{"id":4490,"date":"2021-09-24T09:04:51","date_gmt":"2021-09-24T08:04:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4490"},"modified":"2021-09-24T09:04:52","modified_gmt":"2021-09-24T08:04:52","slug":"cientistas-encontram-galaxias-massivas-primitivas-sem-combustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/24\/cientistas-encontram-galaxias-massivas-primitivas-sem-combustivel\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram gal\u00e1xias massivas primitivas &#8220;sem combust\u00edvel&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras gal\u00e1xias massivas &#8211; aquelas que se formaram nos tr\u00eas mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang &#8211; deveriam conter grandes quantidades de g\u00e1s hidrog\u00e9nio frio, o combust\u00edvel necess\u00e1rio para fabricar estrelas. Mas os cientistas que observaram o Universo primitivo com o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) e com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble descobriram algo estranho: meia-d\u00fazia de gal\u00e1xias massivas primitivas que ficaram sem combust\u00edvel. Os resultados da investiga\u00e7\u00e3o foram publicados na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas seis gal\u00e1xias desprovidas de forma\u00e7\u00e3o estelar, selecionadas para observa\u00e7\u00e3o pelo levantamento REQUIEM (REsolving QUIEscent Magnified galaxies at high redshift), s\u00e3o inconsistentes com o que os astr\u00f3nomos esperam do Universo inicial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MRG-0138_composite_V2-700x467.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MRG-0138_composite_V2-700x467-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4491\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MRG-0138_composite_V2-700x467-1.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MRG-0138_composite_V2-700x467-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Esta composi\u00e7\u00e3o do enxame gal\u00e1ctico MACS J0138 mostra dados do ALMA e do Telesc\u00f3pio Hubble. A amplia\u00e7\u00e3o mostra uma mancha brilhante laranja avermelhada, com tra\u00e7os de poeira fria observados no r\u00e1dio com o ALMA. Esta poeira fria ajuda os cientistas a compreender, por infer\u00eancia, a quantidade do g\u00e1s hidrog\u00e9nio frio &#8211; necess\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o estelar &#8211; presente nas gal\u00e1xias do enxame.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/S. Dagnello (NRAO), STScI, K. Whitaker et al<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As gal\u00e1xias mais massivas do Universo viveram depressa e furiosamente, criando as suas estrelas num per\u00edodo de tempo notavelmente curto. O g\u00e1s, o combust\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o estelar, deve ser abundante nestes primeiros tempos do Universo,&#8221; disse Kate Whitaker, autora principal do estudo e professor assistente de astronomia na Universidade de Massachusetts em Amherst, EUA. &#8220;Originalmente, pens\u00e1vamos que estas gal\u00e1xias extintas &#8216;travaram a fundo&#8217; apenas alguns milhares de milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. Na nossa investiga\u00e7\u00e3o, conclu\u00edmos que as primeiras gal\u00e1xias n\u00e3o pisaram realmente no trav\u00e3o, mas que ao inv\u00e9s estavam a ficar sem combust\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para melhor compreender como as gal\u00e1xias se formaram e morreram, a equipa observou-as com o Hubble, que revelou detalhes sobre as estrelas que residem nas gal\u00e1xias. Observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas com o ALMA revelaram a emiss\u00e3o cont\u00ednua das gal\u00e1xias &#8211; um rastreador de poeira &#8211; em comprimentos de onda milim\u00e9tricos, permitindo que a equipa inferisse a quantidade de g\u00e1s nas gal\u00e1xias. A utiliza\u00e7\u00e3o dos dois telesc\u00f3pios \u00e9 propositada e cuidadosa, j\u00e1 que o objetivo do REQUIEM \u00e9 usar lentes gravitacionais fortes como um telesc\u00f3pio natural para observar gal\u00e1xias dormentes com resolu\u00e7\u00e3o espacial mais alta. Isto, por sua vez, d\u00e1 aos cientistas uma vis\u00e3o clara do que se passa no interior das gal\u00e1xias, uma tarefa muitas vezes imposs\u00edvel naquelas sem combust\u00edvel c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/84\/60\/7fAGwtst_o.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/84\/60\/7fAGwtst_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Estas imagens s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e do ALMA. As imagens na caixa e nas amplia\u00e7\u00f5es mostram duas das seis gal\u00e1xias massivas e distantes onde os cientistas descobriram que a forma\u00e7\u00e3o estelar cessou devido ao esgotamento de uma fonte de combust\u00edvel &#8211; o g\u00e1s hidrog\u00e9nio frio.<br>O amarelo tra\u00e7a o brilho da luz estelar. A cor roxa artificial tra\u00e7a a poeira fria das observa\u00e7\u00f5es do ALMA. Esta poeira \u00e9 usada como um substituto para o g\u00e1s hidrog\u00e9nio frio necess\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o das estrelas. Mesmo com a sensibilidade do ALMA, os cientistas n\u00e3o detetaram poeira na maioria das seis gal\u00e1xias da amostra.<br>Um exemplo \u00e9 MRG-M1341, no canto superior direito. Parece distorcida pelos efeitos da lente gravitacional. Em contraste a bolha roxa \u00e0 esquerda da gal\u00e1xia \u00e9 um exemplo de uma gal\u00e1xia rica em poeira e g\u00e1s. Um exemplo da dete\u00e7\u00e3o de poeira fria que o ALMA fez \u00e9 a gal\u00e1xia MRG-M2129 no canto inferior direito. A gal\u00e1xia s\u00f3 tem poeira e g\u00e1s bem no centro. Isto sugere que a forma\u00e7\u00e3o estelar pode ter cessado da periferia para dentro.<br>Cr\u00e9dito: Joseph DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se uma gal\u00e1xia n\u00e3o estiver a produzir muitas estrelas novas, torna-se muito t\u00e9nue, muito depressa, de modo que \u00e9 dif\u00edcil ou imposs\u00edvel observ\u00e1-la em detalhe com qualquer telesc\u00f3pio individual. O REQUIEM resolve isto estudando gal\u00e1xias com lentes gravitacionais, o que significa que a sua luz \u00e9 esticada e ampliada \u00e0 medida que se dobra e se deforma em torno de outras gal\u00e1xias muito mais perto da Via L\u00e1ctea,&#8221; disse Justin Spilker, coautor do novo estudo e bolsista de p\u00f3s-doutorado do Hubble da NASA na Universidade do Texas em Austin. &#8220;Desta forma, a lente gravitacional, em combina\u00e7\u00e3o com o poder de resolu\u00e7\u00e3o e a sensibilidade do Hubble e do ALMA, atua como um telesc\u00f3pio natural e faz com que estas gal\u00e1xias moribundas pare\u00e7am maiores e mais brilhantes do que na realidade s\u00e3o, permitindo-nos ver o que est\u00e1 a acontecer e o que n\u00e3o est\u00e1 a acontecer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas observa\u00e7\u00f5es mostraram que a cessa\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o estelar nas seis gal\u00e1xias alvo n\u00e3o foi provocada por uma s\u00fabita inefici\u00eancia na convers\u00e3o de g\u00e1s frio em estrelas. Em vez disso, foi o resultado do esgotamento e remo\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios de g\u00e1s nas gal\u00e1xias. &#8220;Ainda n\u00e3o entendemos porque \u00e9 que isto acontece, mas \u00e9 poss\u00edvel que ou o suprimento prim\u00e1rio de g\u00e1s que abastece a gal\u00e1xia tenha sido cortado ou que talvez um buraco negro supermassivo esteja a injetar energia que mant\u00e9m o g\u00e1s na gal\u00e1xia quente,&#8221; disse Christina Williams, astr\u00f3noma da Universidade do Arizona e coautor da investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Essencialmente, isto significa que as gal\u00e1xias n\u00e3o conseguem reabastecer o &#8216;tanque de combust\u00edvel&#8217; e, portanto, n\u00e3o conseguem reiniciar o motor na produ\u00e7\u00e3o estelar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m representa uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es importantes na medi\u00e7\u00e3o das primeiras gal\u00e1xias massivas, sintetizando informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o guiar, nos pr\u00f3ximos anos, os estudos futuros do Universo primitivo. &#8220;Estas s\u00e3o as primeiras medi\u00e7\u00f5es do cont\u00ednuo de poeira fria de gal\u00e1xias dormentes distantes e, de facto, as primeiras medi\u00e7\u00f5es deste tipo para l\u00e1 do Universo local,&#8221; disse Whitaker, acrescentando que o novo estudo permitiu aos cientistas ver a quantidade de g\u00e1s que cada gal\u00e1xia moribunda individual tem. &#8220;Fomos capazes de sondar o combust\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o estelar nestas primeiras gal\u00e1xias massivas com profundidade suficiente para fazer as primeiras medi\u00e7\u00f5es de g\u00e1s no seu &#8216;tanque de combust\u00edvel&#8217;, o que nos deu um ponto de vista cr\u00edtico das propriedades do g\u00e1s frio destas gal\u00e1xias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a equipa saiba agora que estas gal\u00e1xias est\u00e3o sem combust\u00edvel e que algo as est\u00e1 a impedir de reabastecer o seu tanque e assim formar novas estrelas, o estudo representa apenas a primeira de uma s\u00e9rie de investiga\u00e7\u00f5es sobre o que fez as primeiras gal\u00e1xias massivas desaparecerem, ou n\u00e3o. &#8220;Ainda temos muito que aprender sobre porque \u00e9 que as gal\u00e1xias mais massivas se formaram t\u00e3o cedo no Universo e porque \u00e9 que pararam a sua forma\u00e7\u00e3o estelar quando tanto g\u00e1s frio ainda estava dispon\u00edvel,&#8221; disse Whitaker. &#8220;O simples facto de que estes monstros gigantescos do cosmos formaram 100 mil milh\u00f5es de estrelas em apenas mil milh\u00f5es de anos e, de repente, interromperam a sua forma\u00e7\u00e3o estelar, \u00e9 um mist\u00e9rio que todos gostar\u00edamos de resolver, e o REQUIEM forneceu a primeira pista.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-scientists-uncover-the-mystery-of-early-massive-galaxies-running-on-empty\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/alma-massive-galaxies-running-on-empty\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/hubble-finds-early-massive-galaxies-running-on-empty\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2021\/news-2021-039\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03806-7\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Whitaker_Galaxies_Nature_Preprint.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REQUIEM:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/requiem-galaxies.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As primeiras gal\u00e1xias massivas &#8211; 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