{"id":4609,"date":"2021-11-09T07:18:28","date_gmt":"2021-11-09T06:18:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4609"},"modified":"2021-11-09T07:18:30","modified_gmt":"2021-11-09T06:18:30","slug":"diga-ola-as-novas-candidatas-a-companheira-no-sistema-algol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/11\/09\/diga-ola-as-novas-candidatas-a-companheira-no-sistema-algol\/","title":{"rendered":"Diga &#8220;Ol\u00e1&#8221; \u00e0s novas candidatas a companheira no sistema Algol"},"content":{"rendered":"\n<p>Um investigador da Universidade de Hels\u00ednquia analisou observa\u00e7\u00f5es do sistema Algol e argumenta que tem muitas companheiras que n\u00e3o foram detetadas em observa\u00e7\u00f5es anteriores. Os resultados foram publicados na revista cient\u00edfica The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>Algol \u00e9 um bin\u00e1rio eclipsante, onde as duas estrelas Algol A e Algol B orbitam um centro de massa comum. O seu per\u00edodo orbital \u00e9 de 2,867 dias (2 dias, 20 horas e 49 minutos). A abreviatura para este sistema bin\u00e1rio \u00e9 Algol AB.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/91\/cc\/nKHoLHfM_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"337\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nKHoLHfM_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4610\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nKHoLHfM_o.jpg 576w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nKHoLHfM_o-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><figcaption>O aspeto de um eclipse no sistema Algol, quando visto de perto. O eclipse prim\u00e1rio (direita) ocorre quando a maior mas mais t\u00e9nue estrela companheira, uma subgigante laranja do tipo K2, eclipsa parcialmente Algol A, uma estrela de sequ\u00eancia principal mais massiva mas mais pequena. Um eclipse secund\u00e1rio mais pequeno (esquerda) \u00e9 observado quando a estrela B passa por tr\u00e1s da estrela prim\u00e1ria.<br>Cr\u00e9dito: Mike Guidry\/Universidade do Tennessee<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os eclipses prim\u00e1rios de Algol ocorrem quando a mais t\u00e9nue Algol B cobre parcialmente Algol A. Estes eclipses prim\u00e1rios duram dez horas e podem ser observados a olho nu. Tanto que o astr\u00f3nomo amador ingl\u00eas John Goodricke determinou, em 1783, o per\u00edodo orbital de Algol a partir de observa\u00e7\u00f5es a olho nu destes eventos. Os eclipses prim\u00e1rios seriam repetidos regularmente exatamente ap\u00f3s 2,867 dias, caso nada perturbasse os movimentos do sistema bin\u00e1rio Algol AB. Todos estes eclipses futuros poderiam ser calculados a partir dos m\u00faltiplos do per\u00edodo constante de 2,867 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de um terceiro membro neste sistema estelar, Algol C, foi confirmada no final da d\u00e9cada de 1950. Algol C e Algol AB orbitam em torno do seu centro de massa comum. Uma &#8220;volta&#8221; leva 1,86 anos. Os movimentos orbitais de Algol C e de Algol AB mudam os tempos dos per\u00edodos. Observamos os eclipses prim\u00e1rios mais cedo quando Algol AB est\u00e1 mais perto de n\u00f3s, e mais tarde quando Algol AB est\u00e1 mais longe de n\u00f3s. Durante cada ciclo de 1,86 anos (aproximadamente 681 dias), Algol C causa os mesmos deslocamentos de tempo regulares positivos e negativos nas \u00e9pocas de eclipse observadas de Algol AB. A diferen\u00e7a destas mudan\u00e7as de tempo \u00e9 de apenas cerca de nove minutos. Devido a estas altera\u00e7\u00f5es, as \u00e9pocas de eclipse observadas (O=observadas) diferem das \u00e9pocas de eclipse de per\u00edodo constante calculadas (C=Calculadas). Estas diferen\u00e7as s\u00e3o chamadas de dados O-C.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/52\/19\/HYrkATau_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/52\/19\/HYrkATau_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A figura mostra:<br>(a) Dados O-C de Algol (c\u00edrculos vermelhos) &#8211; as unidades do eixo do tempo s\u00e3o dias entre novembro de 1782 e outubro de 2018. A linha verde cont\u00ednua mostra o modelo de cinco sinais para os primeiros 226 anos de dados antes da linha vertical pontilhada. Os dados menos as diferen\u00e7as do modelo s\u00e3o deslocados de zero a -0,3 (c\u00edrculos azuis).<br>(b) os \u00faltimos 15 anos de dados O-C &#8211; para l\u00e1 da linha pontilhada vertical come\u00e7a a previs\u00e3o para os \u00faltimos 10 anos (linha verde cont\u00ednua). As linhas verdes pontilhadas mostram os limites de erro de previs\u00e3o. Este teste verifica o qu\u00e3o bem o modelo para os dados dos primeiros 226 anos prev\u00eaem os \u00faltimos 10 anos de dados. A previs\u00e3o \u00e9 excelente.<br>Cr\u00e9dito: Lauri Jetsu, 2021<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Lauri Jetsu, da Universidade de Hels\u00ednquia, analisou os dados O-C de Algol entre novembro de 1782 e outubro de 2018, aplicando um m\u00e9todo que desenvolveu. De nome M\u00e9todo Qui-quadrado Discreto, foi desenhado para detetar sinais peri\u00f3dicos regulares. Estas dete\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem-sucedidas mesmo se os sinais forem sobrepostos numa tend\u00eancia aperi\u00f3dica regular. A partir dos dados O-C de Algol AB, o M\u00e9todo Qui-quadrado Discreto pode detetar os sinais do efeito do tempo de viagem da luz de cinco ou seis candidatas a estrelas companheiras. Os dados O-C por si s\u00f3 n\u00e3o podem ser usados para estabelecer o n\u00famero exato destas candidatas. Uma destas candidatas \u00e9 a &#8220;velha&#8221; companheira conhecida Algol C. Os per\u00edodos orbitais das outras quatro ou cinco &#8220;novas&#8221; candidatas a estrela companheira variam entre 20 e 219 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estas estrelas s\u00e3o candidatas at\u00e9 que novas observa\u00e7\u00f5es confirmem a sua exist\u00eancia,&#8221; diz Jetsu. Ele tamb\u00e9m mostra que os sinais peri\u00f3dicos destas candidatas podem prever as mudan\u00e7as observadas nos dados O-C de Algol.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas porque \u00e9 que estas candidatas n\u00e3o tinham sido detetadas antes? Algol est\u00e1 t\u00e3o perto de n\u00f3s (aproximadamente 90 anos-luz) que podemos ver os seus eclipses a olho nu. Estas novas estrelas candidatas companheiras de Algol estariam literalmente no nosso &#8220;quintal c\u00f3smico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O paradoxo \u00e9 que Algol \u00e9 &#8216;demasiado brilhante'&#8221;, diz Jetsu. Algol pode ocultar estas novas estrelas candidatas companheiras at\u00e9 mesmo dos nossos telesc\u00f3pios espaciais modernos mais poderosos, assim como o nosso Sol pode ocultar todas as outras estrelas durante o dia, diz Jetsu. Ele salienta que, por exemplo, o equipamento de ponta a bordo do sat\u00e9lite Gaia da ESA n\u00e3o conseguiu detetar estas novas candidatas companheiras de Algol. Jetsu argumenta que futuras observa\u00e7\u00f5es interferom\u00e9tricas podem ser usadas para confirmar diretamente a exist\u00eancia de pelo menos algumas destas novas candidatas companheiras de Algol.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.helsinki.fi\/en\/news\/space\/say-hello-algols-new-companion-candidates\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Hels\u00ednquia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac1351\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.13360\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Algol:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Algol\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bin\u00e1rio eclipsante:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Binary_star#Eclipsing_binaries\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um investigador da Universidade de Hels\u00ednquia analisou observa\u00e7\u00f5es do sistema Algol e argumenta que tem muitas companheiras que n\u00e3o foram detetadas em observa\u00e7\u00f5es anteriores. 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