{"id":4549,"date":"2021-10-19T15:17:29","date_gmt":"2021-10-19T14:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4549"},"modified":"2021-10-19T15:17:30","modified_gmt":"2021-10-19T14:17:30","slug":"cientistas-encontram-evidencias-de-que-o-inicio-do-sistema-solar-abrigava-uma-lacuna-entre-as-regioes-interna-e-externa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/10\/19\/cientistas-encontram-evidencias-de-que-o-inicio-do-sistema-solar-abrigava-uma-lacuna-entre-as-regioes-interna-e-externa\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram evid\u00eancias de que o in\u00edcio do Sistema Solar abrigava uma lacuna entre as regi\u00f5es interna e externa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do Sistema Solar, um &#8220;disco protoplanet\u00e1rio&#8221; de poeira e g\u00e1s girou em torno do Sol e eventualmente coalesceu nos planetas que conhecemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova an\u00e1lise de meteoritos por cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e de outras institui\u00e7\u00f5es sugere que existia uma lacuna misteriosa dentro deste disco h\u00e1 cerca de 4,567 mil milh\u00f5es de anos, perto do local onde a cintura de asteroides reside hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da equipa, publicados na revista Science Advances, fornecem evid\u00eancias diretas desta lacuna.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/53\/ad\/Vto7etWN_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Vto7etWN_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4550\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Vto7etWN_o.jpg 900w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Vto7etWN_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Vto7etWN_o-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><figcaption>Um estudo sugere que uma lacuna misteriosa existia no disco protoplanet\u00e1rio do Sistema Solar h\u00e1 cerca de 4,567 mil milh\u00f5es de anos, e provavelmente moldou a composi\u00e7\u00e3o dos planetas. Esta imagem mostra uma interpreta\u00e7\u00e3o de artista de um disco protoplanet\u00e1rio.<br>Cr\u00e9dito: NSF, A. Khan<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, observa\u00e7\u00f5es t\u00eam mostrado que cavidades, lacunas e an\u00e9is s\u00e3o comuns em discos em torno de outras estrelas jovens,&#8221; diz Benjamin Weiss, professor de ci\u00eancias planet\u00e1rias no Departamento EAPS (Earth, Atmospheric and Planetary Sciences) do MIT. &#8220;Estas s\u00e3o assinaturas importantes, mas mal compreendidas, dos processos f\u00edsicos pelos quais o g\u00e1s e a poeira se transformam no jovem Sol e nos planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, a causa de tal lacuna no nosso pr\u00f3prio Sistema permanece um mist\u00e9rio. Uma possibilidade \u00e9 que J\u00fapiter possa ter sido uma influ\u00eancia. \u00c0 medida que o gigante gasoso tomava forma, a sua imensa atra\u00e7\u00e3o gravitacional pode ter empurrado o g\u00e1s e a poeira para os arredores, deixando para tr\u00e1s uma lacuna no disco em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra explica\u00e7\u00e3o pode ter a ver com ventos que emergiam da superf\u00edcie do disco. Os sistemas planet\u00e1rios jovens s\u00e3o governados por fortes campos magn\u00e9ticos. Quando estes campos interagem com um disco girat\u00f3rio de g\u00e1s e poeira, podem produzir ventos poderosos o suficiente para soprar o material, deixando para tr\u00e1s uma lacuna no disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Independentemente das suas origens, uma lacuna no in\u00edcio do Sistema Solar provavelmente serviu como uma fronteira c\u00f3smica, impedindo que o material de ambos os lados interagisse. Esta separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica pode ter moldado a composi\u00e7\u00e3o dos planetas do Sistema Solar. Por exemplo, no lado interno da divis\u00e3o, o g\u00e1s e a poeira coalesceram como planetas terrestres, incluindo a Terra e Marte, enquanto o g\u00e1s e a poeira foram relegados para o lado mais distante da lacuna formada em regi\u00f5es mais geladas, como J\u00fapiter e os seus gigantes gasosos vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil cruzar esta lacuna, e um planeta precisaria de muito torque externo e momento,&#8221; diz Cau\u00ea Borlina, autor principal e estudante no EAPS. &#8220;De modo que isto fornece evid\u00eancias de que a forma\u00e7\u00e3o dos nossos planetas foi restrita a regi\u00f5es espec\u00edficas no in\u00edcio do Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os coautores de Borlina e Weiss incluem Eduardo Lima, Nilanjan Chatterjee e Elias Mansbach do MIT; James Bryson da Universidade de Oxford e Xue-Ning Bai da Universidade Tsinghua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma divis\u00e3o no espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, os cientistas t\u00eam observado uma curiosa divis\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o dos meteoritos que chegaram \u00e0 Terra. Estas rochas espaciais formaram-se originalmente em diferentes \u00e9pocas e locais \u00e0 medida que o Sistema Solar estava tomando forma. Aqueles que foram analisados exibem uma de duas combina\u00e7\u00f5es isot\u00f3picas. Raramente foram encontrados meteoritos que exibem ambas &#8211; um enigma conhecido como &#8220;dicotomia isot\u00f3pica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas propuseram que esta dicotomia pode ser o resultado de uma lacuna no disco do Sistema Solar inicial, mas essa lacuna n\u00e3o tinha sido confirmada diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de Weiss analisa meteoritos em busca de sinais de campos magn\u00e9ticos antigos. \u00c0 medida que um jovem sistema planet\u00e1rio toma forma, transporta consigo um campo magn\u00e9tico, cuja for\u00e7a e dire\u00e7\u00e3o podem mudar dependendo de v\u00e1rios processos dentro do disco em evolu\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que a poeira antiga se reunia em gr\u00e3os conhecidos como c\u00f4ndrulos, os eletr\u00f5es dentro dos c\u00f4ndrulos alinharam-se com o campo magn\u00e9tico no qual se formaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os c\u00f4ndrulos podem ser mais pequenos do que o di\u00e2metro de um cabelo humano e s\u00e3o encontrados hoje em meteoritos. O grupo de Weiss especializa-se em medir c\u00f4ndrulos para identificar os antigos campos magn\u00e9ticos nos quais se formaram originalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em trabalhos anteriores, o grupo analisou amostras de um dos dois grupos isot\u00f3picos de meteoritos, conhecidos como meteoritos n\u00e3o carbon\u00e1ceos. Pensa-se que estas rochas tenham tido origem num &#8220;reservat\u00f3rio&#8221;, ou regi\u00e3o do in\u00edcio do Sistema Solar, relativamente perto do Sol. O grupo de Weiss identificou anteriormente o antigo campo magn\u00e9tico em amostras desta regi\u00e3o pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma incompatibilidade meteor\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seu novo estudo, os investigadores perguntaram-se se o campo magn\u00e9tico seria o mesmo no segundo grupo isot\u00f3pico, &#8220;carbon\u00e1ceo&#8221; de meteoritos que, a julgar pela sua composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica, pensa-se que tenham tido origem mais longe no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles analisaram c\u00f4ndrulos, cada um medindo cerca de 100 micr\u00f3metros, de dois meteoritos carbon\u00e1ceos que foram descobertos na Ant\u00e1rtica. &#8220;Usando o SQUID (superconducting quantum interference device), um microsc\u00f3pio de alta precis\u00e3o no laborat\u00f3rio de Weiss, a equipa determinou o campo magn\u00e9tico antigo e original de cada c\u00f4ndrulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreendentemente, descobriram que a sua for\u00e7a de campo era mais forte do que a dos meteoritos n\u00e3o carbon\u00e1ceos mais pr\u00f3ximos medidos anteriormente. \u00c0 medida que os jovens sistemas planet\u00e1rios tomam forma, os cientistas esperam que a for\u00e7a do campo magn\u00e9tico diminua com a dist\u00e2ncia ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste, Borlina e colegas descobriram que os c\u00f4ndrulos distantes tinham um campo magn\u00e9tico mais forte, de cerca de 100 microteslas, em compara\u00e7\u00e3o com um campo de 50 microteslas nos c\u00f4ndrulos mais pr\u00f3ximos. Para refer\u00eancia, o campo magn\u00e9tico da Terra ronda hoje os 50 microteslas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O campo magn\u00e9tico de um sistema planet\u00e1rio \u00e9 uma medida do seu ritmo de acre\u00e7\u00e3o, ou a quantidade de g\u00e1s e poeira que pode atrair para o seu centro ao longo do tempo. Com base no campo magn\u00e9tico dos c\u00f4ndrulos carbon\u00e1ceos, a regi\u00e3o mais exterior do Sistema Solar deve ter acretado muito mais massa do que a regi\u00e3o interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando modelos para simular v\u00e1rios cen\u00e1rios, a equipa concluiu que a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel para a incompatibilidade nas taxas de acre\u00e7\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de uma lacuna entre as regi\u00f5es interior e exterior, o que poderia ter reduzido a quantidade de g\u00e1s e poeira que flu\u00eda em dire\u00e7\u00e3o ao Sol a partir das regi\u00f5es exteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As lacunas s\u00e3o comuns nos sistemas protoplanet\u00e1rios, e agora mostr\u00e1mos que t\u00ednhamos uma no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar,&#8221; diz Borlina. &#8220;Isto responde a esta dicotomia estranha que vemos nos meteoritos e fornece evid\u00eancias de que as lacunas afetam diretamente a composi\u00e7\u00e3o dos planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2021\/solar-system-gap-1015\" target=\"_blank\">\/\/ MIT (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abj6928\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do Sistema Solar, um &#8220;disco protoplanet\u00e1rio&#8221; de poeira e g\u00e1s girou em torno do Sol e eventualmente coalesceu nos planetas que conhecemos hoje. 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