{"id":4851,"date":"2022-02-11T07:25:27","date_gmt":"2022-02-11T06:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4851"},"modified":"2022-02-11T07:25:38","modified_gmt":"2022-02-11T06:25:38","slug":"vistos-pela-primeira-vez-os-momentos-finais-de-remanescentes-planetarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/11\/vistos-pela-primeira-vez-os-momentos-finais-de-remanescentes-planetarios\/","title":{"rendered":"Vistos pela primeira vez os momentos finais de remanescentes planet\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi observado pela primeira vez o momento em que os destro\u00e7os de planetas destru\u00eddos impactam na superf\u00edcie de uma estrela an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos usaram raios-X para detetar o material rochoso e gasoso, deixado por um sistema planet\u00e1rio ap\u00f3s a sua estrela hospedeira morrer, \u00e0 medida que colide e \u00e9 consumido dentro da superf\u00edcie da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicados anteontem (9 de fevereiro) na revista Nature, os resultados s\u00e3o a primeira medi\u00e7\u00e3o direta da acre\u00e7\u00e3o de material rochoso sobre uma an\u00e3 branca e confirmam d\u00e9cadas de evid\u00eancias indiretas de acre\u00e7\u00e3o em mais de mil estrelas at\u00e9 agora. O evento observado ocorreu milhares de milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do sistema planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/services\/communications\/medialibrary\/images\/february_2022\/white_dwarf_accreting_gas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"731\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o-1024x731.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4852\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o-300x214.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o-768x548.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o-1536x1097.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/bqPuyUv7_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de uma an\u00e3 branca, G29-38, que acreta material planet\u00e1rio a partir de um disco de detritos. Quando o material planet\u00e1rio atinge a superf\u00edcie da an\u00e3 branca, forma-se um plasma e arrefece atrav\u00e9s da emiss\u00e3o detet\u00e1vel de raios-X.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Warwick\/Mark Garlick<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O destino da maioria das estrelas, incluindo aquelas como o nosso Sol, \u00e9 tornar-se numa an\u00e3 branca. Foram descobertas mais de 300.000 an\u00e3s brancas na nossa Gal\u00e1xia, e acredita-se que muitas estejam a acretar destro\u00e7os de planetas e outros objetos que uma vez as orbitaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas, os astr\u00f3nomos t\u00eam usado espectroscopia em comprimentos de onda \u00f3ticos e ultravioletas para medir a abund\u00e2ncia de elementos na superf\u00edcie da estrela e trabalhar, a partir da\u00ed, a composi\u00e7\u00e3o do objeto de onde veio. Os astr\u00f3nomos t\u00eam evid\u00eancias indiretas, a partir de observa\u00e7\u00f5es espectrosc\u00f3picas, de que estes objetos est\u00e3o a acretar ativamente, que mostram 25-50% das an\u00e3s brancas com elementos pesados como ferro, c\u00e1lcio e magn\u00e9sio poluindo as suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, at\u00e9 agora os astr\u00f3nomos n\u00e3o tinham visto o material enquanto era puxado para a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Tim Cunnigham do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Warwick disse: &#8220;Finalmente vimos material a entrar realmente na atmosfera da estrela. \u00c9 a primeira vez que conseguimos obter um ritmo de acre\u00e7\u00e3o que n\u00e3o depende de modelos detalhados da atmosfera da an\u00e3 branca. O que \u00e9 bastante not\u00e1vel \u00e9 que tem uma excelente concord\u00e2ncia com o que j\u00e1 foi feito antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Anteriormente, as medi\u00e7\u00f5es das taxas de acre\u00e7\u00e3o t\u00eam usado espectroscopia e t\u00eam estado dependentes de modelos de an\u00e3s brancas. Estes s\u00e3o modelos num\u00e9ricos que calculam a rapidez com que um elemento se &#8216;afunda&#8217; da atmosfera para dentro da estrela, e isso diz-nos quanto est\u00e1 a cair na atmosfera como um ritmo de acre\u00e7\u00e3o. Pode-se ent\u00e3o trabalhar para tr\u00e1s e calcular a quantidade de um elemento no corpo de origem, seja um planeta, lua ou asteroide&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e3 branca \u00e9 uma estrela que queimou todo o seu combust\u00edvel e que libertou as suas camadas exteriores, potencialmente destruindo ou perturbando qualquer corpo orbital no processo. \u00c0 medida que o material desses corpos \u00e9 puxado para perto da estrela a uma velocidade suficientemente elevada, colide com a superf\u00edcie, formando um plasma aquecido a choque. Este plasma, com uma temperatura entre 100.000 e 1 milh\u00e3o Kelvin, instala-se ent\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie e \u00e0 medida que arrefece emite raios-X que podem ser detetados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os raios-X s\u00e3o semelhantes \u00e0 luz que os nossos olhos podem ver, mas t\u00eam muito mais energia. S\u00e3o criados por eletr\u00f5es velozes (as conchas exteriores dos \u00e1tomos, que constituem toda a mat\u00e9ria que nos rodeia). Frequentemente usados na medicina, na astronomia os raios-X s\u00e3o a impress\u00e3o digital do material que &#8220;chove&#8221; sobre objetos ex\u00f3ticos, tais como buracos negros e estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o destes raios-X \u00e9 muito dif\u00edcil, uma vez que a pequena quantidade que chega \u00e0 Terra pode ser perdida entre outras fontes de raios-X brilhantes no c\u00e9u. Assim, os astr\u00f3nomos aproveitaram o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra, normalmente usado para detetar raios-X de buracos negros e estrelas de neutr\u00f5es em acre\u00e7\u00e3o, para analisar a an\u00e3 branca pr\u00f3xima G29-38.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a resolu\u00e7\u00e3o angular melhorada do Chandra em rela\u00e7\u00e3o a outros telesc\u00f3pios, puderam isolar a estrela alvo das outras fontes de raios-X e observar, pela primeira vez, raios-X de uma an\u00e3 branca isolada. Confirma d\u00e9cadas de observa\u00e7\u00f5es da acre\u00e7\u00e3o de material em an\u00e3s brancas que se basearam em evid\u00eancias de espectroscopia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Cunningham acrescenta: &#8220;O que \u00e9 realmente excitante acerca deste resultado \u00e9 que estamos a trabalhar num comprimento de onda diferente, raios-X, e isso permite-nos sondar um tipo completamente diferente de f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta dete\u00e7\u00e3o fornece a primeira evid\u00eancia direta de que as an\u00e3s brancas est\u00e3o atualmente a acretar os remanescentes de antigos sistemas planet\u00e1rios. O estudo da acre\u00e7\u00e3o, desta maneira, fornece uma nova t\u00e9cnica atrav\u00e9s da qual podemos estudar estes sistemas, fornecendo um vislumbre do prov\u00e1vel destino dos milhares de sistemas exoplanet\u00e1rios conhecidos, incluindo o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/final_moments_of\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-04300-w\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/942750\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/zombie-star-dead-planet-snack\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/first-glimpse-of-final-moments-of-disintegrating-planets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-02-moments-planetary-remnants.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G29-38<\/strong>:<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=G+29-38\" target=\"_blank\">Simbad<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/G_29-38\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi observado pela primeira vez o momento em que os destro\u00e7os de planetas destru\u00eddos impactam na superf\u00edcie de uma estrela an\u00e3 branca. 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