{"id":4495,"date":"2021-09-28T06:14:52","date_gmt":"2021-09-28T05:14:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4495"},"modified":"2021-09-28T06:14:54","modified_gmt":"2021-09-28T05:14:54","slug":"as-anas-brancas-tornam-se-magneticas-com-a-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/28\/as-anas-brancas-tornam-se-magneticas-com-a-idade\/","title":{"rendered":"As an\u00e3s brancas tornam-se magn\u00e9ticas com a idade"},"content":{"rendered":"\n<p>Pelo menos uma em cada quatro an\u00e3s brancas termina a sua vida como uma estrela magn\u00e9tica e, portanto, os campos magn\u00e9ticos s\u00e3o um componente essencial da f\u00edsica das an\u00e3s brancas. Novas informa\u00e7\u00f5es sobre o magnetismo de estrelas degeneradas, de uma an\u00e1lise recente de uma amostra de volume limitado de an\u00e3s brancas, forneceram a melhor evid\u00eancia obtida at\u00e9 agora de como a frequ\u00eancia do magnetismo nas an\u00e3s brancas se correlaciona com a idade. Isto pode ajudar a explicar a origem e evolu\u00e7\u00e3o dos campos magn\u00e9ticos nas an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 90% das estrelas na nossa Gal\u00e1xia terminam as suas vidas como an\u00e3s brancas. Embora muitas tenham um campo magn\u00e9tico, ainda n\u00e3o se sabe quando aparece \u00e0 superf\u00edcie, se evolui durante a fase de arrefecimento de uma an\u00e3 branca e, principalmente, quais s\u00e3o os mecanismos que o geram.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1034a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"495\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/GNrSSpcD_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4496\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/GNrSSpcD_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/GNrSSpcD_o-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Uma em cada quatro an\u00e3s brancas termina a sua vida permeada por um forte campo magn\u00e9tico.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas est\u00e3o frequentemente sujeitas a fortes vieses. Dado que as an\u00e3s brancas s\u00e3o estrelas moribundas, tornam-se mais frias e, portanto, cada vez mais fracas ao longo do tempo. Como consequ\u00eancia, as observa\u00e7\u00f5es tendem a favorecer o estudo das an\u00e3s brancas mais brilhantes, que s\u00e3o mais quentes e mais jovens. Existe tamb\u00e9m um efeito mais subtil e contraintuitivo. Devido ao seu estatuto degenerado, as an\u00e3s brancas mais massivas s\u00e3o mais pequenas do que as menos massivas (imagine uma s\u00e9rie de esferas onde as mais pequenas s\u00e3o as mais pesadas). Dado que as an\u00e3s brancas mais pequenas tamb\u00e9m s\u00e3o mais t\u00e9nues, as observa\u00e7\u00f5es tendem a favorecer tamb\u00e9m as estrelas menos massivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, as observa\u00e7\u00f5es de alvos selecionados de acordo com o seu brilho (por exemplo, observar todas as an\u00e3s brancas mais brilhantes do que uma certa magnitude) tendem a concentrar-se em estrelas jovens e menos massivas, negligenciando totalmente as an\u00e3s brancas mais antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema \u00e9 que a maioria das observa\u00e7\u00f5es de an\u00e3s brancas s\u00e3o feitas com t\u00e9cnicas espectrosc\u00f3picas sens\u00edveis apenas aos campos magn\u00e9ticos mais fortes, falhando assim em identificar uma fra\u00e7\u00e3o substancial de an\u00e3s brancas magn\u00e9ticas. A sensibilidade da espectropolarimetria aos campos magn\u00e9ticos pode ser mais de duas ordens de magnitude maior do que a da espectroscopia. A espectropolarimetria demonstrou que os campos fracos, que escapam \u00e0 dete\u00e7\u00e3o por meio de t\u00e9cnicas espectrosc\u00f3picas, s\u00e3o bastante comuns nas an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para realizar um levantamento espectropolarim\u00e9trico completo, astr\u00f3nomos do Observat\u00f3rio Armagh e da Universidade de Western Ontario selecionaram todas as an\u00e3s brancas do cat\u00e1logo Gaia num volume at\u00e9 20 parsecs do Sol. Cerca de dois-ter\u00e7os desta amostra, ou aproximadamente 100 an\u00e3s brancas, ainda n\u00e3o tinham sido observadas antes e, portanto, n\u00e3o havia dados dispon\u00edveis na literatura. Consequentemente, a equipa observou-as usando o espectr\u00f3grafo e polar\u00edmetro ISIS acoplado ao Telesc\u00f3pio William Herschel, juntamente com instrumentos semelhantes noutros telesc\u00f3pios.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles descobriram que os campos magn\u00e9ticos s\u00e3o raros no in\u00edcio da vida de uma an\u00e3 branca, quando a estrela deixa de produzir energia no seu interior e inicia a sua fase de arrefecimento. Portanto, um campo magn\u00e9tico n\u00e3o parece ser caracter\u00edstico de uma an\u00e3 branca desde o seu &#8220;nascimento&#8221;. Na maioria das vezes, ou \u00e9 gerado ou trazido para a superf\u00edcie estelar durante a fase de arrefecimento da an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m descobriram que os campos magn\u00e9ticos das an\u00e3s brancas n\u00e3o mostram sinais \u00f3bvios de decaimento Ohmico, novamente uma indica\u00e7\u00e3o de que estes campos s\u00e3o gerados durante a fase de arrefecimento, ou pelo menos continuam a emergir \u00e0 superf\u00edcie estelar conforme a an\u00e3 branca envelhece.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta imagem \u00e9 totalmente diferente do que \u00e9 observado, por exemplo em estrelas magn\u00e9ticas Ap e Bp da sequ\u00eancia principal superior, onde se verifica que n\u00e3o apenas os campos magn\u00e9ticos est\u00e3o presentes assim que a estrela atinge a sequ\u00eancia principal de idade zero, mas tamb\u00e9m que a intensidade do campo diminui rapidamente com o tempo. O magnetismo nas an\u00e3s brancas, portanto, parece ser um fen\u00f3meno totalmente diferente do magnetismo das estrelas Ap e Bp.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a frequ\u00eancia do campo magn\u00e9tico aumenta com a idade da an\u00e3 branca, mas sabe-se que a frequ\u00eancia est\u00e1 correlacionada com a massa estelar, e que os campos aparecem com mais frequ\u00eancia depois do n\u00facleo de carbono-oxig\u00e9nio da estrela come\u00e7ar a cristalizar. Um mecanismo de d\u00ednamo pode explicar os campos mais fracos entre aqueles observados nas an\u00e3s brancas, e trabalhos recentes sugerem que o mesmo mecanismo poderia ser capaz de produzir campos mais fortes do que o originalmente previsto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a do campo magn\u00e9tico da Terra, produzido por um mecanismo de d\u00ednamo, \u00e9 de cerca de um gauss. Um mecanismo de d\u00ednamo pode explicar campos de at\u00e9 0,1 milh\u00f5es gauss, mas nas an\u00e3s brancas foram observados campos com at\u00e9 v\u00e1rias centenas de milh\u00f5es gauss. Al\u00e9m disso, um mecanismo de d\u00ednamo precisa de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, mas isto n\u00e3o \u00e9 geralmente observado nas an\u00e3s brancas. S\u00e3o necess\u00e1rias mais investiga\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e observacionais para resolver esta quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ing.iac.es\/PR\/press\/WDmagnetic.html\" target=\"_blank\">\/\/ ING (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/507\/4\/5902\/6325176\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2106.11109\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas Ap e Bp:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ap_and_Bp_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WHT (William Herschel Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ing.iac.es\/Astronomy\/telescopes\/wht\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/William_Herschel_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ING (Isaac Newton Group of Telescopes):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ing.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Isaac_Newton_Group_of_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/early-data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EDR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos uma em cada quatro an\u00e3s brancas termina a sua vida como uma estrela magn\u00e9tica e, portanto, os campos magn\u00e9ticos s\u00e3o um componente essencial da f\u00edsica das an\u00e3s brancas. 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