{"id":4895,"date":"2022-03-01T07:29:50","date_gmt":"2022-03-01T06:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4895"},"modified":"2022-03-01T07:29:51","modified_gmt":"2022-03-01T06:29:51","slug":"astronomos-descobrem-que-buraco-negro-gira-muito-inclinado-em-relacao-a-sua-orbita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/03\/01\/astronomos-descobrem-que-buraco-negro-gira-muito-inclinado-em-relacao-a-sua-orbita\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem que buraco negro gira muito inclinado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua \u00f3rbita"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos encontraram um buraco negro que desafia os modelos te\u00f3ricos atuais para a forma\u00e7\u00e3o destes objetos compactos, utilizando telesc\u00f3pios no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos (Garaf\u00eda, La Palma, Ilhas Can\u00e1rias). Os resultados foram publicados na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es, por esta equipa de investigadores, liderada pela Universidade de Turku (Finl\u00e2ndia) com participa\u00e7\u00e3o do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), encontra uma diferen\u00e7a de mais de 40 graus entre o eixo da \u00f3rbita do bin\u00e1rio de raios-X MAXI J1820+070 e o eixo de rota\u00e7\u00e3o do buraco negro. A exist\u00eancia de um buraco negro neste sistema bin\u00e1rio foi descoberta anteriormente por uma equipa de investigadores do IAC com observa\u00e7\u00f5es utilizando o GTC (Gran Telescopio Canarias) e o Telesc\u00f3pio William Herschel do Grupo de Telesc\u00f3pios Isaac Newton, ambos no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/8Ne0T1VW_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"902\" height=\"733\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/8Ne0T1VW_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4896\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/8Ne0T1VW_o.png 902w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/8Ne0T1VW_o-300x244.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/8Ne0T1VW_o-768x624.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do sistema bin\u00e1rio de raios-X MAXI J1820+070 contendo um buraco negro (pequeno ponto negro no centro do disco gasoso) e uma estrela companheira. Um jato estreito \u00e9 dirigido ao longo do eixo de rota\u00e7\u00e3o do buraco negro, que est\u00e1 fortemente desalinhado em rela\u00e7\u00e3o ao eixo de rota\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: R. Hynes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas vezes, para os sistemas com objetos mais pequenos em \u00f3rbita de um corpo massivo central, o pr\u00f3prio eixo de rota\u00e7\u00e3o deste corpo est\u00e1 muito alinhado com o eixo de rota\u00e7\u00e3o dos seus sat\u00e9lites. Isto tamb\u00e9m \u00e9 verdade para o nosso Sistema Solar: os planetas orbitam em torno do Sol num plano, que coincide aproximadamente com o plano equatorial do Sol. A inclina\u00e7\u00e3o do eixo de rota\u00e7\u00e3o do Sol em rela\u00e7\u00e3o ao eixo orbital da Terra \u00e9 de apenas sete graus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A expetativa de alinhamento, em grande medida, n\u00e3o se mant\u00e9m para objetos bizarros como os bin\u00e1rios de raios-X (com um buraco negro),&#8221; diz Juri Poutanen, professor de astronomia na Universidade de Turku e autor principal da publica\u00e7\u00e3o. E acrescenta: &#8220;Os buracos negros nestes sistemas foram formados como resultado de um cataclismo c\u00f3smico &#8211; o colapso de uma estrela massiva. Agora vemos o buraco negro a arrastar mat\u00e9ria da estrela companheira mais leve em \u00f3rbita. Vemos radia\u00e7\u00e3o no vis\u00edvel e em raios-X como o \u00faltimo suspiro do material em queda, e tamb\u00e9m emiss\u00e3o r\u00e1dio dos jatos relativistas expelidos do sistema.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao observar o sinal destes jatos, os investigadores conseguiram fazer uma estimativa muito precisa da dire\u00e7\u00e3o do eixo de rota\u00e7\u00e3o do buraco negro. Cerca de um ano ap\u00f3s a sua identifica\u00e7\u00e3o, com o instrumento MAXI situado na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, a quantidade de g\u00e1s que cai no buraco negro come\u00e7ou a diminuir e o sistema desvaneceu-se. A partir da\u00ed, uma parte significativa da emiss\u00e3o prov\u00e9m da estrela companheira. Ao estudar esta estrela com o GTC usando espectroscopia, foi poss\u00edvel medir a inclina\u00e7\u00e3o da sua \u00f3rbita e verificou-se que era praticamente a mesma que a inclina\u00e7\u00e3o do jato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para estabelecer a orienta\u00e7\u00e3o espacial da \u00f3rbita tamb\u00e9m precisamos de conhecer a posi\u00e7\u00e3o angular do bin\u00e1rio no plano do c\u00e9u,&#8221; explica Manuel P\u00e9rez Torres, investigador do IAC e coautor do artigo. &#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o foi obtida atrav\u00e9s do estudo da polariza\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o emitida pelo bin\u00e1rio. Esta informa\u00e7\u00e3o, combinada com resultados anteriores, deu-nos uma imagem detalhada da estrutura do bin\u00e1rio e da orienta\u00e7\u00e3o 3D dos seus componentes, levando \u00e0 descoberta de um buraco negro que gira, surpreendentemente, muito inclinado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados publicados na revista Science abrem perspetivas interessantes para estudos da forma\u00e7\u00e3o de buracos negros e da evolu\u00e7\u00e3o de tais sistemas, uma vez que esse desalinhamento extremo \u00e9 dif\u00edcil de obter em muitos cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o de buracos negros e evolu\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A diferen\u00e7a de mais de 40 graus entre o eixo orbital e a rota\u00e7\u00e3o do buraco negro foi completamente inesperada. Os cientistas assumiram frequentemente que esta diferen\u00e7a \u00e9 muito pequena quando modelaram o comportamento da mat\u00e9ria num espa\u00e7o-tempo curvo em torno de um buraco negro. Os modelos atuais j\u00e1 s\u00e3o realmente complexos e agora as novas descobertas obrigam-nos a acrescentar-lhes uma nova dimens\u00e3o,&#8221; afirma Poutanen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da escrita deste artigo cient\u00edfico, uma equipa de astrof\u00edsicos liderada pelo investigador do IAC Manuel P\u00e9rez Torres tinha confirmado a presen\u00e7a de um buraco negro e derivado a inclina\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita com dados tamb\u00e9m obtidos em La Palma, com o GTC e com o Telesc\u00f3pio William Herschel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, as observa\u00e7\u00f5es-chave para o presente estudo foram feitas com o Telesc\u00f3pio Liverpool e com o instrumento DIPol-UF no NOT (Nordic Optical Telescope), que pertence \u00e0s Universidades de Turku (Finl\u00e2ndia) e Aarhus (Dinamarca), ambos no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos, La Palma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/astronomers-find-black-hole-which-rotates-highly-inclined-its-orbit\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.utu.fi\/en\/news\/press-release\/death-spiral-a-black-hole-spins-on-its-side\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Turku (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abl4679\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bin\u00e1rio de raios-X de baixa massa:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/X-ray_binary#Low-mass_X-ray_binary\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro de massa estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WHT (William Herschel Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ing.iac.es\/Astronomy\/telescopes\/wht\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/William_Herschel_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ING (Isaac Newton Group of Telescopes):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ing.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Isaac_Newton_Group_of_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NOT (Nordic Optical Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.not.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nordic_Optical_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.iac.es\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roque_de_los_Muchachos_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MAXI:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MAXI_(ISS_experiment)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos encontraram um buraco negro que desafia os modelos te\u00f3ricos atuais para a forma\u00e7\u00e3o destes objetos compactos, utilizando telesc\u00f3pios no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos (Garaf\u00eda, La Palma, Ilhas Can\u00e1rias). Os resultados foram publicados na revista Science. 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