{"id":4559,"date":"2021-10-22T06:45:13","date_gmt":"2021-10-22T05:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4559"},"modified":"2021-10-22T06:45:15","modified_gmt":"2021-10-22T05:45:15","slug":"memorias-vulcanicas-buracos-negros-dao-forma-a-bolhas-aneis-e-filamentos-de-fumo-intergalactico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/10\/22\/memorias-vulcanicas-buracos-negros-dao-forma-a-bolhas-aneis-e-filamentos-de-fumo-intergalactico\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias &#8220;vulc\u00e2nicas&#8221;: buracos negros d\u00e3o forma a bolhas, an\u00e9is e filamentos de &#8220;fumo intergal\u00e1ctico&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores, incluindo acad\u00e9micos da Universidade de Bolonha e do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica), observou pela primeira vez a evolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s quente proveniente de um buraco negro ativo. Eles foram capazes de olhar para estas estruturas, bastante parecidas aos fluxos de gases produzidos por erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, com detalhes sem precedentes e numa escala de tempo de cem milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu estudo, publicado na revista Nature Astronomy, focou-se no sistema Nest200047 &#8211; um grupo de aproximadamente 20 gal\u00e1xias a aproximadamente 200 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia. A gal\u00e1xia central deste sistema abriga um buraco negro ativo em torno do qual os investigadores observaram muitos pares de bolhas de g\u00e1s com idades variadas, alguns filamentos desconhecidos de campos magn\u00e9ticos e part\u00edculas relativ\u00edsticas na relatividade especial t\u00e3o grandes quanto centenas de milhares de anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"428\" height=\"427\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dc1rZsvo_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4560\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dc1rZsvo_o.png 428w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dc1rZsvo_o-300x300.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dc1rZsvo_o-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><figcaption>G\u00e1s quente oriundo do buraco negro supermassivo no centro do sistema Nest200047.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Bolonha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas observa\u00e7\u00f5es foram poss\u00edveis gra\u00e7as ao LOFAR (LOw Frequency ARray), o maior radiotelesc\u00f3pio de baixa frequ\u00eancia do mundo. O LOFAR consegue intercetar a radia\u00e7\u00e3o produzida pelos eletr\u00f5es mais antigos atualmente detet\u00e1veis. Esta ferramenta de ponta decorre do grande esfor\u00e7o de nove pa\u00edses europeus e permitiu aos investigadores &#8220;voltar no tempo&#8221; a mais de 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s e reconstituir a atividade do buraco negro situado no centro de Nest200047.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa investiga\u00e7\u00e3o mostra como estas bolhas de g\u00e1s aceleradas pelo buraco negro est\u00e3o a expandir-se e transformar-se ao longo do tempo. De facto, criam estruturas espetaculares em forma de cogumelo, an\u00e9is e filamentos semelhantes aos originados de uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica no planeta Terra,&#8221; afirma Marisa Brienza, autora principal do estudo e investigadora do Departamento de F\u00edsica e Astronomia &#8220;Augusto Righi&#8221; da Universidade de Bolonha e membro do INAF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bolhas feitas de part\u00edculas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No centro de cada gal\u00e1xia situa-se um buraco negro supermassivo (com uma massa equivalente a v\u00e1rios milh\u00f5es de s\u00f3is). A atividade de tal buraco negro impacta crucialmente a evolu\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia e do ambiente intergal\u00e1ctico que o hospeda. Durante anos, os investigadores v\u00eam tentando descobrir como e a que ritmo a a\u00e7\u00e3o destes buracos negros produz esses efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando ativos, os buracos negros consomem tudo o que os rodeia e, nesse processo, libertam enormes quantidades de energia. \u00c0s vezes, esta energia chega na forma de fluxos de part\u00edculas que se movem perto da velocidade da luz e que produzem ondas de r\u00e1dio. Por sua vez, estes fluxos geram bolhas de part\u00edculas e campos magn\u00e9ticos que, por um processo de expans\u00e3o, podem aquecer e movimentar o meio intergal\u00e1ctico que os cerca. Isto tem imensa influ\u00eancia na evolu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio meio intergal\u00e1ctico e, consequentemente, nas taxas de forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este estudo prop\u00f5e que os buracos negros ativos t\u00eam efeitos em escalas que s\u00e3o at\u00e9 100 vezes maiores do que a gal\u00e1xia hospedeira e que esse impacto dura at\u00e9 centenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O LOFAR deu-nos uma vis\u00e3o \u00fanica da atividade dos buracos negros e dos seus efeitos no meio envolvente&#8221;, explica Annalisa Bonafede, uma das autoras do estudo, professora da Universidade de Bolonha bem como membro do INAF. &#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es de Nest200047 mostram de maneira crucial como os campos magn\u00e9ticos e as part\u00edculas muito antigas aceleradas por buracos negros e, consequentemente, envelhecidas, desempenham um papel central na transfer\u00eancia de energia para as regi\u00f5es externas dos grupos de gal\u00e1xias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para este estudo, os investigadores tamb\u00e9m exploraram observa\u00e7\u00f5es em raios-X, obtidas usando o telesc\u00f3pio eROSITA a bordo do telesc\u00f3pio espacial SRG. Os dados de raios-X permitiram aos investigadores estudar melhor as caracter\u00edsticas do meio intergal\u00e1ctico em torno das bolhas de g\u00e1s emissoras de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bb\/69\/fa4mEbYR_o.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bb\/69\/fa4mEbYR_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A evolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s quente oriundo de um buraco negro ativo.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Bolonha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Filamentos de g\u00e1s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas observa\u00e7\u00f5es trouxeram outras descobertas inesperadas: filamentos finos de g\u00e1s com at\u00e9 um milh\u00e3o de anos-luz feitos de part\u00edculas que se movem aproximadamente \u00e0 velocidade da luz e campos magn\u00e9ticos. Segundo os cientistas, estes filamentos s\u00e3o os remanescentes das bolhas que o buraco negro Nest200047 produziu h\u00e1 centenas de milh\u00f5es de anos e que agora est\u00e3o a fragmentar-se e a misturar-se com o meio intergal\u00e1ctico. Pensa-se que o estudo destas estruturas levar\u00e1 \u00e0 descoberta de novas e importantes informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas f\u00edsicas da mat\u00e9ria intergal\u00e1ctica e do mecanismo f\u00edsico que regula a transfer\u00eancia de energia entre as bolhas e o ambiente externo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No futuro, seremos capazes de estudar os efeitos dos buracos negros nas gal\u00e1xias e no meio intergal\u00e1ctico com detalhes ainda maiores. Eventualmente, seremos capazes de desvendar a natureza dos filamentos que descobrimos gra\u00e7as \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o angular do LOFAR em combina\u00e7\u00e3o com os dados das esta\u00e7\u00f5es internacionais do LOFAR&#8221;, acrescenta Gianfranco Brunetti, coautor do estudo bem como astrof\u00edsico do INAF de Bolonha e coordenador italiano do cons\u00f3rcio LOFAR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/magazine.unibo.it\/archivio\/2021\/volcanic-memories-black-holes-give-shape-to-bubbles-rings-and-intergalactic-smoke-filaments\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/magazine.unibo.it\/archivio\/2021\/volcanic-memories-black-holes-give-shape-to-bubbles-rings-and-intergalactic-smoke-filaments\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Bolonha (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.astron.nl\/volcanic-activity-in-black-holes-blows-monumental-bubbles-spanning-hundreds-of-thousands-of-light-years\/\" target=\"_blank\">\/\/ ASTRON (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.universiteitleiden.nl\/en\/news\/2021\/10\/volcanic-activity-in-black-holes-blows-monumental-bubbles-of-hundreds-of-thousands-of-light-years\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01491-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2110.09189\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/931754\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astrophysics\/active-black-hole-intergalactic-smoke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-10-volcanic-memories-black-holes-intergalactic.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/buracos-negros-fumo-intergalactico-439052\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZAP.aeiou<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LOFAR:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lofar.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Low-Frequency_Array_(LOFAR)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>eROSITA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/eROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/EROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investigadores, incluindo acad\u00e9micos da Universidade de Bolonha e do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica), observou pela primeira vez a evolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s quente proveniente de um buraco negro ativo. Eles foram capazes de olhar para estas estruturas, bastante parecidas aos fluxos de gases produzidos por erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, com detalhes sem precedentes &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4560,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,1],"tags":[192,749,225,1187],"class_list":["post-4559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-telescopios-profissionais","tag-buraco-negro","tag-erosita","tag-lofar","tag-nest200047"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4559"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4561,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559\/revisions\/4561"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}