{"id":4493,"date":"2021-09-28T06:12:42","date_gmt":"2021-09-28T05:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4493"},"modified":"2021-09-28T06:12:44","modified_gmt":"2021-09-28T05:12:44","slug":"insight-ouve-tres-grandes-sismos-marcianos-gracas-a-limpeza-dos-seus-paineis-solares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/28\/insight-ouve-tres-grandes-sismos-marcianos-gracas-a-limpeza-dos-seus-paineis-solares\/","title":{"rendered":"InSight &#8220;ouve&#8221; tr\u00eas grandes sismos marcianos, gra\u00e7as \u00e0 limpeza dos seus pain\u00e9is solares"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 18 de setembro, o &#8220;lander&#8221; InSight da NASA celebrou o seu 1000.\u00ba dia marciano, ou sol, medindo um dos maiores e mais longos sismos marcianos que a miss\u00e3o j\u00e1 detetou. O tremor teve uma magnitude estimada em aproximadamente 4,2 e uma dura\u00e7\u00e3o de quase hora e meia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o terceiro grande sismo que o InSight detetou apenas num espa\u00e7o de um m\u00eas: no dia 25 de agosto, o sism\u00f3metro da miss\u00e3o detetou dois sismos de magnitudes 4,2 e 4,1. Para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, um sismo de magnitude 4,2 tem cinco vezes a energia do detetor do recorde anterior da miss\u00e3o, um sismo de magnitude 3,7 detetado em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o estuda ondas s\u00edsmicas para aprender mais sobre o interior de Marte. As ondas mudam \u00e0 medida que viajam atrav\u00e9s da crosta, manto e n\u00facleo do planeta, fornecendo aos cientistas uma maneira de perscrutar as profundezas a partir da superf\u00edcie. O que eles aprendem pode lan\u00e7ar luz sobre como todos os mundos rochosos se formam, incluindo a Terra e a sua Lua.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23203_main_slider_after-16.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6b\/91\/HD9GMs2G_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Este &#8220;selfie&#8221; do &#8220;lander&#8221; InSight da NASA \u00e9 um mosaico composto por 14 imagens obtidas nos dias 15 de mar\u00e7o e 11 de abril &#8211; o 106.\u00ba e 133.\u00ba dia marciano, ou sol, da miss\u00e3o &#8211; pela IDS (Instrument Deployment Camera) localizada no seu bra\u00e7o rob\u00f3tico.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sismos poderiam n\u00e3o ter sido detetados se a miss\u00e3o n\u00e3o tivesse entrado em a\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do ano, j\u00e1 que a \u00f3rbita altamente el\u00edptica de Marte o afastou do Sol. As temperaturas mais baixas exigiam que o m\u00f3dulo confiasse mais nos seus aquecedores para se manter quente; isso, al\u00e9m da acumula\u00e7\u00e3o de poeira nos pain\u00e9is solares do InSight, reduziu os n\u00edveis de energia do m\u00f3dulo de aterragem, exigindo que a miss\u00e3o conservasse energia desligando temporariamente certos instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa conseguiu manter o sism\u00f3metro ligado, adotando uma abordagem contraintuitiva: usaram o bra\u00e7o rob\u00f3tico do InSight para escorrer areia perto de um painel solar na esperan\u00e7a de que, \u00e0 medida que as rajadas de vento a transportasse pelo painel, os gr\u00e2nulos varressem um pouco da poeira. O plano funcionou e, ao longo de v\u00e1rias atividades de remo\u00e7\u00e3o de poeira, a equipa viu os n\u00edveis de energia permanecerem razoavelmente est\u00e1veis. Agora que Marte est\u00e1 a aproximar-se do Sol mais uma vez, a energia est\u00e1 a come\u00e7ar a aumentar lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos agido rapidamente no in\u00edcio deste ano, pod\u00edamos ter perdido grande ci\u00eancia,&#8221; disse o investigador principal Bruce Banerdt do JPL da NASA no sul da Calif\u00f3rnia, que lidera a miss\u00e3o. &#8220;Mesmo depois de mais de dois anos, Marte parece ter-nos dado algo novo com estes dois sismos, que t\u00eam caracter\u00edsticas \u00fanicas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es s\u00edsmicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o sismo de 18 de setembro ainda est\u00e1 a ser estudado, os cientistas j\u00e1 sabem mais sobre os sismos de 25 de agosto: o evento de magnitude 4,2 ocorreu a cerca de 8500 km do InSight &#8211; o tremor mais distante que o &#8220;lander&#8221; j\u00e1 detetou at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas est\u00e3o a trabalhar para localizar o ponto de partida e a dire\u00e7\u00e3o em que as ondas s\u00edsmicas viajaram, mas sabem que o sismo ocorreu demasiado longe para ter tido origem onde o InSight detetou quase todos os seus grandes sismos anteriores: Cerberus Fossae, uma regi\u00e3o a aproximadamente 1609 km de dist\u00e2ncia, onde a lava pode ter flu\u00eddo nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos. Uma possibilidade especialmente intrigante \u00e9 Valles Marineris, o sistema de desfiladeiros epicamente longo que marca o equador marciano. O centro aproximado desse sistema de desfiladeiros est\u00e1 a 9700 km do InSight.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/85\/94\/CbekpvHs_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/85\/94\/CbekpvHs_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta c\u00fapula protege o sism\u00f3metro do InSight, de nome SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure). A imagem foi capturada durante o 110.\u00ba dia marciano, ou sol, da miss\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para surpresa dos cientistas, os sismos de 25 de agosto tamb\u00e9m foram de dois tipos diferentes. O de magnitude 4,2 foi dominado por vibra\u00e7\u00f5es lentas de baixa frequ\u00eancia, enquanto vibra\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas de alta frequ\u00eancia caracterizaram o sismo de magnitude de 4,1. O sismo de magnitude 4,1 tamb\u00e9m estava muito mais perto do &#8220;lander&#8221; &#8211; a apenas mais ou menos 925 km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o boas not\u00edcias para os sism\u00f3logos: o registo de diferentes terremotos, de uma variedade de dist\u00e2ncias e com diferentes tipos de ondas s\u00edsmicas, fornece mais informa\u00e7\u00f5es sobre a estrutura interna de um planeta. Este ver\u00e3o, os cientistas da miss\u00e3o usaram dados anteriores de sismos marcianos para detalhar a profundidade e espessura da crosta e do manto do planeta, al\u00e9m do tamanho do seu n\u00facleo derretido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das suas diferen\u00e7as, al\u00e9m de serem grandes, os dois sismos de agosto t\u00eam algo em comum: ambos ocorreram durante o dia, a altura mais ventosa &#8211; e, para um sism\u00f3metro, a mais ruidosa &#8211; em Marte. O sism\u00f3metro do InSight geralmente encontra sismos marcianos \u00e0 noite, quando o planeta arrefece e os ventos est\u00e3o calmos. Mas os sinais destes sismos foram grandes o suficiente para ultrapassar qualquer ru\u00eddo provocado pelo vento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando para o futuro, a equipa da miss\u00e3o est\u00e1 a considerar realizar mais limpezas de poeira ap\u00f3s a conjun\u00e7\u00e3o solar de Marte, quando a Terra e Marte est\u00e3o em lados opostos do Sol. Dado que a radia\u00e7\u00e3o do Sol pode afetar os sinais de r\u00e1dio, interferindo com as comunica\u00e7\u00f5es, a equipa vai parar de emitir comandos ao InSight amanh\u00e3, dia 29 de setembro, embora o sism\u00f3metro continue a &#8220;ouvir&#8221; sismos durante toda a conjun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-s-insight-finds-three-big-marsquakes-thanks-to-solar-panel-dusting\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/insight.jpl.nasa.gov\/home.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/insight\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cerberus_Fossae\" target=\"_blank\">Cerberus Fossae (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 18 de setembro, o &#8220;lander&#8221; InSight da NASA celebrou o seu 1000.\u00ba dia marciano, ou sol, medindo um dos maiores e mais longos sismos marcianos que a miss\u00e3o j\u00e1 detetou. 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