{"id":4951,"date":"2022-03-22T07:25:24","date_gmt":"2022-03-22T06:25:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4951"},"modified":"2022-03-22T07:25:26","modified_gmt":"2022-03-22T06:25:26","slug":"spitzer-avista-nuvem-gigante-de-detritos-criada-por-choque-entre-corpos-celestes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/22\/spitzer-avista-nuvem-gigante-de-detritos-criada-por-choque-entre-corpos-celestes\/","title":{"rendered":"Spitzer avista nuvem gigante de detritos criada por choque entre corpos celestes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos planetas rochosos e sat\u00e9lites do nosso Sistema Solar, incluindo a Terra e a Lua, foram formados ou moldados por colis\u00f5es massivas no in\u00edcio da hist\u00f3ria do Sistema Solar. Ao chocarem uns com os outros, os corpos rochosos podem acumular mais material, aumentando de tamanho, ou podem desfazer-se em m\u00faltiplos corpos mais pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos, usando o agora aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA, encontraram no passado evid\u00eancias destes tipos de colis\u00f5es em torno de estrelas jovens, onde planetas rochosos est\u00e3o a ser formados. Mas essas observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o forneceram muitos detalhes sobre as colis\u00f5es, tais como o tamanho dos objetos envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia25161_-_spitzer_collision_cloud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Iy4ps5hZ_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4952\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Iy4ps5hZ_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Iy4ps5hZ_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Iy4ps5hZ_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o retrata o resultado de uma colis\u00e3o entre dois grandes corpos do tamanho de um asteroide: uma enorme nuvem de detritos \u00e0 volta de uma jovem estrela. O Spitzer da NASA viu uma nuvem de detritos a bloquear a estrela HD 166191, dando aos cientistas detalhes sobre a colis\u00e3o ocorrida.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, um grupo de astr\u00f3nomos liderado por Kate Su da Universidade do Arizona relatou as primeiras observa\u00e7\u00f5es de uma nuvem de detritos de uma destas colis\u00f5es ao passar em frente da sua estrela e ao bloquear brevemente a luz. Os astr\u00f3nomos chamam a este evento &#8220;tr\u00e2nsito&#8221;. Juntamente com o conhecimento sobre o tamanho e brilho da estrela, as observa\u00e7\u00f5es permitiram aos investigadores determinar diretamente o tamanho da nuvem pouco depois do impacto, estimar o tamanho dos objetos que colidiram e observar a velocidade com que a nuvem se dispersou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 substituto para testemunha ocular de um evento,&#8221; disse George Rieke, tamb\u00e9m da Universidade do Arizona e coautor do novo estudo. &#8220;Todos os casos relatados anteriormente do Spitzer n\u00e3o foram resolvidos, com apenas hip\u00f3teses te\u00f3ricas sobre como poderia ter sido o evento real e a nuvem de detritos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de 2015, uma equipa liderada por Su come\u00e7ou a fazer observa\u00e7\u00f5es de rotina de uma estrela com 10 milh\u00f5es de anos chamada HD 166191. Por volta desta fase inicial da vida de uma estrela, a poeira que sobra da sua forma\u00e7\u00e3o junta-se para formar corpos rochosos chamados planetesimais &#8211; as &#8220;sementes&#8221; de planetas futuros. Assim que o g\u00e1s que anteriormente preenchia o espa\u00e7o entre esses objetos se dispersa, colis\u00f5es catastr\u00f3ficas entre eles tornam-se comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antevendo que poderiam ver evid\u00eancias de uma destas colis\u00f5es em torno de HD 166191, a equipa utilizou o Spitzer para realizar mais de 100 observa\u00e7\u00f5es do sistema entre 2015 e 2019. Embora os planetesimais sejam demasiado pequenos e distantes para serem resolvidos por telesc\u00f3pio, as suas colis\u00f5es produzem grandes quantidades de poeira. O Spitzer detetou luz infravermelha &#8211; ou comprimentos de onda ligeiramente superiores ao que os olhos humanos podem ver. O infravermelho \u00e9 ideal para detetar poeira, incluindo os detritos criados por colis\u00f5es entre protoplanetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meados de 2018, o telesc\u00f3pio espacial viu o sistema HD 166191 tornar-se significativamente mais brilhante, sugerindo um aumento na produ\u00e7\u00e3o de detritos. Durante esse tempo, o Spitzer tamb\u00e9m detetou uma nuvem de detritos a bloquear a estrela. Combinando a observa\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito pelo Spitzer com as observa\u00e7\u00f5es por telesc\u00f3pios no solo, a equipa p\u00f4de deduzir o tamanho e a forma da nuvem de detritos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2006a.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9b\/97\/inTOdEeL_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de uma colis\u00e3o entre chamados planetesimais, ou corpos precursores a partir dos quais os planetas acabam por se formar.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu trabalho sugere que a nuvem era altamente alongada, com uma \u00e1rea m\u00ednima estimada tr\u00eas vezes maior do que a estrela. No entanto, a quantidade de aumento de brilho infravermelho que o Spitzer viu sugere que apenas uma pequena parte da nuvem passou em frente da estrela e que os detritos deste evento cobriram uma \u00e1rea centenas de vezes maior do que a da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para produzir uma nuvem t\u00e3o grande, os objetos na colis\u00e3o principal devem ter sido do tamanho de planetas an\u00f5es, como Vesta no nosso Sistema Solar &#8211; um objeto com 530 km de di\u00e2metro localizado na cintura principal de asteroides entre Marte e J\u00fapiter. O choque inicial gerou energia e calor suficientes para vaporizar parte do material. Tamb\u00e9m desencadeou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia de impactos entre fragmentos da primeira colis\u00e3o e outros pequenos corpos no sistema, o que provavelmente criou uma quantidade significativa de poeira que o Spitzer observou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos meses seguintes, a grande nuvem de poeira cresceu em tamanho e tornou-se mais transl\u00facida, indicando que a poeira e outros detritos estavam rapidamente a dispersar-se pelo jovem sistema estelar. Em 2019, a nuvem que passava em frente da estrela j\u00e1 n\u00e3o era vis\u00edvel, mas o sistema continha o dobro da poeira que tinha antes do Spitzer ter avistado a nuvem. Esta informa\u00e7\u00e3o, de acordo com os autores do artigo, pode ajudar os cientistas a testar teorias sobre como os planetas terrestres se formam e crescem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Olhando para discos poeirentos de detritos em torno de estrelas jovens, podemos essencialmente olhar para tr\u00e1s no tempo e ver os processos que podem ter moldado o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar,&#8221; disse Su. &#8220;Aprendendo sobre o resultado das colis\u00f5es nestes sistemas, podemos tamb\u00e9m ter uma melhor ideia da frequ\u00eancia com que os planetas rochosos se formam em torno de outras estrelas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-spots-giant-debris-cloud-created-by-clashing-celestial-bodies\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.arizona.edu\/story\/star-sized-debris-cloud-distant-collision-spotted-nasa-telescope\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac4bbb\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2203.02366\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD 166191:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD+166191\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos planetas rochosos e sat\u00e9lites do nosso Sistema Solar, incluindo a Terra e a Lua, foram formados ou moldados por colis\u00f5es massivas no in\u00edcio da hist\u00f3ria do Sistema Solar. 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