{"id":4939,"date":"2022-03-18T07:33:32","date_gmt":"2022-03-18T06:33:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4939"},"modified":"2022-03-18T07:33:33","modified_gmt":"2022-03-18T06:33:33","slug":"estrela-minuscula-liberta-feixe-gigantesco-de-materia-e-antimateria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/18\/estrela-minuscula-liberta-feixe-gigantesco-de-materia-e-antimateria\/","title":{"rendered":"Estrela min\u00fascula liberta feixe gigantesco de mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos fotografaram um feixe de mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria com mais de 60 bili\u00f5es de quil\u00f3metros com o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra. O feixe de raios-X \u00e9 alimentado por um pulsar, uma estrela colapsada com rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e um forte campo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a sua tremenda escala, este feixe pode ajudar a explicar o n\u00famero surpreendentemente grande de positr\u00f5es, os hom\u00f3logos de antimat\u00e9ria dos eletr\u00f5es, por toda a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2022\/j2030\/j2030_lg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"360\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/xp9yzADA_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4940\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/xp9yzADA_o.jpg 864w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/xp9yzADA_o-300x125.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/xp9yzADA_o-768x320.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption>O pulsar conhecido como PSR J2030+4415 em raios-X pelo Chandra e no vis\u00edvel pelo telesc\u00f3pio Gemini no Hawaii. O campo de vis\u00e3o de m\u00e9dio alcance mostra cerca de um-ter\u00e7o do comprimento de um filamento extremamente longo, ou feixe, do pulsar detetado nos dados do Chandra (comparar com a imagem de campo completo, \u00e0 esquerda). A imagem de grande plano mostra onde os raios-X s\u00e3o criados pelas part\u00edculas que voam em torno do pr\u00f3prio pulsar. \u00c0 medida que o pulsar se move pelo espa\u00e7o, algumas destas part\u00edculas escapam e criam o filamento longo. Este feixe pode ajudar a explicar o n\u00famero surpreendentemente grande de positr\u00f5es, os hom\u00f3logos de antimat\u00e9ria dos eletr\u00f5es que os cientistas detetaram na Terra.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXC\/Universidade de Stanford\/M. de Vries; \u00f3tico &#8211; NSF\/AURA\/Cons\u00f3rcio Gemini<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram pela primeira vez o feixe, ou filamento, em 2020, mas n\u00e3o sabiam o seu comprimento total porque se estendia para l\u00e1 do limite do detetor do Chandra. Novas observa\u00e7\u00f5es do Chandra feitas pelo mesmo par de investigadores em fevereiro e novembro de 2021 mostram que o filamento \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes mais longo do que o originalmente visto. O filamento abrange cerca de metade do di\u00e2metro da Lua Cheia no c\u00e9u, tornando-o o feixe mais longo de um pulsar, a partir do ponto de vista da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 espantoso que um pulsar com apenas 16 km de di\u00e2metro possa criar uma estrutura t\u00e3o grande que a podemos ver a milhares de anos-luz de dist\u00e2ncia,&#8221; disse Martijn de Vries da Universidade Stanford em Palo Alto, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, que liderou o estudo. &#8220;Com o mesmo tamanho relativo, se o filamento se esticasse de Nova Iorque a Los Angeles, o pulsar seria cerca de 100 vezes mais pequeno do que o objeto mais pequeno vis\u00edvel a olho nu.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O pulsar tem o nome PSR J2030+4415 e est\u00e1 localizado a cerca de 1600 anos-luz da Terra. Este objeto do tamanho de uma cidade gira cerca de tr\u00eas vezes por segundo, mais depressa do que a maioria das ventoinhas de teto.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado pode fornecer uma nova vis\u00e3o sobre a fonte de antimat\u00e9ria da Via L\u00e1ctea, que \u00e9 semelhante \u00e0 mat\u00e9ria comum, mas com as suas cargas el\u00e9tricas invertidas. Por exemplo, um positr\u00e3o \u00e9 equivalente, com carga positiva, ao eletr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande maioria do Universo consiste de mat\u00e9ria comum e n\u00e3o antimat\u00e9ria. Contudo, os cientistas continuam a encontrar evid\u00eancias de um n\u00famero relativamente grande de positr\u00f5es em detetores na Terra, o que leva \u00e0 quest\u00e3o: quais s\u00e3o as poss\u00edveis fontes desta antimat\u00e9ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores do novo estudo do Chandra pensam que pulsares como PSR J2030+4415 podem ser uma resposta. A combina\u00e7\u00e3o de dois extremos &#8211; a rota\u00e7\u00e3o veloz e os fortes campos magn\u00e9ticos dos pulsares &#8211; leva \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edculas e radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica que cria pares de eletr\u00f5es e positr\u00f5es (o processo habitual de convers\u00e3o de massa em energia, famoso pela equa\u00e7\u00e3o E=mc^2 de Albert Einstein, \u00e9 invertido, e a energia \u00e9 convertida em massa).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Quick Look: Pulsar J2030\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rEJWla2dwNc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O pulsar pode estar a &#8220;vazar&#8221; estes positr\u00f5es para a Gal\u00e1xia. Os pulsares geram ventos de part\u00edculas carregadas que est\u00e3o normalmente confinados dentro dos seus poderosos campos magn\u00e9ticos. O pulsar viaja atrav\u00e9s do espa\u00e7o interestelar a cerca de 1,6 milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora, com o vento a arrastar-se atras dele. Um choque de g\u00e1s na proa move-se em frente do pulsar, semelhante ao acumular de \u00e1gua na frente de um barco em movimento. No entanto, h\u00e1 cerca de 20 a 30 anos, o movimento de choque da proa parece ter estagnado, e o pulsar apanhou-o, resultando numa intera\u00e7\u00e3o com o campo magn\u00e9tico interestelar que corre quase em linha reta da esquerda para a direita.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto provavelmente desencadeou uma fuga de part\u00edculas,&#8221; disse o coautor Roger Romani, tamb\u00e9m de Stanford. &#8220;O campo magn\u00e9tico do vento pulsar ligou-se ao campo magn\u00e9tico interestelar e os eletr\u00f5es e positr\u00f5es altamente energ\u00e9ticos foram &#8216;esguichados&#8217; atrav\u00e9s de um bocal formado pela liga\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que as part\u00edculas se moviam ent\u00e3o ao longo dessa linha do campo magn\u00e9tico interestelar a cerca de um-ter\u00e7o da velocidade da luz, tornaram-se brilhantes em raios-X. Isto produziu o feixe longo visto pelo Chandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Anteriormente, os astr\u00f3nomos observaram grandes halos em torno de pulsares pr\u00f3ximos em raios-gama que implicam que os positr\u00f5es energ\u00e9ticos geralmente t\u00eam dificuldade em &#8220;vazar&#8221; para a Gal\u00e1xia. Isto anula a ideia de que os pulsares explicam o excesso de positr\u00f5es que os cientistas detetam. No entanto, filamentos de pulsares recentemente descobertos, como PSR J2030+4415, mostram que as part\u00edculas podem realmente escapar para o espa\u00e7o interestelar e eventualmente chegar \u00e0 Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo que descreve estes resultados aparecer\u00e1 na revista The Astrophysical Journal e est\u00e1 dispon\u00edvel online.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tour: Pulsar J2030\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j5g4caLkXBg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/22_releases\/press_031422.html\/\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/images\/tiny-star-unleashes-gargantuan-beam-of-matter-and-antimatter.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2202.03506\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antimat\u00e9ria:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Antimatter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Positron\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Positr\u00e3o (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos fotografaram um feixe de mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria com mais de 60 bili\u00f5es de quil\u00f3metros com o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra. 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