{"id":4957,"date":"2022-03-25T07:23:03","date_gmt":"2022-03-25T06:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4957"},"modified":"2022-03-25T07:23:04","modified_gmt":"2022-03-25T06:23:04","slug":"pode-o-asteroide-ryugu-ser-um-cometa-extinto-os-cientistas-respondem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/25\/pode-o-asteroide-ryugu-ser-um-cometa-extinto-os-cientistas-respondem\/","title":{"rendered":"Pode o asteroide Ryugu ser um cometa extinto? Os cientistas respondem!"},"content":{"rendered":"\n<p>A miss\u00e3o Hayabusa2 descobriu recentemente informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do asteroide &#8220;Ryugu&#8221; que, segundo a teoria convencional, se formou a partir de uma colis\u00e3o entre asteroides maiores. Agora, um estudo realizado por cientistas japoneses sugere que Ryugu \u00e9, na verdade, um cometa extinto. Com um modelo f\u00edsico simples que se adapta \u00e0s observa\u00e7\u00f5es atualmente dispon\u00edveis, o estudo fornece uma melhor compreens\u00e3o dos cometas, dos asteroides e da evolu\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os asteroides cont\u00eam muitas pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos planetas e dos seus sat\u00e9lites. A compreens\u00e3o da sua hist\u00f3ria pode, portanto, revelar muito sobre o nosso Sistema Solar. Embora as observa\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 dist\u00e2ncia, utilizando ondas eletromagn\u00e9ticas e telesc\u00f3pios, sejam \u00fateis, a an\u00e1lise de amostras recuperadas de asteroides podem fornecer muito mais detalhes sobre as suas caracter\u00edsticas e sobre a sua forma\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o Hayabusa foi um esfor\u00e7o nesta dire\u00e7\u00e3o que, em 2010 e ap\u00f3s 7 anos, regressou \u00e0 Terra com amostras do asteroide Itokawa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4958\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg 512w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><figcaption>O asteroide Ryugu, fotografado pela sonda Hayabusa2 no dia 26 de junho de 2018.<br>Cr\u00e9dito: JAXA, Universidade de T\u00f3quio e colaboradores<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A sucessora desta miss\u00e3o, de nome Hayabusa2, ficou conclu\u00edda perto do final de 2020, trazendo para a Terra material do asteroide 162173 &#8220;Ryugu&#8221;, juntamente com uma cole\u00e7\u00e3o de imagens e dados recolhidos remotamente a partir de \u00edntima proximidade. Embora as amostras ainda estejam a ser analisadas, a informa\u00e7\u00e3o obtida remotamente revelou tr\u00eas caracter\u00edsticas importantes sobre Ryugu. Em primeiro lugar, Ryugu \u00e9 um asteroide &#8220;pilha de escombros&#8221;, composto por pequenos peda\u00e7os de rocha e material s\u00f3lido agrupados gra\u00e7as \u00e0 gravidade, em vez de uma \u00fanica pedra monol\u00edtica. Em segundo lugar, Ryugu tem a forma de um pi\u00e3o, provavelmente devido a deforma\u00e7\u00e3o induzida por rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Em terceiro lugar, Ryugu tem um teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica notavelmente elevado.<\/p>\n\n\n\n<p>Destes, a terceira caracter\u00edstica levanta uma quest\u00e3o sobre a origem deste asteroide. O consenso cient\u00edfico atual \u00e9 que Ryugu teve origem nos destro\u00e7os deixados para tr\u00e1s pela colis\u00e3o de dois asteroides maiores. No entanto, isto n\u00e3o pode ser verdade se o asteroide tiver um elevado teor de conte\u00fado org\u00e2nico (o que ser\u00e1 confirmado quando as an\u00e1lises das amostras estiverem conclu\u00eddas). Qual poderia, ent\u00e3o, ser a verdadeira origem de Ryugu?<\/p>\n\n\n\n<p>Num esfor\u00e7o recente para responder a esta quest\u00e3o, uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada pelo professor associado Hitoshi Miura da Universidade da Cidade de Nagoya, Jap\u00e3o, prop\u00f4s uma explica\u00e7\u00e3o alternativa apoiada por um modelo f\u00edsico relativamente simples. Como explicado no seu artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, os investigadores sugerem que Ryugu, bem como asteroides semelhantes do tipo &#8220;pilha de escombros&#8221;, poderiam, de facto, ser remanescentes de cometas extintos. Este estudo foi realizado em colabora\u00e7\u00e3o com o professor Eizo Nakamura e o professor associado Tak Kunihiro da Universidade de Okayama, Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cometas s\u00e3o pequenos corpos que se formam nas regi\u00f5es mais exteriores e frias do Sistema Solar. S\u00e3o compostos principalmente de \u00e1gua gelada, com alguns componentes rochosos (detritos) misturados. Se um cometa entra no Sistema Solar interior &#8211; o espa\u00e7o delimitado pela cintura de asteroides &#8220;antes&#8221; de J\u00fapiter &#8211; o calor da radia\u00e7\u00e3o solar faz com que o gelo sublime e escape, deixando para tr\u00e1s destro\u00e7os rochosos que compactam devido \u00e0 gravidade e formam um asteroide do tipo &#8220;pilha de escombros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b2\/9b\/WpwSEhML_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b2\/9b\/WpwSEhML_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Dados recentemente obtidos pela miss\u00e3o Hayabusa2 sugerem que o asteroide Ryugu \u00e9 na realidade um cometa extinto que perdeu a sua \u00e1gua gelada devido ao calor do aumento da radia\u00e7\u00e3o solar ap\u00f3s se ter aproximado da cintura interna de asteroides.<br>Cr\u00e9dito: Miura et al. (2022) | The Astrophysical Journal Letters<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Este processo encaixa em todas as caracter\u00edsticas observadas em Ryugu, explica o Dr. Miura: &#8220;A sublima\u00e7\u00e3o do gelo faz com que o n\u00facleo do cometa perca massa e encolha, o que aumenta a sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o. Como resultado, o n\u00facleo comet\u00e1rio pode adquirir a velocidade de rota\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a forma de pi\u00e3o. Al\u00e9m disso, pensa-se que os componentes gelados dos cometas contenham mat\u00e9ria org\u00e2nica gerada no meio interestelar. Estes materiais org\u00e2nicos seriam depositados nos detritos rochosos deixados para tr\u00e1s \u00e0 medida que o gelo sublimasse.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para testar a sua hip\u00f3tese, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o realizou simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas utilizando um modelo f\u00edsico simples para calcular o tempo que a \u00e1gua gelada levaria a sublimar e o consequente aumento de velocidade de rota\u00e7\u00e3o do asteroide. Os resultados da sua an\u00e1lise sugeriram que Ryugu passou provavelmente algumas dezenas de milhares de anos como um cometa ativo antes de entrar na sec\u00e7\u00e3o interna da cintura de asteroides, onde as altas temperaturas vaporizaram o gelo e o transformaram num asteroide &#8220;pilha de escombros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No geral, este estudo indica que os objetos &#8220;pilha de escombros&#8221;, em forma de pi\u00e3o e com elevado conte\u00fado org\u00e2nico, tais como Ryugu e Bennu (o alvo da miss\u00e3o OSIRIS-REx) s\u00e3o objetos de transi\u00e7\u00e3o cometa-asteroide (ou TCAs). &#8220;Os TCAs s\u00e3o pequenos objetos que em tempos foram cometas ativos, mas que se extinguiram e aparentemente tornaram-se indistingu\u00edveis dos asteroides,&#8221; explica o Dr. Miura. &#8220;Devido \u00e0s suas semelhan\u00e7as tanto com cometas como com asteroides, os TCAs poderiam fornecer novas perspetivas sobre o nosso Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esperemos que an\u00e1lises composicionais detalhadas das amostras, tanto de Ryugu como de Bennu, possam lan\u00e7ar mais luz sobre estas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nagoya-cu.ac.jp\/english\/research-news\/20220318\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Cidade de Nagoya (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac4bd5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Asteroide Ryugu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=162173#content\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/162173_Ryugu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hayabusa2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.hayabusa2.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hayabusa2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asteroide Itokawa:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/25143_Itokawa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sonda Hayabusa:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.astro.mech.tohoku.ac.jp\/hayabusa\/page1_english.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Tohoku<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hayabusa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asteroide Bennu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/asteroids-comets-and-meteors\/asteroids\/101955-bennu\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/101955_Bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>OSIRIS-REx:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.asteroidmission.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/osiris-rex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nasasolarsystem\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/osiris_rex\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/OSIRIS-REx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o Hayabusa2 descobriu recentemente informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do asteroide &#8220;Ryugu&#8221; que, segundo a teoria convencional, se formou a partir de uma colis\u00e3o entre asteroides maiores. 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