{"id":4419,"date":"2021-08-27T06:20:18","date_gmt":"2021-08-27T05:20:18","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4419"},"modified":"2021-08-27T06:20:20","modified_gmt":"2021-08-27T05:20:20","slug":"descoberto-o-asteroide-com-a-orbita-mais-rapida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/27\/descoberto-o-asteroide-com-a-orbita-mais-rapida\/","title":{"rendered":"Descoberto o asteroide com a \u00f3rbita mais r\u00e1pida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando a poderosa c\u00e2mara DECam (Dark Energy Camera) de 570 megapix\u00e9is no Chile, os astr\u00f3nomos descobriram um asteroide com o per\u00edodo orbital mais curto de qualquer objeto do g\u00e9nero conhecido no Sistema Solar. A \u00f3rbita do asteroide com aproximadamente 1 km de di\u00e2metro leva-o at\u00e9 20 milh\u00f5es de quil\u00f3metros (ou 0,13 UA) do Sol a cada 113 dias. O asteroide 2021 PH27, revelado em imagens obtidas durante o crep\u00fasculo, tamb\u00e9m tem a menor dist\u00e2ncia m\u00e9dia (semieixo maior) de qualquer asteroide conhecido no nosso Sistema Solar &#8211; apenas Merc\u00fario tem um per\u00edodo mais curto e semieixo maior mais pequeno. O asteroide est\u00e1 t\u00e3o perto do enorme campo gravitacional do Sol que sofre os maiores efeitos relativistas gerais de qualquer objeto conhecido no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asteroide designado 2021 PH27 foi descoberto por Scott S. Sheppard do Instituto Carnegie para Ci\u00eancia em dados recolhidos pela DECam acoplada no telesc\u00f3pio V\u00edctor M. Blanco de 4 metros no Observat\u00f3rio Interamericano de Cerro Tololo no Chile. As imagens da descoberta do asteroide foram obtidas por Ian Dell&#8217;antonio e por Shenming Fu da Universidade Brown nos c\u00e9us crepusculares da noite de 13 de agosto de 2021. Sheppard juntou-se a Dell&#8217;antonio e Fu enquanto conduzia observa\u00e7\u00f5es com a DECam para o levantamento LoVoCCS (Local Volume Complete Cluster Survey), que est\u00e1 a estudar a maioria dos enxames gal\u00e1cticos massivos no Universo local. Eles pararam de observar alguns dos maiores objetos a milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia para procurar objetos muito mais pequenos &#8211; asteroides &#8211; perto de casa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/91\/0a\/Xrc2uQhm_o.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"612\" height=\"415\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Xrc2uQhm_o.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-4420\"\/><\/a><figcaption>Anima\u00e7\u00e3o que mostra a descoberta do asteroide 2021 PH27.<br>Cr\u00e9dito: CTIO\/NOIRLab\/NSF\/DOE\/DECam\/AURA\/S.S. Sheppard (Instituto Carnegie para Ci\u00eancia)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das CCDs de campo amplo de mais alto desempenho do mundo, a DECam foi projetada para o DES (Dark Energy Survey), constru\u00edda no Fermilab e operada pelo Departamento de Energia dos EUA e pela NSF (National Science Foundation) entre 2013 e 2019. Atualmente, a DECam \u00e9 usada para programas que abrangem uma vasta gama de campos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crep\u00fasculo (ou lusco-fusco), logo ap\u00f3s o p\u00f4r-do-Sol ou antes do nascer do Sol, \u00e9 a melhor altura para ca\u00e7ar asteroides que est\u00e3o no interior da \u00f3rbita da Terra, na dire\u00e7\u00e3o dos dois planetas mais interiores, Merc\u00fario e V\u00e9nus. Como qualquer observador de estrelas lhe dir\u00e1, Merc\u00fario e V\u00e9nus nunca parecem ficar muito longe do Sol no c\u00e9u e s\u00e3o sempre melhor vis\u00edveis perto do nascer ou do p\u00f4r-do-Sol. O mesmo vale para asteroides que tamb\u00e9m orbitam perto do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a descoberta de 2021 PH27, David Tholen da Universidade do Hawaii mediu a posi\u00e7\u00e3o do asteroide e previu onde poderia ser observado na noite seguinte. Posteriormente, a 14 de agosto de 2021, foi observado mais uma vez pela DECam e tamb\u00e9m pelos Telesc\u00f3pios Magellan no Observat\u00f3rio Las Campanas, no Chile. Ent\u00e3o, na noite de dia 15 de agosto, Marco Micheli da ESA usou a rede de telesc\u00f3pios de 1 a 2 metros do Observat\u00f3rio Las Campanas para o observar a partir do Chile e da \u00c1frica do Sul, al\u00e9m de observa\u00e7\u00f5es adicionais pela DECam e pelos Magellan, enquanto os astr\u00f3nomos adiavam as suas observa\u00e7\u00f5es originalmente programadas para obter uma vis\u00e3o do asteroide rec\u00e9m-descoberto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora o tempo de telesc\u00f3pio seja muito precioso para os astr\u00f3nomos, a natureza internacional e o amor pelo desconhecido tornam os astr\u00f3nomos muito dispostos a ignorar a sua pr\u00f3pria ci\u00eancia e observa\u00e7\u00f5es para acompanhar novas e interessantes descobertas como esta,&#8221; diz Sheppard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os planetas e asteroides orbitam o Sol em \u00f3rbitas el\u00edpticas (ou de formato oval), com o eixo maior da elipse tendo um raio chamado semieixo maior. 2021 PH27 tem um semieixo maior de 70 milh\u00f5es de quil\u00f3metros (ou 0,46 UA), dando-lhe um per\u00edodo orbital de 113 dias numa \u00f3rbita alongada que cruza as \u00f3rbitas de Merc\u00fario e V\u00e9nus (2021 PH27 \u00e9 apenas um dos vinte asteroides conhecidos da fam\u00edlia Atira que t\u00eam as suas \u00f3rbitas completamente no interior da \u00f3rbita da Terra).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f9\/c5\/kFYS3eYS_o.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f9\/c5\/kFYS3eYS_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita de 2021 PH27, por Katherine Cain e Scott Sheppard. \u00c9 o asteroide com a \u00f3rbita mais r\u00e1pida conhecida.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Carnegie para Ci\u00eancia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode ter come\u00e7ado a sua vida na cintura principal de asteroides entre Marte e J\u00fapiter e ter sido desalojado por perturba\u00e7\u00f5es gravitacionais dos planetas interiores que o trouxeram para mais perto do Sol. A sua alta inclina\u00e7\u00e3o orbital de 32 graus sugere, no entanto, que pode ser um cometa extinto do Sistema Solar exterior que foi capturado para uma \u00f3rbita mais pr\u00f3xima de curto per\u00edodo ao passar perto de um dos planetas terrestres. Observa\u00e7\u00f5es futuras do asteroide lan\u00e7ar\u00e3o mais luz sobre as suas origens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua \u00f3rbita provavelmente tamb\u00e9m \u00e9 inst\u00e1vel por longos per\u00edodos de tempo, e provavelmente ir\u00e1 eventualmente colidir com Merc\u00fario, V\u00e9nus ou com o Sol daqui a alguns milh\u00f5es de anos, ou ser ejetado do Sistema Solar interior pela influ\u00eancia gravitacional dos planetas interiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam dificuldade em encontrar estes asteroides internos porque, muitas vezes, est\u00e3o ocultos pelo brilho do Sol. Quando os asteroides chegam t\u00e3o perto da nossa estrela, sofrem uma variedade de stresses, como tens\u00f5es t\u00e9rmicas do calor do Sol e tens\u00f5es f\u00edsicas das for\u00e7as gravitacionais de mar\u00e9. Estes stresses podem fazer com que alguns dos asteroides mais fr\u00e1geis se fragmentem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A fra\u00e7\u00e3o de asteroides interiores \u00e0 Terra e V\u00e9nus, em compara\u00e7\u00e3o com os exteriores, dar-nos-\u00e1 uma vis\u00e3o sobre a for\u00e7a e a composi\u00e7\u00e3o destes objetos,&#8221; diz Sheppard. Se a popula\u00e7\u00e3o de asteroides em \u00f3rbitas semelhantes \u00e0 de 2021 PH27 parecer esgotada, isto poder\u00e1 dizer aos astr\u00f3nomos a fra\u00e7\u00e3o de asteroides pr\u00f3ximos da Terra que s\u00e3o &#8220;pilhas de entulho&#8221;, fracamente mantidos juntos, em oposi\u00e7\u00e3o a peda\u00e7os s\u00f3lidos de rocha, o que poderia ter consequ\u00eancias para asteroides que podem estar em rota de colis\u00e3o com a Terra e de como podemos desvi\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Compreender a popula\u00e7\u00e3o de asteroides no interior da \u00f3rbita da Terra \u00e9 importante para completar o censo de asteroides pr\u00f3ximos da Terra, incluindo alguns dos mais prov\u00e1veis a colidir com a Terra que podem aproximar-se durante o dia e que n\u00e3o podem ser facilmente descobertos na maioria dos levantamentos noturnos, para longe do Sol,&#8221; diz Sheppard. Ele acrescenta que dado que 2021 PH27 se aproxima tanto do Sol, &#8220;&#8230; a sua temperatura de superf\u00edcie chega a quase 500\u00ba C no peri\u00e9lio, quente o suficiente para derreter chumbo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em conta que 2021 PH27 est\u00e1 t\u00e3o perto do enorme campo gravitacional do Sol, sofre os maiores efeitos relativistas de qualquer objeto conhecido do Sistema Solar. Isto revela-se como um ligeiro desvio angular na \u00f3rbita el\u00edptica do asteroide ao longo do tempo, um movimento chamado precess\u00e3o, que equivale a cerca de um minuto de arco por s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asteroide est\u00e1 agora a entrar em conjun\u00e7\u00e3o solar quando, do nosso ponto de vista, se move para tr\u00e1s do Sol. Espera-se que fique novamente vis\u00edvel a partir da Terra no in\u00edcio de 2022, quando novas observa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o determinar a sua \u00f3rbita com mais detalhes, permitindo que o asteroide receba um nome oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/news\/noirlab2123\/\" target=\"_blank\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/carnegiescience.edu\/news\/solar-systems-fastest-orbiting-asteroid-discovered\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Carnegie para Ci\u00eancia (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-blogs\/astronomy-space-david-dickinson\/astronomers-discover-asteroid-that-flies-close-to-the-sun\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/solar-system-fastest-orbiting-asteroid-2021-ph27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/152297\/an-asteroid-has-been-discovered-that-crosses-mercurys-orbit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/space\/fastest-asteroid-ever-discovered\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-08-fastest-orbiting-asteroid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/newly-discovered-space-rock-has-the-shortest-asteroid-year-in-the-solar-system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2021\/08\/23\/descoberto-o-vizinho-mais-proximo-do-sol-nao-nao-e-mercurio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observador<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2021 PH27:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=2021%20PH27;orb=1;cov=0;log=0;cad=0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2021_PH27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fam\u00edlia Atira de asteroides:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atira_asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DECam:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy_Survey#DECam\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Victor M. Blanco:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ctio.noao.edu\/noao\/node\/9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NOAO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V%C3%ADctor_M._Blanco_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Interamericano de Cerro Tololo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ctio.noao.edu\/noao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NOAO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cerro_Tololo_Inter-American_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Magellan:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lco.cl\/telescopes-information\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"http:\/\/obs.carnegiescience.edu\/Magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Carnegie<\/a><br><a href=\"https:\/\/visao.as.arizona.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Arizona<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando a poderosa c\u00e2mara DECam (Dark Energy Camera) de 570 megapix\u00e9is no Chile, os astr\u00f3nomos descobriram um asteroide com o per\u00edodo orbital mais curto de qualquer objeto do g\u00e9nero conhecido no Sistema Solar. 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