{"id":4863,"date":"2022-02-15T07:18:49","date_gmt":"2022-02-15T06:18:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4863"},"modified":"2022-02-15T07:18:50","modified_gmt":"2022-02-15T06:18:50","slug":"corpos-planetarios-observados-em-zona-habitavel-de-estrela-morta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/15\/corpos-planetarios-observados-em-zona-habitavel-de-estrela-morta\/","title":{"rendered":"Corpos planet\u00e1rios observados em zona habit\u00e1vel de estrela morta"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com um novo estudo que envolveu astr\u00f3nomos da Universidade de Sheffield, foi observado um anel de detritos planet\u00e1rios repletos de estruturas do tamanho de luas em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 branca, sugerindo um planeta pr\u00f3ximo na &#8220;zona habit\u00e1vel&#8221; onde a \u00e1gua e, portanto, a vida poderia existir.<\/p>\n\n\n\n<p>As an\u00e3s brancas s\u00e3o &#8220;brasas&#8221; brilhantes de estrelas que queimaram todo o seu combust\u00edvel de hidrog\u00e9nio. Quase todas as estrelas, incluindo o Sol, acabar\u00e3o por tornar-se an\u00e3s brancas, mas sabe-se muito pouco sobre os seus sistemas planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ff\/5c\/mCZY0UBL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/mCZY0UBL_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4864\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/mCZY0UBL_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/mCZY0UBL_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/mCZY0UBL_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/mCZY0UBL_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Uma impress\u00e3o art\u00edstica da estrela an\u00e3 branca WD1054-226 orbitada por nuvens de detritos planet\u00e1rios e um grande planeta na zona habit\u00e1vel.\nCr\u00e9dito: Mark Garlick<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma equipa internacional de investigadores liderada pela UCL (University College London) mediu a luz de uma an\u00e3 branca na Via L\u00e1ctea conhecida como WD1054\u2013226, usando dados da ULTRACAM, uma c\u00e2mara ultrarr\u00e1pida e tricolor para astrof\u00edsica de alta velocidade, desenvolvida na Universidade de Sheffield.<\/p>\n\n\n\n<p>Para sua surpresa, encontraram quedas pronunciadas no brilho da an\u00e3 branca correspondentes a 65 nuvens de destro\u00e7os planet\u00e1rios uniformemente espa\u00e7adas em \u00f3rbita da estrela a cada 25 horas. Os investigadores conclu\u00edram que a regularidade precisa das estruturas em tr\u00e2nsito &#8211; diminuindo a luz estelar a cada 23 minutos &#8211; sugere que s\u00e3o mantidas numa disposi\u00e7\u00e3o muito precisa por um grande planeta pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Vik Dhillon, do Departamento de F\u00edsica e Astronomia da Universidade de Sheffield, disse: &#8220;O nosso Sol vai tornar-se uma gigante vermelha e depois uma an\u00e3 branca daqui a alguns milhares de milh\u00f5es de anos, e por isso as nossas observa\u00e7\u00f5es d\u00e3o-nos a oportunidade de estudar o poss\u00edvel destino dos planetas no nosso Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O autor principal, o professor Jay Farihi da UCL, disse: &#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que os astr\u00f3nomos detetam qualquer tipo de corpo planet\u00e1rio na zona habit\u00e1vel de uma an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As estruturas do tamanho de luas que temos observado s\u00e3o irregulares e poeirentas (por exemplo, semelhantes a cometas) em vez de corpos s\u00f3lidos e esf\u00e9ricos. A sua absoluta regularidade, uma passagem em frente da estrela a cada 23 minutos, \u00e9 um mist\u00e9rio que n\u00e3o podemos atualmente explicar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma possibilidade excitante \u00e9 que estes corpos s\u00e3o mantidos num padr\u00e3o orbital t\u00e3o uniformemente espa\u00e7ado devido \u00e0 influ\u00eancia gravitacional de um grande planeta pr\u00f3ximo. Sem esta influ\u00eancia, a fric\u00e7\u00e3o e as colis\u00f5es causariam a dispers\u00e3o de estruturas, perdendo a regularidade precisa que \u00e9 observada. Um precedente para este &#8220;pastoreio&#8221; \u00e9 a forma como a atra\u00e7\u00e3o gravitacional das luas em torno de Neptuno e Saturno ajudam a criar estruturas anulares est\u00e1veis que orbitam estes planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A possibilidade de um grande planeta na zona habit\u00e1vel \u00e9 excitante e tamb\u00e9m inesperada; n\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 procura disto. Contudo, \u00e9 importante ter em mente que s\u00e3o necess\u00e1rias mais evid\u00eancias para confirmar a presen\u00e7a de um planeta. N\u00e3o podemos observar diretamente o planeta, pelo que a confirma\u00e7\u00e3o pode vir por compara\u00e7\u00e3o de modelos de computador com outras observa\u00e7\u00f5es da estrela e dos detritos em \u00f3rbita.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Espera-se que esta \u00f3rbita em torno da an\u00e3 branca tenha sido &#8220;limpa&#8221; durante a fase de gigante vermelha da sua vida, e assim quaisquer planetas que possam potencialmente albergar \u00e1gua e, qui\u00e7\u00e1 vida, seria um desenvolvimento recente. A \u00e1rea seria habit\u00e1vel durante pelo menos dois mil milh\u00f5es de anos, incluindo pelo menos mil milh\u00f5es de anos no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o novo estudo, os investigadores observaram WD1054\u2013226, uma an\u00e3 branca a 117 anos-luz de dist\u00e2ncia, registando altera\u00e7\u00f5es na sua luz durante 18 noites utilizando a c\u00e2mara de alta velocidade ULTRACAM montada no NTT (New Technology Telescope) de 3,5 metros do ESO, no Observat\u00f3rio de La Silla no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este resultado n\u00e3o seria poss\u00edvel sem a combina\u00e7\u00e3o das capacidades de alta velocidade e multicolor da nossa c\u00e2mara ULTRACAM em combina\u00e7\u00e3o com a capacidade de recolha de luz do NTT,&#8221; disse o professor Vik Dhillon, professor de Astrof\u00edsica na Universidade de Sheffield.<\/p>\n\n\n\n<p>A zona habit\u00e1vel \u00e9 a \u00e1rea onde a temperatura permitiria teoricamente a exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie de um planeta. Em compara\u00e7\u00e3o com uma estrela como o Sol, a zona habit\u00e1vel de uma an\u00e3 branca ser\u00e1 menor e mais pr\u00f3xima da estrela, uma vez que as an\u00e3s brancas emitem menos luz e, portanto, menos calor.<\/p>\n\n\n\n<p>As estruturas observadas no estudo orbitam numa \u00e1rea que teria sido envolvida pela estrela enquanto esta era uma gigante vermelha, por isso \u00e9 prov\u00e1vel que se tenham formado ou chegado a\u00ed h\u00e1 relativamente pouco tempo, em vez de terem sobrevivido ao nascimento da estrela e do seu sistema planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sheffield.ac.uk\/physics\/news\/planetary-bodies-observed-habitable-zone-dead-star\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Sheffield (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ucl.ac.uk\/news\/2022\/feb\/planetary-bodies-observed-first-time-habitable-zone-dead-star\" target=\"_blank\">\/\/ UCL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/planetary_bodies_observed\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ras.ac.uk\/news-and-press\/research-highlights\/planetary-bodies-observed-habitable-zone-dead-star\" target=\"_blank\">\/\/ Sociedade Astron\u00f3mica Real (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/511\/2\/1647\/6524236\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2109.06183\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/943167\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2307902-first-hints-of-a-planet-orbiting-in-a-white-dwarfs-habitable-zone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-02-planetary-bodies-habitable-zone-dead.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WD1054\u2013226:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/WD_1054%E2%80%93226\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NTT (New Technology Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/telescopes\/ntt\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Technology_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com um novo estudo que envolveu astr\u00f3nomos da Universidade de Sheffield, foi observado um anel de detritos planet\u00e1rios repletos de estruturas do tamanho de luas em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 branca, sugerindo um planeta pr\u00f3ximo na &#8220;zona habit\u00e1vel&#8221; onde a \u00e1gua e, portanto, a vida poderia existir. 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