{"id":4546,"date":"2021-10-19T15:15:56","date_gmt":"2021-10-19T14:15:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4546"},"modified":"2021-10-19T15:15:58","modified_gmt":"2021-10-19T14:15:58","slug":"planetas-que-saem-as-suas-estrelas-nao-degeneram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/10\/19\/planetas-que-saem-as-suas-estrelas-nao-degeneram\/","title":{"rendered":"Planetas que saem \u00e0s suas estrelas n\u00e3o degeneram"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 muito que se assume um elo composicional entre os planetas e as suas respetivas estrelas hospedeiras. Agora, pela primeira vez, uma equipa de cientistas forneceu evid\u00eancias emp\u00edricas para apoiar este pressuposto &#8211; e ao mesmo tempo contradiz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas e os planetas formam-se a partir do mesmo g\u00e1s e poeira. No curso do processo de forma\u00e7\u00e3o, parte do material condensa-se e forma planetas rochosos, o resto ou \u00e9 acumulado pela estrela ou torna-se parte dos planetas gasosos. A presun\u00e7\u00e3o de uma liga\u00e7\u00e3o entre a composi\u00e7\u00e3o das estrelas e dos seus planetas \u00e9, portanto, razo\u00e1vel e confirmada, por exemplo, no Sistema Solar pela maioria dos planetas rochosos (Merc\u00fario sendo a exce\u00e7\u00e3o). No entanto, as suposi\u00e7\u00f5es, especialmente em astrof\u00edsica, nem sempre se provam verdadeiras. Um estudo liderado pelo Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (IA) em Portugal, que tamb\u00e9m envolve investigadores do NCCR PlanetS da Universidade de Berna e da Universidade de Zurique, publicado na revista Science, fornece a primeira evid\u00eancia emp\u00edrica para apoiar esta suposi\u00e7\u00e3o &#8211; e ao mesmo tempo contradiz\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/66\/3c\/MYLSYAKG_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4547\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MYLSYAKG_o-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em torno de uma estrela parecida com o Sol, com os blocos de constru\u00e7\u00e3o dos planetas &#8211; rochas e mol\u00e9culas de ferro &#8211; no plano da frente.<br>Cr\u00e9dito: Tania Cunha (Planet\u00e1rio do Porto &#8211; Centro Ci\u00eancia Viva &amp; Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Estrela condensada vs. planeta rochoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para determinar se as composi\u00e7\u00f5es das estrelas e dos seus planetas est\u00e3o relacionadas, a equipa comparou medi\u00e7\u00f5es muito precisas de ambos. Para as estrelas, foi medida a luz emitida, que transporta a impress\u00e3o digital espectrosc\u00f3pica caracter\u00edstica da sua composi\u00e7\u00e3o. A composi\u00e7\u00e3o dos planetas rochosos foi determinada indiretamente: a sua densidade e composi\u00e7\u00e3o foram derivadas da medi\u00e7\u00e3o da sua massa e raio. S\u00f3 recentemente \u00e9 que um n\u00famero suficiente de planetas foi medido com a precis\u00e3o necess\u00e1ria para que investiga\u00e7\u00f5es significativas deste tipo fossem poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas dado que as estrelas e os planetas rochosos t\u00eam naturezas bastante diferentes, a compara\u00e7\u00e3o da sua composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples,&#8221; como Christoph Mordasini, coautor do estudo, professor de astrof\u00edsica da Universidade de Berna e membro do NCCR PlanetS explica. &#8220;Ao inv\u00e9s, compar\u00e1mos a composi\u00e7\u00e3o dos planetas com uma vers\u00e3o te\u00f3rica e menos quente da sua estrela. Ao passo que a maior parte do material estelar &#8211; principalmente hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio &#8211; permanece como g\u00e1s quando arrefece, uma pequena fra\u00e7\u00e3o condensa-se, composta por material rochoso como ferro e silicato,&#8221; explica Christoph Mordasini.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Universidade de Berna, o &#8220;Modelo de Berna para a Forma\u00e7\u00e3o e Evolu\u00e7\u00e3o Planet\u00e1ria&#8221; tem sido desenvolvido continuamente desde 2003. Christoph Mordasini diz: &#8220;as informa\u00e7\u00f5es sobre os m\u00faltiplos processos envolvidos na forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos planetas s\u00e3o integradas no modelo.&#8221; Usando este modelo de Berna, os investigadores foram capazes de calcular a composi\u00e7\u00e3o desse material formador de rocha da estrela mais fria. &#8220;Em seguida, fizemos uma compara\u00e7\u00e3o com os planetas rochosos,&#8221; diz Christoph Mordasini.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ind\u00edcios de habitabilidade planet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os nossos resultados mostram que as nossas suposi\u00e7\u00f5es sobre as composi\u00e7\u00f5es de estrelas e planetas n\u00e3o estavam fundamentalmente erradas: a composi\u00e7\u00e3o dos planetas rochosos est\u00e1, de facto, intimamente ligada \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da sua estrela hospedeira. Apesar disso, a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto esper\u00e1vamos,&#8221; diz Vardan Adibekyan, autor principal do estudo e investigador no IA. O que os cientistas esperavam era que a abund\u00e2ncia destes elementos estabelecesse um poss\u00edvel limite superior. &#8220;No entanto, para alguns dos planetas, a abund\u00e2ncia de ferro no planeta \u00e9 ainda maior do que na estrela&#8221;, afirma Caroline Dorn, coautora do estudo e membro do NCCR PlanetS, bem como da Universidade de Zurique. &#8220;Isto pode ser devido a impactos gigantescos nestes planetas que ejetam alguns dos materiais externos, mais leves, enquanto o n\u00facleo denso de ferro permanece,&#8221; diz a investigadora. Os resultados podem, portanto, dar aos cientistas pistas sobre a hist\u00f3ria dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os resultados deste estudo tamb\u00e9m s\u00e3o muito \u00fateis para restringir as composi\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias assumidas com base na densidade calculada a partir de medi\u00e7\u00f5es da massa e do raio,&#8221; explica Christoph Mordasini. &#8220;Uma vez que mais do que uma composi\u00e7\u00e3o pode corresponder a uma determinada densidade, os resultados do nosso estudo dizem-nos que podemos restringir as potenciais composi\u00e7\u00f5es, com base na composi\u00e7\u00e3o da estrela hospedeira,&#8221; salienta Mordasini. E dado que a composi\u00e7\u00e3o exata de um planeta influencia, por exemplo, quanto material radioativo cont\u00e9m ou qu\u00e3o forte \u00e9 o seu campo magn\u00e9tico, podemos determinar se o planeta \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 vida ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/news\/media_news\/media_relations_e\/media_releases\/2021\/media_releases_2021\/the_planet_does_not_fall_far_from_the_star\/index_eng.html\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/news\/media_news\/media_relations_e\/media_releases\/2021\/media_releases_2021\/the_planet_does_not_fall_far_from_the_star\/index_eng.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/divulgacao.iastro.pt\/pt\/2021\/10\/14\/estrela-planeta\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.news.uzh.ch\/en\/articles\/2021\/planet-formation.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/rocky-exoplanets-and-their-host-stars-may-have-similar-composition\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abg8794\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/faq\/43\/how-do-planets-form\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que se assume um elo composicional entre os planetas e as suas respetivas estrelas hospedeiras. 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