{"id":4882,"date":"2022-02-22T07:17:01","date_gmt":"2022-02-22T06:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4882"},"modified":"2022-02-22T07:17:03","modified_gmt":"2022-02-22T06:17:03","slug":"novos-conhecimentos-sobre-a-formacao-das-anas-castanhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/22\/novos-conhecimentos-sobre-a-formacao-das-anas-castanhas\/","title":{"rendered":"Novos conhecimentos sobre a forma\u00e7\u00e3o das an\u00e3s castanhas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s castanhas s\u00e3o corpos celestes estranhos, ocupando uma esp\u00e9cie de posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia entre as estrelas e os planetas. Os astrof\u00edsicos por vezes chamam-lhes &#8220;estrelas falhadas&#8221; porque n\u00e3o t\u00eam massa suficiente para queimar hidrog\u00e9nio nos seus n\u00facleos e assim brilhar como estrelas. Debate-se constantemente se a forma\u00e7\u00e3o das an\u00e3s castanhas \u00e9 simplesmente uma vers\u00e3o em escala reduzida da forma\u00e7\u00e3o de estrelas semelhantes ao Sol. Os astrof\u00edsicos concentram-se nas an\u00e3s castanhas mais jovens, tamb\u00e9m chamadas proto-an\u00e3s castanhas. T\u00eam apenas alguns milhares de anos e ainda se encontram nas fases iniciais de forma\u00e7\u00e3o. Querem saber se o g\u00e1s e a poeira destas proto-an\u00e3s castanhas se assemelham \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das protoestrelas semelhantes ao Sol mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/37\/af\/ZIAF7ilz_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4883\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ZIAF7ilz_o-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Nesta regi\u00e3o do c\u00e9u, a equipa da Universidade de Munique descobriu metano deuterado numa proto-an\u00e3 castanha.<br>Cr\u00e9dito: ESO<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O foco de interesse \u00e9 o metano, uma mol\u00e9cula simples e muito est\u00e1vel que, uma vez formada, s\u00f3 pode ser destru\u00edda por processos f\u00edsicos altamente energ\u00e9ticos. Tem sido encontrado em v\u00e1rios exoplanetas. No passado, o metano desempenhou um papel fundamental para identificar e estudar as propriedades das an\u00e3s castanhas mais antigas da nossa Gal\u00e1xia, que t\u00eam v\u00e1rias centenas a milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, pela primeira vez, uma equipa liderada por Basmah Riaz da Universidade de Munique detetou inequivocamente metano deuterado (CH<sub>3<\/sub>D) em tr\u00eas proto-an\u00e3s castanhas. \u00c9 a primeira dete\u00e7\u00e3o clara de CH<sub>3<\/sub>D fora do Sistema Solar. Este \u00e9 um resultado inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As proto-an\u00e3s castanhas s\u00e3o objetos muito frios e densos. Isto torna-as dif\u00edceis de estudar em busca de assinaturas de metano no infravermelho pr\u00f3ximo. Em contraste, podem ser facilmente observadas nos comprimentos de onda milim\u00e9tricos. Ao contr\u00e1rio do metano que n\u00e3o tem assinatura espectral no dom\u00ednio do r\u00e1dio devido \u00e0 sua simetria, o metano deuterado (CH<sub>3<\/sub>D) pode ser observado em comprimentos de onda milim\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira dete\u00e7\u00e3o de CH<sub>3<\/sub>D foi ainda mais espantosa porque, de acordo com as teorias de forma\u00e7\u00e3o das an\u00e3s castanhas, as proto-an\u00e3s castanhas s\u00e3o mais frias (cerca de 10 Kelvin ou menos) e mais densas do que as protoestrelas. Com base na teoria qu\u00edmica, o CH<sub>3<\/sub>D \u00e9 formado preferencialmente quando o g\u00e1s \u00e9 mais quente, a temperaturas de cerca de 20 a 30 Kelvin. &#8220;As medi\u00e7\u00f5es implicam que pelo menos uma fra\u00e7\u00e3o significativa do g\u00e1s numa proto-an\u00e3 castanha tem mais do que 10 Kelvin, caso contr\u00e1rio o CH<sub>3<\/sub>D n\u00e3o deveria estar sequer l\u00e1,&#8221; diz Basmah Riaz. A abund\u00e2ncia de CH<sub>3<\/sub>D fornece aos cientistas uma estimativa da abund\u00e2ncia de metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 tamb\u00e9m inesperado que, embora s\u00f3 haja uma protoestrela semelhante ao Sol conhecida at\u00e9 \u00e0 data onde o CH<sub>3<\/sub>D foi detetado provisoriamente, a equipa da Universidade de Munique detetou firmemente CH<sub>3<\/sub>D em tr\u00eas proto-an\u00e3s castanhas. Isto significa que as proto-an\u00e3s castanhas exibem uma qu\u00edmica org\u00e2nica quente e rica, e estes objetos astrof\u00edsicos compactos e frios podem n\u00e3o ser simplesmente uma r\u00e9plica \u00e0 escala reduzida das protoestrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O metano nas proto-an\u00e3s castanhas pode ou n\u00e3o sobreviver ou reter uma abund\u00e2ncia t\u00e3o elevada nas an\u00e3s castanhas mais antigas,&#8221; diz o coautor Wing-Fai Thi do Instituto Max Planck para Astrof\u00edsica Extraterrestre. Uma vez que um ambiente quente \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas mais complexas, as proto-an\u00e3s castanhas s\u00e3o objetos intrigantes onde, no futuro, procurar estas mol\u00e9culas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.lmu.de\/en\/newsroom\/news-overview\/news\/new-insights-into-the-formation-of-brown-dwarfs.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Munique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnrasl\/article-abstract\/511\/1\/L50\/6515957?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2201.07064\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/vision\/universe\/starsgalaxies\/brown_dwarf_detectives.html\" target=\"_blank\">NASA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As an\u00e3s castanhas s\u00e3o corpos celestes estranhos, ocupando uma esp\u00e9cie de posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia entre as estrelas e os planetas. 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