{"id":4587,"date":"2021-11-02T07:45:32","date_gmt":"2021-11-02T06:45:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4587"},"modified":"2021-11-02T07:45:33","modified_gmt":"2021-11-02T06:45:33","slug":"como-encontrar-oceanos-ocultos-em-mundos-distantes-use-se-a-quimica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/11\/02\/como-encontrar-oceanos-ocultos-em-mundos-distantes-use-se-a-quimica\/","title":{"rendered":"Como encontrar oceanos ocultos em mundos distantes? Use-se a qu\u00edmica"},"content":{"rendered":"\n<p>Um novo estudo mostra como as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas na atmosfera de um exoplaneta podem, em alguns casos, revelar se a temperatura \u00e0 sua superf\u00edcie \u00e9 demasiado alta para \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso Sistema Solar, os planetas ou s\u00e3o pequenos e rochosos (como a Terra) ou grandes e gasosos (como Neptuno). Mas, em torno de outras estrelas, os astr\u00f3nomos encontraram planetas que se situam no meio &#8211; mundos ligeiramente maiores do que a Terra, mas mais pequenos do que Neptuno. Estes planetas podem ter superf\u00edcies rochosas ou oceanos de \u00e1gua l\u00edquida, mas a maioria provavelmente ter\u00e1 atmosferas muitas vezes mais espessas que a da Terra e opacas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/d2pn8kiwq2w21t.cloudfront.net\/original_images\/1-subneptune-planet-web.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/gj76zq3L_o-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4588\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/gj76zq3L_o-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/gj76zq3L_o-300x180.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/gj76zq3L_o-768x461.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/gj76zq3L_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Planetas que t\u00eam entre 1,7 e 3,5 vezes o di\u00e2metro da Terra s\u00e3o por vezes chamados &#8220;sub-Neptunos&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 planetas deste g\u00e9nero no nosso Sistema Solar, mas os cientistas pensam que muitos sub-Neptunos t\u00eam espessas atmsoferas, potencialmente escondendo superf\u00edcies rochosas ou oceanos l\u00edquidos.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No novo estudo, aceite na revista The Astrophysical Journal Letters, investigadores mostram como a qu\u00edmica dessas atmosferas pode revelar pistas sobre o que est\u00e1 por baixo &#8211; especificamente, que planetas s\u00e3o quentes demais para suportar oceanos de \u00e1gua l\u00edquida. Visto que a \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 um ingrediente necess\u00e1rio para a vida como a conhecemos, esta t\u00e9cnica pode ajudar os cientistas a restringir a sua busca por exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis, ou planetas para l\u00e1 do Sistema Solar. J\u00e1 foram confirmados mais de 4500 exoplanetas na nossa Gal\u00e1xia, com mais de 7700 candidatos ainda \u00e0 espera de confirma\u00e7\u00e3o, mas os cientistas estimam que existam centenas de milhares de milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns telesc\u00f3pios espaciais equipados com espectr\u00f3metros podem revelar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da atmosfera de um exoplaneta. Um perfil qu\u00edmico da Terra n\u00e3o seria capaz de revelar fotos de, digamos, vacas ou humanos \u00e0 superf\u00edcie do planeta, mas mostraria di\u00f3xido de carbono e metano produzidos por mam\u00edferos e oxig\u00e9nio produzido por \u00e1rvores. Nenhum destes elementos qu\u00edmicos, por si s\u00f3, seria um sinal de vida, mas em combina\u00e7\u00e3o apontariam para a possibilidade de que o nosso planeta seria habitado.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo artigo cient\u00edfico mostra que elementos qu\u00edmicos podem apontar para oceanos ocultos em exoplanetas entre 1,7 e 3,5 vezes o di\u00e2metro da Terra. Dado que Neptuno tem aproximadamente 4 vezes o di\u00e2metro da Terra, estes planetas s\u00e3o \u00e0s vezes chamados &#8220;sub-Neptunos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma espessa atmosfera num sub-Neptuno reteria o calor \u00e0 superf\u00edcie e aumentaria a temperatura. Se a atmosfera atingir um certo limite &#8211; normalmente cerca de 770\u00ba C &#8211; passar\u00e1 por um processo chamado equil\u00edbrio termoqu\u00edmico que muda o seu perfil qu\u00edmico. Depois do equil\u00edbrio termoqu\u00edmico ocorrer &#8211; e assumindo que a atmosfera do planeta \u00e9 composta principalmente de hidrog\u00e9nio, o que \u00e9 t\u00edpico para exoplanetas gasosos &#8211; o carbono e o azoto estar\u00e3o predominantemente na forma de metano e am\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas estariam em grande parte em falta numa atmosfera mais fria e fina, onde o equil\u00edbrio termoqu\u00edmico n\u00e3o ocorreu. Nesse caso, as formas dominantes de carbono e azoto seriam o di\u00f3xido de carbono e mol\u00e9culas com dois \u00e1tomos de azoto.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, um oceano de \u00e1gua l\u00edquida sob a atmosfera deixaria sinais adicionais, incluindo a aus\u00eancia quase total de am\u00f3nia, que seria dissolvida no oceano. O g\u00e1s am\u00f3nia \u00e9 altamente sol\u00favel em \u00e1gua, dependendo do pH do oceano (o seu n\u00edvel de acidez). Os investigadores descobriram que, ao longo de uma ampla gama de n\u00edveis plaus\u00edveis de pH oce\u00e2nico, a atmosfera deveria estar virtualmente livre de am\u00f3nia quando h\u00e1 um enorme oceano por baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, haveria mais di\u00f3xido de carbono do que mon\u00f3xido de carbono na atmosfera; em contraste, ap\u00f3s o equil\u00edbrio termoqu\u00edmico, deveria haver mais mon\u00f3xido de carbono do que di\u00f3xido de carbono, a haver quantidades detet\u00e1veis de qualquer um destes compostos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se virmos as assinaturas do equil\u00edbrio termodin\u00e2mico, vamos concluir que o planeta \u00e9 demasiado quente para ser habit\u00e1vel,&#8221; disse Renyu Hu, investigador no JPL da NASA, que liderou o estudo. &#8220;E vice-versa, se n\u00e3o virmos a assinatura do equil\u00edbrio termoqu\u00edmico e virmos tamb\u00e9m as assinaturas do g\u00e1s dissolvido num oceano de \u00e1gua l\u00edquida, vamos consider\u00e1-las como um forte ind\u00edcio de habitabilidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, com lan\u00e7amento previsto para o dia 18 de dezembro, vai transportar um espectr\u00f3metro capaz de estudar as atmosferas exoplanet\u00e1rias. Cientistas como Hu est\u00e3o a trabalhar para prever que tipos de perfis qu\u00edmicos o Webb conseguir\u00e1 ver nestas atmosferas e o que podem revelar sobre estes mundos distantes. O observat\u00f3rio tem capacidade para identificar sinais de equil\u00edbrio termoqu\u00edmico nas atmosferas dos sub-Neptunos &#8211; por outras palavras, sinais de um oceano escondido &#8211; conforme identificado no artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que o Webb descobrir novos planetas ou fizer estudos mais aprofundados de planetas conhecidos, esta informa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ajudar os cientistas a decidir quais s\u00e3o dignos de observa\u00e7\u00f5es adicionais, especialmente se os cientistas querem ter como alvo planetas que possam abrigar vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o temos evid\u00eancias observacionais diretas que digam quais as caracter\u00edsticas f\u00edsicas comuns dos sub-Neptunos,&#8221; disse Hu. &#8220;Muitos deles podem ter atmosferas massivas de hidrog\u00e9nio, mas alguns ainda podem ser &#8216;planetas oce\u00e2nicos&#8217;. Espero que este artigo cient\u00edfico motive muitas mais observa\u00e7\u00f5es para, num futuro pr\u00f3ximo, as descobrir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Exoplanet Types: Worlds Beyond Our Solar System\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k1UcseLVNVc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/how-to-find-hidden-oceans-on-distant-worlds-use-chemistry\" target=\"_blank\">\/\/ JPL\/NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac1f92\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2108.04745\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sub-Neptuno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sub-Neptune\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo mostra como as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas na atmosfera de um exoplaneta podem, em alguns casos, revelar se a temperatura \u00e0 sua superf\u00edcie \u00e9 demasiado alta para \u00e1gua l\u00edquida. 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