{"id":4484,"date":"2021-09-24T08:58:07","date_gmt":"2021-09-24T07:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4484"},"modified":"2021-09-24T08:58:28","modified_gmt":"2021-09-24T07:58:28","slug":"estudo-isotopico-sugere-que-habitabilidade-de-marte-foi-limitada-pelo-seu-tamanho-pequeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/24\/estudo-isotopico-sugere-que-habitabilidade-de-marte-foi-limitada-pelo-seu-tamanho-pequeno\/","title":{"rendered":"Estudo isot\u00f3pico sugere que habitabilidade de Marte foi limitada pelo seu tamanho pequeno"},"content":{"rendered":"\n<p>A \u00e1gua \u00e9 essencial para a vida na Terra e, possivelmente, para a vida noutros planetas. E os cientistas encontraram amplas evid\u00eancias de \u00e1gua no in\u00edcio da hist\u00f3ria de Marte. Mas Marte n\u00e3o tem, hoje, \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 sua superf\u00edcie. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Washington em St. Louis, EUA, sugere uma raz\u00e3o fundamental: Marte pode ser pequeno demais para reter grandes quantidades de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos de sensoriamento remoto e an\u00e1lises de meteoritos marcianos que remontam \u00e0 d\u00e9cada de 1980 afirmam que Marte j\u00e1 foi rico em \u00e1gua, em compara\u00e7\u00e3o com a Terra. A nave espacial Viking da NASA &#8211; e, mais recentemente, os rovers Curiosity e Perseverance no solo &#8211; transmitiram imagens dram\u00e1ticas de paisagens marcianas marcadas por vales de rios e canais de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/ea\/14Z7TRKw_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-1024x512.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4485\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-1024x512.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-300x150.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-768x384.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-660x330.png 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o-1050x525.png 1050w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/14Z7TRKw_o.png 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o art\u00edstica de Marte com uma superf\u00edcie parecida \u00e0 da Terra, ou seja, com \u00e1gua.<br>Cr\u00e9dito: NASA Earth Observatory\/Joshua Stevens; NOAA; NASA\/JPL-Caltech\/USGS; Design gr\u00e1fico por Sean Garcia\/Universidade de Washington<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar destas evid\u00eancias, j\u00e1 n\u00e3o existe \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie. Os investigadores propuseram muitas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, incluindo um enfraquecimento do campo magn\u00e9tico de Marte que poderia ter resultado na perda de uma espessa atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um estudo publicado dia 20 de setembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences sugere uma raz\u00e3o mais fundamental pela qual Marte parece hoje t\u00e3o drasticamente diferente do &#8220;berlinde azul&#8221; da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O destino de Marte foi decidido deste o in\u00edcio,&#8221; disse Kun Wang, professor assistente de ci\u00eancias terrestres e planet\u00e1rias na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Washington em St. Louis, autor s\u00e9nior do estudo. &#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que haja um limite m\u00ednimo nos requisitos de tamanhos dos planetas rochosos para reter \u00e1gua suficiente e assim permitir a habitabilidade e placas tect\u00f3nicas, e esse limite m\u00ednimo fica acima da massa de Marte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o novo estudo, Wang e colaboradores usaram is\u00f3topos est\u00e1veis do elemento pot\u00e1ssio (K) para estimar a presen\u00e7a, a distribui\u00e7\u00e3o e a abund\u00e2ncia de elementos vol\u00e1teis em diferentes corpos planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O pot\u00e1ssio \u00e9 um elemento moderadamente vol\u00e1til, mas os cientistas decidiram us\u00e1-lo como uma esp\u00e9cie de marcador para elementos e compostos mais vol\u00e1teis, como a \u00e1gua. Este \u00e9 um m\u00e9todo relativamente novo que diverge das tentativas anteriores de usar as propor\u00e7\u00f5es de pot\u00e1ssio para t\u00f3rio (Th) recolhidas por sensoriamento remoto e por an\u00e1lises qu\u00edmicas para determinar a quantidade de vol\u00e1teis que Marte j\u00e1 teve. Em investiga\u00e7\u00f5es anteriores, membros do grupo de pesquisa usaram um m\u00e9todo de rastreador de pot\u00e1ssio para estudar a forma\u00e7\u00e3o da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Wang e a sua equipa mediram as composi\u00e7\u00f5es de is\u00f3topos de pot\u00e1ssio de 20 meteoritos marcianos previamente confirmados, selecionados para serem representativos da composi\u00e7\u00e3o geral de silicato do Planeta Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando esta abordagem, os investigadores determinaram que Marte perdeu mais pot\u00e1ssio e outros vol\u00e1teis do que a Terra durante a sua forma\u00e7\u00e3o, mas reteve mais destes vol\u00e1teis do que a Lua e do que o asteroide Vesta &#8211; dois corpos bem mais pequenos e secos do que a Terra e Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores descobriram uma correla\u00e7\u00e3o bem definida entre o tamanho do corpo e a composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica do pot\u00e1ssio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A raz\u00e3o para as muito menores abund\u00e2ncias de elementos vol\u00e1teis e dos seus compostos em planetas diferenciados do que em meteoritos primitivos indiferenciados tem sido uma quest\u00e3o de longa data,&#8221; disse Katharina Lodders, professora de ci\u00eancias da Terra e planet\u00e1rias, coautora do estudo. &#8220;A descoberta da correla\u00e7\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es isot\u00f3picas de K com a gravidade do planeta \u00e9 uma nova descoberta com importantes implica\u00e7\u00f5es quantitativas para quando e como os planetas diferenciados receberam e perderam os seus vol\u00e1teis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os meteoritos marcianos s\u00e3o as \u00fanicas amostras dispon\u00edveis para o estudo da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica geral de Marte,&#8221; disse Wang. &#8220;Esses meteoritos marcianos t\u00eam idades que variam de v\u00e1rias centenas de milh\u00f5es a 4 mil milh\u00f5es de anos e registaram a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o vol\u00e1til de Marte. Medindo os is\u00f3topos de elementos moderadamente vol\u00e1teis, como o pot\u00e1ssio, podemos inferir o grau de esgotamento vol\u00e1til de planetas e fazer compara\u00e7\u00f5es entre os diferentes corpos do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b3\/d2\/UhJAn9ep_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b3\/d2\/UhJAn9ep_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A autora principal, Zhen Tian, mede uma amostra no laborat\u00f3rio de Wang na Universidade de Washington.<br>Cr\u00e9dito: Sean Garcia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 indiscut\u00edvel que costumava haver \u00e1gua \u00e0 superf\u00edcie de Marte, mas a quantidade total de \u00e1gua \u00e9 dif\u00edcil de determinar apenas por sensoriamento remoto e por estudos com rovers,&#8221; disse Wang. &#8220;Existem muitos modelos para o conte\u00fado geral de \u00e1gua de Marte. Em alguns deles, Marte foi ainda mais h\u00famido do que a Terra. N\u00e3o pensamos ter sido esse o caso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Zhen Tian, estudante no laborat\u00f3rio de Wang, \u00e9 a autora principal do artigo cient\u00edfico. O investigador Piers Koefoed \u00e9 coautor, assim como Hannah Bloom, que concluiu os seus estudos na Universidade de Washington em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es para a busca por vida noutros planetas al\u00e9m de Marte, real\u00e7aram os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar demasiado perto do Sol (ou, para os exoplanetas, estar demasiado perto da sua estrela) pode afetar a quantidade de vol\u00e1teis que um corpo planet\u00e1rio pode reter. Esta medida de dist\u00e2ncia \u00e0 estrela \u00e9 frequentemente tida em conta em \u00edndices de &#8220;zonas habit\u00e1veis&#8221; em torno das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este estudo enfatiza que h\u00e1 uma gama muito limitada de tamanhos para os planetas terem apenas o suficiente e n\u00e3o \u00e1gua em demasia e assim desenvolver um ambiente de superf\u00edcie habit\u00e1vel,&#8221; disse Klaus Mezger do Centro para o Espa\u00e7o e Habitabilidade da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, coautor do estudo. &#8220;Estes resultados v\u00e3o guiar os astr\u00f3nomos na sua busca por exoplanetas habit\u00e1veis noutros sistemas solares.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Wang pensa agora que, para planetas que est\u00e3o dentro das zonas habit\u00e1veis, o tamanho planet\u00e1rio provavelmente deve ser tido mais em conta ao considerarmos se um exoplaneta pode suportar vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tamanho de um exoplaneta \u00e9 um dos par\u00e2metros mais f\u00e1ceis de determinar,&#8221; disse Wang. &#8220;Com base no tamanho e na massa, sabemos se um exoplaneta \u00e9 um candidato \u00e0 vida, porque o tamanho \u00e9 um fator determinante de primeira ordem para a reten\u00e7\u00e3o de vol\u00e1teis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/source.wustl.edu\/2021\/09\/mars-habitability-limited-by-its-small-size-isotope-study-suggests\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Washinton em St. Louis (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/39\/e2101155118\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Proceedings of the National Academy of Sciences)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/mars-too-small-ocean-rivers-lakes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-09-mars-habitability-limited-small-size.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/there-s-a-simple-reason-mars-might-have-limited-habitability-its-tiny-size\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/time.com\/6100276\/mars-water-loss\/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+time\/topstories+(TIME%3A+Top+Stories)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TIME<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/elizabethhowell1\/2021\/09\/21\/martian-blues-did-planets-size-affect-its-ability-to-hold-onto-water\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.upi.com\/Science_News\/2021\/09\/20\/mars-size-volatiles-habitability\/3601632165421\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UPI<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Water_on_Mars\" target=\"_blank\">\u00c1gua em Marte (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1gua \u00e9 essencial para a vida na Terra e, possivelmente, para a vida noutros planetas. E os cientistas encontraram amplas evid\u00eancias de \u00e1gua no in\u00edcio da hist\u00f3ria de Marte. Mas Marte n\u00e3o tem, hoje, \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 sua superf\u00edcie. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Washington em St. Louis, EUA, sugere uma raz\u00e3o fundamental: &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4485,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[4],"class_list":["post-4484","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-marte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4484"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4486,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4484\/revisions\/4486"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}