{"id":4759,"date":"2022-01-11T07:13:37","date_gmt":"2022-01-11T06:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4759"},"modified":"2022-01-11T07:13:39","modified_gmt":"2022-01-11T06:13:39","slug":"descoberto-um-exoplaneta-excentrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/01\/11\/descoberto-um-exoplaneta-excentrico\/","title":{"rendered":"Descoberto um exoplaneta exc\u00eantrico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Liderada pela Universidade de Berna, uma equipa internacional descobriu um exoplaneta sub-Neptuno em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 vermelha. A descoberta tamb\u00e9m foi feita gra\u00e7as a observa\u00e7\u00f5es realizadas pelo observat\u00f3rio SAINT-EX no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As &#8220;an\u00e3s vermelhas&#8221; s\u00e3o estrelas pequenas e, portanto, muito mais frias do que o nosso Sol. Em seu redor, a \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 poss\u00edvel em planetas muito mais pr\u00f3ximos da estrela do que no nosso Sistema Solar. A dist\u00e2ncia entre um exoplaneta e a sua estrela hospedeira \u00e9 um factor crucial na sua dete\u00e7\u00e3o: quanto mais pr\u00f3ximo um planeta estiver da sua estrela hospedeira, maior a probabilidade de poder ser detetado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo recentemente publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics, investigadores liderados pela Dra. Nicole Schanche do CSH (Center for Space and Habitability) da Universidade de Berna relatam a descoberta do exoplaneta TOI-2257 b em \u00f3rbita de uma an\u00e3 vermelha pr\u00f3xima. Nicole Schanche tamb\u00e9m \u00e9 membro do NCCR PlanetS (National Center of Competence in Research PlanetS), que a Universidade de Berna dirige em conjunto com a Universidade de Genebra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um telesc\u00f3pio especial como parte da solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os exoplanetas que est\u00e3o muito longe do nosso Sistema Solar n\u00e3o podem ser observados diretamente com um telesc\u00f3pio &#8211; s\u00e3o demasiado pequenos e refletem muito pouca luz. No entanto, uma forma de detetar tais planetas \u00e9 atrav\u00e9s do m\u00e9todo de tr\u00e2nsito. Isto implica a utiliza\u00e7\u00e3o de telesc\u00f3pios para procurar as quedas de brilho estelar que ocorrem quando os planetas passam em frente da estrela, do nosso ponto de vista. Observa\u00e7\u00f5es repetidas das quedas no brilho da estrela d\u00e3o medi\u00e7\u00f5es do per\u00edodo orbital do planeta em torno da estrela e a profundidade do tr\u00e2nsito permite aos investigadores determinar o di\u00e2metro do planeta. Quando combinado com estimativas da massa do planeta recorrendo a outros m\u00e9todos, tais como a utiliza\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial, a densidade do planeta pode ser calculada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planeta TOI-2257 b foi inicialmente identificado a partir de dados do telesc\u00f3pio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. A pequena estrela foi observada durante um total de quatro meses, mas as lacunas entre as observa\u00e7\u00f5es significam que n\u00e3o estava claro se a diminui\u00e7\u00e3o de brilho podia ser explicada pelo tr\u00e2nsito de um planeta com uma \u00f3rbita de 176, 88, 59, 44 ou 35 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A observa\u00e7\u00e3o da estrela com o Telesc\u00f3pio Global do Observat\u00f3rio Las Cumbres excluiu posteriormente a possibilidade de um planeta com um per\u00edodo orbital de 59 dias estar a provocar a queda de brilho. &#8220;A seguir, quer\u00edamos saber se o per\u00edodo orbital de 35 dias podia ser poss\u00edvel,&#8221; explica Nicole Schanche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O telesc\u00f3pio SAINT-EX, no M\u00e9xico, cooperado pelo CSH e pelo NCCR PlanetS, foi constru\u00eddo para estudar as an\u00e3s vermelhas e os seus planetas com mais detalhe. SAINT-EX \u00e9 um acr\u00f3nimo que significa &#8220;Search And characterIsatioN of Transiting EXoplanets&#8221;. O projeto tem este nome em honra de Antoine de Saint-Exup\u00e9ry (Saint-Ex), o famoso escritor, poeta e aviador. O SAINT-EX observou um tr\u00e2nsito parcial de TOI-2257 b e foi capaz de confirmar o per\u00edodo orbital exato do exoplaneta em torno da sua estrela, 35 dias. &#8220;Outros 35 dias depois, o SAINT-EX p\u00f4de observar o tr\u00e2nsito todo, o que nos deu ainda mais informa\u00e7\u00f5es sobre as propriedades do sistema,&#8221; diz o coautor Robert Wells do CSH, que esteve envolvido no processamento de dados.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4WHvgoMn_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4760\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4WHvgoMn_o.png 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4WHvgoMn_o-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>O telesc\u00f3pio SAINT-EX.<br>Cr\u00e9dito: Instituto de Astronomia, UNAM\/E. Cadena<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um planeta temperado com uma \u00f3rbita irregular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o seu per\u00edodo orbital de 35 dias, TOI-2257 b orbita a estrela hospedeira a uma dist\u00e2ncia onde a \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 poss\u00edvel no planeta e, portanto, podem existir condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao aparecimento de vida. Os planetas nesta chamada &#8220;zona habit\u00e1vel&#8221; perto de uma pequena estrela an\u00e3 vermelha s\u00e3o mais f\u00e1ceis de estudar porque t\u00eam per\u00edodos orbitais mais curtos e podem, portanto, ser observados mais frequentemente. O raio de TOI-2257 b (2,2 vezes maior do que o da Terra) sugere que o planeta \u00e9 bastante gasoso, com uma press\u00e3o atmosf\u00e9rica elevada n\u00e3o prop\u00edcia \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrimos que TOI-2257 b n\u00e3o tem uma \u00f3rbita circular e conc\u00eantrica,&#8221; explica Nicole Schanche. Na verdade, \u00e9 o planeta mais exc\u00eantrico a orbitar uma estrela fria alguma vez descoberto. &#8220;Em termos de habitabilidade potencial, isto s\u00e3o m\u00e1s not\u00edcias,&#8221; continua. &#8220;Embora a temperatura m\u00e9dia do planeta seja confort\u00e1vel, varia de -80\u00ba C a cerca de 100\u00ba C, dependendo de onde se encontra na sua \u00f3rbita, longe ou perto da estrela&#8221;. Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para esta surpreendente \u00f3rbita \u00e9 que mais longe no sistema um planeta gigante est\u00e1 \u00e0 espreita e a perturbar a \u00f3rbita de TOI 2257 b. Observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento que medem a velocidade radial da estrela v\u00e3o ajudar a confirmar a excentricidade e a procurar poss\u00edveis planetas adicionais que n\u00e3o puderam ser observados em tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Candidato a observa\u00e7\u00e3o com o JWST<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (James Webb Space Telescope ou JWST), lan\u00e7ado com sucesso no passado dia 25 de dezembro, vai revolucionar a investiga\u00e7\u00e3o sobre atmosferas exoplanet\u00e1rias. A fim de dar prioridade a bons candidatos para observa\u00e7\u00f5es com o JWST, foi desenvolvida uma m\u00e9trica de espectroscopia de transmiss\u00e3o que classifica as diferentes propriedades do sistema. TOI-2257 b est\u00e1 bem posicionado em rela\u00e7\u00e3o a esta m\u00e9trica e \u00e9 um dos alvos sub-Neptuno mais atrativos para futuras observa\u00e7\u00f5es. &#8220;Em particular, o planeta pode ser estudado em busca de sinais de caracter\u00edsticas como vapor de \u00e1gua na atmosfera,&#8221; conclui Nicole Schanche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/news\/media_news\/media_relations_e\/media_releases\/2022\/media_releases_2022\/eccentric_exoplanet_discovered\/index_eng.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2022\/01\/aa42280-21\/aa42280-21.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2111.01749\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TOI-2257 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/8042\/toi-2257-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/overview\/TIC%20198485881\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/toi-2257_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio SAINT-EX:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.saintex.unibe.ch\/saint_ex_observatory\/description\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Berna<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/webbLaunch\/whereIsWebb.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Onde est\u00e1 o Webb? (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liderada pela Universidade de Berna, uma equipa internacional descobriu um exoplaneta sub-Neptuno em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 vermelha. A descoberta tamb\u00e9m foi feita gra\u00e7as a observa\u00e7\u00f5es realizadas pelo observat\u00f3rio SAINT-EX no M\u00e9xico. As &#8220;an\u00e3s vermelhas&#8221; s\u00e3o estrelas pequenas e, portanto, muito mais frias do que o nosso Sol. 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