{"id":4813,"date":"2022-01-28T07:24:07","date_gmt":"2022-01-28T06:24:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4813"},"modified":"2022-01-28T07:24:08","modified_gmt":"2022-01-28T06:24:08","slug":"mro-descobre-que-agua-fluiu-em-marte-durante-mais-tempo-do-que-se-pensava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/01\/28\/mro-descobre-que-agua-fluiu-em-marte-durante-mais-tempo-do-que-se-pensava\/","title":{"rendered":"MRO descobre que \u00e1gua fluiu em Marte durante mais tempo do que se pensava"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte j\u00e1 esteve repleto de rios e lagos h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, fornecendo um potencial habitat para a vida microbiana. \u00c0 medida que a atmosfera do planeta foi ficando mais fina, essa \u00e1gua evaporou-se, deixando o mundo gelado e des\u00e9rtico que a sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA estuda hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que a \u00e1gua de Marte evaporou h\u00e1 cerca de 3 mil milh\u00f5es de anos. Mas duas cientistas que estudam os dados que a MRO acumulou em Marte ao longo dos \u00faltimos 15 anos encontraram evid\u00eancias que reduzem significativamente essa linha temporal: a sua investiga\u00e7\u00e3o revela sinais de \u00e1gua l\u00edquida no Planeta Vermelho t\u00e3o recentemente quanto h\u00e1 2 mil milh\u00f5es a 2,5 mil milh\u00f5es de anos, o que significa que a \u00e1gua fluiu a\u00ed cerca de mil milh\u00f5es de anos mais do que as estimativas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia25047-1-1041.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"612\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zQj8AYTN_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4814\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zQj8AYTN_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zQj8AYTN_o-300x186.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zQj8AYTN_o-768x477.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>A sonda MRO da NASA utilizou o seu instrumento CTX (Context Camera) para capturar esta imagem de Bosporos Planum, um local em Marte. As manchas brancas s\u00e3o dep\u00f3sitos de sal encontrados dentro de um canal seco. A maior cratera de impacto na paisagem tem quase 1,5 quil\u00f3metros de di\u00e2metro. <br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados &#8211; publicados na revista AGU Advances &#8211; centram-se nos dep\u00f3sitos de sais minerais de cloreto deixados para tr\u00e1s \u00e0 medida que \u00e1gua no estado s\u00f3lido, que derreteu e que fluiu pela superf\u00edcie, se evaporava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a forma de certas redes de vales tenha sugerido que a \u00e1gua pode ter percorrido Marte assim t\u00e3o recentemente, os dep\u00f3sitos de sal fornecem as primeiras evid\u00eancias minerais que confirmam a presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida. A descoberta levanta novas quest\u00f5es sobre quanto tempo a vida microbiana poderia ter sobrevivido em Marte, se \u00e9 que alguma vez se formou. Na Terra, pelo menos, onde h\u00e1 \u00e1gua, h\u00e1 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora principal do estudo, Ellen Leask, realizou grande parte da sua investiga\u00e7\u00e3o como parte do seu trabalho de doutoramento no Caltech em Pasadena, EUA. Ela e Bethany Ehlmann, professora na mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino, usaram dados do instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) da MRO para mapear os sais de cloreto nas terras altas e ricas em argila do hemisf\u00e9rio sul de Marte &#8211; terreno marcado por crateras de impacto. Estas crateras foram uma das chaves para datar os sais: quanto menos crateras tiver um terreno, mais jovem ele \u00e9. Ao contar o n\u00famero de crateras numa \u00e1rea da superf\u00edcie, os cientistas podem estimar a sua idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A MRO tem duas c\u00e2maras que s\u00e3o perfeitas para este fim. A CTX (Context Camera), com a sua lente de grande angular a preto e branco, ajuda os cientistas a mapear a extens\u00e3o dos cloretos. Para fazer zoom, os cientistas recorrem \u00e0 c\u00e2mara a cores HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment), que lhes permite ver detalhes t\u00e3o pequenos quanto um rover marciano a partir do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando ambas as c\u00e2maras para criar mapas digitais de eleva\u00e7\u00e3o, Leask e Ehlmann descobriram que muitos dos sais se encontravam em depress\u00f5es &#8211; outrora o lar de lagos pouco profundos &#8211; ou em plan\u00edcies vulc\u00e2nicas suavemente inclinadas. As cientistas tamb\u00e9m encontraram canais sinuosos e secos nas proximidades &#8211; antigos riachos que alimentavam o escoamento superficial (do derretimento ocasional de gelo ou pergelissolo) para estes lagos. A contagem das crateras e as evid\u00eancias de sais no topo do terreno vulc\u00e2nico permitiram-lhes datar os dep\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que \u00e9 espantoso \u00e9 que depois de mais de uma d\u00e9cada a fornecer imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o, em est\u00e9reo e dados infravermelhos, a MRO impulsionou novas descobertas sobre a natureza e o tempo destes antigos lagos salgados ligados a rios,&#8221; disse Ehlmann, investigadora principal adjunta do CRISM. A sua coautora, Leask, \u00e9 agora investigadora p\u00f3s-doutorada no Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que lidera o CRISM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sais minerais foram descobertos pela primeira vez h\u00e1 14 anos pelo orbitador Mars Odyssey da NASA, que foi lan\u00e7ado em 2001. A MRO, que tem instrumentos de maior resolu\u00e7\u00e3o do que a sonda Odyssey, foi lan\u00e7ada em 2005 e tem vindo a estudar desde ent\u00e3o os sais, entre muitas outras caracter\u00edsticas de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Parte do valor da MRO \u00e9 que a nossa vis\u00e3o do planeta continua a ficar mais detalhada ao longo do tempo,&#8221; disse Leslie Tamppari, cientista adjunta do projeto MRO no JPL. &#8220;Quando mais do planeta for cartografado com os nossos instrumentos, melhor poderemos compreender a sua hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-s-mro-finds-water-flowed-on-mars-longer-than-previously-thought\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/large-scale-liquid-water-existed-on-mars-much-longer-than-suspected\" target=\"_blank\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2021AV000534\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (AGU Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Water_on_Mars\" target=\"_blank\">\u00c1gua em Marte (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MRO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/MRO\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/marsprogram.jpl.nasa.gov\/mro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Reconnaissance_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marte j\u00e1 esteve repleto de rios e lagos h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, fornecendo um potencial habitat para a vida microbiana. \u00c0 medida que a atmosfera do planeta foi ficando mais fina, essa \u00e1gua evaporou-se, deixando o mundo gelado e des\u00e9rtico que a sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA estuda hoje em dia. &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[7,4,442],"class_list":["post-4813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-agua","tag-marte","tag-mro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4813"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4813\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4815,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4813\/revisions\/4815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}