{"id":4963,"date":"2022-03-29T06:21:45","date_gmt":"2022-03-29T05:21:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4963"},"modified":"2022-03-29T06:21:46","modified_gmt":"2022-03-29T05:21:46","slug":"estrela-proxima-pode-ajudar-a-explicar-porque-e-que-o-nosso-sol-nao-teve-manchas-solares-durante-70-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/29\/estrela-proxima-pode-ajudar-a-explicar-porque-e-que-o-nosso-sol-nao-teve-manchas-solares-durante-70-anos\/","title":{"rendered":"Estrela pr\u00f3xima pode ajudar a explicar porque \u00e9 que o nosso Sol n\u00e3o teve manchas solares durante 70 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>O n\u00famero de manchas solares no nosso Sol tipicamente vai e vem num ciclo previs\u00edvel de 11 anos, mas um per\u00edodo invulgar de 70 anos em que as manchas solares foram incrivelmente raras tem mistificado os cientistas durante 300 anos. Agora, de acordo com uma equipa de investigadores da Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia, EUA, uma estrela pr\u00f3xima, parecida com o Sol, parece ter parado os seus pr\u00f3prios ciclos e entrado num per\u00edodo semelhante de manchas estelares raras. A continua\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o desta estrela poderia ajudar a explicar o que aconteceu ao nosso pr\u00f3prio Sol durante este &#8220;M\u00ednimo de Maunder&#8221;, bem como fornecer informa\u00e7\u00f5es da atividade magn\u00e9tica estelar do Sol, que pode interferir com sat\u00e9lites e comunica\u00e7\u00f5es globais e possivelmente at\u00e9 afetar o clima na Terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/db\/KB1V0plx_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/KB1V0plx_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4964\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/KB1V0plx_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/KB1V0plx_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/KB1V0plx_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/KB1V0plx_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Um novo estudo identificou uma estrela pr\u00f3xima cujos ciclos de manchas solares parecem ter parado. O estudo desta estrela pode ajudar a explicar o per\u00edodo entre meados do s\u00e9culo XVII e o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, quando o nosso Sol parou os seus ciclos de manchas solares. Esta imagem retrata um ciclo t\u00edpico de 11 anos no sol, com menos manchas solares a aparecerem no seu m\u00ednimo (canto superior esquerdo e superior direito) e muitas no seu m\u00e1ximo (centro).<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A estrela &#8211; e um cat\u00e1logo de 5 d\u00e9cadas da atividade de manchas estelares de 58 outras estrelas semelhantes ao Sol &#8211; est\u00e1 descrito num novo artigo publicado na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>As manchas estelares s\u00e3o zonas que aparecem escuras \u00e0 superf\u00edcie de uma estrela devido a temperaturas temporariamente mais baixas resultantes do d\u00ednamo da estrela &#8211; o processo que cria o seu campo magn\u00e9tico. Os astr\u00f3nomos t\u00eam vindo a documentar altera\u00e7\u00f5es na frequ\u00eancia das manchas solares do nosso Sol desde que foram observadas pela primeira vez por Galileu e outros astr\u00f3nomos no s\u00e9culo XVII, pelo que h\u00e1 um bom registo do seu ciclo de 11 anos. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o M\u00ednimo de Maunder, que durou desde meados do s\u00e9culo XVII at\u00e9 ao in\u00edcio do XVIII e tem deixado os astr\u00f3nomos perplexos desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sabemos realmente o que causou o M\u00ednimo de Maunder e temos olhado para outras estrelas semelhantes ao Sol para ver se podem fornecer algumas informa\u00e7\u00f5es,&#8221; disse Anna Baum, da Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia e primeira autora do artigo cient\u00edfico. &#8220;Identific\u00e1mos uma estrela que pensamos ter entrado num estado semelhante ao M\u00ednimo de Maunder. Ser\u00e1 realmente excitante continuar a observar esta estrela durante este m\u00ednimo e at\u00e9 terminar, o que poder\u00e1 ser bastante informativo sobre a atividade do Sol h\u00e1 300 anos atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de investiga\u00e7\u00e3o recolheu dados de m\u00faltiplas fontes para juntar 50 a 60 anos de dados de manchas para 59 estrelas. Isto inclui dados do Projeto HK do Observat\u00f3rio Monte Wilson &#8211; que foi concebido para estudar a atividade da superf\u00edcie estelar e decorreu de 1966 a 1996 &#8211; e pesquisas exoplanet\u00e1rias do Observat\u00f3rio Keck que incluem este tipo de dados como parte da sua procura cont\u00ednua de exoplanetas de 1996 a 2020. Os investigadores compilaram uma base de dados de estrelas que apareceram em ambas as fontes e que tinham outras informa\u00e7\u00f5es prontamente dispon\u00edveis que poderiam ajudar a explicar a atividade de manchas estelares. A equipa tamb\u00e9m fez esfor\u00e7os consider\u00e1veis para padronizar as medi\u00e7\u00f5es dos diferentes telesc\u00f3pios de modo a compar\u00e1-las diretamente, limpando os dados.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa identificou ou confirmou que 29 destas estrelas t\u00eam ciclos de manchas estelares, observando pelo menos dois per\u00edodos completos de ciclos, que muitas vezes duram mais de uma d\u00e9cada. Algumas estrelas n\u00e3o parecem ter ciclos de todo, o que pode ser devido ao facto de girarem demasiado lentamente para terem um d\u00ednamo e estarem magneticamente &#8220;mortas&#8221;, ou porque est\u00e3o perto do fim das suas vidas. V\u00e1rias das estrelas necessitam de mais estudos para confirmar se t\u00eam um ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta s\u00e9rie temporal cont\u00ednua, com mais de 50 anos de dura\u00e7\u00e3o, permite-nos ver coisas que nunca ter\u00edamos reparado nos instant\u00e2neos de 10 anos que faz\u00edamos antes,&#8221; disse Jason Wright, professor de astronomia e astrof\u00edsica na Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia e autor do artigo. &#8220;Notavelmente, Anna encontrou uma estrela promissora que teve ciclos durante d\u00e9cadas, mas que parece ter parado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os cientistas, a estrela &#8211; chamada HD 166620 &#8211; tinha um ciclo estimado em cerca de 17 anos, mas entrou agora num per\u00edodo de baixa atividade e n\u00e3o mostra sinais de manchas estelares desde 2003.<br><br>&#8220;Quando vimos estes dados pela primeira vez, pens\u00e1mos que devia ter sido um erro, que t\u00ednhamos juntado dados de duas estrelas diferentes ou que havia uma gralha no cat\u00e1logo ou que a estrela estava mal identificada&#8221;, disse Jacob Luhn, estudante na mesma universidade quando o projeto come\u00e7ou, que agora est\u00e1 na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Irvine. &#8220;Mas n\u00f3s verific\u00e1mos tudo duas, tr\u00eas vezes. Os tempos de observa\u00e7\u00e3o eram consistentes com as coordenadas que esper\u00e1vamos que a estrela tivesse.&#8221; E n\u00e3o h\u00e1 muitas estrelas brilhantes no c\u00e9u que o Monte Wilson tenha observado. N\u00e3o importa o n\u00famero de vezes que verific\u00e1ssemos, chegamos sempre \u00e0 conclus\u00e3o de que esta estrela simplesmente parou o seu ciclo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/07\/24\/hJARR9Bt_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/07\/24\/hJARR9Bt_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>As manchas solares foram observadas pela primeira vez no s\u00e9culo XVII, utilizando um telesc\u00f3pio modificado chamado heliosc\u00f3pio. O instrumento projeta uma imagem do sol sobre uma superf\u00edcie, onde podem ser observadas manchas solares escuras. Esta ilustra\u00e7\u00e3o foi produzida por Christoph Scheiner no s\u00e9culo XVII para o seu livro &#8220;Rosa Ursina sive Sol&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: Christoph Scheiner (Wikimedia Commons, dom\u00ednio p\u00fablico)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os investigadores esperam continuar a estudar esta estrela durante todo o seu per\u00edodo m\u00ednimo e potencialmente \u00e0 medida que sai e come\u00e7a a mostrar ciclos novamente. Esta observa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua poderia fornecer informa\u00e7\u00f5es importantes sobre como o Sol e estrelas semelhantes geram os seus d\u00ednamos magn\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 um grande debate sobre o que foi o M\u00ednimo de Maunder,&#8221; disse Baum, que \u00e9 agora estudante de doutoramento na Universidade de Lehigh, estudando astronomia estelar e asterosismologia. &#8220;Ser\u00e1 que o campo magn\u00e9tico do Sol basicamente se desligou? Ser\u00e1 que perdeu o seu d\u00ednamo? Ou ainda tinha ciclos, mas a um n\u00edvel demasiado baixo para n\u00e3o produzir muitas manchas solares? N\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s no tempo para fazer medi\u00e7\u00f5es de como era, mas se conseguirmos caracterizar a estrutura magn\u00e9tica e a for\u00e7a do campo magn\u00e9tico desta estrela, talvez possamos come\u00e7ar a obter algumas respostas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma melhor compreens\u00e3o da atividade da superf\u00edcie e do campo magn\u00e9tico do Sol poderia ter v\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es importantes. Por exemplo, uma forte atividade estelar pode danificar sat\u00e9lites e comunica\u00e7\u00f5es globais. Uma tempestade solar particularmente forte desativou uma rede el\u00e9trica no Qu\u00e9bec em 1989. Foi tamb\u00e9m sugerido que os ciclos das manchas solares podem ter uma liga\u00e7\u00e3o com o clima da Terra. Al\u00e9m disso, os investigadores disseram que as informa\u00e7\u00f5es sobre esta estrela podem ter impacto na nossa procura por planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As manchas estelares e outras formas de atividade magn\u00e9tica \u00e0 superf\u00edcie das estrelas interferem com a nossa capacidade de detetar os planetas em redor,&#8221; disse Howard Isaacson, cientista investigador da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, autor do artigo. &#8220;A melhoria da compreens\u00e3o da atividade magn\u00e9tica de uma estrela pode ajudar-nos a melhorar os nossos esfor\u00e7os de dete\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A base de dados das 59 estrelas e da sua atividade de manchas estelares foi posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos investigadores para uma an\u00e1lise mais aprofundada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um grande exemplo de astronomia intergeracional e de como continuamos a melhorar a nossa compreens\u00e3o do Universo, baseando-nos nas muitas observa\u00e7\u00f5es e na investiga\u00e7\u00e3o dedicada de astr\u00f3nomos que nos precederam,&#8221; disse Wright. &#8220;Examinei os dados das manchas estelares do Monte Wilson e do Observat\u00f3rio Keck para a minha tese quando era estudante, Howard os dados de manchas estelares do levantamento CPS (California Planet Survey) para a sua tese de mestrado, e agora Anna juntou todos estes dados para um olhar mais abrangente ao longo dos anos. Estamos todos entusiasmados por continuar a estudar esta e outras estrelas promissoras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.psu.edu\/news\/eberly-college-science\/story\/nearby-star-could-help-explain-why-our-sun-didnt-have-sunspots-70\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ac5683\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/947261\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/155158\/the-sun-didnt-have-any-sunspots-for-70-years-now-we-might-know-why\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/we-might-finally-be-able-to-find-out-why-the-sun-was-naked-for-70-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-03-nearby-star-sun-didnt-sunspots.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/03\/220322122812.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>HD 166620:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD%20166620\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_6806\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sol:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sun\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00ednimo de Maunder:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Maunder_Minimum\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Monte Wilson:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mtwilson.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mount_Wilson_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de manchas solares no nosso Sol tipicamente vai e vem num ciclo previs\u00edvel de 11 anos, mas um per\u00edodo invulgar de 70 anos em que as manchas solares foram incrivelmente raras tem mistificado os cientistas durante 300 anos. 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