{"id":4691,"date":"2021-12-14T07:18:37","date_gmt":"2021-12-14T06:18:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4691"},"modified":"2021-12-14T07:18:47","modified_gmt":"2021-12-14T06:18:47","slug":"uma-estrela-jovem-parecida-com-o-sol-pode-conter-avisos-para-a-vida-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/12\/14\/uma-estrela-jovem-parecida-com-o-sol-pode-conter-avisos-para-a-vida-na-terra\/","title":{"rendered":"Uma estrela jovem parecida com o Sol pode conter avisos para a vida na Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>Espiando um sistema estelar localizado a d\u00fazias de anos-luz da Terra, os astr\u00f3nomos observaram, pela primeira vez, &#8220;fogos-de-artif\u00edcio&#8221; preocupantes: uma estrela chamada EK Draconis ejetou uma quantidade gigantesca de energia e part\u00edculas carregadas num evento muito mais poderoso do que qualquer evento do g\u00e9nero j\u00e1 visto no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores publicaram os seus resultados dia 9 de dezembro na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nao.ac.jp\/en\/contents\/news\/science\/2021\/20211210-okayama-fig-full.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"560\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/OZ5POEar_o-1024x560.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4692\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/OZ5POEar_o-1024x560.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/OZ5POEar_o-300x164.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/OZ5POEar_o-768x420.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/OZ5POEar_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista da estrela EK Draconis a libertar uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal, com dois planetas em \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: NAOJ<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O estudo explora um fen\u00f3meno estelar denominado &#8220;eje\u00e7\u00e3o de massa coronal&#8221;, tamb\u00e9m conhecido como tempestade solar. Yuta Notsu, da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, explicou que o Sol emite este tipo de erup\u00e7\u00f5es regularmente. S\u00e3o compostas por nuvens de part\u00edculas extremamente quentes, ou plasma, que podem viajar pelo espa\u00e7o a velocidades de milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora. E s\u00e3o potencialmente m\u00e1s not\u00edcias: se uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal atingir a Terra, pode danificar sat\u00e9lites em \u00f3rbita e afetar as redes de energia que servem cidades inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As eje\u00e7\u00f5es de massa coronal podem ter um s\u00e9rio impacto na Terra e na sociedade humana,&#8221; disse Notsu, investigador associado no LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics) da universidade supramencionada e do Observat\u00f3rio Solar Nacional da NSF (National Science Foundation) dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estudo, liderado por Kosuke Nakemata do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) &#8211; ex-acad\u00e9mico visitante da Universidade do Colorado em Boulder &#8211; tamb\u00e9m sugere que as explos\u00f5es podem ficar muito piores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na investiga\u00e7\u00e3o, Namekata, Nostu e colegas usaram telesc\u00f3pios no solo e no espa\u00e7o para espiar EK Draconis, que parece uma vers\u00e3o jovem do Sol. Em abril de 2020, a equipa observou EK Draconis a ejetar uma nuvem de plasma escaldante com uma massa na casa dos mil bili\u00f5es de quilogramas &#8211; mais de 10 vezes maior do que a eje\u00e7\u00e3o de massa coronal mais poderosa j\u00e1 registada numa estrela parecida com o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento pode servir como um aviso de qu\u00e3o perigoso pode ser o clima espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este tipo de eje\u00e7\u00e3o de grande massa poderia, teoricamente, tamb\u00e9m ocorrer no nosso Sol,&#8221; disse Notsu. &#8220;Esta observa\u00e7\u00e3o pode ajudar-nos a entender melhor como eventos semelhantes podem ter afetado a Terra e at\u00e9 mesmo Marte ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Notsu explicou que as eje\u00e7\u00f5es de massa coronal geralmente ocorrem logo depois que uma estrela liberta uma proemin\u00eancia, ou uma explos\u00e3o repentina e brilhante de radia\u00e7\u00e3o que pode estender-se para o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, investiga\u00e7\u00f5es recentes sugeriram que, no Sol, esta sequ\u00eancia de eventos pode ser relativamente tranquila, pelo menos no que diz respeito \u00e0s observa\u00e7\u00f5es dos cientistas. Em 2019, por exemplo, Notsu e colegas publicaram um estudo que mostrou que jovens estrelas semelhantes ao Sol, na Gal\u00e1xia, parecem ter superproemin\u00eancias frequentes &#8211; como as nossas pr\u00f3prias proemin\u00eancias solares, mas dezenas ou at\u00e9 centenas de vezes mais poderosas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fe\/c8\/5rlRP3JL_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fe\/c8\/5rlRP3JL_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal oriunda da superf\u00edcie do Sol em 2015.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tal superproemin\u00eancia tamb\u00e9m pode ocorrer no Sol, mas n\u00e3o com muita frequ\u00eancia, talvez uma vez a cada v\u00e1rios milhares de anos. Ainda assim, deixou a equipa de Notsu curiosa: uma superproemin\u00eancia tamb\u00e9m poderia levar a uma supereje\u00e7\u00e3o de massa coronal?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As superproemin\u00eancias s\u00e3o muito maiores do que as proemin\u00eancias que vemos do Sol,&#8221; disse Notsu. &#8220;Portanto, suspeitamos que tamb\u00e9m produziriam eje\u00e7\u00f5es de massa muito maiores. Mas, at\u00e9 recentemente, isto era apenas conjuntura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para descobrir, os investigadores voltaram-se para EK Draconis. A curiosa estrela, explicou Notsu, tem quase o mesmo tamanho que o nosso Sol mas, com apenas 100 milh\u00f5es de anos, \u00e9 relativamente jovem no sentido c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso Sol era assim h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos,&#8221; disse Notsu.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores observaram a estrela durante 32 noites no inverno e na primavera de 2020 usando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e o telesc\u00f3pio SEIMEI da Universidade de Quioto. E, no dia 5 de abril, Notsu e colegas tiveram sorte: os investigadores observaram em EK Draconis a liberta\u00e7\u00e3o de uma superproemin\u00eancia, uma realmente grande. Cerca de 30 minutos depois, a equipa observou o que parecia ser uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal a voar para longe da superf\u00edcie da estrela. Os investigadores foram capazes de capturar apenas a primeira etapa da vida deste fen\u00f3meno, chamada fase de &#8220;erup\u00e7\u00e3o do filamento&#8221;. Mas, mesmo assim, era um monstro, movendo-se a uma velocidade m\u00e1xima de 1,6 milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pode n\u00e3o ser um bom press\u00e1gio para a vida na Terra: os achados da equipa sugerem que o Sol tamb\u00e9m pode ser capaz de tais eventos extremos. Mas, felizmente, e tal como as superproemin\u00eancias, as supereje\u00e7\u00f5es de massa coronal s\u00e3o provavelmente raras para estrelas com a idade do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Notsu notou que grandes eje\u00e7\u00f5es de massa podem ter sido muito mais comuns nos primeiros anos do Sistema Solar. Por outras palavras, as eje\u00e7\u00f5es gigantescas de massa coronal podem ter ajudado a moldar planetas como a Terra e Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A atmosfera atual de Marte \u00e9 muito fina comparada com a da Terra,&#8221; disse Notsu. &#8220;Pensamos que Marte teve no seu passado uma atmosfera muito mais espessa. As eje\u00e7\u00f5es de massa coronal podem ajudar-nos a entender o que aconteceu com o planeta ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2021\/12\/09\/ek-draconis\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nao.ac.jp\/en\/news\/science\/2021\/20211210-okayama.html\" target=\"_blank\">\/\/ NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01532-8\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2112.04808\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>EK Draconis:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=EK%20Draconis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universeguide.com\/star\/71631\/ekdraconis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Guide<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clima espacial:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Space_weather\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Superproemin\u00eancia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Superflare\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eje\u00e7\u00e3o de massa coronal:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Coronal_mass_ejection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espiando um sistema estelar localizado a d\u00fazias de anos-luz da Terra, os astr\u00f3nomos observaram, pela primeira vez, &#8220;fogos-de-artif\u00edcio&#8221; preocupantes: uma estrela chamada EK Draconis ejetou uma quantidade gigantesca de energia e part\u00edculas carregadas num evento muito mais poderoso do que qualquer evento do g\u00e9nero j\u00e1 visto no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. Os investigadores publicaram os &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4692,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[1150,1228,126,704,309],"class_list":["post-4691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-clima-espacial","tag-ek-draconis","tag-proeminencia","tag-super-proeminencia","tag-tess"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4693,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691\/revisions\/4693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}