{"id":4593,"date":"2021-11-05T07:17:17","date_gmt":"2021-11-05T06:17:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4593"},"modified":"2021-11-05T07:17:28","modified_gmt":"2021-11-05T06:17:28","slug":"recuo-gravitacional-pode-explicar-forma-estranha-no-centro-de-andromeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/11\/05\/recuo-gravitacional-pode-explicar-forma-estranha-no-centro-de-andromeda\/","title":{"rendered":"&#8220;Recuo&#8221; gravitacional pode explicar forma estranha no centro de Andr\u00f3meda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando duas gal\u00e1xias colidem, os buracos negros supermassivos nos seus n\u00facleos libertam um devastador &#8220;recuo&#8221; gravitacional, semelhante ao de uma arma quando disparada. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o sugere que este recuo pode ser t\u00e3o poderoso que pode lan\u00e7ar milh\u00f5es de estrelas para \u00f3rbitas inst\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o, publicada dia 29 de outubro na revista The Astrophysical Journal Letters, ajuda a resolver um mist\u00e9rio de d\u00e9cadas em torno de um enxame estelar com uma forma estranha no cora\u00e7\u00e3o da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda. Tamb\u00e9m pode ajudar os investigadores a melhor entender o processo de como as gal\u00e1xias crescem alimentando-se umas das outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando os cientistas olharam pela primeira vez para Andr\u00f3meda, esperavam ver um buraco negro supermassivo rodeado por um enxame de estrelas relativamente sim\u00e9trico,&#8221; disse Ann-Marie Madigan do JILA (Joint Institute for Laboratory Astrophysics), um instituto de pesquisa conjunto da Universidade do Colorado em Boulder e do NIST (National Institute of Standards and Technology). &#8220;Ao inv\u00e9s, encontraram esta massa enorme e alongada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/427020main_pia12832-c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"462\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/fNXbjX3d_o-1024x462.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4594\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/fNXbjX3d_o-1024x462.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/fNXbjX3d_o-300x135.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/fNXbjX3d_o-768x347.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/fNXbjX3d_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda vista pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/UCLA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, ela e colegas pensam ter uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1970, os cientistas lan\u00e7aram bal\u00f5es para o alto da atmosfera da Terra a fim de observar Andr\u00f3meda no ultravioleta, a grande gal\u00e1xia mais pr\u00f3xima da Via L\u00e1ctea. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble avan\u00e7ou estas observa\u00e7\u00f5es iniciais na d\u00e9cada de 1990 e forneceu uma descoberta surpreendente: tal como a nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia, Andr\u00f3meda tem a forma de uma espiral gigante. Mas a \u00e1rea rica em estrelas, perto do centro dessa espiral, n\u00e3o tem o aspeto que devia ter &#8211; as \u00f3rbitas destas estrelas assumem uma estranha forma oval, como se algu\u00e9m as tivesse esticado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ningu\u00e9m sabia porqu\u00ea, comentou Madigan, que tamb\u00e9m \u00e9 professora assistente de astrof\u00edsica. Os cientistas chamam ao padr\u00e3o &#8220;disco nuclear exc\u00eantrico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No novo estudo, a equipa usou simula\u00e7\u00f5es de computador para rastrear o que acontece quando dois buracos negros supermassivos colidem &#8211; Andr\u00f3meda provavelmente foi formada durante uma fus\u00e3o semelhante h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Com base nos c\u00e1lculos da equipa, a for\u00e7a gerada por tal fus\u00e3o poderia curvar e puxar as \u00f3rbitas das estrelas perto de um centro gal\u00e1ctico, criando aquele padr\u00e3o alongado e revelador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando as gal\u00e1xias se fundem, os seus buracos negros supermassivos juntam-se e eventualmente tornam-se num \u00fanico buraco negro,&#8221; disse Tatsuya Akiba, autor principal do estudo e estudante de astrof\u00edsica. &#8220;Quer\u00edamos saber: quais s\u00e3o as consequ\u00eancias disso?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Curvando o espa\u00e7o e o tempo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescentou que as descobertas da equipa ajudam a revelar algumas das for\u00e7as que podem estar a impulsionar a diversidade das estimadas duas bili\u00f5es de gal\u00e1xias no Universo atual &#8211; algumas das quais se parecem muito com a nossa espiral, enquanto outras se parecem mais com bolas de r\u00e2guebi ou bolhas irregulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As fus\u00f5es podem desempenhar um papel importante na forma\u00e7\u00e3o destas massas de estrelas: quando as gal\u00e1xias colidem, disse Akiba, os buracos negros nos centros podem come\u00e7ar a girar uns em torno dos outros, movendo-se cada vez mais r\u00e1pido at\u00e9 que finalmente chocam. No processo, libertam enormes pulsos de &#8220;ondas gravitacionais&#8221;, ou ondula\u00e7\u00f5es literais na estrutura do espa\u00e7o e do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essas ondas gravitacionais transportam momento para longe do buraco negro remanescente e obtemos um recuo, como o de uma arma,&#8221; disse Akiba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele e Madigan queriam saber o que tal recuo poderia fazer \u00e0s estrelas at\u00e9 1 parsec, cerca de 3,26 anos-luz, do centro de uma gal\u00e1xia. Andr\u00f3meda, que pode ser vista da Terra a olho nu, estende-se por dezenas de milhares de parsecs de ponta a ponta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo fica bem selvagem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/0f\/fa\/YsGmtsKO_o.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/0f\/fa\/YsGmtsKO_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Gr\u00e1fico que mostra a \u00f3rbita de estrelas em torno de um buraco negro supermassivo antes (esquerda) e depois (direita) de um &#8220;recuo&#8221; gravitacional.<br>Cr\u00e9dito: Steven Burrows\/JILA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Recuo gal\u00e1ctico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dupla usou computadores para construir modelos de centros gal\u00e1cticos falsos contendo centenas de estrelas &#8211; e depois simulou o recuo das ondas gravitacionais provenientes da forma\u00e7\u00e3o do novo buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madigan explicou que as ondas gravitacionais produzidas por este tipo de colis\u00e3o desastrosa n\u00e3o afetam as estrelas de uma gal\u00e1xia diretamente. Mas o recuo impulsiona o buraco negro supermassivo remanescente atrav\u00e9s do espa\u00e7o &#8211; a velocidades que podem chegar a milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora, nada mau para um corpo com uma massa milh\u00f5es ou milhares de milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um buraco negro que come\u00e7a a mover-se a centenas de milhares de quil\u00f3metros por segundo pode efetivamente escapar da gal\u00e1xia onde vive,&#8221; disse Madigan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, quando os buracos negros n\u00e3o escapam, a equipa descobriu que podem puxar as \u00f3rbitas das estrelas nas proximidades, fazendo com que sejam esticadas. O resultado acaba sendo muito semelhante \u00e0 forma que os cientistas veem no centro de Andr\u00f3meda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madiga e Akiba disseram que querem ampliar as simula\u00e7\u00f5es para que possam comparar diretamente os resultados de computador com o n\u00facleo verdadeiro da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda &#8211; que cont\u00e9m muitas vezes mais estrelas. Real\u00e7aram que as suas descobertas tamb\u00e9m podem ajudar os cientistas a entender os acontecimentos invulgares em torno de outros objetos no Universo, como planetas em \u00f3rbita de corpos misteriosos chamados estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta ideia &#8211; a de se estivermos em \u00f3rbita de um objeto central e esse objeto sair disparado de repente &#8211; pode ser diminu\u00eddo para examinar muitos sistemas diferentes,&#8221; disse Madigan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2021\/11\/02\/gravitational-kick-may-explain-strange-shape-center-andromeda\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac30d9\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2110.10163\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais &#8211; Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Detetores: como funcionam &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As fontes de ondas gravitacionais &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (M31):<br><\/strong><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m031.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Andromeda_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando duas gal\u00e1xias colidem, os buracos negros supermassivos nos seus n\u00facleos libertam um devastador &#8220;recuo&#8221; gravitacional, semelhante ao de uma arma quando disparada. 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