{"id":4433,"date":"2021-09-03T06:20:23","date_gmt":"2021-09-03T05:20:23","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4433"},"modified":"2021-09-03T06:20:25","modified_gmt":"2021-09-03T05:20:25","slug":"lupa-de-raios-x-melhora-visao-de-buracos-negros-distantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/03\/lupa-de-raios-x-melhora-visao-de-buracos-negros-distantes\/","title":{"rendered":"&#8220;Lupa&#8221; de raios-X melhora vis\u00e3o de buracos negros distantes"},"content":{"rendered":"\n<p>Tirando proveito de uma lente natural no espa\u00e7o, os astr\u00f3nomos capturaram uma vis\u00e3o sem precedentes dos raios-X de um sistema de buracos negros no in\u00edcio do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta lupa foi usada para melhorar pela primeira vez a nitidez das imagens de raios-X usando o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA. Capturou detalhes sobre buracos negros que normalmente estariam demasiado distantes para estudar usando os telesc\u00f3pios de raios-X existentes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/mgb2016\/mgb2016_labeled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"807\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mgb2016_labeled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4434\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mgb2016_labeled.jpg 864w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mgb2016_labeled-300x280.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mgb2016_labeled-768x717.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption>Os astr\u00f3nomos usaram lentes gravitacionais para obter uma vis\u00e3o sem precedentes de um sistema composto por buracos negros no in\u00edcio do Universo. Uma impress\u00e3o de artista mostra como os raios-X de um dos objetos \u00e0 esquerda (roxo) foram distorcidos pela gravidade de uma gal\u00e1xia interveniente para produzir duas fontes detetadas na imagem do Chandra (inser\u00e7\u00e3o no canto superior esquerdo). A luz do objeto mais t\u00e9nue (azul) foi ampliada pela gal\u00e1xia para ser 300 vezes mais brilhante do que seria sem a lente. Os dois objetos ou s\u00e3o dois buracos negros supermassivos em crescimento, ou um buraco negro e o seu jato.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/CXC\/M. Weiss; imagem de raios-X (inser\u00e7\u00e3o) &#8211; NASA\/CXC\/SAO\/D. Schwartz et al. (<a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/mgb2016\/mgb2016.jpg\">ver vers\u00e3o sem legendas<\/a>; <a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/mgb2016\/mgb2016_xray.jpg\">ver amplia\u00e7\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos aplicaram um fen\u00f3meno conhecido como &#8220;lente gravitacional&#8221; que ocorre quando o percurso da luz de objetos distantes \u00e9 curvado por uma grande concentra\u00e7\u00e3o de massa, como uma gal\u00e1xia, que fica ao longo da linha de vis\u00e3o. Estas lentes podem ampliar e amplificar a luz em grandes quantidades e criar imagens duplicadas do mesmo objeto. A configura\u00e7\u00e3o destas imagens duplicadas pode ser usada para decifrar a complexidade do objeto e tornar as imagens mais n\u00edtidas.<\/p>\n\n\n\n<p>No novo estudo, o sistema de lentes gravitacionais \u00e9 denominado MG B2016+112. Os raios-X detetados pelo Chandra foram emitidos por este sistema quando o Universo tinha apenas 2 mil milh\u00f5es de anos, em compara\u00e7\u00e3o com a sua idade atual de quase 14 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os nossos esfor\u00e7os para ver e entender estes objetos distantes em raios-X estariam condenados se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos uma lupa natural como esta,&#8221; disse Dan Schwartz do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, que liderou o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o mais recente baseia-se em trabalhos anteriores liderados pela coautora Cristiana Spingola, atualmente no INAF (Instituto Nacional para Astrof\u00edsica) em Bolonha, It\u00e1lia. Usando observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio de MG B2016+112, a sua equipa encontrou evid\u00eancias de um par de buracos negros supermassivos em r\u00e1pido crescimento separados por apenas mais ou menos 650 anos-luz. Descobriram que ambos os candidatos a buraco negro possivelmente t\u00eam jatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando um modelo de lente gravitacional baseado nos dados de r\u00e1dio, Schwartz e colegas conclu\u00edram que as tr\u00eas fontes de raios-X que detetaram no sistema MG B2016+112 devem ter resultado da lente de dois objetos distintos. Estes dois objetos que emitem raios-X s\u00e3o provavelmente um par de buracos negros supermassivos em crescimento ou um buraco negro supermassivo em crescimento e o seu jato. A separa\u00e7\u00e3o estimada destes dois objetos \u00e9 consistente com o trabalho no r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A Quick Look at MG B2016+112\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3-9X5zypdmE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>As medi\u00e7\u00f5es anteriores, pelo Chandra, de pares ou trios de buracos negros supermassivos em crescimento geralmente envolveram objetos muito mais pr\u00f3ximos da Terra, ou com separa\u00e7\u00f5es muito maiores entre os objetos. J\u00e1 foi observado um jato de raios-X a uma dist\u00e2ncia ainda maior da Terra, com luz emitida quando o Universo tinha apenas 7% da sua idade atual. No entanto, a emiss\u00e3o do jato est\u00e1 separada do buraco negro por cerca de 160.000 anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado \u00e9 importante porque fornece informa\u00e7\u00f5es cruciais sobre a velocidade de crescimento dos buracos negros no in\u00edcio do Universo e a dete\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel buraco negro duplo. A lente gravitacional amplia a luz destes objetos distantes que, de outra forma, seriam demasiado t\u00e9nues para serem detetados. Os raios-X detetados de um dos objetos em MG B2016+112 podem ser at\u00e9 300 vezes mais brilhantes do que seriam sem as lentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os astr\u00f3nomos descobriram buracos negros com massas equivalentes a milhares de milh\u00f5es de vezes a do nosso Sol, sendo formados apenas centenas de milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, quando o Universo tinha apenas uns pontos percentuais da sua idade atual,&#8221; disse Spingola. &#8220;Queremos resolver o mist\u00e9rio de como estes buracos negros supermassivos ganharam massa t\u00e3o depressa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As amplia\u00e7\u00f5es pelas lentes gravitacionais podem permitir aos investigadores estimar quantos sistemas contendo dois buracos negros supermassivos t\u00eam separa\u00e7\u00f5es pequenas o suficiente para produzir ondas gravitacionais observ\u00e1veis no futuro com detetores espaciais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De muitas maneiras, este resultado \u00e9 uma prova de conceito empolgante de como esta &#8216;lupa&#8217; pode ajudar-nos a revelar a f\u00edsica dos buracos negros supermassivos distantes numa nova abordagem. Sem este efeito, o Chandra teria que observ\u00e1-lo durante um espa\u00e7o de tempo centenas de vezes maior e mesmo assim n\u00e3o revelaria as estruturas complexas,&#8221; disse a coautora Anna Barnacka do CfA e da Universidade Jagiellonian, que desenvolveu as t\u00e9cnicas para transformar lentes gravitacionais em telesc\u00f3pios de alta resolu\u00e7\u00e3o e assim melhorar as imagens.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Gra\u00e7as \u00e0s lentes gravitacionais, observa\u00e7\u00f5es mais longas do Chandra podem ser capazes de determinar se \u00e9 efetivamente um par de buracos negros ou um buraco negro e o seu jato. Tamb\u00e9m estamos ansiosos para aplicar esta t\u00e9cnica no futuro, especialmente tendo em conta que levantamentos por novas e importantes instala\u00e7\u00f5es \u00f3ticas e no r\u00e1dio, que em breve entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o, v\u00e3o fornecer dezenas de milhares de alvos,&#8221; concluiu Schwartz.<\/p>\n\n\n\n<p>A incerteza na posi\u00e7\u00e3o de raios-X de um dos objetos em MG B2016+112 \u00e9 de 130 anos-luz numa dimens\u00e3o e de 2000 anos-luz na outra dimens\u00e3o perpendicular. Isto significa que o tamanho da \u00e1rea onde a fonte provavelmente est\u00e1 localizada \u00e9 mais de 100 vezes menor do que a \u00e1rea correspondente a uma t\u00edpica fonte do Chandra sem lente. Esta precis\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9 incompar\u00e1vel na astronomia de raios-X para uma fonte a esta dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de agosto da revista The Astrophysical Journal e uma vers\u00e3o de pr\u00e9-publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no site arXiv.org.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A Tour of MG B2016+112\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K4t0zaTpciU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/21_releases\/press_083121.html\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/news\/x-ray-magnifying-glass-enhances-view-of-distant-black-holes.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac0909\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2103.08537\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tirando proveito de uma lente natural no espa\u00e7o, os astr\u00f3nomos capturaram uma vis\u00e3o sem precedentes dos raios-X de um sistema de buracos negros no in\u00edcio do Universo. 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