{"id":4779,"date":"2022-01-18T07:13:35","date_gmt":"2022-01-18T06:13:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4779"},"modified":"2022-01-18T07:13:46","modified_gmt":"2022-01-18T06:13:46","slug":"intrusa-estelar-apanhada-em-flagrante-num-raro-evento-de-passagem-rasante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/01\/18\/intrusa-estelar-apanhada-em-flagrante-num-raro-evento-de-passagem-rasante\/","title":{"rendered":"Intrusa estelar apanhada, em flagrante, num raro evento de passagem rasante"},"content":{"rendered":"\n<p>Cientistas usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) e o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) para fazer uma rara dete\u00e7\u00e3o de um prov\u00e1vel evento de &#8220;flyby&#8221; estelar no sistema Z Canis Majoris (Z CMa). Uma intrusa, n\u00e3o ligada ao sistema, passou muito perto e interagiu com o ambiente que rodeia a protoestrela bin\u00e1ria, provocando a forma\u00e7\u00e3o de correntes ca\u00f3ticas e esticadas de poeira e g\u00e1s no disco em redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tais eventos rasantes j\u00e1 tenham sido anteriormente testemunhados com alguma regularidade nas simula\u00e7\u00f5es computorizadas de forma\u00e7\u00e3o estelar, poucas observa\u00e7\u00f5es diretas e convincentes foram alguma vez feitas e, at\u00e9 agora, os eventos tinham permanecido em grande parte te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a-1536x864-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4780\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a-1536x864-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a-1536x864-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a-1536x864-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/nrao21ao24a-1536x864-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Os cientistas capturaram um objeto intruso que perturba o disco protoplanet\u00e1rio &#8211; o local de nascimento dos planetas &#8211; em Z Canis Majoris (Z CMa), uma estrela na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de C\u00e3o Maior. Esta impress\u00e3o de artista mostra a perturbadora a sair do sistema estelar, puxando um longa corrente de g\u00e1s do disco protoplanet\u00e1rio juntamente com o mesmo. Dados observacionais do Telesc\u00f3pio Subaru, do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) sugerem que o objeto intruso foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o destes fluxos gasosos, e a sua &#8220;visita&#8221; pode ter outros impactos ainda desconhecidos no crescimento e desenvolvimento dos planetas no sistema estelar.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), B. Saxton (NRAO\/AUI\/NSF)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil obter evid\u00eancias observacionais de eventos rasantes, porque estes eventos ocorrem rapidamente e \u00e9 dif\u00edcil captur\u00e1-los em a\u00e7\u00e3o. O que fizemos com as nossas observa\u00e7\u00f5es ALMA de Banda 6 e com o VLA \u00e9 equivalente a capturar raios que atingem uma \u00e1rvore,&#8221; disse Ruobing Dong, investigador da Universidade de Vit\u00f3ria no Canad\u00e1 e investigador principal do novo estudo. &#8220;Esta descoberta mostra que os encontros pr\u00f3ximos entre jovens estrelas que abrigam discos de facto acontecem &#8216;na vida real&#8217;, e n\u00e3o s\u00e3o apenas situa\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas vistas em simula\u00e7\u00f5es de computador. Estudos observacionais anteriores j\u00e1 tinham visto &#8216;flybys&#8217; do g\u00e9nero, mas n\u00e3o tinham sido capazes de recolher as evid\u00eancias compreensivas que conseguimos obter do evento em Z CMa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Perturba\u00e7\u00f5es, ou dist\u00farbios, como os de Z CMa n\u00e3o s\u00e3o tipicamente provocados por intrusas, mas sim por estrelas-irm\u00e3s que crescem juntas no espa\u00e7o. Hauyu Baobab Liu, astr\u00f3nomo do Instituto de Astronomia e Astrof\u00edsica da Academia Sinica em Taiwan, coautor do artigo cient\u00edfico, disse: &#8220;Na maioria das vezes, as estrelas formam-se isoladamente. As g\u00e9meas, ou at\u00e9 trig\u00e9meas ou quadrig\u00e9meas, nascidas juntas podem ser atra\u00eddas gravitacionalmente e, como resultado, aproximarem-se umas das outras. Durante estes momentos, algum material nos discos protoplanet\u00e1rios das estrelas pode ser removido para formar extensas correntes de g\u00e1s que fornecem pistas aos astr\u00f3nomos sobre a hist\u00f3ria de encontros estelares passados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nicol\u00e1s Cuello, astrof\u00edsico da Universidade Grenoble-Alpes na Fran\u00e7a e coautor do artigo, acrescentou que no caso de Z CMa, foi a morfologia, ou estrutura, destas correntes que ajudou os cientistas a identificar e a localizar a intrusa estelar. &#8220;Quando um encontro estelar ocorre, provoca altera\u00e7\u00f5es na morfologia do disco &#8211; espirais, deforma\u00e7\u00f5es, sombras, etc. &#8211; que podem ser consideradas como impress\u00f5es digitais de um &#8216;flyby&#8217;. Neste caso, ao olhar com muito cuidado para o disco de Z CMa, revel\u00e1mos a presen\u00e7a de v\u00e1rias impress\u00f5es digitais de uma passagem rasante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/NRAO21ao24_Ruobing-Dong_ScienceImageComposite_pulloutslabels.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/NRAO21ao24_Ruobing-Dong_ScienceImageComposite_pulloutslabels-1536x1229.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>\u00c0 medida que as estrelas crescem, elas interagem frequentemente com as suas estrelas-irm\u00e3s &#8211; estrelas que crescem perto delas no espa\u00e7o &#8211; mas raramente t\u00eam sido observadas a interagir com objetos exteriores, ou intrusos. Os cientistas fizeram agora observa\u00e7\u00f5es de um objeto intruso perturbando o disco protoplanet\u00e1rio em torno de Z Canis Majoris, uma estrela na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de C\u00e3o Maior, o que poderia ter grandes implica\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de planetas beb\u00e9s. Perturba\u00e7\u00f5es, incluindo longas correntes de g\u00e1s, foram observadas em detalhe pelo Telesc\u00f3pio Subaru na banda H, pelo VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) na banda Ka, e utilizando o receptor de Banda 6 do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array).<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), S. Dagnello (NRAO\/AUI\/NSF), NAOJ<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Estas impress\u00f5es digitais n\u00e3o s\u00f3 ajudaram os cientistas a identificar a intrusa, como tamb\u00e9m os levaram a considerar o que estas intera\u00e7\u00f5es poderiam significar para o futuro de Z CMa e para os planetas beb\u00e9s que est\u00e3o a nascer no sistema, um processo que at\u00e9 agora tem permanecido um mist\u00e9rio para os cientistas. &#8220;O que sabemos agora com esta nova investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 que os eventos de &#8216;flyby&#8217; ocorrem na natureza e que t\u00eam grandes impactos nos discos circunstelares, que s\u00e3o os ber\u00e7os de nascimento dos planetas, em torno de estrelas beb\u00e9,&#8221; disse Cuello. &#8220;Os eventos de passagem rasante podem perturbar dramaticamente os discos circunstelares em torno das estrelas intervenientes, como vimos com a produ\u00e7\u00e3o de longas correntes em torno de Z CMa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Liu acrescentou: &#8220;Estas perturbadoras n\u00e3o s\u00f3 d\u00e3o azo a fluxos gasosos, como tamb\u00e9m podem ter impacto na hist\u00f3ria t\u00e9rmica das estrelas hospedeiras envolvidas, como Z CMa. Isto pode levar a eventos violentos como surtos de acre\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m impactar o desenvolvimento do sistema estelar global de formas que ainda n\u00e3o observ\u00e1mos ou definimos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dong disse que o estudo da evolu\u00e7\u00e3o e crescimento de jovens sistemas estelares por toda a Gal\u00e1xia ajuda os cientistas a compreender melhor a origem do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. &#8220;O estudo deste tipo de eventos d\u00e1-nos uma janela para o passado, incluindo o que poderia ter acontecido no desenvolvimento inicial do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, cujas evid\u00eancias cr\u00edticas j\u00e1 desapareceram h\u00e1 muito. Observar estes eventos num sistema estelar rec\u00e9m-formado d\u00e1-nos a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para dizer, &#8216;Ah ha! Isto \u00e9 o que pode ter acontecido ao nosso pr\u00f3prio Sistema Solar h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s.&#8217; Neste momento, o VLA e o ALMA deram-nos as primeiras evid\u00eancias para resolver este mist\u00e9rio, e as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es destas tecnologias v\u00e3o abrir janelas para o Universo com as quais ainda s\u00f3 sonh\u00e1mos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Stellar flyby event computer simulation\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UOHpGPqowMU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-catches-intruder-redhanded-in-rarely-detected-stellar-flyby-event\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/stellar-flyby-zcma-alma\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uvic.ca\/news\/topics\/2022+expert-on-birthplace-of-planets+expert-advisory\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Vit\u00f3ria (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/subarutelescope.org\/en\/results\/2022\/01\/13\/3016.html\" target=\"_blank\">\/\/ Telesc\u00f3pio Subaru (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01558-y\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zcma.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/939836\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/01\/220113111405.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-01-astronomers-intruder-red-handed-rarely-stellar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Z Canis Majoris:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Z_Canis_Majoris\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) e o VLA (Karl G. 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