{"id":4449,"date":"2021-09-10T06:28:10","date_gmt":"2021-09-10T05:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4449"},"modified":"2021-09-10T06:28:12","modified_gmt":"2021-09-10T05:28:12","slug":"o-caso-do-manto-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/10\/o-caso-do-manto-perdido\/","title":{"rendered":"O caso do manto perdido"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do Sistema Solar, pensa-se que planetas terrestres como Merc\u00fario, V\u00e9nus e a Terra se tenham formado a partir de planetesimais, pequenos planetas primitivos. Estes primeiros planetas cresceram com o tempo, por meio de colis\u00f5es e fus\u00f5es, para torn\u00e1-los do tamanho que t\u00eam hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que o material libertado por estas colis\u00f5es violentas tenha escapado e orbitado em torno do Sol, bombardeando os planetas em crescimento e alterando a composi\u00e7\u00e3o da cintura de asteroides. Mas a cintura de asteroides n\u00e3o parece conter um registo destes fragmentos de impacto, o que \u00e9 um mist\u00e9rio que tem confundido astr\u00f3nomos e astrof\u00edsicos durante d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/5d\/66\/j2nNdpa2_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"604\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/j2nNdpa2_o-1024x604.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4450\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/j2nNdpa2_o-1024x604.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/j2nNdpa2_o-300x177.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/j2nNdpa2_o-768x453.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/j2nNdpa2_o.jpg 1515w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Detritos das colis\u00f5es formadoras de planetas podem variar desde materiais s\u00f3lidos a gases. O trabalho por Gabriel &amp; Allen-Sutter (2021) sugere que as grandes colis\u00f5es predominantemente formam g\u00e1s, deixando para tr\u00e1s poucos remanescentes no Sistema Solar atual.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois investigadores da Escola de Explora\u00e7\u00e3o da Terra e do Espa\u00e7o da Universidade Estatal do Arizona, Travis Gabriel e o estudante de doutoramento Harrison Allen-Sutter, estavam curiosos sobre esta discrep\u00e2ncia e come\u00e7aram a criar simula\u00e7\u00f5es de computador de ponta das colis\u00f5es, com resultados surpreendentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A maioria dos investigadores foca-se nos efeitos diretos dos impactos, mas a natureza dos detritos foi pouco explorada,&#8221; disse Allen-Sutter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de criar detritos rochosos, as simula\u00e7\u00f5es mostraram que grandes colis\u00f5es entre planetas vaporizam as rochas em g\u00e1s. Ao contr\u00e1rio dos detritos s\u00f3lidos e derretidos, este g\u00e1s escapa mais facilmente do Sistema Solar, deixando poucos vest\u00edgios destes eventos destruidores de planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu trabalho, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, fornece uma potencial solu\u00e7\u00e3o para este paradoxo de d\u00e9cadas, apelidado d&#8217;&#8221;O Problema do Manto Perdido&#8221; ou a &#8220;Grande Escassez de Dunito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 muito que se entendeu que s\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias grandes colis\u00f5es para formar Merc\u00fario, V\u00e9nus, a Terra, a Lua e talvez Marte,&#8221; disse Gabriel, que \u00e9 o investigador principal deste projeto. &#8220;Mas a tremenda quantidade de detritos de impacto esperada deste processo n\u00e3o \u00e9 observada na cintura de asteroides, por isso sempre foi uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os seus resultados tamb\u00e9m podem ajudar-nos a melhor entender como a Lua foi formada, que se pensa ter nascido depois de uma colis\u00e3o que libertou detritos para o Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Depois de se formar a partir de destro\u00e7os ligados \u00e0 Terra, a Lua tamb\u00e9m teria sido bombardeada pelo material ejetado que orbita o Sol durante os primeiros cem milh\u00f5es de ou mais da sua exist\u00eancia,&#8221; disse Gabriel. &#8220;Se estes detritos fossem s\u00f3lidos, poderiam comprometer ou influenciar fortemente a forma\u00e7\u00e3o inicial da Lua, especialmente se a colis\u00e3o fosse violenta. No entanto, se o material estivesse na forma de g\u00e1s, os detritos podem n\u00e3o ter influenciado de forma alguma a Lua primitiva.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gabriel e Allen-Sutter esperam continuar esta linha de investiga\u00e7\u00e3o para aprender mais sobre n\u00e3o apenas os nossos pr\u00f3prios planetas, mas tamb\u00e9m sobre a grande popula\u00e7\u00e3o de planetas observados para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que certas observa\u00e7\u00f5es telesc\u00f3picas podem ter capturado imagens diretas de fragmentos gigantes de impacto em torno de outras estrelas,&#8221; disse Gabriel. &#8220;Como n\u00e3o podemos viajar para o passado a fim de observar as colis\u00f5es no nosso Sistema Solar, estas observa\u00e7\u00f5es astrof\u00edsicas de outros mundos s\u00e3o um laborat\u00f3rio natural para testarmos e explorarmos a nossa teoria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.asu.edu\/20210831-case-missing-mantle-how-impact-debris-may-have-disappeared-solar-system\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.asu.edu\/20210831-case-missing-mantle-how-impact-debris-may-have-disappeared-solar-system\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/abffd1\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do Sistema Solar, pensa-se que planetas terrestres como Merc\u00fario, V\u00e9nus e a Terra se tenham formado a partir de planetesimais, pequenos planetas primitivos. 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