{"id":4866,"date":"2022-02-18T07:06:36","date_gmt":"2022-02-18T06:06:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4866"},"modified":"2022-02-18T07:06:36","modified_gmt":"2022-02-18T06:06:36","slug":"cientistas-descobrem-como-as-galaxias-podem-existir-sem-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/18\/cientistas-descobrem-como-as-galaxias-podem-existir-sem-materia-escura\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem como as gal\u00e1xias podem existir sem mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo publicado na revista Nature Astronomy, uma equipa internacional liderada por astrof\u00edsicos da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Irvine, e da Universidade Pomona relatam como, quando gal\u00e1xias min\u00fasculas colidem com gal\u00e1xias maiores, as gal\u00e1xias maiores podem despojar as gal\u00e1xias mais pequenas da sua mat\u00e9ria escura &#8211; mat\u00e9ria que n\u00e3o podemos ver diretamente, mas que os astrof\u00edsicos pensam que deve existir porque, sem os seus efeitos gravitacionais, n\u00e3o poderiam explicar coisas como os movimentos das estrelas de uma gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um mecanismo que tem o potencial de explicar como as gal\u00e1xias poderiam ser capazes de existir sem mat\u00e9ria escura &#8211; algo que outrora se pensava imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/73\/33\/JXOOx0je_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/JXOOx0je_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4867\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/JXOOx0je_o.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/JXOOx0je_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/JXOOx0je_o-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption>Distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura num grupo de gal\u00e1xias simuladas, com \u00e1reas mais brilhantes mostrando maiores concentra\u00e7\u00f5es de mat\u00e9ria escura. Os c\u00edrculos mostram amplia\u00e7\u00f5es da luz estelar associada a duas gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura. Se estas gal\u00e1xias tivessem mat\u00e9ria escura, apareceriam como regi\u00f5es brilhantes na imagem principal.<br>Cr\u00e9dito: Moreno et al.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo come\u00e7ou em 2018 quando os astrof\u00edsicos Shany Danieli e Pieter van Dokkum da Universidade de Princeton e da Universidade de Yale observaram duas gal\u00e1xias que pareciam existir sem a maior parte da sua mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esper\u00e1vamos grandes fra\u00e7\u00f5es de mat\u00e9ria escura,&#8221; disse Danieli, coautora do estudo mais recente. &#8220;Foi bastante surpreendente e tivemos muita sorte, para dizer a verdade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A feliz descoberta, que van Dokkum e Danieli relataram num artigo na revista Nature em 2018 e noutro publicado em 2020 na revista The Astrophysical Journal Letters, abalou o paradigma das gal\u00e1xias necessitarem de mat\u00e9ria escura, potencialmente acabando com o que os astrof\u00edsicos tinham vindo a ver como um modelo padr\u00e3o para a forma como as gal\u00e1xias funcionam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao longo dos \u00faltimos 40 anos, foi estabelecido que as gal\u00e1xias t\u00eam mat\u00e9ria escura,&#8221; disse Jorge Moreno, professor de astronomia na Universidade Pomona, que \u00e9 o autor principal do novo artigo. &#8220;Em particular, as gal\u00e1xias de baixa massa tendem a ter fra\u00e7\u00f5es significativamente mais elevadas de mat\u00e9ria escura, o que torna a descoberta de Danieli bastante surpreendente. Para muitos de n\u00f3s, isto significa que o nosso entendimento atual de como a mat\u00e9ria escura ajuda as gal\u00e1xias a crescer, necessitava de uma revis\u00e3o urgente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa correu modelos inform\u00e1ticos que simularam a evolu\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea do Universo &#8211; com cerca de 60 milh\u00f5es de anos-luz de di\u00e2metro &#8211; come\u00e7ando logo ap\u00f3s o Big Bang e indo at\u00e9 ao presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa encontrou sete gal\u00e1xias desprovidas de mat\u00e9ria escura. Ap\u00f3s v\u00e1rias colis\u00f5es com gal\u00e1xias vizinhas 1000 vezes mais massivas, foram despojadas da maior parte do seu material, deixando para tr\u00e1s nada mais do que estrelas e alguma mat\u00e9ria escura residual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi pura serendipidade,&#8221; disse Moreno. &#8220;No momento em que fiz as primeiras imagens, partilhei-as imediatamente com Danieli e convidei-a a colaborar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Robert Feldmann, professor da Universidade de Zurique que concebeu a nova simula\u00e7\u00e3o, disse que &#8220;este trabalho te\u00f3rico mostra que as gal\u00e1xias com defici\u00eancia de mat\u00e9ria escura devem ser muito comuns, especialmente nas proximidades de gal\u00e1xias massivas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">James Bullock da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine, astrof\u00edsico que \u00e9 especialista de renome mundial em gal\u00e1xias de baixa massa, descreveu como ele e a equipa n\u00e3o constru\u00edram o seu modelo apenas para poderem criar gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura &#8211; algo que ele disse torna o modelo mais forte, porque n\u00e3o foi concebido de forma alguma para criar as colis\u00f5es que acabaram por encontrar. &#8220;N\u00e3o pressupomos as intera\u00e7\u00f5es,&#8221; disse Bullock.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confirmar que as gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura podem ser explicadas num Universo onde h\u00e1 muita mat\u00e9ria escura \u00e9 um suspiro de al\u00edvio para investigadores como Bullock, cuja carreira e tudo o que descobriu depende da mat\u00e9ria escura ser a coisa que faz com que as gal\u00e1xias se comportem da forma como se comportam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A observa\u00e7\u00e3o de que existem gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura tem sido um pouco preocupante para mim,&#8221; disse Bullock. &#8220;Temos um modelo de sucesso, desenvolvido ao longo de d\u00e9cadas de trabalho \u00e1rduo, onde a maior parte da mat\u00e9ria do cosmos \u00e9 escura. H\u00e1 sempre a possibilidade de que a natureza nos tem enganado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, disse Moreno, &#8220;n\u00e3o \u00e9 preciso livrarmo-nos do paradigma padr\u00e3o da mat\u00e9ria escura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora que os astrof\u00edsicos sabem como uma gal\u00e1xia pode perder a sua mat\u00e9ria escura, Moreno e colaboradores esperam que as descobertas inspirem os investigadores que olham para o c\u00e9u noturno a procurar gal\u00e1xias massivas do mundo real que possam estar no processo de retirar mat\u00e9ria escura a gal\u00e1xias mais pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda n\u00e3o significa que este modelo esteja certo,&#8221; disse Bullock. &#8220;Um verdadeiro teste ser\u00e1 ver se estas coisas existem com a frequ\u00eancia e com as caracter\u00edsticas gerais que correspondem \u00e0s nossas previs\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.uci.edu\/2022\/02\/14\/uci-scientists-discover-how-galaxies-can-exist-without-dark-matter\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, em Irvine (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.princeton.edu\/news\/2022\/02\/14\/astrophysicists-solve-dark-matter-puzzle\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Princeton (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01598-4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2202.05836\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num novo estudo publicado na revista Nature Astronomy, uma equipa internacional liderada por astrof\u00edsicos da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Irvine, e da Universidade Pomona relatam como, quando gal\u00e1xias min\u00fasculas colidem com gal\u00e1xias maiores, as gal\u00e1xias maiores podem despojar as gal\u00e1xias mais pequenas da sua mat\u00e9ria escura &#8211; mat\u00e9ria que n\u00e3o podemos ver diretamente, mas que &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,60],"tags":[110,371],"class_list":["post-4866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-galaxias","tag-galaxias","tag-materia-escura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4866"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4868,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4866\/revisions\/4868"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}