craterada, est\u00e1 praticamente desprovida de mares em grande escala. A raz\u00e3o pela qual os dois lados s\u00e3o t\u00e3o diferentes \u00e9 um dos mist\u00e9rios mais duradouros da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, investigadores t\u00eam uma nova explica\u00e7\u00e3o para as duas faces da Lua &#8211; uma que se relaciona com um impacto gigantesco, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, perto do polo sul da Lua.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"658\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-1024x658.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5002\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-1024x658.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-300x193.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-768x494.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-1536x988.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/oBFZlmew_o-2048x1317.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Um novo estudo revela que uma antiga colis\u00e3o no polo sul da Lua mudou os padr\u00f5es de convec\u00e7\u00e3o no manto lunar, concentrando um conjunto de elementos produtores de calor no lado vis\u00edvel. Esses elementos desempenharam um papel na cria\u00e7\u00e3o do vasto mar lunar vis\u00edvel da Terra.\nCr\u00e9dito: Matt Jones<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um novo estudo publicado na revista Science Advances mostra que o impacto que formou a gigantesca bacia do polo sul-Aitken (BPSA) teria criado uma enorme pluma de calor que se propagou atrav\u00e9s do interior lunar. Essa pluma teria transportado certos materiais &#8211; um conjunto de elementos raros e produtores de calor &#8211; para o lado vis\u00edvel da Lua. Essa concentra\u00e7\u00e3o de elementos teria contribu\u00eddo para o vulcanismo que criou as plan\u00edcies vulc\u00e2nicas da face que nos \u00e9 bastante conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabemos que grandes impactos como o que formou a BPSA teriam criado muito calor,&#8221; disse Matt Jones, candidato a doutoramento na Universidade de Brown e autor principal do estudo. &#8220;A quest\u00e3o \u00e9 como \u00e9 que esse calor afetou a din\u00e2mica interior da Lua. O que mostr\u00e1mos \u00e9 que sob quaisquer condi\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis na altura em que a BPSA se formou, ela acaba por concentrar estes elementos produtores de calor no lado vis\u00edvel. Esperamos que isto tenha contribu\u00eddo para o derretimento do manto que produziu os fluxos de lava que vemos \u00e0 superf\u00edcie.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi uma colabora\u00e7\u00e3o entre Jones e o seu orientador Alexander Evans, professor assistente na Brown, juntamente com investigadores da Universidade de Purdue, do LPL (Lunar and Planetary Science Laboratory) no estado norte-americano do Arizona, da Universidade de Stanford e do JPL da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as entre o lado vis\u00edvel e o lado oculto da Lua foram reveladas pela primeira vez na d\u00e9cada de 1960 pelas miss\u00f5es sovi\u00e9ticas Luna e pelo programa Apollo. Embora as diferen\u00e7as nos dep\u00f3sitos vulc\u00e2nicos sejam evidentes, as miss\u00f5es posteriores revelariam tamb\u00e9m diferen\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica. A face vis\u00edvel \u00e9 o lar de uma anomalia composicional conhecida como PKT (Procellarum KREEP terrane) &#8211; uma concentra\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio (K), elementos raros (REE, &#8220;rare earth elements&#8221; em ingl\u00eas), f\u00f3sforo (P), juntamente com elementos produtores de calor como o t\u00f3rio. A anomalia PKT parece estar concentrada no Oceano das Tormentas (Oceanus Procellarum) e \u00e0 sua volta, a maior das plan\u00edcies vulc\u00e2nicas do lado vis\u00edvel, mas \u00e9 esparsa noutros locais da Lua.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/21\/74\/yCdMOdCN_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/21\/74\/yCdMOdCN_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O lado vis\u00edvel da Lua (esquerda) \u00e9 dominado por vastos dep\u00f3sitos vulc\u00e2nicos, enquanto o lado oculto (direita) tem muito menos. A raz\u00e3o pela qual os dois lados s\u00e3o t\u00e3o diferentes \u00e9 um mist\u00e9rio lunar duradouro.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/GSFC\/LRO\/Universidade Estatal do Arizona<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Alguns cientistas suspeitaram uma liga\u00e7\u00e3o entre a anomalia PKT e os fluxos de lava da face vis\u00edvel, mas permanecia a quest\u00e3o de porque \u00e9 que esse conjunto de elementos estava concentrado no lado vis\u00edvel. Este novo estudo fornece uma explica\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ligada \u00e0 BPSA, a segunda maior cratera de impacto conhecida no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estudo, os investigadores realizaram simula\u00e7\u00f5es por computador de como o calor gerado por um impacto gigantesco alteraria os padr\u00f5es de convec\u00e7\u00e3o no interior da Lua, e como isso poderia redistribuir o material KREEP no manto lunar. Pensa-se que o material KREEP represente a \u00faltima parte do manto a solidificar ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o da Lua. Como tal, provavelmente formou a camada mais exterior do manto, logo abaixo da crosta lunar. Os modelos do interior lunar sugerem que deveria ter sido mais ou menos uniformemente distribu\u00eddo sob a superf\u00edcie. Mas este novo modelo mostra que a distribui\u00e7\u00e3o uniforme seria perturbada pela pluma de calor do impacto da BPSA.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o modelo, o material KREEP teria &#8220;surfado&#8221; a onda de calor emanada da zona de impacto da BPSA como um surfista. \u00c0 medida que a pluma de calor se espalhava sob a crosta da Lua, esse material acabou por ser entregue em massa ao lado vis\u00edvel. A equipa efetuou simula\u00e7\u00f5es para v\u00e1rios cen\u00e1rios de impacto diferentes, desde um impacto de frente a um impacto de lado. Apesar de cada um produzir padr\u00f5es diferentes de calor e de mobilizar o material KREEP em diferentes graus, todos criaram concentra\u00e7\u00f5es deste conjunto de elementos no lado vis\u00edvel, consistentes com a anomalia PKT.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas dizem que o trabalho fornece uma explica\u00e7\u00e3o cred\u00edvel para um dos mist\u00e9rios mais duradouros da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A forma\u00e7\u00e3o da anomalia PKT \u00e9 sem d\u00favida a quest\u00e3o em aberto mais significativa da ci\u00eancia lunar,&#8221; disse Jones. &#8220;E o impacto que criou a bacia do polo sul-Aitken \u00e9 um dos acontecimentos mais significativos da hist\u00f3ria lunar. Este trabalho junta estas duas coisas e penso que os nossos resultados s\u00e3o realmente excitantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brown.edu\/news\/2022-04-08\/moonfaces\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Brown (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abm8475\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/949250\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/04\/220408142950.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-04-differences-moon-sides-linked-colossal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lua:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/South_Pole%E2%80%93Aitken_basin\" target=\"_blank\">Bacia do polo sul-Aitken (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lunar_terrane#Procellarum_KREEP_Terrane\" target=\"_blank\">Anomalia PKT (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Oceanus_Procellarum\" target=\"_blank\">Oceano das Tormentas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A face que a Lua mostra \u00e0 Terra parece muito diferente daquela que esconde no seu lado oculto. 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