{"id":4575,"date":"2021-10-29T06:12:22","date_gmt":"2021-10-29T05:12:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4575"},"modified":"2021-10-29T06:12:32","modified_gmt":"2021-10-29T05:12:32","slug":"amadores-ajudam-a-descoberta-de-um-disco-deformado-em-torno-de-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/10\/29\/amadores-ajudam-a-descoberta-de-um-disco-deformado-em-torno-de-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Amadores ajudam \u00e0 descoberta de um disco deformado em torno de um buraco negro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astrof\u00edsicos da \u00c1frica do Sul, Reino Unido, Fran\u00e7a e Estados Unidos encontrou grandes varia\u00e7\u00f5es no brilho da luz vista em torno de um dos buracos negros mais pr\u00f3ximos na nossa Gal\u00e1xia, a 9600 anos-luz da Terra, que eles concluem serem provocadas por uma curvatura no seu disco de acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este objeto, MAXI J1820+070, entrou em erup\u00e7\u00e3o como um novo transiente em mar\u00e7o de 2018 e foi descoberto por um telesc\u00f3pio de raios-X japon\u00eas a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Estes transientes, sistemas que exibem surtos violentos, s\u00e3o sistemas bin\u00e1rios, consistindo de uma estrela de baixa massa, semelhante ao nosso Sol e um objeto muito mais compacto, que pode ser uma an\u00e3 branca, uma estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro. Neste caso, MAXI J820+070 cont\u00e9m um buraco negro com pelo menos 8 vezes a massa do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/75\/01\/zmsr4CiO_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"297\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/zmsr4CiO_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4576\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/zmsr4CiO_o.jpg 480w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/zmsr4CiO_o-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><figcaption>Um buraco negro com um disco de acre\u00e7\u00e3o deformado.<br>Cr\u00e9dito: John Paice<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras descobertas foram agora aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista internacional altamente conceituada, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, cujo autor \u00e9 o Dr. Jessymol Thomas, do SSAO (South African Astronomical Observatory).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta apresentada no artigo foi feita a partir de uma extensa e detalhada curva de luz obtida ao longo de quase um ano por dedicados amadores espalhados pelo planeta que fazem parte da AAVSO (American Association of Variable Star Observers). MAXI J1820+070 \u00e9 um dos tr\u00eas transientes de raios-X mais brilhantes j\u00e1 observados, uma consequ\u00eancia tanto da sua proximidade com a Terra quanto de n\u00e3o se situar no plano obscuro da nossa Via L\u00e1ctea. Por ter permanecido brilhante durante muitos meses, isto possibilitou ser seguido por muitos astr\u00f3nomos amadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Phil Charles, investigador da Universidade de Southampton e membro da equipa de investiga\u00e7\u00e3o, explicou: &#8220;o material da estrela normal \u00e9 puxado pelo objeto compacto para o disco de acre\u00e7\u00e3o circundante de g\u00e1s em espiral. Os surtos violentos ocorrem quando o material no disco se torna quente e inst\u00e1vel, \u00e9 acumulado no buraco negro e liberta grandes quantidades de energia antes de atravessar o horizonte de eventos. Este processo \u00e9 ca\u00f3tico e altamente vari\u00e1vel, variando em escalas de tempo de milissegundos a meses.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o produziu uma visualiza\u00e7\u00e3o do sistema, mostrando como um enorme fluxo de raios-X \u00e9 emanado de muito perto do buraco negro e depois irradia a mat\u00e9ria circundante, especialmente o disco de acre\u00e7\u00e3o, aquecendo-o a cerca de 10.000 K, que \u00e9 visto no vis\u00edvel. \u00c9 por isso que, \u00e0 medida que a explos\u00e3o de raios-X diminui, o mesmo ocorre com a luz \u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas algo inesperado aconteceu quase tr\u00eas meses ap\u00f3s o in\u00edcio do surto, quando a curva de luz \u00f3tica come\u00e7ou uma grande modula\u00e7\u00e3o &#8211; um pouco como rodar um variador de luz para cima e para baixo e quase dobrar o brilho no pico &#8211; ao longo de um per\u00edodo de aproximadamente 17 horas. No entanto, n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de raios-X, que permanecia est\u00e1vel. Embora pequenas modula\u00e7\u00f5es vis\u00edveis quase peri\u00f3dicas tenham sido vistas no passado durante outras explos\u00f5es transit\u00f3rias de raios-X, nada a esta escala tinha sido visto antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que estava a provocar este comportamento extraordin\u00e1rio? &#8220;Com o \u00e2ngulo de vis\u00e3o do sistema, pudemos rapidamente descartar a explica\u00e7\u00e3o normal de que os raios-X estavam a iluminar a face interna da estrela dadora porque o brilho estava a ocorrer \u00e0 altura errada,&#8221; disse o professor Charles. Nem podia ser devido \u00e0 varia\u00e7\u00e3o da luz de onde o fluxo de transfer\u00eancia de massa atinge o disco \u00e0 medida que a modula\u00e7\u00e3o gradualmente se movia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto deixava apenas uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, o enorme fluxo de raios-X irradiava o disco e fazia-o deformar, como mostra a imagem. A distor\u00e7\u00e3o fornece um grande aumento na \u00e1rea do disco que pode ser iluminado, fazendo com que o fluxo de luz \u00f3tica aumente dramaticamente quando vista no momento certo. Este comportamento j\u00e1 tinha sido visto em bin\u00e1rios de raios-X com dadores mais massivos, mas nunca num buraco negro transiente com um dador de baixa massa como este. Abre um caminho completamente novo para estudar a estrutura e as propriedades dos discos de acre\u00e7\u00e3o deformados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Charles continuou: &#8220;Este objeto tem propriedades not\u00e1veis entre um grupo j\u00e1 interessante de objetos que t\u00eam muito para nos ensinar sobre os pontos finais da evolu\u00e7\u00e3o estelar e sobre a forma\u00e7\u00e3o de objetos compactos. J\u00e1 conhecemos algumas dezenas de sistemas bin\u00e1rios com buracos negros na nossa Gal\u00e1xia, todos com massas na gama de 5 a 15 massas solares. Todos eles crescem pela acre\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria que testemunh\u00e1mos de forma t\u00e3o espetacular aqui.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo in\u00edcio h\u00e1 cerca de 5 anos, um importante programa cient\u00edfico do SALT (Southern African Large Telescope) para estudar objetos transientes fez uma s\u00e9rie de importantes observa\u00e7\u00f5es de bin\u00e1rios compactos, incluindo sistemas com buracos negros como MAXI J1820+070. Como investigador principal deste programa, o Dr. David Buckley afirma: &#8220;O SALT \u00e9 uma ferramenta perfeita para estudar a mudan\u00e7a de comportamento destes bin\u00e1rios de raios-X durante as suas explos\u00f5es, que pode monitorizar regularmente durante per\u00edodos de semanas a meses e pode ser coordenado com observa\u00e7\u00f5es de outros telesc\u00f3pios, incluindo aqueles no espa\u00e7o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.southampton.ac.uk\/news\/2021\/10\/blackhole-warped-disc.page\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/mnras\/stab3033\/6410674?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2108.05447\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bin\u00e1rio de raios-X de baixa massa:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/X-ray_binary#Low-mass_X-ray_binary\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro de massa estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NICER:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/nicer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_Star_Interior_Composition_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Columbus\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/station\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/International_Space_Station\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SALT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.salt.ac.za\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Southern_African_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astrof\u00edsicos da \u00c1frica do Sul, Reino Unido, Fran\u00e7a e Estados Unidos encontrou grandes varia\u00e7\u00f5es no brilho da luz vista em torno de um dos buracos negros mais pr\u00f3ximos na nossa Gal\u00e1xia, a 9600 anos-luz da Terra, que eles concluem serem provocadas por uma curvatura no seu disco de acre\u00e7\u00e3o. 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