{"id":4661,"date":"2021-12-03T07:08:52","date_gmt":"2021-12-03T06:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4661"},"modified":"2021-12-03T07:09:10","modified_gmt":"2021-12-03T06:09:10","slug":"astronomos-descobrem-buraco-negro-estranhamente-massivo-numa-galaxia-satelite-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/12\/03\/astronomos-descobrem-buraco-negro-estranhamente-massivo-numa-galaxia-satelite-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem buraco negro estranhamente massivo numa gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos do Observat\u00f3rio McDonald, na Universidade do Texas em Austin, descobriram um buraco negro invulgarmente massivo no cora\u00e7\u00e3o de uma das gal\u00e1xias sat\u00e9lites an\u00e3s da Via L\u00e1ctea, de nome Leo I. Quase t\u00e3o massivo quanto o buraco negro da nossa Gal\u00e1xia, a descoberta pode redefinir a nossa compreens\u00e3o de como todas as gal\u00e1xias &#8211; os blocos de constru\u00e7\u00e3o do Universo &#8211; evoluem. O trabalho foi publicado numa edi\u00e7\u00e3o recente da revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa decidiu estudar Leo I devido \u00e0 sua peculiaridade. Ao contr\u00e1rio da maioria das gal\u00e1xias an\u00e3s que orbitam a Via L\u00e1ctea, Leo I n\u00e3o cont\u00e9m muita mat\u00e9ria escura. Os investigadores mediram o perfil da mat\u00e9ria escura de Leo I &#8211; isto \u00e9, como a densidade da mat\u00e9ria escura muda desde as orlas externas da gal\u00e1xia at\u00e9 ao centro. Fizeram isto medindo a sua atra\u00e7\u00e3o gravitacional sobre as estrelas: quanto mais depressa as estrelas se movem, mais mat\u00e9ria est\u00e1 encerrada nas suas \u00f3rbitas. Em particular, a equipa queria saber se a densidade da mat\u00e9ria escura aumenta em dire\u00e7\u00e3o ao centro da gal\u00e1xia. Tamb\u00e9m queriam saber se a medi\u00e7\u00e3o do seu perfil seria compat\u00edvel com os anteriores obtidos usando dados de telesc\u00f3pios mais antigos combinados com modelos de computador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a7\/d7\/5jktiRrB_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5jktiRrB_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4662\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5jktiRrB_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5jktiRrB_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5jktiRrB_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5jktiRrB_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Astr\u00f3nomos do Observat\u00f3rio McDonald descobriram que Leo I (inser\u00e7\u00e3o), uma min\u00fascula gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea (imagem principal), tem um buraco negro quase t\u00e3o massivo quanto o da Via L\u00e1ctea. Leo I \u00e9 30 vezes mais pequena que a Via L\u00e1ctea. O resultado pode assinalar mudan\u00e7as na compreens\u00e3o dos astr\u00f3nomos sobre a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias.<br>Cr\u00e9dito: ESA \/ Gaia \/ DPAC; SDSS (inser\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Liderada pela recente doutorada da Universidade do Texas em Austin, Mar\u00eda Jos\u00e9 Bustamante, a equipa inclui os astr\u00f3nomos Eva Noyola, Karl Gebhardt e Greg Zeimann da mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino, bem como colegas do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as suas observa\u00e7\u00f5es, usaram um instrumento \u00fanico chamado VIRUS-W montado no Telesc\u00f3pio Harlan J. Smith de 2,7 metros situado no Observat\u00f3rio McDonald.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a equipa introduziu os seus dados melhorados e modelos sofisticados num supercomputador do Centro de Computa\u00e7\u00e3o Avan\u00e7ada da Universidade do Texas em Austin, obtiveram um resultado surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os modelos &#8216;gritam&#8217; que precisamos de um buraco negro no centro; realmente n\u00e3o precisamos de muita mat\u00e9ria escura,&#8221; disse Gebhardt. &#8220;Temos uma gal\u00e1xia muito pequena que est\u00e1 a &#8216;cair&#8217; na Via L\u00e1ctea, e o seu buraco negro \u00e9 quase t\u00e3o massivo quanto o da Via L\u00e1ctea. A rela\u00e7\u00e3o de massa \u00e9 absolutamente enorme. A Via L\u00e1ctea \u00e9 dominante; o buraco negro de Leo I \u00e9 quase compar\u00e1vel.&#8221; O resultado \u00e9 sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores disseram que o resultado foi diferente dos estudos anteriores de Leo I devido a uma combina\u00e7\u00e3o de melhores dados e de melhores simula\u00e7\u00f5es de supercomputador. A regi\u00e3o central e densa da gal\u00e1xia permaneceu praticamente inexplorada em estudos anteriores, que se concentraram nas velocidades de estrelas individuais. O estudo atual mostrou que, para aquelas poucas velocidades obtidas no passado, havia um vi\u00e9s para velocidades mais baixas. Isto, por sua vez, diminuiu a quantidade inferida de mat\u00e9ria encerrada nas suas \u00f3rbitas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/mcdonaldobservatory.org\/sites\/default\/files\/images\/news\/gallery\/107.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/87\/03\/8HRY8p1a_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O Telesc\u00f3pio Harlan J. Smith de 2,7 metros situado no Observat\u00f3rio McDonald.<br>Cr\u00e9dito: Marty Harris\/Observat\u00f3rio McDonald<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os novos dados est\u00e3o concentrados na regi\u00e3o central e n\u00e3o s\u00e3o afetados por esse vi\u00e9s. A quantidade de mat\u00e9ria inferida encerrada nas \u00f3rbitas das estrelas disparou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta pode abalar a compreens\u00e3o dos astr\u00f3nomos da evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica, pois &#8220;n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o para este tipo de buraco negro em gal\u00e1xias an\u00e3s esferoidais,&#8221; disse Bustamante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado \u00e9 ainda mais importante j\u00e1 que os astr\u00f3nomos t\u00eam vindo a usar gal\u00e1xias como Leo I, classificada como uma &#8220;gal\u00e1xia an\u00e3 esferoidal&#8221;, h\u00e1 20 anos para entender como a mat\u00e9ria escura \u00e9 distribu\u00edda dentro das gal\u00e1xias, acrescentou Gebhardt. Este novo tipo de fus\u00e3o entre buracos negros tamb\u00e9m d\u00e1 aos observat\u00f3rios de ondas gravitacionais um novo sinal para procurar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se a massa do buraco negro de Leo I for alta, isso pode explicar como os buracos negros crescem em gal\u00e1xias massivas,&#8221; disse Gebhardt. Isto porque, ao longo do tempo, conforme gal\u00e1xias pequenas como Leo I caem em gal\u00e1xias maiores, o buraco negro da gal\u00e1xia mais pequena funde-se com o da gal\u00e1xia maior, aumentando a sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contru\u00eddo por uma equipa do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre na Alemanha, o VIRUS-W \u00e9 o \u00fanico instrumento no mundo atualmente capaz de fazer este tipo de estudo de perfil da mat\u00e9ria escura. Noyola real\u00e7ou que muitas das gal\u00e1xias an\u00e3s vistas a partir do hemisf\u00e9rio sul s\u00e3o boas candidatas, mas nenhum telesc\u00f3pio do hemisf\u00e9rio sul est\u00e1 equipado para tal. No entanto, o GMT (Giant Magellan Telescope), agora em constru\u00e7\u00e3o no Chile foi, em parte, projetado para este tipo de trabalho. A Universidade do Texas em Austin \u00e9 parceira fundadora do GMT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.utexas.edu\/2021\/12\/01\/texas-astronomers-discover-strangely-massive-black-hole-in-milky-way-satellite-galaxy\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/mcdonaldobservatory.org\/news\/releases\/20211201\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio McDonald (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac0c79\/pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2111.04770\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leo I:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/LG\/leo1.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Leo_I_(dwarf_galaxy)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia sat\u00e9lite:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Satellite_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Satellite_galaxies_of_the_Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio McDonald:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/mcdonaldobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/McDonald_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos do Observat\u00f3rio McDonald, na Universidade do Texas em Austin, descobriram um buraco negro invulgarmente massivo no cora\u00e7\u00e3o de uma das gal\u00e1xias sat\u00e9lites an\u00e3s da Via L\u00e1ctea, de nome Leo I. 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