{"id":4902,"date":"2022-03-01T07:36:26","date_gmt":"2022-03-01T06:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4902"},"modified":"2022-03-01T07:36:27","modified_gmt":"2022-03-01T06:36:27","slug":"frbs-num-local-invulgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/01\/frbs-num-local-invulgar\/","title":{"rendered":"FRBs num local invulgar"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e3o entre os grandes mist\u00e9rios do Universo: explos\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o que duram cerca de um mil\u00e9simo de segundo e que s\u00f3 aparecem em radiotelesc\u00f3pios. Desde a sua descoberta em 2007, os astr\u00f3nomos t\u00eam vindo a investigar a causa destes flashes c\u00f3smicos. Agora, uma equipa que envolve o Instituto Max Planck para Radioastronomia e a sua antena de 100 metros em Effelsberg encontrou uma destas r\u00e1pidas FRBs (&#8220;fast radiobursts&#8221; em ingl\u00eas) \u00e0 dist\u00e2ncia mais pr\u00f3xima da Terra at\u00e9 agora, na gal\u00e1xia espiral Messier 81, a cerca de 12 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, a fonte est\u00e1 aparentemente localizada num enxame globular desta gal\u00e1xia &#8211; onde menos se esperaria encontrar uma FRB.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4903\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dTvidYEA_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Flashes no espa\u00e7o: representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica que mostra a explos\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o r\u00e1dio como observada num enxame globular da gal\u00e1xia espiral Messier 81.<br>Cr\u00e9dito: Dani\u00eblle Futselaar\/ASTRON (artsource.nl)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A maioria dos flashes r\u00e1dio aparecem como se vindos do nada, alguns repetem-se periodicamente. Cada um destes surtos emite tanta energia quanto o Sol irradia num dia inteiro. V\u00e1rias centenas destes flashes c\u00f3smicos s\u00e3o disparados todos os dias e t\u00eam sido observados por todo o c\u00e9u. A maioria est\u00e1 localizada a grandes dist\u00e2ncias da Terra &#8211; em gal\u00e1xias a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Investigadores liderados por Franz Kirsten (Universidade de Chalmers, Su\u00e9cia) e Kenzie Nimmo (Universidade de Amesterd\u00e3o) analisaram agora de perto uma fonte de surtos repetidos detetada em janeiro de 2020 na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Ursa Maior. &#8220;Quer\u00edamos procurar pistas sobre as origens dos flashes,&#8221; diz Kirsten.<\/p>\n\n\n\n<p>Para este fim, os cientistas utilizaram a rede europeia de observa\u00e7\u00e3o EVN (European VLBI Network). Combinaram os dados de 12 antenas parab\u00f3licas &#8211; incluindo o telesc\u00f3pio de 100 metros do Instituto Max Planck para Radioastronomia, o instrumento mais sens\u00edvel do grupo &#8211; e foram assim capazes de identificar exatamente onde no c\u00e9u teve origem a explos\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa acompanhou os flashes at\u00e9 \u00e0 periferia da gal\u00e1xia espiral pr\u00f3xima Messier 81 (M81), que fica a cerca de 12 milh\u00f5es de anos-luz da Terra &#8211; e representa assim a fonte mais pr\u00f3xima de surtos r\u00e1dios at\u00e9 \u00e0 data. E: a sua posi\u00e7\u00e3o coincide exatamente com um enxame globular que se encontra na gal\u00e1xia e que consiste numa densa cole\u00e7\u00e3o de estrelas muito antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 precisamente este facto que surpreende os investigadores, porque at\u00e9 agora as FRBs tinham sido encontradas mais longe no Universo, em lugares onde as estrelas s\u00e3o muito mais jovens. &#8220;A semelhan\u00e7a da explos\u00e3o com a emiss\u00e3o de alguns pulsares na nossa Gal\u00e1xia coloca-nos em terreno familiar, mas tamb\u00e9m deixa claro que os precursores da explos\u00e3o r\u00e1dio podem ser muito diferentes,&#8221; diz Ramesh Karuppusamy do Instituto Max Planck para Radioastronomia em Bona.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a surpresa, \u00e9 preciso conhecer a teoria por detr\u00e1s da causa das explos\u00f5es r\u00e1dio. Muitos especialistas pensam que os chamados magnetares est\u00e3o por detr\u00e1s delas. Estes s\u00e3o remanescentes muito densos de s\u00f3is massivos que explodiram &#8211; estrelas de neutr\u00f5es com cerca de 20 quil\u00f3metros de di\u00e2metro que giram rapidamente e que t\u00eam campos magn\u00e9ticos extremamente fortes. &#8220;N\u00f3s esperamos que os magnetares sejam objetos jovens,&#8221; diz Jason Hessels da Universidade de Amesterd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores pensam, portanto, que a fonte dos surtos r\u00e1dio da gal\u00e1xia M81 \u00e9 um objeto que foi previsto teoricamente, mas nunca visto ao vivo antes: um magnetar que se formou quando uma an\u00e3 branca tinha acumulado massa suficiente para se desmoronar sob o seu pr\u00f3prio peso. &#8220;Coisas estranhas acontecem ao longo dos v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos de exist\u00eancia de um enxame globular. Suspeitamos que estamos a observar uma estrela com uma hist\u00f3ria invulgar,&#8221; diz Franz Kirsten.<\/p>\n\n\n\n<p>As an\u00e3s brancas s\u00e3o consideradas as fases finais de estrelas normais como o nosso Sol, que vivem durante v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos e acabam por transformar-se em objetos densos do tamanho da Terra sem explodir. Muitas destas an\u00e3s brancas existem em antigos enxames estelares, algumas delas em sistemas bin\u00e1rios. Alguns destes pares devem ser t\u00e3o \u00edntimos que uma parceira &#8220;rouba&#8221; material da outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Se uma das an\u00e3s brancas acumular massa extra suficiente da sua companheira, pode transformar-se numa estrela ainda mais densa &#8211; um magnetar. &#8220;Este \u00e9 um acontecimento raro, mas num enxame de estrelas velhas seria a forma mais f\u00e1cil de produzir FRBs,&#8221; diz o membro da equipa Mohit Bhardwaj da Universidade McGill no Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as suas medi\u00e7\u00f5es, os investigadores fizeram outra descoberta: alguns dos surtos eram mais curtos do que o esperado e mudaram de brilho em apenas algumas dezenas de nanossegundos. &#8220;Isto significa que devem vir de um volume min\u00fasculo no espa\u00e7o, menor do que um campo de futebol e talvez com apenas algumas dezenas de metros em di\u00e2metro,&#8221; diz Kenzie Nimmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinais ultracurtos semelhantes tamb\u00e9m s\u00e3o recebidos de um dos objetos mais famosos do c\u00e9u, o pulsar da Nebulosa do Caranguejo. Esta tamb\u00e9m \u00e9 uma estrela de neutr\u00f5es, ou seja, o denso remanescente de uma explos\u00e3o de supernova que foi avistada da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Touro no ano 1054. \u00c0 medida que a estrela gira rapidamente sob si pr\u00f3pria, emite dois feixes de radia\u00e7\u00e3o. Quando passam na dire\u00e7\u00e3o da Terra, o objeto parece ser um pulsar, piscando como um farol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Alguns dos sinais que medimos s\u00e3o curtos e extremamente poderosos, da mesma forma que alguns sinais do pulsar de Caranguejo. Isto sugere que estamos de facto a ver um magnetar, mas num local onde os magnetares nunca foram encontrados antes,&#8221; diz Kenzie Nimmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa\u00e7\u00f5es futuras deste e de outros sistemas devem ajudar a determinar se a fonte \u00e9, de facto, um magnetar ou outra coisa qualquer, como um pulsar com propriedades invulgares. Ou mesmo um buraco negro em \u00f3rbita de uma estrela compacta numa \u00f3rbita \u00edntima.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/18354177\/cosmic-radio-flashes-messier81\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.chalmers.se\/en\/researchinfrastructure\/oso\/news\/Pages\/Cosmic-flashes-FRB-pinpointed-surprising-location.aspx\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Chalmers (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.astron.nl\/cosmic-flashes-discovered-in-a-surprising-location-in-space\/\" target=\"_blank\">\/\/ ASTRON (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-04354-w\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01569-9\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2105.11446\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/galactic-burst-m81-crab-nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/154666\/astronomers-detect-the-closest-fast-radio-burst-ever-seen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-02-cosmic-space.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FRB (&#8220;Fast Radio Burst&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astronomy.swin.edu.au\/pulsar\/frbcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de FRBs (Universidade Swinburne)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M81:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m081.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_81\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>EVN:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.evlbi.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_VLBI_Network\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o entre os grandes mist\u00e9rios do Universo: explos\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o que duram cerca de um mil\u00e9simo de segundo e que s\u00f3 aparecem em radiotelesc\u00f3pios. 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