{"id":4430,"date":"2021-09-03T06:17:25","date_gmt":"2021-09-03T05:17:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4430"},"modified":"2021-09-03T06:17:27","modified_gmt":"2021-09-03T05:17:27","slug":"o-que-pode-uma-jovem-estrela-ensinar-nos-sobre-o-nascimento-do-nosso-planeta-do-sol-e-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/09\/03\/o-que-pode-uma-jovem-estrela-ensinar-nos-sobre-o-nascimento-do-nosso-planeta-do-sol-e-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"O que pode uma jovem estrela ensinar-nos sobre o nascimento do nosso planeta, do Sol e do Sistema Solar?"},"content":{"rendered":"\n<p>A conhecida estrela no centro do nosso Sistema Solar teve milhares de milh\u00f5es de anos para amadurecer e fornecer energia que nos \u00e9 vital, c\u00e1 na Terra. Mas, h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s, o nosso Sol era apenas uma estrela beb\u00e9 em crescimento. Qual o aspeto do Sol quando era t\u00e3o jovem? Este \u00e9 um mist\u00e9rio que, se resolvido, pode ensinar-nos mais sobre a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar e de outros sistemas estelares compostos de planetas e objetos c\u00f3smicos que orbitam estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Detet\u00e1mos milhares de planetas noutros sistemas estelares na nossa Gal\u00e1xia, mas como \u00e9 que surgiram todos estes planetas? Como \u00e9 que a Terra foi formada? Isto \u00e9 o que realmente me motiva,&#8221; diz Catherine Espaillat, autora principal do artigo e professora associada de astronomia na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Boston.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f0\/4e\/KWHmZjfT_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"804\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/KWHmZjfT_o-804x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4431\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/KWHmZjfT_o-804x1024.jpg 804w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/KWHmZjfT_o-236x300.jpg 236w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/KWHmZjfT_o-768x978.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/KWHmZjfT_o.jpg 1206w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem ilustra uma jovem estrela chamada GM Aurigae a comer part\u00edculas de g\u00e1s e poeira de um disco protoplanet\u00e1rio, que est\u00e1 representado pelo material verde em redor da estrela brilhante.<br>Cr\u00e9dito: M. M. Romanova<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um novo artigo cient\u00edfico, publicado na revista Nature por Espaillat e colaboradores, finalmente fornece novas pistas sobre quais as for\u00e7as que estavam em jogo quando o nosso Sol estava na sua inf\u00e2ncia, detetando, pela primeira vez, uma mancha invulgar numa estrela beb\u00e9 que revela novas informa\u00e7\u00f5es sobre como as estrelas jovens crescem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma estrela beb\u00e9 est\u00e1 a formar-se, explica Espaillat, devora part\u00edculas de poeira e g\u00e1s que giram \u00e0 sua volta no que \u00e9 chamado de disco protoplanet\u00e1rio. As part\u00edculas atingem a superf\u00edcie da estrela num processo denominado acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este \u00e9 o mesmo processo pelo qual o Sol passou,&#8221; diz Espaillat.<\/p>\n\n\n\n<p>Os discos protoplanet\u00e1rios podem ser encontrados dentro de nuvens moleculares magnetizadas, que em todo o Universo s\u00e3o conhecidas pelos astr\u00f3nomos como ber\u00e7\u00e1rios de novas estrelas. Foi teorizado que os discos protoplanet\u00e1rios e as estrelas est\u00e3o ligados por um campo magn\u00e9tico e que as part\u00edculas seguem o campo at\u00e9 \u00e0 estrela. \u00c0 medida que as part\u00edculas colidem com a superf\u00edcie da estrela em crescimento, formam-se manchas quentes &#8211; regi\u00f5es extremamente quentes e densas &#8211; nos pontos focais do processo de acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para uma jovem estrela a cerca de 450 anos-luz da Terra, as observa\u00e7\u00f5es de Espaillat e da sua equipa confirmam, pela primeira vez, a precis\u00e3o dos modelos de acre\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos desenvolvidos para prever a forma\u00e7\u00e3o de manchas quentes. Esses modelos de computador at\u00e9 agora baseavam-se em algoritmos que calculam como a estrutura dos campos magn\u00e9ticos direciona as part\u00edculas dos discos protoplanet\u00e1rios para colidirem com pontos espec\u00edficos na superf\u00edcie de estrelas em crescimento. Agora, os dados observ\u00e1veis apoiam estes c\u00e1lculos.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa da Universidade de Boston, que inclui o estudante John Wendeborn e o investigador p\u00f3s-doutorado Thanawuth Thanathibodee, estudou detalhadamente uma jovem estrela chamada GM Aurigae, localizada na nuvem molecular de Touro-Cocheiro da Via L\u00e1ctea. Atualmente \u00e9 imposs\u00edvel fotografar a superf\u00edcie de uma estrela t\u00e3o distante, diz Espaillat, mas s\u00e3o poss\u00edveis outros tipos de imagens, uma vez que diferentes partes da superf\u00edcie de uma estrela emitem luz em diferentes comprimentos de onda. A equipa passou um m\u00eas a obter instant\u00e2neos di\u00e1rios da superf\u00edcie de GM Aurigae, compilando conjuntos de dados em raios-X, no ultravioleta, infravermelho e no vis\u00edvel. Para espiar GM Aurigae, confiaram nos &#8220;olhos&#8221; do Hubble, do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), do Swift e da rede global de telesc\u00f3pios do Observat\u00f3rio Las Cumbres.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta estrela em particular, GM Aurigae, completa uma rota\u00e7\u00e3o em cerca de uma semana, e nesse tempo os n\u00edveis de brilho devem atingir o pico e o m\u00ednimo \u00e0 medida que a mancha quente se desloca para o lado oculto da estrela (da perspetiva da Terra) e novamente para o lado vis\u00edvel. Mas quando a equipa alinhou os seus dados lado a lado pela primeira vez, ficaram perplexos com o que viram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vimos que houve um deslocamento [nos dados] de um dia,&#8221; acrescentou Espaillat. Em vez de todos os comprimentos de onda atingirem o pico ao mesmo tempo, a radia\u00e7\u00e3o UV estava no seu brilho m\u00e1ximo cerca de um dia antes de todos os outros comprimentos de onda atingirem o seu. Ao in\u00edcio, pensaram que podiam ter recolhido dados imprecisos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Revimos os dados muitas vezes, verific\u00e1mos os tempos e percebemos que n\u00e3o era um erro,&#8221; diz. Eles descobriram que a mancha quente propriamente dita n\u00e3o \u00e9 totalmente uniforme e que tem uma \u00e1rea dentro dela que \u00e9 ainda mais quente que o resto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A mancha quente n\u00e3o \u00e9 um c\u00edrculo perfeito&#8230; \u00e9 mais como um arco, em que uma parte desse arco \u00e9 mais quente e densa do que o resto,&#8221; explica Espaillat. A forma \u00fanica explica o desalinhamento nos dados dos comprimentos de onda. Este \u00e9 um fen\u00f3meno que nunca tinha sido visto antes numa mancha quente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este [estudo] ensina-nos que as manchas quentes s\u00e3o pegadas na superf\u00edcie estelar criadas pelo campo magn\u00e9tico,&#8221; diz Espaillat. No passado, o Sol tamb\u00e9m teve manchas quentes &#8211; que s\u00e3o diferentes das manchas solares, \u00e1reas do nosso Sol que s\u00e3o mais frias do que o resto da superf\u00edcie &#8211; concentradas nas \u00e1reas onde estava a comer part\u00edculas de um disco protoplanet\u00e1rio circundante de g\u00e1s e poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventualmente, os discos protoplanet\u00e1rios desaparecem, deixando para tr\u00e1s estrelas, planetas e outros objetos c\u00f3smicos que comp\u00f5em um sistema estelar, diz Espaillat. Ainda h\u00e1 evid\u00eancias do disco protoplanet\u00e1rio que alimentou o nosso Sistema Solar, salienta, que podem ser encontradas na exist\u00eancia da nossa cintura de asteroides e de todos os planetas. Espaillat diz que estudar estrelas jovens que partilham propriedades semelhantes com o nosso Sol \u00e9 a chave para compreender o nascimento do nosso pr\u00f3prio planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.bu.edu\/articles\/2021\/young-stars\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Boston (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03751-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2109.00510\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Swift:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/swift.gsfc.nasa.gov\/docs\/swift\/swiftsc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Las Cumbres:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/lco.global\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Las_Cumbres_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conhecida estrela no centro do nosso Sistema Solar teve milhares de milh\u00f5es de anos para amadurecer e fornecer energia que nos \u00e9 vital, c\u00e1 na Terra. 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