{"id":4836,"date":"2022-02-08T07:30:46","date_gmt":"2022-02-08T06:30:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4836"},"modified":"2022-02-08T07:30:59","modified_gmt":"2022-02-08T06:30:59","slug":"ate-as-estrelas-moribundas-ainda-podem-dar-a-luz-planetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/08\/ate-as-estrelas-moribundas-ainda-podem-dar-a-luz-planetas\/","title":{"rendered":"At\u00e9 as estrelas moribundas ainda podem &#8220;dar \u00e0 luz&#8221; planetas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os planetas geralmente n\u00e3o s\u00e3o muito mais novos do que as estrelas em torno das quais giram. Tomemos o Sol: nasceu h\u00e1 4,6 mil milh\u00f5es de anos e n\u00e3o muito depois disso surgiu a Terra. Mas astr\u00f3nomos da KU Leuven (Universidade Cat\u00f3lica de Leuven) descobriram que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel um cen\u00e1rio completamente diferente. Mesmo que estejam perto da morte, alguns tipos de estrelas ainda podem possivelmente formar planetas. Se isto for confirmado, as teorias sobre a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria ter\u00e3o de ser ajustadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Planetas como a Terra, e todos os outros planetas do nosso Sistema Solar, foram formados n\u00e3o muito depois do Sol. O nosso Sol come\u00e7ou a queimar o seu combust\u00edvel nuclear h\u00e1 4,6 mil milh\u00f5es de anos, e nos milh\u00f5es de anos seguintes, a mat\u00e9ria \u00e0 sua volta aglomerou-se em protoplanetas. O nascimento dos planetas nesse disco protoplanet\u00e1rio, uma &#8220;panqueca&#8221; gigantesca feita de poeira e g\u00e1s, por assim dizer, com o Sol no meio, explica porque \u00e9 que todos eles orbitam no mesmo plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tais discos de poeira e g\u00e1s n\u00e3o precisam, necessariamente, de rodear apenas estrelas rec\u00e9m-nascidas. Podem tamb\u00e9m desenvolver-se independentemente da forma\u00e7\u00e3o da estrela, por exemplo em torno de estrelas bin\u00e1rias das quais uma est\u00e1 a morrer (estrelas bin\u00e1rias s\u00e3o duas estrelas que se orbitam uma \u00e0 outra, tamb\u00e9m chamadas de sistema bin\u00e1rio). Quando o fim se aproxima para uma estrela de tamanho m\u00e9dio (como o Sol), ela catapulta a parte exterior da sua atmosfera para o espa\u00e7o, ap\u00f3s o qual morre lentamente como uma an\u00e3 branca. Contudo, no caso das estrelas bin\u00e1rias, a atra\u00e7\u00e3o gravitacional da segunda estrela faz com que a mat\u00e9ria ejetada pela estrela moribunda forme um disco plano e rotativo. Al\u00e9m disso, este disco assemelha-se fortemente aos discos protoplanet\u00e1rios que os astr\u00f3nomos observam em torno de estrelas jovens noutros locais da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/8d\/eb\/pzeyVmF6_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/pzeyVmF6_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4837\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/pzeyVmF6_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/pzeyVmF6_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/pzeyVmF6_o-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de um sistema estelar bin\u00e1rio onde est\u00e1 a ser formada uma segunda gera\u00e7\u00e3o de planetas.<br>Cr\u00e9dito: N. Stecki\/KU Leuven<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto j\u00e1 era sabido. No entanto, o que \u00e9 novo \u00e9 que os discos que rodeiam as chamadas estrelas bin\u00e1rias evolu\u00eddas n\u00e3o raras vezes mostram sinais que poderiam apontar para a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, como descoberto por uma equipa internacional de astr\u00f3nomos liderada por investigadores da KU Leuven. Al\u00e9m disso, as suas observa\u00e7\u00f5es mostram que este \u00e9 o caso para uma em cada dez destas estrelas bin\u00e1rias. &#8220;Em dez por cento das estrelas bin\u00e1rias evolu\u00eddas com discos que estud\u00e1mos, vemos uma grande cavidade no disco,&#8221; diz o astr\u00f3nomo Jacques Kluska da KU Leuven, primeiro autor do artigo publicado na revista Astronomy &amp; Astrophyics. &#8220;Isto \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que algo est\u00e1 a flutuar por ali, algo que recolheu toda a mat\u00e9ria na \u00e1rea da cavidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planetas de segunda gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A limpeza do material pode ser realizada por um planeta. Esse planeta pode n\u00e3o ter sido formado logo no in\u00edcio da vida de uma das estrelas bin\u00e1rias, mas sim no fim. Al\u00e9m disso, os astr\u00f3nomos encontraram ainda outros fortes ind\u00edcios para a presen\u00e7a de tais planetas. &#8220;Nas estrelas bin\u00e1rias evolu\u00eddas com uma grande cavidade no disco, vimos que elementos pesados como o ferro eram muito escassos na superf\u00edcie da estrela moribunda,&#8221; diz Kluska. &#8220;Esta observa\u00e7\u00e3o leva-nos a suspeitar que part\u00edculas de poeira, ricas nestes elementos, foram aprisionadas por um planeta&#8221;. A prop\u00f3sito, o astr\u00f3nomo de Leuven n\u00e3o exclui a possibilidade de, desta forma, se poderem formar v\u00e1rios planetas em torno destas estrelas bin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi feita quando os astr\u00f3nomos estavam a elaborar um invent\u00e1rio de estrelas bin\u00e1rias evolu\u00eddas na nossa Via L\u00e1ctea. Fizeram-no com base em observa\u00e7\u00f5es existentes e dispon\u00edveis ao p\u00fablico. Kluska e colegas contaram 85 destes pares de estrelas bin\u00e1rias. Em dez pares, os investigadores depararam-se com um disco com uma grande cavidade nas imagens infravermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Teorias atuais postas \u00e0 prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se novas observa\u00e7\u00f5es confirmarem a exist\u00eancia de planetas em torno de estrelas bin\u00e1rias evolu\u00eddas, e se se verificar que os planetas s\u00f3 foram formados depois de uma das estrelas ter chegado ao fim da sua vida, as teorias sobre a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria ter\u00e3o de ser ajustadas. &#8220;A confirma\u00e7\u00e3o ou refuta\u00e7\u00e3o desta forma extraordin\u00e1ria de forma\u00e7\u00e3o de planetas ser\u00e1 um teste sem precedentes para as teorias atuais,&#8221; diz o professor Hans Van Winckel, l\u00edder do Instituto de Astronomia da KU Leuven.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos querem em breve verificar eles pr\u00f3prios a sua hip\u00f3tese. Para o efeito, v\u00e3o utilizar os grandes telesc\u00f3pios do ESO no Chile para observarem em mais detalhe os dez pares de estrelas bin\u00e1rias cujos discos mostram uma grande cavidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nieuws.kuleuven.be\/en\/content\/2022\/even-dying-stars-can-still-give-birth-to-planets\" target=\"_blank\">\/\/ KU Leuven (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2022\/02\/aa41690-21\/aa41690-21.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2201.13155\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/941681\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/154386\/a-second-generation-of-planets-can-form-around-a-dying-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/02\/220201074533.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-02-dying-stars-birth-planets.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas bin\u00e1rias:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Binary_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os planetas geralmente n\u00e3o s\u00e3o muito mais novos do que as estrelas em torno das quais giram. 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