{"id":4599,"date":"2021-11-05T07:23:41","date_gmt":"2021-11-05T06:23:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4599"},"modified":"2021-11-05T07:23:52","modified_gmt":"2021-11-05T06:23:52","slug":"cientistas-do-alma-detetam-sinais-de-agua-numa-galaxia-muito-muito-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/11\/05\/cientistas-do-alma-detetam-sinais-de-agua-numa-galaxia-muito-muito-distante\/","title":{"rendered":"Cientistas do ALMA detetam sinais de \u00e1gua numa gal\u00e1xia muito, muito distante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com novas observa\u00e7\u00f5es do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), foi detetada \u00e1gua na gal\u00e1xia mais massiva do Universo primitivo. Os cientistas que estudavam SPT0311-58 descobriram H2O, juntamente com mon\u00f3xido de carbono na gal\u00e1xia, que est\u00e1 localizada a cerca de 12,88 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. A dete\u00e7\u00e3o destas duas mol\u00e9culas em abund\u00e2ncia sugere que o Universo molecular j\u00e1 era &#8220;forte&#8221; pouco depois dos elementos terem sido forjados nas estrelas primitivas. A nova investiga\u00e7\u00e3o compreende o estudo mais detalhado, at\u00e9 ao momento, do conte\u00fado de g\u00e1s molecular de uma gal\u00e1xia no in\u00edcio do Universo e a dete\u00e7\u00e3o mais distante de H2O numa gal\u00e1xia normal com forma\u00e7\u00e3o estelar. A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_Illustration.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_IllustrationV3-1536x1152-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4600\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_IllustrationV3-1536x1152-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_IllustrationV3-1536x1152-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_IllustrationV3-1536x1152-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_IllustrationV3-1536x1152-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Esta impress\u00e3o de artista mostra o cont\u00ednuo de poeira e as linhas moleculares de mon\u00f3xido de carbono e \u00e1gua vistas no par de gal\u00e1xias conhecido como SPT0311-58. Os dados do ALMA revelam CO e H2O abundantes na maior das duas gal\u00e1xias, indicando que o Universo molecular j\u00e1 era &#8220;forte&#8221; logo depois dos elementos terem sido inicialmente forjados.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/S. Dagnello (NRAO)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SPT0311-58, situada na \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 na verdade composta por duas gal\u00e1xias e foi vista pela primeira vez pelo ALMA em 2017. Esta \u00e9poca situa-se numa altura em que o Universo tinha apenas 780 milh\u00f5es de anos &#8211; cerca de 5% da sua idade atual &#8211; e em que as primeiras estrelas e gal\u00e1xias estavam a nascer. Os cientistas pensam que as duas gal\u00e1xias podem estar a fundir-se e que a sua intensa forma\u00e7\u00e3o estelar n\u00e3o s\u00f3 consome g\u00e1s, o combust\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o estelar, mas que tamb\u00e9m poder\u00e1 eventualmente evoluir o par para gal\u00e1xias el\u00edpticas massivas como aquelas vistas no Universo Local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Usando observa\u00e7\u00f5es ALMA de alta resolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s molecular no par de gal\u00e1xias conhecidas coletivamente como SPT0311-58, detet\u00e1mos mol\u00e9culas de \u00e1gua e de mon\u00f3xido de carbono na maior das duas gal\u00e1xias. O oxig\u00e9nio e o carbono, em particular, s\u00e3o elementos de primeira gera\u00e7\u00e3o e, nas formas moleculares do mon\u00f3xido de carbono e da \u00e1gua, s\u00e3o essenciais para a vida como a conhecemos,&#8221; disse Sreevani Jarugula, astr\u00f3noma da Universidade de Illinois e investigadora principal da nova investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Esta gal\u00e1xia \u00e9 a gal\u00e1xia mais massiva atualmente conhecida com um alto desvio para o vermelho, ou numa \u00e9poca em que o Universo era ainda muito jovem. Tem mais g\u00e1s e poeira em compara\u00e7\u00e3o com outras gal\u00e1xias no Universo primitivo, o que nos d\u00e1 muitas potenciais oportunidades para observar mol\u00e9culas abundantes e para melhor entender como estes elementos criadores da vida impactaram o desenvolvimento do Universo inicial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_Composite.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_Composite-1500x1000.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Estas imagens cient\u00edficas mostram as linhas moleculares e o cont\u00ednuo de poeira visto nas observa\u00e7\u00f5es do ALMA do par de gal\u00e1xias massivas primitivas conhecidas como SPT0311-58. \u00c0 esquerda: uma composi\u00e7\u00e3o combinando o cont\u00ednuo de poeira com linhas moleculares para H2O e CO. \u00c0 direita: O cont\u00ednuo de poeira visto em vermelho (topo), linha molecular para H2O mostrada a azul (2.\u00aa a partir do topo), transi\u00e7\u00f5es de linha molecular para mon\u00f3xido de carbono , CO (6-5) mostrado a roxo (meio), CO (7-6) mostrado a magenta (segundo a partir da parte inferior) e CO (10-9) mostrado a rosa e a azul profundo (parte inferior).<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/S. Dagnello (NRAO)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua, em particular, \u00e9 a terceira mol\u00e9cula mais abundante no Universo depois do hidrog\u00e9nio molecular e do mon\u00f3xido de carbono. Estudos anteriores de gal\u00e1xias no Universo local e no Universo primitivo correlacionaram a emiss\u00e3o de \u00e1gua e a emiss\u00e3o infravermelha da poeira. &#8220;A poeira absorve a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta das estrelas na gal\u00e1xia e reemite-a na forma de fot\u00f5es infravermelhos,&#8221; disse Jarugula. &#8220;Isto excita ainda mais as mol\u00e9culas de \u00e1gua, dando origem \u00e0 emiss\u00e3o de \u00e1gua que os cientistas conseguem observar. Neste caso, ajudou-nos a detetar a emiss\u00e3o de \u00e1gua nesta enorme gal\u00e1xia. Esta correla\u00e7\u00e3o podia ser usada para desenvolver a \u00e1gua como um rastreador da forma\u00e7\u00e3o estelar, que podia ent\u00e3o ser aplicado \u00e0s gal\u00e1xias numa escala cosmol\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo das primeiras gal\u00e1xias formadas no Universo ajuda os cientistas a entender melhor o nascimento, crescimento e evolu\u00e7\u00e3o do Universo e de tudo nele, incluindo o Sistema Solar e a Terra. &#8220;As primeiras gal\u00e1xias est\u00e3o a formar estrelas a um ritmo milhares de vezes maior do que o da Via L\u00e1ctea&#8221;, disse Jarugula. &#8220;O estudo do conte\u00fado de g\u00e1s e poeira destas primeiras gal\u00e1xias informa-nos sobre as suas propriedades, como quantas estrelas est\u00e3o a ser formadas, o ritmo a que o g\u00e1s \u00e9 convertido em estrelas, como as gal\u00e1xias interagem umas com as outras e com o meio interestelar, e muito mais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_animatedcomposite.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/nrao21ao18_Sreevani_FarawayH20_animatedcomposite.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta anima\u00e7\u00e3o move-se atrav\u00e9s do cont\u00ednuo de poeira e das linhas moleculares da \u00e1gua e do mon\u00f3xido de carbono em observa\u00e7\u00f5es ALMA do par de gal\u00e1xias massivas primitivas conhecidas como SPT0311-58. Este &#8220;gif&#8221; come\u00e7a com uma composi\u00e7\u00e3o combinando o cont\u00ednuo de poeira com linhas moleculares para H2O e CO. \u00c9 seguido pelo cont\u00ednuo de poeira visto a vermelho, linhas moleculares para H2O vistas a azul, linhas moleculares para mon\u00f3xido de carbono, CO (10-9) visto a rosa e a azul profundo, CO (7-6) visto a magenta e CO (6-5) visto a roxo.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/S. Dagnello (NRAO)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo como Jarugula, ainda h\u00e1 muito para aprender sobre SPT0311-58 e sobre as gal\u00e1xias do Universo primitivo. &#8220;Este estudo n\u00e3o s\u00f3 fornece respostas sobre onde e a que dist\u00e2ncia a \u00e1gua pode existir no Universo, mas tamb\u00e9m deu origem a uma grande quest\u00e3o: como \u00e9 que tanto g\u00e1s e poeira se juntaram para formar estrelas e gal\u00e1xias t\u00e3o cedo no Universo? A resposta requer um estudo mais aprofundado destas e de outras gal\u00e1xias formadoras de estrelas semelhantes a fim de obter uma melhor compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o estrutural do Universo primitivo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado empolgante, que mostra o poder do ALMA, contribui para uma cole\u00e7\u00e3o crescente de observa\u00e7\u00f5es do in\u00edcio do Universo,&#8221; disse Joe Pesce, astrof\u00edsico e Diretor do Programa ALMA da NSF (National Science Foundation). &#8220;Estas mol\u00e9culas, importantes para a vida na Terra, est\u00e3o a formar-se assim que podem, e a sua observa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a dar-nos uma vis\u00e3o sobre os processos fundamentais de um universo muito diferente do de hoje.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-scientists-detect-signs-of-water-in-a-galaxy-far-far-away\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/alma-scientists-detect-signs-of-water-in-a-galaxy-far-far-away\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2108.11319\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_formation_and_evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Reionization\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com novas observa\u00e7\u00f5es do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), foi detetada \u00e1gua na gal\u00e1xia mais massiva do Universo primitivo. 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