{"id":4826,"date":"2022-02-04T07:18:21","date_gmt":"2022-02-04T06:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4826"},"modified":"2022-02-04T07:18:21","modified_gmt":"2022-02-04T06:18:21","slug":"nova-analise-leva-a-uma-visao-fundamentalmente-diferente-dos-buracos-negros-supermassivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/02\/04\/nova-analise-leva-a-uma-visao-fundamentalmente-diferente-dos-buracos-negros-supermassivos\/","title":{"rendered":"Nova an\u00e1lise leva a uma vis\u00e3o fundamentalmente diferente dos buracos negros supermassivos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizados no centro das gal\u00e1xias, os buracos negros supermassivos s\u00e3o milh\u00f5es ou at\u00e9 milhares de milh\u00f5es de vezes mais massivos do que o nosso Sol. Com a sua poderos\u00edssima atra\u00e7\u00e3o gravitacional, s\u00e3o capazes de engolir grandes quantidades de g\u00e1s, poeira e talvez at\u00e9 mesmo estrelas que vagueiam demasiado perto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A f\u00edsica diz-nos que este material tende a formar um disco \u00e0 medida que \u00e9 atra\u00eddo para o buraco negro, num fen\u00f3meno chamado &#8220;acre\u00e7\u00e3o&#8221;. Estes discos de acre\u00e7\u00e3o s\u00e3o dos lugares mais violentos do Universo conhecido, com velocidades que se aproximam da velocidade da luz e temperaturas muito superiores \u00e0 da superf\u00edcie do nosso Sol. Este calor produz radia\u00e7\u00e3o que vemos como luz, mas a convers\u00e3o de calor em luz \u00e9 t\u00e3o eficiente &#8211; cerca de 30 vezes mais eficiente do que a fus\u00e3o nuclear &#8211; que os f\u00edsicos n\u00e3o compreendem bem como.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1122a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"607\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/YjX68hzl_o-1024x607.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4827\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/YjX68hzl_o-1024x607.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/YjX68hzl_o-300x178.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/YjX68hzl_o-768x456.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/YjX68hzl_o.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do quasar ULAS J1120+0641.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gigantes c\u00f3smicos famintos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os padr\u00f5es alimentares dos buracos negros s\u00e3o muito diversos. Alguns, como o buraco negro supermassivo no centro da nossa Via L\u00e1ctea, n\u00e3o parecem ter discos de acre\u00e7\u00e3o. Mas vemos outras gal\u00e1xias com fome voraz, cujos buracos negros supermassivos formaram discos de acre\u00e7\u00e3o extremamente quentes, t\u00e3o brilhantes que brilham mais do que todas as estrelas da sua gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 recentemente obtivemos a primeira imagem de um disco de acre\u00e7\u00e3o pelo EHT (Event Horizon Telescope), uma rede mundial de radiotelesc\u00f3pios. No entanto, este disco de acre\u00e7\u00e3o pertence a uma gal\u00e1xia muito pr\u00f3xima. N\u00e3o podemos repetir esta experi\u00eancia com gal\u00e1xias mais distantes, uma vez que os discos s\u00e3o simplesmente demasiado pequenos e por isso n\u00e3o observ\u00e1veis, mesmo pelos maiores telesc\u00f3pios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A variabilidade \u00e9 fundamental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizmente, outro m\u00e9todo de examinar o tamanho e a estrutura dos discos de acre\u00e7\u00e3o distantes parece promissor: embora n\u00e3o possamos resolver os v\u00e1rios componentes dos discos, podemos estudar como a sua intensidade varia no tempo. Ao estudar as varia\u00e7\u00f5es de luz dos discos, podemos produzir um quadro geral dos discos de acre\u00e7\u00e3o, mesmo os das gal\u00e1xias mais distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o que o bolseiro de doutoramento John Weaver, do Cosmic Dawn Center do Instituto Niels Bohr e da Universidade de Copenhaga, decidiu fazer, analisando observa\u00e7\u00f5es passadas de mais de 9000 gal\u00e1xias com discos de acre\u00e7\u00e3o brilhantes &#8211; os chamados quasares &#8211; do programa SDSS (Sloan Digital Sky Survey).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a fonte n\u00e3o est\u00e1 resolvida, a luz observada do disco de acre\u00e7\u00e3o ser\u00e1 &#8220;contaminada&#8221; pela luz da gal\u00e1xia que alberga o buraco negro. Esta luz indesejada das gal\u00e1xias hospedeiras tem sido largamente ignorada por estudos anteriores. Contudo, ao utilizar um novo modelo para as varia\u00e7\u00f5es da luz do quasar, John Weaver e o colaborador Keith Horne, professor de astronomia na Universidade de St. Andrews, na Esc\u00f3cia, conseguiram separar a luz do disco de acre\u00e7\u00e3o da luz da gal\u00e1xia hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outras palavras, o modelo permitiu-lhes ver mais diretamente a luz do disco de acre\u00e7\u00e3o em torno de buracos negros supermassivos, mesmo em gal\u00e1xias a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2105a.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eso2105a-680x687.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O buraco negro supermassivo no centro da gal\u00e1xia M87. As estrias mostram a luz polarizada do campo el\u00e9ctrico do g\u00e1s a cair para o buraco negro.<br>Cr\u00e9dito: Colabora\u00e7\u00e3o EHT et al., 2021<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Obscurecido pela poeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que Weaver e Horne descobriram foi que a poeira c\u00f3smica perto do disco de acre\u00e7\u00e3o estava provavelmente a bloquear a sua vis\u00e3o. Utilizando v\u00e1rios modelos diferentes da poeira c\u00f3smica para explicar, e remover, os seus efeitos obscurecedores, foram capazes de determinar qu\u00e3o quente \u00e9 o disco de acre\u00e7\u00e3o, tanto perto do buraco negro como longe dele, nas extremidades do disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta diferen\u00e7a em temperatura entre o disco interno quente o disco externo mais frio j\u00e1 tinha sido prevista teoricamente. No entanto, o que Weaver e Horne observaram foi uma imagem muito diferente da temperatura do disco: os discos revelaram-se ainda mais quentes perto do buraco negro do que o previsto. Estas descobertas inesperadas foram publicadas na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e sugerem que os nossos pressupostos e modelos te\u00f3ricos podem precisar de ser revistos &#8211; com consequ\u00eancias para a nossa compreens\u00e3o dos buracos negros supermassivos no geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o s\u00f3 temos mais a aprender sobre os buracos negros supermassivos, como as varia\u00e7\u00f5es na sua fome voraz s\u00e3o uma demonstra\u00e7\u00e3o maravilhosa de que o nosso Universo \u00e9 um lugar muito mais din\u00e2mico do que seria de esperar olhando o c\u00e9u noturno est\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nbi.ku.dk\/english\/news\/news22\/new-analysis-leads-to-a-fundamentally-different-view-of-supermassive-black-holes\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Niels Bohr (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/cosmicdawn.dk\/news\/new-analysis-leads-to-a-fundamentally-different-view-of-supermassive-black-holes\/\" target=\"_blank\">\/\/ Cosmic Dawn Center (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/mnras\/stac248\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2201.11134\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quasar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Quasar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>EHT (Event Horizon Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eventhorizontelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Event_Horizon_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SDSS:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.sdss.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sloan_Digital_Sky_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Localizados no centro das gal\u00e1xias, os buracos negros supermassivos s\u00e3o milh\u00f5es ou at\u00e9 milhares de milh\u00f5es de vezes mais massivos do que o nosso Sol. 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