{"id":4445,"date":"2021-09-07T07:01:22","date_gmt":"2021-09-07T06:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4445"},"modified":"2021-09-07T07:01:36","modified_gmt":"2021-09-07T06:01:36","slug":"hubble-descobre-anas-brancas-que-queimam-hidrogenio-e-que-envelhecem-lentamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/07\/hubble-descobre-anas-brancas-que-queimam-hidrogenio-e-que-envelhecem-lentamente\/","title":{"rendered":"Hubble descobre an\u00e3s brancas que queimam hidrog\u00e9nio e que envelhecem lentamente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podem as estrelas moribundas deter o segredo da juventude? Novas evid\u00eancias do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA sugerem que as an\u00e3s brancas podem continuar a queimar hidrog\u00e9nio nos est\u00e1gios finais das suas vidas, fazendo com que pare\u00e7am mais jovens do que realmente s\u00e3o. Esta descoberta pode ter consequ\u00eancias sobre como os astr\u00f3nomos medem a idade dos enxames estelares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vis\u00e3o predominante das an\u00e3s brancas como estrelas inertes e em arrefecimento foi contestada por observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA. Um grupo internacional de astr\u00f3nomos descobriu a primeira evid\u00eancia de que as an\u00e3s brancas podem diminuir o ritmo do seu envelhecimento queimando hidrog\u00e9nio na sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2108a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"353\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mJbT1aKi_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4446\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mJbT1aKi_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mJbT1aKi_o-300x151.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Para investigar a f\u00edsica subjacente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas, os astr\u00f3nomos compararam an\u00e3s brancas em arrefecimento em duas cole\u00e7\u00f5es massivas de estrelas: os enxames globulares M3 e M13. Estes dois enxames partilham muitas caracter\u00edsticas f\u00edsicas como idade e metalicidade, mas as popula\u00e7\u00f5es de estrelas que v\u00e3o eventualmente dar azo a an\u00e3s brancas s\u00e3o diferentes. Isto torna M3 e M13, juntas, um laborat\u00f3rio natural perfeito no qual testar como popula\u00e7\u00f5es diferentes de an\u00e3s brancas arrefecem.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble &amp; NASA, G. Piotto et al.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontr\u00e1mos a primeira evid\u00eancia observacional de que as an\u00e3s brancas ainda podem ter atividade termonuclear est\u00e1vel,&#8221; explicou Jianxing Chen da Universidade de Bolonha e do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica) da It\u00e1lia, que liderou esta investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Isto foi uma grande surpresa, pois est\u00e1 em desacordo com o que geralmente se pensa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o estrelas em lento arrefecimento que libertaram as suas camadas exteriores durante os \u00faltimos est\u00e1gios das suas vidas. S\u00e3o objetos comuns no cosmos: aproximadamente 98% de todas as estrelas do Universo acabar\u00e3o por tornar-se an\u00e3s brancas, incluindo o nosso pr\u00f3prio Sol. O estudo destes est\u00e1gios de arrefecimento ajuda os astr\u00f3nomos a entender n\u00e3o apenas as an\u00e3s brancas, mas tamb\u00e9m os seus est\u00e1gios iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar a f\u00edsica subjacente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas, os astr\u00f3nomos compararam an\u00e3s brancas em duas cole\u00e7\u00f5es massivas de estrelas: os enxames globulares M3 e M13. Estes dois enxames partilham muitas propriedades f\u00edsicas, como idade e metalicidade (a propor\u00e7\u00e3o de outros elementos que n\u00e3o o hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio). Em particular, as estrelas num est\u00e1gio evolutivo conhecido como Ramo Horizontal s\u00e3o mais azuis em M13, indicando uma popula\u00e7\u00e3o de estrelas mais quentes. Isto torna M3 e M13, juntas, um laborat\u00f3rio natural perfeito no qual testar como popula\u00e7\u00f5es diferentes de an\u00e3s brancas arrefecem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2108b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/25\/90\/7W2OhsrI_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagem de campo amplo de M3.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble, DSS2. Reconhecimento: D. De Martin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A excelente qualidade das nossas observa\u00e7\u00f5es pelo Hubble forneceu-nos uma vis\u00e3o completa das popula\u00e7\u00f5es estelares dos dois enxames globulares,&#8221; continuou Chen. &#8220;Isto permitiu-nos realmente contrastar como as estrelas evoluem em M3 e M13.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble, os astr\u00f3nomos observaram M3 e M13 no ultravioleta pr\u00f3ximo, permitindo-lhes comparar mais de 700 an\u00e3s brancas nos dois enxames. Eles descobriram que M3 cont\u00e9m an\u00e3s brancas padr\u00e3o que s\u00e3o simplesmente n\u00facleos estelares em arrefecimento. M13, por outro lado, cont\u00e9m duas popula\u00e7\u00f5es de an\u00e3s brancas: an\u00e3s brancas padr\u00e3o e aquelas que conseguiram manter um inv\u00f3lucro exterior de hidrog\u00e9nio, permitindo-lhes &#8220;arder&#8221; por mais tempo e, portanto, arrefecer mais lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comparando os seus resultados com simula\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o estelar em M13, os investigadores conseguiram mostrar que cerca de 70% das an\u00e3s brancas em M13 est\u00e3o a queimar hidrog\u00e9nio nas suas superf\u00edcies, diminuindo o ritmo a que arrefecem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2108c.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7b\/82\/wBWRswW4_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagem de campo amplo de M13.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble, DSS2. Reconhecimento: D. De Martin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta pode ter consequ\u00eancias sobre como os astr\u00f3nomos medem as idades das estrelas na Via L\u00e1ctea. A evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas foi modelada anteriormente como um processo de arrefecimento previs\u00edvel. Esta rela\u00e7\u00e3o relativamente direta entre idade e temperatura levou os astr\u00f3nomos a usar o ritmo de arrefecimento das an\u00e3s brancas como um rel\u00f3gio natural para determinar as idades dos enxames estelares, em particular dos globulares e dos abertos. No entanto, as an\u00e3s brancas que queimam hidrog\u00e9nio podem fazer com que estas estimativas de idade sejam imprecisas at\u00e9 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa descoberta desafia a defini\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas \u00e0 medida que consideramos uma nova perspetiva sobre o modo como as an\u00e3s brancas envelhecem,&#8221; acrescentou Francesco Ferraro da Universidade de Bolonha e do INAF, que coordenou o estudo. &#8220;Estamos agora a investigar outros enxames semelhantes a M13 para restringir ainda mais as condi\u00e7\u00f5es que levam as estrelas a manter o fino inv\u00f3lucro de hidrog\u00e9nio que lhes permite envelhecer lentamente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Could dying stars hold the secret to looking younger? - Space Sparks Episode 6\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kV3ijfcGLBI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2108\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/hubble-discovers-hydrogen-burning-white-dwarfs-enjoying-slow-aging\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2021\/news-2021-050\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.cosmic-lab.eu\/Cosmic-Lab\/slow_WD.html\" target=\"_blank\">\/\/ Cosmic-Lab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01445-6\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/static\/science_papers\/heic2108\/heic2108.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ramo Horizontal:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Horizontal_branch\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M3:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m003.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M13:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m013.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podem as estrelas moribundas deter o segredo da juventude? 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