{"id":4652,"date":"2021-11-30T07:15:07","date_gmt":"2021-11-30T06:15:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4652"},"modified":"2021-11-30T07:15:09","modified_gmt":"2021-11-30T06:15:09","slug":"a-analise-das-vibracoes-induzidas-pelo-vento-de-marte-lanca-luz-sobre-as-propriedades-da-subsuperficie-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/11\/30\/a-analise-das-vibracoes-induzidas-pelo-vento-de-marte-lanca-luz-sobre-as-propriedades-da-subsuperficie-do-planeta\/","title":{"rendered":"A an\u00e1lise das vibra\u00e7\u00f5es induzidas pelo vento de Marte lan\u00e7a luz sobre as propriedades da subsuperf\u00edcie do planeta"},"content":{"rendered":"\n<p>A miss\u00e3o InSight da NASA est\u00e1 a investigar a geologia de Elysium Planitia, encontrando camadas alternativas de basalto e sedimentos. Na revista Nature Communications, uma equipa internacional de cientistas compara dados a partir do solo com dados de modelos, o que ajuda a entender, por exemplo, a capacidade de carga e trafegabilidade da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00edsmicos recolhidos em Elysium Planitia, a segunda maior regi\u00e3o vulc\u00e2nica de Marte, sugerem a presen\u00e7a de uma camada sedimentar imprensada entre fluxos de lava por baixo da superf\u00edcie do planeta. Estes achados foram obtidos no \u00e2mbito da miss\u00e3o InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA, na qual v\u00e1rios parceiros internacionais de investiga\u00e7\u00e3o, incluindo a Universidade de Col\u00f3nia, colaboram.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/static.tweaktown.com\/news\/8\/2\/82928_03_nasa-creates-first-ever-map-of-mars-underground-using-the-martian-wind_full.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"398\" height=\"600\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/E437OGIh_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4653\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/E437OGIh_o.jpg 398w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/E437OGIh_o-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista: o m\u00f3dulo InSight est\u00e1 localizado em Homestead Hollow, uma pequena cratera de impacto. O sism\u00f3metro SEIS que foi usado neste estudo \u00e9 a pequena &#8220;caixinha&#8221; de cor clara no solo em frente do m\u00f3dulo. O solo abaixo consiste numa camada de reg\u00f3lito arenoso no topo de camadas alternadas de sedimentos (cores amarelo-laranja) e rochas bas\u00e1lticas, ou seja, antigos fluxos de lava (cores castanhas).<br>Cr\u00e9dito: ETH Zurique\/G\u00e9raldine Zenh\u00e4usern<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O geof\u00edsico Dr. C\u00e9dric Schmelzbach da ETH Zurique e colegas, incluindo os especialistas em sismos Dra. Brigitte Knapmeyer-Endrun e o investigador Sebastian Carrasco do Observat\u00f3rio S\u00edsmico da Universidade de Col\u00f3nia em Bensberg, usaram dados s\u00edsmicos para analisar a composi\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Elysium Planitia. Os autores examinaram a superf\u00edcie rasa at\u00e9 cerca de 200 metros de profundidade. Logo abaixo da superf\u00edcie, descobriram uma camada de reg\u00f3lito de material predominantemente arenoso com aproximadamente tr\u00eas metros de espessura acima de uma camada de 15 metros de material ejetado grosso &#8211; blocos rochosos que foram ejetados ap\u00f3s o impacto de um meteorito e que ca\u00edram de volta \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo destas camadas superiores, identificaram cerca de 150 metros de rochas bas\u00e1lticas, ou seja, fluxos de lava solidificados, o que \u00e9 amplamente consistente com a estrutura subsuperficial esperada. No entanto, entre estes fluxos de lava, come\u00e7ando a uma profundidade de mais ou menos 30 metros, os autores identificaram uma camada adicional com 30 a 40 metros de espessura e com baixa velocidade s\u00edsmica, sugerindo que ela cont\u00e9m materiais sedimentares fracos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s camadas de basalto mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para datar os fluxos de lava mais rasos, os autores usaram contagens de crateras da literatura existente. O conhecimento estabelecido acerca da taxa de impactos de meteoritos permite aos ge\u00f3logos datar rochas: superf\u00edcies com muitas crateras de impacto s\u00e3o mais antigas do que aquelas com menos crateras. Al\u00e9m disso, crateras com di\u00e2metros maiores estendem-se para a camada inferior, permitindo aos cientistas datar a rocha profunda, enquanto as mais pequenas permitem datar as camadas rochosas mais rasas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles descobriram que os fluxos de lava mais rasos t\u00eam aproximadamente 1,7 mil milh\u00f5es de anos, formados durante o per\u00edodo Amaz\u00f3nico &#8211; uma era geol\u00f3gica em Marte caracterizada por baixas taxas de impactos de meteoritos e asteroides e por condi\u00e7\u00f5es frias e hiper\u00e1ridas, que come\u00e7aram h\u00e1 aproximadamente 3 mil milh\u00f5es de anos. Em contraste, a camada bas\u00e1ltica mais profunda, abaixo da que tem sedimentos, formou-se muito antes, h\u00e1 aproximadamente 3,6 mil milh\u00f5es de anos, durante o per\u00edodo Hesperiano, que foi caracterizado por ampla atividade vulc\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores prop\u00f5em que a camada interm\u00e9dia com baixas velocidades vulc\u00e2nicas podia ser composta de dep\u00f3sitos sedimentares imprensados entre os basaltos Hesperiano e Amaz\u00f3nico, ou dentro dos pr\u00f3prios basaltos Amaz\u00f3nicos. Estes resultados fornecem a primeira oportunidade para comparar medi\u00e7\u00f5es s\u00edsmicas reais, obtidas a partir do solo, da subsuperf\u00edcie rasa com as previs\u00f5es anteriores baseadas no mapeamento geol\u00f3gico orbital. Antes do pouso, a Dra. Knapmeyer-Endrun j\u00e1 havia desenvolvido modelos da estrutura da subsuperf\u00edcie rasa no local de aterragem do InSight com base em an\u00e1logos terrestres. As medi\u00e7\u00f5es atuais indicam agora camadas adicionais, bem como rochas mais porosas em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora os resultados ajudem a compreender melhor os processos geol\u00f3gicos em Elysium Planitia, a compara\u00e7\u00e3o com modelos pr\u00e9-pouso tamb\u00e9m \u00e9 valiosa para futuras miss\u00f5es \u00e0 superf\u00edcie, uma vez que pode ajudar a refinar as previs\u00f5es,&#8221; salientou Knapmeyer-Endrun. O conhecimento das propriedades do subsolo raso \u00e9 necess\u00e1rio para avaliar, por exemplo, a sua capacidade de carga e trafegabilidade para rovers. Al\u00e9m disso, os detalhes sobre a estratifica\u00e7\u00e3o na subsuperf\u00edcie rasa ajudam a entender onde ainda pode conter \u00e1gua subterr\u00e2nea ou gelo. No \u00e2mbito da sua investiga\u00e7\u00e3o de doutoramento na Universidade de Col\u00f3nia, Sebastian Carrasco vai continuar a analisar o efeito da estrutura rasa de Elysium Planitia nos registos dos sismos marcianos.<\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;lander&#8221; InSight chegou a Marte no dia 26 de novembro de 2018, aterrando na regi\u00e3o de Elysium Planitia. Marte tem sido alvo de muitas miss\u00f5es cient\u00edficas planet\u00e1rias, mas a miss\u00e3o InSight \u00e9 a primeira a medir especificamente a subsuperf\u00edcie usando m\u00e9todos s\u00edsmicos.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/portal.uni-koeln.de\/en\/universitaet\/aktuell\/press-releases\/single-news\/analysis-of-marss-wind-induced-vibrations-sheds-light-on-the-planets-subsurface-properties\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Col\u00f3nia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-021-26957-7\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/www.space.com\/mars-subsurface-map-from-insight-wind-sound\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/insight-has-revealed-what-s-under-the-surface-of-mars-to-a-depth-of-200m\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.engadget.com\/nasa-mars-insight-ambient-noise-subsurface-map-135419222.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">engadget<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/insight\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Elysium_Planitia\" target=\"_blank\">Elysium Planitia (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Amazonian_(Mars)\" target=\"_blank\">Per\u00edodo Amaz\u00f3nico (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hesperian\" target=\"_blank\">Per\u00edodo Hesperiano (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o InSight da NASA est\u00e1 a investigar a geologia de Elysium Planitia, encontrando camadas alternativas de basalto e sedimentos. 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