{"id":4807,"date":"2022-01-28T07:18:19","date_gmt":"2022-01-28T06:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4807"},"modified":"2022-01-28T07:18:30","modified_gmt":"2022-01-28T06:18:30","slug":"astronomos-descobrem-a-primeira-explosao-de-uma-estrela-wolf-rayet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/01\/28\/astronomos-descobrem-a-primeira-explosao-de-uma-estrela-wolf-rayet\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem a primeira explos\u00e3o de uma estrela Wolf-Rayet"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estudo internacional, com a participa\u00e7\u00e3o de investigadores do GTC (Gran Telescopio Canarias) filiados ao IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), descobriu uma estrela explosiva in\u00e9dita que se pensava existir apenas na teoria. As descobertas foram publicadas na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>Num passado n\u00e3o muito distante, a descoberta de uma supernova &#8211; uma estrela em explos\u00e3o &#8211; era considerada uma ocasi\u00e3o rara. Hoje em dia, os instrumentos de medi\u00e7\u00e3o e os avan\u00e7ados m\u00e9todos de an\u00e1lise permitem detetar diariamente cinquenta destas explos\u00f5es, o que tamb\u00e9m aumentou a probabilidade de os investigadores serem capazes de detetar tipos mais raros de explos\u00f5es que at\u00e9 agora s\u00f3 existiam como constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, uma equipa internacional de cientistas, liderada por Avishay Gal-Yam do Departamento de F\u00edsica de Part\u00edculas e Astrof\u00edsica do Instituto Weizmann, descobriu uma supernova que nunca tinha sido observada antes. A explos\u00e3o de uma estrela Wolf-Rayet, um tipo de estrela massiva altamente evolu\u00edda que perde uma grande quantidade de massa devido a ventos estelares intensos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4a\/a6\/D57SshHZ_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4a\/a6\/D57SshHZ_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Infogr\u00e1fico sobre a nova descoberta de uma supernova de uma estrela Wolf-Rayet.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Weizmann<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o das estrelas Wolf-Rayet<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo de cada estrela \u00e9 alimentado pela fus\u00e3o nuclear, onde os n\u00facleos de elementos mais leves se fundem para formar elementos mais pesados. A fus\u00e3o de quatro n\u00facleos de hidrog\u00e9nio resulta na forma\u00e7\u00e3o de um \u00e1tomo de h\u00e9lio, enquanto v\u00e1rios n\u00facleos de h\u00e9lio combinados resultam na forma\u00e7\u00e3o de carbono, oxig\u00e9nio e assim por diante. O \u00faltimo elemento que se ir\u00e1 formar naturalmente atrav\u00e9s da fus\u00e3o nuclear \u00e9 o ferro, que \u00e9 o n\u00facleo at\u00f3mico mais est\u00e1vel. Em circunst\u00e2ncias normais, a energia produzida no n\u00facleo da estrela mant\u00e9m temperaturas extremamente elevadas que provocam a expans\u00e3o da sua mat\u00e9ria gasosa, preservando assim o fino equil\u00edbrio com a for\u00e7a da gravidade, atraindo a massa da estrela para o seu centro. Quando a estrela fica sem elementos para fundir e deixa de produzir energia, este equil\u00edbrio \u00e9 perturbado, levando ou a um buraco negro que se abre no cora\u00e7\u00e3o da estrela, provocando o colapso sob si pr\u00f3pria, ou \u00e0 explos\u00e3o da estrela, que liberta os elementos pesados, fundidos durante a sua evolu\u00e7\u00e3o, para o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida das estrelas massivas \u00e9 considerada relativamente curta, alguns milh\u00f5es de anos no m\u00e1ximo. O Sol, em compara\u00e7\u00e3o, tem uma esperan\u00e7a de vida de cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos. Os processos subsequentes de fus\u00e3o nuclear no n\u00facleo das estrelas massivas levam \u00e0 sua estratifica\u00e7\u00e3o, em que os elementos pesados se concentram no n\u00facleo e gradualmente elementos mais leves comp\u00f5em as camadas externas.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas Wolf-Rayet s\u00e3o estrelas particularmente massivas que n\u00e3o t\u00eam uma ou mais das camadas externas que s\u00e3o compostas por elementos mais leves. Desta forma, em vez do hidrog\u00e9nio &#8211; o elemento mais leve &#8211; a superf\u00edcie da estrela \u00e9 caracterizada pela presen\u00e7a de h\u00e9lio, ou mesmo de carbono e elementos mais pesados. Uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para este fen\u00f3meno \u00e9 que ventos fortes que sopram devido \u00e0 alta press\u00e3o no inv\u00f3lucro da estrela, dispersam a sua camada mais externa, fazendo com que a estrela perca uma camada ap\u00f3s a outra ao longo de v\u00e1rias centenas de milhares de anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1015\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o-1015x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4809\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o-1015x1024.jpg 1015w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o-297x300.jpg 297w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o-768x775.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LCrZ7QpB_o.jpg 1189w\" sizes=\"auto, (max-width: 1015px) 100vw, 1015px\" \/><\/a><figcaption>Uma estrela Wolf-Rayet e a nebulosa que a rodeia, capturada pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Gal-Yam e colegas s\u00e3o os primeiros a descobrir uma supernova originada por este tipo de estrela.<br>Cr\u00e9dito: Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A primeira explos\u00e3o estelar do seu tipo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da sua vida relativamente curta e do seu estado de desintegra\u00e7\u00e3o progressiva, a an\u00e1lise do n\u00famero sempre crescente de descobertas de supernovas levou \u00e0 hip\u00f3tese de que as estrelas Wolf-Rayet simplesmente n\u00e3o explodem &#8211; elas simplesmente colapsam silenciosamente em buracos negros &#8211; caso contr\u00e1rio, j\u00e1 ter\u00edamos sido capazes de observar uma. Esta hip\u00f3tese, contudo, acabou de ser abalada devido \u00e0 recente descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise espectrosc\u00f3pica da luz emitida pela explos\u00e3o levou \u00e0 descoberta de assinaturas espectrais que est\u00e3o associadas a elementos espec\u00edficos. Desta forma, os investigadores conseguiram demonstrar que a explos\u00e3o continha \u00e1tomos de carbono, oxig\u00e9nio e n\u00e9on, este \u00faltimo um elemento que ainda n\u00e3o tinha sido observado desta maneira em nenhuma supernova at\u00e9 \u00e0 data. Al\u00e9m disso, os investigadores identificaram que a mat\u00e9ria que &#8220;jorrava&#8221; radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica n\u00e3o participou na explos\u00e3o, mas que tinha origem no espa\u00e7o que rodeava a estrela vol\u00e1til. Isto, por sua vez, refor\u00e7ou a sua hip\u00f3tese a favor de ventos fortes que tomaram parte na remo\u00e7\u00e3o do inv\u00f3lucro externo da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que esta observa\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira do seu g\u00e9nero, Gal-Yam afirma que pode ser demasiado cedo para determinar inequivocamente o destino de todas essas estrelas. &#8220;N\u00e3o podemos dizer, nesta fase, se todas as estrelas Wolf-Rayet terminam a sua vida com um estrondo ou n\u00e3o. Pode ser que algumas delas colapsem silenciosamente num buraco negro,&#8221; diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores estimam que a massa que se dispersou durante a explos\u00e3o \u00e9 provavelmente igual \u00e0 massa do Sol ou \u00e0 de uma estrela ligeiramente mais pequena; a estrela que explodiu era significativamente mais massiva &#8211; tendo pelo menos 10 vezes a massa do Sol, pelo que os cientistas se perguntam onde vai parar a maior parte da sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Gal-Yam sugere um cen\u00e1rio interm\u00e9dio, em que ambos os poss\u00edveis destinos s\u00e3o cumpridos ao mesmo tempo: uma vez esgotada a fus\u00e3o nuclear no n\u00facleo da estrela, ocorre uma explos\u00e3o que expele parte da massa para o espa\u00e7o, enquanto a massa restante colapsa sob si pr\u00f3pria, formando um buraco negro. &#8220;Uma coisa \u00e9 certa,&#8221; diz Gal-Yam, &#8220;este n\u00e3o \u00e9 o colapso &#8216;silencioso&#8217; frequentemente referido no passado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo utilizou observa\u00e7\u00f5es feitas com diferentes telesc\u00f3pios, incluindo o GTC localizado no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos (Garaf\u00eda, La Palma). Para Antonio Cabrera Lavers, chefe de opera\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do GTC e investigador afiliado ao IAC que participou no estudo, &#8220;vale a pena mencionar que desde esta descoberta j\u00e1 foi observada outra explos\u00e3o semelhante, o que implica que este fen\u00f3meno n\u00e3o \u00e9, de facto, uma ocorr\u00eancia \u00fanica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>David Garc\u00eda \u00c1lvarez, coautor do artigo cient\u00edfico e astr\u00f3nomo do GTC afiliado ao IAC, pensa que &#8220;\u00e9 poss\u00edvel que quanto melhores forem os nossos instrumentos de dete\u00e7\u00e3o e medi\u00e7\u00e3o, mais este tipo de explos\u00e3o &#8211; hoje considerada rara e ex\u00f3tica &#8211; se tornar\u00e1 uma observa\u00e7\u00e3o comum.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O operador do GTC, Antonio Marante Barreto, que tamb\u00e9m participou nas observa\u00e7\u00f5es, acrescenta que &#8220;as supernovas podem parecer eventos colossais que acontecem longe, demasiado longe para terem impacto direto nas nossas vidas. Mas, verdade seja dita, est\u00e3o no centro da pr\u00f3pria vida. O planeta Terra e todas as suas v\u00e1rias e diversas formas de vida (incluindo n\u00f3s) s\u00e3o o resultado de tal ocorr\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/astronomers-discover-first-supernova-explosion-wolf-rayet-star\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/wis-wander.weizmann.ac.il\/space-physics\/going-out-bang\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Weizmann (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-04155-1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2111.12435\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"saiba-mais\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>SN 2019hgp:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2019hgp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TNS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas Wolf-Rayet:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wolf-Rayet_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo internacional, com a participa\u00e7\u00e3o de investigadores do GTC (Gran Telescopio Canarias) filiados ao IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), descobriu uma estrela explosiva in\u00e9dita que se pensava existir apenas na teoria. 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