{"id":4966,"date":"2022-03-29T06:24:43","date_gmt":"2022-03-29T05:24:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4966"},"modified":"2022-03-29T06:25:02","modified_gmt":"2022-03-29T05:25:02","slug":"apanhados-em-flagrante-os-ventos-impelidos-por-buracos-negros-supermassivos-impactam-diretamente-a-formacao-estelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/29\/apanhados-em-flagrante-os-ventos-impelidos-por-buracos-negros-supermassivos-impactam-diretamente-a-formacao-estelar\/","title":{"rendered":"Apanhados em flagrante: os ventos impelidos por buracos negros supermassivos impactam diretamente a forma\u00e7\u00e3o estelar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investigadora Patricia Bessiere do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) liderou uma investiga\u00e7\u00e3o que utilizou dados do telesc\u00f3pio Keck no Hawaii para compreender o impacto que os n\u00facleos gal\u00e1cticos ativos t\u00eam na forma\u00e7\u00e3o de estrelas das suas gal\u00e1xias hospedeiras. Os resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society | Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das quest\u00f5es-chave que os astr\u00f3nomos est\u00e3o a tentar responder \u00e9 &#8220;porque \u00e9 que as gal\u00e1xias t\u00eam o aspeto que t\u00eam?&#8221;. As simula\u00e7\u00f5es de computador de como as gal\u00e1xias se formaram e evolu\u00edram sugerem que deveria haver muito mais gal\u00e1xias grandes do que as que realmente observamos. Portanto, qual \u00e9 o ingrediente que falta nestas simula\u00e7\u00f5es? Qual \u00e9 o processo dentro das gal\u00e1xias que impede a forma\u00e7\u00e3o de demasiadas estrelas?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4967\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dlH3DloB_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Os ventos lan\u00e7ados por um buraco negro supermassivo impactam a forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas na gal\u00e1xia Markarian 34. A fra\u00e7\u00e3o de luz proveniente de uma popula\u00e7\u00e3o jovem estelar aumenta nas bordas do lado que se aproxima do vento (contornos azuis) em compara\u00e7\u00e3o com o resto da gal\u00e1xia. O lado recuado do vento, mais r\u00e1pido e mais turbulento (contornos vermelhos), pode estar a impedir a forma\u00e7\u00e3o de estrelas. Cr\u00e9dito: Arquivo HST\/MAST e G. P\u00e9rez D\u00edaz.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos agora que todas as gal\u00e1xias massivas abrigam um buraco negro supermassivo no seu cora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 milh\u00f5es ou milhares de milh\u00f5es de vezes mais massivo do que o nosso pr\u00f3prio Sol. Quando a quantidade de g\u00e1s que cai para o buraco negro aumenta abruptamente, torna-se incrivelmente quente e grandes quantidades de energia s\u00e3o libertadas para a gal\u00e1xia. Quando um buraco negro est\u00e1 a passar por tal fase, \u00e9 conhecido como NGA (N\u00facleo Gal\u00e1ctico Ativo) e os astr\u00f3nomos pensam que este fen\u00f3meno pode ser o ingrediente em falta que t\u00eam estado \u00e0 procura. Parte da energia libertada pelo NGA ter\u00e1 o efeito de empurrar o g\u00e1s para fora da gal\u00e1xia, um processo conhecido como &#8220;ventos impulsionados pelo NGA&#8221; ou &#8220;feedback do NGA&#8221;, o que significa que haver\u00e1 menos g\u00e1s a partir do qual se formar\u00e3o novas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de cientistas do IAC tem vindo a tentar apanhar este processo em a\u00e7\u00e3o. Usando espectroscopia integral de campo com o instrumento KCWI (Keck Cosmic Web Imager) no telesc\u00f3pio Keck no Hawaii, que permite aos astr\u00f3nomos obter simultaneamente muitos espectros em diferentes locais da gal\u00e1xia, eles t\u00eam sido capazes de mapear tanto os ventos impulsionados pelo NGA como as idades das estrelas na regi\u00e3o interior da bem estudada gal\u00e1xia ativa Markarian 34. Adotando esta abordagem, esperavam compreender se estes ventos estavam a ter um impacto direto na forma\u00e7\u00e3o estelar. Este estudo faz parte do projeto QSOFEED (Quasar Feedback) cujo objetivo \u00e9 compreender como os buracos negros supermassivos afetam as gal\u00e1xias que os abrigam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a equipa descobriu mostra que o NGA e os ventos que conduzem t\u00eam um impacto complexo nas suas gal\u00e1xias hospedeiras. De um lado da gal\u00e1xia, mostraram que \u00e0 frente e nos limites do vento, formam-se novas estrelas. Patricia Bessiere, que liderou o estudo, explica porque \u00e9 que isto pode estar a acontecer. &#8220;Alguns estudos te\u00f3ricos e simula\u00e7\u00f5es de computador sugerem que, \u00e0 medida que o vento impulsionado pelo NGA passa pela gal\u00e1xia, o g\u00e1s mais denso e frio \u00e0 frente e para os lados \u00e9 comprimido, tornando as condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o estelar mais favor\u00e1veis. Isto significa que o vento est\u00e1, de facto, a desencadear a forma\u00e7\u00e3o estelar, em vez de a suprimir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, no outro lado da gal\u00e1xia, descobriu-se que o ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar n\u00e3o \u00e9 afetado pela passagem do vento. A equipa sugere que tal acontece porque o vento aqui \u00e9 mais r\u00e1pido e turbulento, o que significa que as condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o estelar n\u00e3o s\u00e3o igualmente melhoradas. Cristina Ramos Almeida, investigadora do IAC e coautora do estudo, explica que &#8220;o que estamos a ver aqui pode ser evid\u00eancia de feedback &#8216;preventivo&#8217;, o que significa que o vento est\u00e1 a perturbar o g\u00e1s na gal\u00e1xia de modo a que n\u00e3o possa colapsar para formar novas estrelas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este estudo demonstra que a rela\u00e7\u00e3o entre os NGAs e as suas gal\u00e1xias hospedeiras \u00e9 complexa e pode ter impacto em diferentes regi\u00f5es de diferentes maneiras. Os resultados desta investiga\u00e7\u00e3o observacional ser\u00e3o importantes para informar a futura modelagem da evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica e o papel desempenhado pelos NGAs,&#8221; explica Patricia Bessiere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para expandir a nossa compreens\u00e3o desta rela\u00e7\u00e3o, a equipa planeia agora alargar o seu estudo observando uma maior amostra de NGAs usando o instrumento MEGARA, instalado no telesc\u00f3pio GTC (Gran Telescopio Canarias) de 10 metros. Isto permitir\u00e1 \u00e0 equipa obter dados de espectroscopia integral de campo que ser\u00e3o utilizados para caracterizar a distribui\u00e7\u00e3o espacial tanto dos ventos como das popula\u00e7\u00f5es estelares. Isto ajudar\u00e1 os astr\u00f3nomos a compreender os detalhes da rela\u00e7\u00e3o entre o NGA e a forma\u00e7\u00e3o estelar e, igualmente importante, qu\u00e3o comuns tais intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/caught-act-winds-driven-supermassive-black-holes-directly-impact-star-formation\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnrasl\/article-abstract\/512\/1\/54\/6534257?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomial Society | Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2202.06788\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGAs (N\u00facleos Gal\u00e1cticos Ativos):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Active_galactic_nucleus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A investigadora Patricia Bessiere do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) liderou uma investiga\u00e7\u00e3o que utilizou dados do telesc\u00f3pio Keck no Hawaii para compreender o impacto que os n\u00facleos gal\u00e1cticos ativos t\u00eam na forma\u00e7\u00e3o de estrelas das suas gal\u00e1xias hospedeiras. 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