{"id":4982,"date":"2022-04-05T06:16:32","date_gmt":"2022-04-05T05:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4982"},"modified":"2022-04-05T06:16:33","modified_gmt":"2022-04-05T05:16:33","slug":"movimentos-estelares-revelam-espinha-dorsal-da-grande-nuvem-de-magalhaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/04\/05\/movimentos-estelares-revelam-espinha-dorsal-da-grande-nuvem-de-magalhaes\/","title":{"rendered":"Movimentos estelares revelam &#8220;espinha dorsal&#8221; da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es"},"content":{"rendered":"\n<p>Usando dados do levantamento VMC (VISTA survey of the Magellanic Clouds system), os investigadores do Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica em Potsdam, Alemanha, em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas da equipa do VMC, confirmaram a exist\u00eancia de \u00f3rbitas alongadas que constituem a espinha dorsal do processo de forma\u00e7\u00e3o de uma barra. O m\u00e9todo utilizou observa\u00e7\u00f5es repetidas para construir um mapa de velocidade das estrelas na regi\u00e3o central da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>A Grande Nuvem de Magalh\u00e3es (GNM) \u00e9 vis\u00edvel a olho nu do hemisf\u00e9rio sul e \u00e9 a gal\u00e1xia sat\u00e9lite mais brilhante e massiva da Via L\u00e1ctea. A GNM \u00e9 rica em estrelas que abrangem uma grande faixa et\u00e1ria, desde estrelas rec\u00e9m-formadas at\u00e9 estrelas t\u00e3o antigas quanto o Universo. Est\u00e1 classificada como uma gal\u00e1xia irregular porque \u00e9 caracterizada por um \u00fanico bra\u00e7o em espiral e uma barra que est\u00e1 deslocada do centro do disco.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/media\/images\/LMC_stream_plot_4.original.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"452\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/LMC_stream_plot_4.width-600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4983\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/LMC_stream_plot_4.width-600.jpg 600w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/LMC_stream_plot_4.width-600-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption>\u00d3rbitas observadas de estrelas dentro das partes centrais da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. As estrelas na regi\u00e3o central, ao longo da barra, seguem \u00f3rbitas alongadas que se desviam de uma forma circular (contornos tracejados).<br>Cr\u00e9dito: Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica de Postdam\/F. Niederhofer, Levantamento VMC do VISTA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;As estruturas estelares de barra s\u00e3o uma caracter\u00edstica comum das gal\u00e1xias espirais. Pensa-se que se formem a partir de pequenas perturba\u00e7\u00f5es no interior do disco estelar que removem estrelas dos seus movimentos circulares e as for\u00e7am em \u00f3rbitas alongadas,&#8221; explica Florian Niederhofer, primeiro autor do estudo agora publicado. &#8220;Um tipo espec\u00edfico destas \u00f3rbitas s\u00e3o as que est\u00e3o alinhadas com o eixo principal da barra. Estas s\u00e3o consideradas como a &#8216;espinha dorsal&#8217; das barras estelares e fornecem o principal suporte deste tipo de estrutura.&#8221; O telesc\u00f3pio VISTA foi desenvolvido para vigiar o c\u00e9u do hemisf\u00e9rio sul em comprimentos de onda do infravermelho pr\u00f3ximo e estudar fontes que emitem preferencialmente neste dom\u00ednio espectral, devido \u00e0 sua natureza ou \u00e0 presen\u00e7a de poeira. Usando dados do levantamento VMC, a equipa encontrou agora as primeiras evid\u00eancias diretas destas \u00f3rbitas dentro da barra da GNM. O VMC \u00e9 um levantamento multi\u00e9poca do sistema de Magalh\u00e3es e um projeto p\u00fablico do ESO, realizado entre 2010 e 2018, com o objetivo de estudar o conte\u00fado e a din\u00e2mica estelar das nossas vizinhas extragal\u00e1ticas mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa desenvolveu um m\u00e9todo sofisticado para determinar com precis\u00e3o os movimentos pr\u00f3prios das estrelas dentro das Nuvens de Magalh\u00e3es. Num novo estudo, agora publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, este m\u00e9todo foi aplicado \u00e0s partes centrais da GNM. A partir dos valores medidos, os autores calcularam os movimentos estelares reais dentro do quadro da GNM, produzindo mapas detalhados da estrutura de velocidade da gal\u00e1xia. &#8220;O impressionante n\u00edvel de detalhe nos mapas de velocidade mostra o quanto o nosso m\u00e9todo melhorou, em compara\u00e7\u00e3o com as medi\u00e7\u00f5es iniciais h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s,&#8221; diz Thomas Schmidt, coautor e estudante de doutoramento no Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica. Para espanto dos investigadores, os seus mapas revelaram movimentos estelares alongados que seguem a estrutura e orienta\u00e7\u00e3o da barra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Gra\u00e7as \u00e0 sua proximidade de cerca de 163.000 anos-luz, podemos observar estrelas individuais dentro das Nuvens de Magalh\u00e3es utilizando telesc\u00f3pios terrestres como o VISTA,&#8221; diz Maria-Rosa Cioni, investigadora principal do projeto VMC e chefe da sec\u00e7\u00e3o Gal\u00e1xias An\u00e3s e Halo Gal\u00e1ctico do mesmo instituto. &#8220;Assim, estas gal\u00e1xias fornecem-nos um laborat\u00f3rio \u00fanico para estudar em grande detalhe os processos que moldam e formam gal\u00e1xias&#8221;. De grande interesse s\u00e3o as din\u00e2micas das estrelas, uma vez que cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias. No entanto, durante muito tempo, as velocidades unidimensionais (na linha de vis\u00e3o) das estrelas t\u00eam sido a \u00fanica fonte de informa\u00e7\u00e3o din\u00e2mica. Estas velocidades podem ser rapidamente medidas por desvios espectrosc\u00f3picos de Doppler, que dependem do efeito da luz observada de uma estrela parecer mais azulada ou avermelhada, dependendo se se aproxima ou se afasta de n\u00f3s. A fim de obter as velocidades tridimensionais totais das estrelas, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer os movimentos pr\u00f3prios das estrelas, que s\u00e3o os movimentos bidimensionais das estrelas no plano do c\u00e9u. Estes movimentos podem ser obtidos observando as mesmas estrelas v\u00e1rias vezes ao longo de um determinado per\u00edodo de tempo, normalmente v\u00e1rios anos. Os deslocamentos das estrelas s\u00e3o ent\u00e3o determinados em rela\u00e7\u00e3o a objetos de refer\u00eancia pr\u00f3ximos (da perspetiva do c\u00e9u). Estes objetos podem ser, por exemplo, gal\u00e1xias muito distantes de fundo, que podem ser consideradas em repouso, dadas as suas grandes dist\u00e2ncias, ou estrelas com movimentos pr\u00f3prios j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/media\/images\/opo0501a.original.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aip.de\/media\/images\/opo0501a.width-600.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A gal\u00e1xia espiral barrada NGC 1300, considerada como protot\u00edpica das gal\u00e1xias espirais barradas. As espirais barradas diferem das gal\u00e1xias espirais normais na medida em que os bra\u00e7os da gal\u00e1xia n\u00e3o entram em espiral at\u00e9 ao centro, mas est\u00e3o ligados \u00e0s duas extremidades de uma barra de estrelas que cont\u00e9m o n\u00facleo no seu centro.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e Equipa do Legado Hubble (STScI\/AURA)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Uma vez que os movimentos observados das estrelas, vistos da Terra, s\u00e3o min\u00fasculos, as medi\u00e7\u00f5es precisas continuam a ser um desafio. \u00c0 dist\u00e2ncia das Nuvens de Magalh\u00e3es, os movimentos observados das estrelas est\u00e3o na ordem dos milissegundos de arco por ano &#8211; um milissegundo de arco \u00e9 aproximadamente o tamanho de um astronauta na Lua, visto da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A nossa descoberta fornece uma importante contribui\u00e7\u00e3o para o estudo das propriedades din\u00e2micas das gal\u00e1xias barradas, uma vez que as Nuvens de Magalh\u00e3es s\u00e3o atualmente as \u00fanicas gal\u00e1xias onde tais movimentos podem ser investigados usando movimentos estelares pr\u00f3prios. Para gal\u00e1xias mais distantes, isto ainda est\u00e1 para al\u00e9m das nossas capacidades t\u00e9cnicas,&#8221; diz Florian Niederhofer. No total, foram precisos 9 anos de monitoriza\u00e7\u00e3o para acumular imagens suficientes para se poder medir estes pequenos movimentos. &#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o inesperada vem somar-se a uma s\u00e9rie de resultados importantes obtidos pela equipa do VMC,&#8221; acrescenta orgulhosamente Maria-Rosa Cioni.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/news\/stellar-motions-reveal-backbone-of-the-large-magellanic-cloud\/\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/news\/stellar-motions-reveal-backbone-of-the-large-magellanic-cloud\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica de Potsdam (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article\/doi\/10.1093\/mnras\/stac712\/6554251\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2203.14369\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio VISTA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/surveytelescopes\/vista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VISTA_(telescope)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando dados do levantamento VMC (VISTA survey of the Magellanic Clouds system), os investigadores do Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica em Potsdam, Alemanha, em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas da equipa do VMC, confirmaram a exist\u00eancia de \u00f3rbitas alongadas que constituem a espinha dorsal do processo de forma\u00e7\u00e3o de uma barra. 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