{"id":4442,"date":"2021-09-07T06:58:13","date_gmt":"2021-09-07T05:58:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4442"},"modified":"2021-09-07T06:58:15","modified_gmt":"2021-09-07T05:58:15","slug":"colisao-estelar-desencadeia-explosao-de-supernova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/07\/colisao-estelar-desencadeia-explosao-de-supernova\/","title":{"rendered":"Colis\u00e3o estelar desencadeia explos\u00e3o de supernova"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos encontraram evid\u00eancias dram\u00e1ticas de que ou um buraco negro ou uma estrela de neutr\u00f5es espiralou at\u00e9 ao n\u00facleo de uma estrela companheira e fez com que essa companheira explodisse como uma supernova. Os astr\u00f3nomos foram informados por dados do VLASS (Very Large Array Sky Survey), um projeto de v\u00e1rios anos usando o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os te\u00f3ricos previram que isto poderia acontecer, mas esta \u00e9 a primeira vez que realmente vimos tal evento&#8221;, disse Dillon Dong, estudante no Caltech e autor principal de um artigo que relata a descoberta, publicado na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/df\/cb\/DMSydSgL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"563\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-1024x563.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4443\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-1024x563.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-300x165.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-768x422.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-1536x845.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/DMSydSgL_o-2048x1126.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Detritos velozes de uma explos\u00e3o de supernova despoletada por uma colis\u00e3o estelar colidem com g\u00e1s expulso anteriormente, e os choques produzem a brilhante emiss\u00e3o r\u00e1dio vista pelo VLA.<br>Cr\u00e9dito: Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A primeira pista surgiu quando os cientistas examinaram imagens do VLASS, que come\u00e7ou as observa\u00e7\u00f5es em 2017, e encontraram um objeto brilhante a emitir ondas de r\u00e1dio, mas que n\u00e3o havia aparecido num levantamento anterior do c\u00e9u pelo VLA, de nome FIRST (Faint Images of the Radio Sky at Twenty centimeters). Fizeram observa\u00e7\u00f5es subsequentes do objeto, designado VT 1210+4956, usando o VLA e o telesc\u00f3pio Keck no Hawaii. Determinaram que a emiss\u00e3o brilhante no r\u00e1dio vinha dos arredores de uma gal\u00e1xia an\u00e3, formadora de estrelas, a cerca de 480 milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Mais tarde, descobriram que um instrumento a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional tinha detetado, em 2014, uma explos\u00e3o de raios-X oriunda do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de todas estas observa\u00e7\u00f5es permitiram aos astr\u00f3nomos reunir a hist\u00f3ria fascinante de uma dan\u00e7a da morte com s\u00e9culos de dura\u00e7\u00e3o entre duas estrelas massivas. Tal como a maioria das estrelas que s\u00e3o muito mais massivas do que o nosso Sol, estas duas nasceram como um par bin\u00e1rio, orbitando-se uma \u00e0 outra. Uma delas era mais massiva do que a outra e evoluiu ao longo do seu tempo de vida normal, alimentada a fus\u00e3o nuclear, mas mais rapidamente, e explodiu como uma supernova, deixando para tr\u00e1s ou um buraco negro ou uma estrela de neutr\u00f5es superdensa.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00f3rbita do buraco negro ou da estrela de neutr\u00f5es ficou cada vez mais perto da sua companheira e h\u00e1 cerca de 300 anos entrou na atmosfera da companheira, dando in\u00edcio \u00e0 dan\u00e7a da morte. Neste ponto, a intera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a espalhar g\u00e1s da companheira para o espa\u00e7o. O g\u00e1s ejetado, espiralando para fora, formou um anel em forma de rosca e em expans\u00e3o, chamado toro, em torno do par.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventualmente, o buraco negro ou a estrela de neutr\u00f5es fez o seu percurso em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo da estrela companheira, perturbando a fus\u00e3o nuclear que produz a energia que impedia o colapso do n\u00facleo sob a sua pr\u00f3pria gravidade. \u00c0 medida que o n\u00facleo colapsava, formou brevemente um disco de material em \u00f3rbita \u00edntima da intrusa e impulsionou um jato de material para fora do disco a velocidades pr\u00f3ximas da da luz, perfurando o seu caminho atrav\u00e9s da estrela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/57\/37\/utr7iGJI_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/57\/37\/utr7iGJI_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A sequ\u00eancia de eventos &#8211; no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio: 1. A estrela de neutr\u00f5es ou buraco negro orbita uma estrela companheira (azul clara), ficando cada vez mais perto ao longo de milhares de anos; 2. A estrela de neutr\u00f5es ou buraco negro entra na atmosfera da sua companheira, expulsando g\u00e1s para o espa\u00e7o numa espiral em expans\u00e3o; 3. Quando o intruso chega ao n\u00facleo da companheira, o material forma brevemente um disco que impulsiona para fora um jato superveloz. A fus\u00e3o nuclear que mant\u00e9m o n\u00facleo da estrela contra a sua pr\u00f3pria gravidade \u00e9 perturbada, despoletando um colapso e uma subsequente explos\u00e3o de supernova; 4. O material expulso pela explos\u00e3o de supernova encontra o material atirado previamente pela intera\u00e7\u00e3o anterior, provocando fortes ondas de choque que produzem as ondas de r\u00e1dio observadas com o VLA.<br>Cr\u00e9dito: Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse jato \u00e9 o que produziu os raios-X vistos pelo instrumento MAXI a bordo da ISS, e isto confirma a data deste evento em 2014,&#8221; disse Dong.<\/p>\n\n\n\n<p>O colapso do n\u00facleo da estrela fez com que ela explodisse como uma supernova, seguindo a explos\u00e3o anterior da sua irm\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A estrela companheira iria explodir eventualmente, mas esta fus\u00e3o acelerou o processo,&#8221; acrescentou Dong.<\/p>\n\n\n\n<p>O material expulso pela explos\u00e3o de supernova de 2014 moveu-se muito mais depressa do que o material lan\u00e7ado anteriormente da estrela companheira e, quando o VLASS observou o objeto, a explos\u00e3o de supernova estava a colidir com esse material, provocando choques poderosos que produziram a brilhante emiss\u00e3o de r\u00e1dio vista pelo VLA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todas as pe\u00e7as deste quebra-cabe\u00e7as encaixam para contar esta hist\u00f3ria incr\u00edvel,&#8221; disse Gregg Hallinan do Caltech. &#8220;O remanescente de uma estrela que explodiu h\u00e1 muito tempo mergulhou na sua companheira, fazendo com que tamb\u00e9m explodisse,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave para a descoberta, disse Hallinan, foi o VLASS, que est\u00e1 a obter imagens de todo o c\u00e9u vis\u00edvel \u00e0 latitude do VLA &#8211; cerca de 80% do c\u00e9u &#8211; tr\u00eas vezes ao longo de sete anos. Um dos objetivos de fazer o VLASS desta forma \u00e9 o de descobrir objetos transit\u00f3rios, como explos\u00f5es de supernova, que emitem intensamente no r\u00e1dio. No entanto, esta supernova, provocada por uma fus\u00e3o estelar, foi uma surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De todas as coisas que pens\u00e1vamos descobrir com o VLASS, esta n\u00e3o era uma delas,&#8221; disse Hallinan.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/stellar-collision-triggers-supernova\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/merger-triggered-supernova\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/a-black-hole-triggers-a-premature-supernova\" target=\"_blank\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abg6037\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/new-type-supernova-star-merger\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/astronomers-find-new-kind-of-supernova-left-behind-after-a-violent-stellar-merger\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2288765-we-have-spotted-a-new-kind-of-supernova-triggered-by-cosmic-collisions\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/astronomy\/stellar-collision-triggers-a-supernova-explosion.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceRef<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-09-stellar-collision-triggers-supernova-explosion.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2021\/09\/210902174652.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAXI:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MAXI_(ISS_experiment)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos encontraram evid\u00eancias dram\u00e1ticas de que ou um buraco negro ou uma estrela de neutr\u00f5es espiralou at\u00e9 ao n\u00facleo de uma estrela companheira e fez com que essa companheira explodisse como uma supernova. 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