{"id":4782,"date":"2022-01-18T07:15:51","date_gmt":"2022-01-18T06:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4782"},"modified":"2022-01-18T07:15:52","modified_gmt":"2022-01-18T06:15:52","slug":"novas-informacoes-sobre-as-estacoes-num-exoplaneta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/01\/18\/novas-informacoes-sobre-as-estacoes-num-exoplaneta\/","title":{"rendered":"Novas informa\u00e7\u00f5es sobre as esta\u00e7\u00f5es num exoplaneta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine estar num lugar onde os ventos s\u00e3o t\u00e3o fortes que se movem \u00e0 velocidade do som. Este \u00e9 apenas um aspeto da atmosfera de XO-3b, um de uma classe de exoplanetas (planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar) conhecidos como J\u00fapiteres quentes. A \u00f3rbita exc\u00eantrica do planeta tamb\u00e9m leva a varia\u00e7\u00f5es sazonais centenas de vezes mais fortes do que as que temos c\u00e1 na Terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e4\/3e\/1iuigwgm_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1iuigwgm_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4783\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1iuigwgm_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1iuigwgm_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1iuigwgm_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>XO-3b, um J\u00fapiter quente numa \u00f3rbita exc\u00eantrica.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt (IPAC)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num artigo publicado recentemente, uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade McGill fornece uma nova vis\u00e3o sobre o aspeto das esta\u00e7\u00f5es num planeta para l\u00e1 do nosso Sistema Solar. Os investigadores tamb\u00e9m sugerem que a \u00f3rbita oval, as temperaturas extremamente elevadas (2000\u00ba C, quente o suficiente para vaporizar rocha) e o &#8220;incha\u00e7o&#8221; de XO-3b revelam vest\u00edgios da hist\u00f3ria do planeta. Os achados v\u00e3o potencialmente fazer avan\u00e7ar tanto a compreens\u00e3o cient\u00edfica de como os exoplanetas se formam e evoluem como dar algum contexto aos planetas do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os J\u00fapiteres quentes s\u00e3o mundos gasosos e massivos como J\u00fapiter, mas que orbitam mais perto das suas estrelas hospedeiras do que Merc\u00fario orbita o Sol. Embora n\u00e3o existam no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, parecem ser comuns por toda a Gal\u00e1xia. Apesar de serem o tipo de exoplaneta mais estudado, ainda permanecem grandes quest\u00f5es sobre como se formam. Ser\u00e1 que podem existir subclasses de J\u00fapiteres quentes com diferentes hist\u00f3rias de forma\u00e7\u00e3o? Por exemplo, ser\u00e1 que estes planetas tomam forma longe das suas estrelas-m\u00e3e &#8211; a uma dist\u00e2ncia onde faz frio suficiente para que mol\u00e9culas como a \u00e1gua se tornem s\u00f3lidas &#8211; ou mais perto? O primeiro cen\u00e1rio encaixa melhor nas teorias sobre como os planetas do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar nasceram, mas o que leva estes tipos de planetas a migrar para t\u00e3o perto das suas estrelas-m\u00e3e continua a n\u00e3o ser claro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para testar essas ideias, os autores utilizaram dados do aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA para analisar a atmosfera do exoplanetas XO-3b. Observaram esta\u00e7\u00f5es exc\u00eantricas e mediram as velocidades do vento no planeta, obtendo uma curva de fase do planeta ao completar uma revolu\u00e7\u00e3o completa em torno da sua estrela hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Olhando para a din\u00e2mica atmosf\u00e9rica e para a evolu\u00e7\u00e3o interior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este planeta \u00e9 um estudo de caso extremamente interessante para a din\u00e2mica atmosf\u00e9rica e para a evolu\u00e7\u00e3o interior, pois est\u00e1 situado num regime interm\u00e9dio de massa planet\u00e1ria onde os processos normalmente negligenciados por J\u00fapiteres quentes menos massivos podem entrar em jogo,&#8221; diz Lisa Dang, autora principal de um artigo publicado recentemente na revista The Astronomical Journal, estudante de doutoramento no Departamento de F\u00edsica da Universidade McGill. &#8220;XO-3b tem uma \u00f3rbita oval em vez da \u00f3rbita circular de quase todos os outros J\u00fapiteres quentes conhecidos. Isto sugere que migrou recentemente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua estrela-m\u00e3e; se for esse o caso, acabar\u00e1 por instalar-se numa \u00f3rbita mais circular.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00f3rbita exc\u00eantrica do planeta tamb\u00e9m leva a varia\u00e7\u00f5es sazonais centenas de vezes mais fortes do que as que temos c\u00e1 na Terra. Nicolas Cowan, professor na mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino, explica: &#8220;O planeta inteiro recebe tr\u00eas vezes mais energia quando est\u00e1 mais perto da sua estrela &#8211; durante um breve ver\u00e3o, do que quando est\u00e1 mais longe da estrela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m reavaliaram a massa e o raio do planeta e descobriram que o planeta \u00e9 surpreendentemente mais &#8220;inchado&#8221; do que o esperado. Sugeriram que a poss\u00edvel fonte deste aquecimento pode ser devido a fus\u00e3o nuclear remanescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Excesso de calor e incha\u00e7o devido ao aquecimento provocado por mar\u00e9s?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es do Gaia, uma miss\u00e3o da ESA, descobriram que o planeta est\u00e1 mais inchado do que o esperado, o que indica que o seu interior pode ser particularmente energ\u00e9tico. As observa\u00e7\u00f5es pelo Spitzer tamb\u00e9m sugerem que o planeta produz muito do seu pr\u00f3prio calor, uma vez que o excesso de emiss\u00e3o t\u00e9rmica de XO-3b n\u00e3o \u00e9 sazonal &#8211; \u00e9 observado ao longo de todo o ano de XO-3b. \u00c9 poss\u00edvel que o calor em excesso venha do interior do planeta, atrav\u00e9s de um processo chamado aquecimento de mar\u00e9. O &#8220;aperto&#8221; gravitacional da estrela no planeta oscila \u00e0 medida que a \u00f3rbita oblonga o leva para mais longe e depois para mais perto. As altera\u00e7\u00f5es resultantes na press\u00e3o interior produzem calor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Dang, este J\u00fapiter quente invulgar proporciona uma oportunidade para testar ideias sobre quais os processos de forma\u00e7\u00e3o que podem produzir certas caracter\u00edsticas nestes exoplanetas. Por exemplo, ser\u00e1 que o aquecimento de mar\u00e9 noutros J\u00fapiteres quentes tamb\u00e9m pode ser um sinal de migra\u00e7\u00e3o recente? XO-3b, por si s\u00f3, n\u00e3o vai desvendar o mist\u00e9rio, mas serve como um teste importante para ideias emergentes sobre estes gigantes escaldantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mcgill.ca\/newsroom\/channels\/news\/new-insights-seasons-planet-outside-our-solar-system-336430\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade McGill (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-s-spitzer-illuminates-exoplanets-in-astronomical-society-briefing\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ac365f\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2111.03673\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>XO-3b:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/XO-3_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XO-3b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/early-data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EDR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine estar num lugar onde os ventos s\u00e3o t\u00e3o fortes que se movem \u00e0 velocidade do som. 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